April 2003

Apr292003

A angústia da paternidade

Estava conversando com uma amiga minha portuguesa e de repente ela mandou pelo msn o seguinte artigo… Eu, particularmente, achei-o interessantíssimo. Vale a pena conferir.

“Durante um longo período de tempo, por toda a feliz Idade de Ouro, só existiram homens à superfície da terra, não havia mulheres. Zeus criou-as apenas respondendo com o seu rancor a todos os cuidados que Prometeu tivera para com o homem. Zeus criou então algo de muito perigoso, algo que deleitava os olhos pela suavidade e pela beleza, com o aspecto de uma donzela tímida a quem todos os deuses concederam dons, vestes prateadas e um véu todo bordado, uma autêntica maravilha. Chamaram-na Pandora, que significa “a dádiva de todos”; depois de terminada esta bela calamidade, Zeus mostrou-a a todos e, ao contemplarem-na, tanto os Deuses como os homens ficaram extasiados. É dela – a primeira mulher – que descendem todas as outras mulheres, que são a desgraça dos homens e que têm propensão para praticar o mal”
Hamilton, Edith, A Mitologia, 95-96

As concepções de inferioridade da mulher povoam toda a história da humanidade. Desde as narrativas míticas, de que o mito de Pandora é um exemplo, a mulher tem sido considerada não só como inferior, mas também como uma ameaça constante ao homem. A concepção Aristotélica da inferioridade física e moral da mulher (por falta de calor e excesso de humidade) foi uma das mais influentes da história ocidental. Mas as concepções de inferioridade da mulher multiplicam-se, mesmo nas sociedades que não sofreram a influência grega. Uma pergunta inevitável é: porquê? Porque é que a mulher sempre foi vista como inferior e, de algum modo, perigosa? Porque é que os homens se esforçaram por dominar as mulheres?

Nalgumas tribos existem mitos segundo os quais a superioridade do homem foi antecedida pela superioridade da mulher, superioridade esta de tal modo tirânica que justificaria a dominação presente do homem. Um exemplo de um mito deste tipo pode ser encontrado na tribo dos Ona estudada por Anne Chapman: “Na origem, explica Anne Chapman, os homens eram postos em abjecta submissão e eram obrigados a fazer todos os trabalhos, incluindo os domésticos, e serviam as suas esposas, reclusas na grande casa das mulheres de onde saíam os rugidos de máscaras aterrorizantes. A Lua dirigia as mulheres. Isto durou até ao dia em que o Sol, homem entre todos os homens, que trazia a caça para junto da cubata iniciática para alimentar as mulheres, surpreende a troça das jovens sobre a credulidade dos homens e compreende que as máscaras não são a emanação de forças sobrenaturais aterradoras dirigidas contra os homens, mas apenas um subterfúgio utilizado pelas mulheres para os manter em estado de dependência. Os homens estrangularam então todas as mulheres, à excepção de três jovenzinhas, e inverteram os papeis. A Lua voltou para o céu, onde continua sempre a tentar vingar-se (os eclipses do Sol são disso a prova)”.
Héritier, Françoise, “Masculino/Feminino”, 15-16

De facto, o controle social da fecundidade das mulheres pode ser considerado como essencial pelo menos nas primeiras sociedades. Isto porque, segundo os antropólogos, o parentesco é a matriz essencial de qualquer relação social. As tribos não podem reproduzir-se exclusivamente dentro de si próprias (o incesto constante levaria ao desaparecimento da tribo). Como tal, a base da relação das tribos entre si está na troca de mulheres fecundas. Mas, para a união da tribo é necessário garantir a paternidade, principalmente a paternidade dentro da tribo e não, por exemplo, numa tribo inimiga. Para tal, é necessário que as mulheres estejam sobre a dominação dos homens, isto não porque elas sejam consideradas promíscuas à partida, mas porque a maternidade é evidente e a paternidade é apenas aparente.

A evidência da maternidade em contraste com a apenas aparência da paternidade encontram expressão no artigo do Prof. Pina Cabral “A lei e a paternidade”. Neste artigo são apresentadas as máximas latinas que representam aquilo a que chamo “angústia da paternidade”. Uma dessas máximas é mater semper certa est, pater nunquam (“a mãe é sempre certa, o pai nunca”). É por essa razão que juridicamente a filiação materna é sempre uma declaração enquanto a paterna é um reconhecimento. O casamento é também uma forma de tentar garantir a paternidade: pater is est quem nuptiae demonstrant (“o pai (da criança) é o que se demonstrar estar casado (com a mãe)).

A angústia da paternidade é apresentada por Rousseau como a justificação da dominação da mulher pelo homem. Rousseau exprime essa angústia no estilo eloquente que lhe é usual: “Se há um estado horrível no mundo, é o de um desgraçado pai que, sem confiança na mulher, não ousa entregar-se aos doces sentimentos do seu coração, que duvida, ao beijar o seu filho, se está a beijar o filho de outro, a testemunha da sua desonra, o usurpador do bem dos seus próprios filhos. Neste caso, o que é a família senão uma sociedade de inimigos secretos que uma mulher culpada arma, um contra o outro, forçando-os a fingir amar-se mutuamente?”
Emílio, 186.

A angústia da paternidade parece assim ser a resposta às perguntas iniciais: Porque é que a mulher sempre foi vista como inferior e, de algum modo, perigosa? Porque é que os homens se esforçaram por dominar as mulheres? O esforço masculino de domínio sobre o feminino parece ser uma tentativa de evitar a angústia da paternidade. Afinal a sabedoria popular portuguesa diz: “Filhos de minhas filhas meus netos são, filhos de meus filhos serão ou não”.

Sara Bizarro

Apr262003

Hoje é sábado!

Hoje é sábado!

Dia de sair pra balada.

Curtam a música do DJ Visage, Protect your mind, que encontrei no blog Two Lifes, das excelentes Vega e Alferat Becker.

É um blog realmente maravilhoso.

Confiram.

Apr242003

É loucura…

Haja vista o tempo exíguo, limitar-me-ei a pedir sinceras desculpas pela ausência desde a semana passada e agradecer imensamente pelas visitas, comentários, carinho de todos que por aqui passaram. Estou postando um texto que recebi há muito por e-mail; sei que muitos já o leram, mas pensei nele hoje e achei ser interessante disponibilizá-lo aqui. “É loucura”. Pensei nele, pois não quero cometer a loucura de abandonar o blog, por não ter tempo suficiente para postar todo santo dia, que, embora humilde e singelo, faço com muito carinho e amor. Quando for possível, postarei com mais frequência; quando não, certo estou de que compreenderão. Farei o possível para postar pelo menos dia sim, dia não. Não permitirei que a falta de tempo me tome este prazer infindável, qual seja estar aqui com vocês… Vou tentar fazer o seguinte: um dia eu posto algo aqui e no outro eu visito vocês. Assim, alterno entre postar e visitar cada um de vocês, queridos amigos. Amo-os todos. Sinceramente.

É loucura…

Odiar todas as rosas, porque uma te espetou…
Entregar todos os teus sonhos, porque um deles não se realizou.
Perder a fé em todas as orações, porque numa não foste atendido.
Desistir de todos os esforços, porque um deles fracassou.
Condenar todas as amizades, porque uma te traiu…
Descrer de todo amor, porque um deles te foi infiel.
Jogar fora todas as chances de ser feliz, porque uma tentativa não deu certo.
Espero que na tua caminhada não cometa estas loucuras,
Lembrando que sempre há uma outra chance…
Uma outra amizade, um outro amor, uma nova força…
É somente ser perseverante e procurar ser mais feliz a cada dia.
A glória não consiste em jamais cair,
Mas sim em erguer-se toda vez que for necessário!

a.d.

Apr172003

A natureza do Homem é boa

Mêncio foi um sábio chinês contemporâneo de Aristóteles no Ocidente. A ele devemos muita de nossa compreensão do pensamento de Confúcio. Aqui ele explica a perspectiva de Confúcio acerca da natureza humana e seu desenvolvimento.

A tendência da natureza do Homem para o bem é como a tendência da água em fluir para baixo. Não há quem não tenha essa tendência para o bem, como toda água tende a fluir para baixo.

Ao batermos na água fazendo-a espirrar para cima, podemos conseguir que ela respingue acima de nossa cabeça e, ao represá-la e conduzir seu curso, podemos forçá-la a subir, morro acima – mas estariam estariam tais movimentos de acordo com a sua natureza? É a força exercida que os causa. Quando os homens são forçados a fazer o que não é o bem, sua natureza está sendo manipulada de maneira semelhante.

Todas as coisas do mesmo tipo são semelhantes umas às outras – por que teríamos dúvidas quanto ao Homem, como se ele fosse a única exceção a essa regra? O sábio e nós somos do mesmo tipo.

As árvores da Nova Montanha já foram belas. Encontrando-se, entretanto, na fronteira de um grande Estado, foram cortadas pelos machados e pelas serras – e teriam conseguido manter sua beleza? Ainda através da atividade da vida vegetativa dia e noite, e da influência nutritiva da chuva e do orvalho, não deixaram de dar brotos e ramos; mas logo vieram os bois e as cabras, e deles se alimentaram. A tais coisas deve-se a aparência desolada e árida da montanha que, vista pelas pessoas, parece não ter sido muito bem coberta pelas matas. Ma será essa a natureza da montanha?

Da mesma forma se dá o que pertence propriamente ao Homem – pode-se dizer que a mente de algum homem não tenha sido provida de benevolência e justiça? A maneira pela qual o homem perde o bem próprio de sua mente é semelhante àquela em que as árvores são tombadas por machados e serras. Talhada diariamente, poderá ela – a mente – manter sua beleza? Mas há um desenvolvimento de sua vida dia e noite, e no ar sereno da manhã, justo entre a noite e o dia, a mente sente num certo grau aqueles desejos e aversões característicos da humanidade, mas o sentimento não é forte e sofre o ataque e a destruição daquilo que se passa durante o dia. Acontecendo dia após dia tais obstruções ao seu desenvolvimento, a restauradora influência da noite não é suficiente para preservar o bem próprio da mente; e quando se comprova essa insuficiência para tal propósito, a natureza se torna não muito diferente da natureza dos animais irracionais que as pessoas, ao observarem-na, acham que nunca teve esses poderes que estou afirmando. Mas tais condições representariam os sentimentos próprios da humanidade?

O jogo de xadrez não passa de uma pequena arte, mas sem a entrega total da mente, e sem os desejos voltados totalmente para tanto, um homem não é capaz de nela atingir bom êxito. Chess Ts’ew é o melhor enxadrista do reino. Suponhamos que ele esteja ensinando dois homens a jogar. Um deles entrega-se de mente aberta e volta toda a força do seu desejo para o aprendizado, e nada faz que nãos eja escutar o mestre. O outro, embora pareça estar prestando a máxima atenção nos ensinamentos de Chess Ts’ew, está na verdade pensando no cisne que se aproxima e querendo preparar o arco, ajustando bem a flecha para acertá-lo. Embora esteja aprendendo com o outro, não conseguirá se equiparar a ele. Porquê? Por que sua inteligência não é igual? Não se trata disso.

Há casos em que os homens, por um determinado curso, podem preservar a vida, e não seguem tal curso; em que, por determinadas coisas, podem evitar o perigo, e não fazem tais coisas.

Portanto, os homens têm o que lhes apraz mais do que a vida e o que lhes desgosta mais do que a morte. Não serão homens de distintos talentos e virtudes somente aqueles que tenham essa natureza mental. Todos a têm; o que pertence a tais homens é simplesmente o que eles não perdem.

O discípulo Kung-too disse:
- Todos são igualmente homens; mas alguns são grandiosos e outros, insignificantes: como se dá isso?

Mêncio retrucou:
- Aqueles que seguem o que neles é grandioso são grandiosos; aqueles que seguem o que neles é insignificante são insignificantes. À mente cabe o ofício de pensar. Pensando, ela obtém a visão correta das coisas; negligenciando o pensamento, ela fracassa nesse intento. Apegue-se o homem à supremacia da parte mais nobre de sua constituição, e a parte inferior não será capaz de lhe tomar essa posição. É simplesmente isso que faz um homem grandioso.

Mêncio

Apr142003

Se és capaz de…

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao redor já a perdeu a te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires;
De sonhar – sem fazer dos sonhos os teus senhores;
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”;

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que é mais – tu serás um homem, ó meu filho!

Fonte: O livro das virtudes.

Apr122003

Uma resposta lacônica

Esta famosa historieta sobre a coragem espartana data da época de Felipe da Macedônia (382-336 a.C.), que forçou a unificação da maioria das cidades e territórios gregos.

Nos primeiros tempos, os povos da Grécia não eram unidos como hoje. Havia uma série de cidades e territórios, cada qual com seu próprio governante. Felipe, rei da Macedônia, ao norte da Grécia, queria unir todos os povos gregos sob seu domínio. Armou então um poderoso exército e partiu para a conquista dos outros territórios, onde se fez aclamar rei. Esparta, porém, resistiu.

Os espartanos ocupavam a região sul da Grécia chamada Lacônia, por isso eram também chamados lacões. Destacavam-se pelos costumes simples e pela bravura. Eram também famosos por usar poucas palavras, cuidadosamente escolhidas: ainda hoje se diz que as respostas curtas são “lacônicas”.

Sabendo que precisava subjugar Esparta para ter o domínio total sobre a Grécia, Felipe cercou as fronteiras da Lacônia e enviou uma mensagem aos espartanos.

- Se não se renderem imediatamente – ameaçava -, invadirei suas terras. Se meus exércitos as invadirem, pilharão e queimarão tudo o que vocês mais prezam. Se eu marchar sobre a Lacônia, arrasarei suas cidades.

Alguns dias depois, Felipe recebeu a resposta. Abriu a carta e encontrou somente uma palavra escrita:

- “SE”.

Fonte: O livro das virtudes.

***

“This is SPARTA!”

Apr82003

Imagine – Linda e atual

IMAGINE – Linda e atual como nunca…

John Lennon

Imagine there’s no heaven,
Imagine que não exista nenhum paraíso,

It’s easy if you try,
É fácil se você tentar.

No hell below us,
Nenhum inferno abaixo de nós,

Above us only sky,
Sobre nós apenas o firmamento.

Imagine all the people
Imagine todas as pessoas

living for today…
vivendo pelo hoje…

Imagine there’s no countries,
Imagine que não exista nenhum país,

It isn’t hard to do,
Não é difícil de fazer.

Nothing to kill or die for,
Nada para matar ou para morrer,

And no religion too,
E Nenhuma religião também.

Imagine all the people
Imagine todas as pessoas

living life in peace…
vivendo a vida em paz…

You may say I’m a dreamer,
(((Você talvez diga que sou um sonhador)))

but I’m not the only one,
(((Mas eu não sou o único!!!)))

I hope some day you’ll join us,
Eu espero que algum dia você junte-se a nós!!!

And the world will live as one.
E o mundo viverá como um único.

Imagine no possessions,
Imagine nenhuma propriedade,

I wonder if you can,
Eu desejo saber se você consegue,

No need for greed or hunger,
Nenhuma necessidade de ganância ou fome,

A brotherhood of men,
Uma fraternidade de homens.

Imagine all the people
Imagine todas as pessoas

Sharing all the world…
Compartilhando o mundo todo.

You may say I’m a dreamer,
(((Você talvez diga que sou um sonhador)))

but I’m not the only one,
(((Mas eu não sou o único!!!)))

I hope some day you’ll join us,
Eu espero que algum dia você junte-se a nós!!!

And the world will live as one.
E o mundo viverá como um único.

Apr42003

Quão pobres seriam as palavras

Qão pobres seriam as palavras diante de imagem tão perfeita.

Excelente final de semana para todos.

Que fiquemos em paz…

Apr12003

Nunca limite a critatividade de uma criança

Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande.

Uma manhã, a professora disse: – Hoje nós iremos fazer um desenho.

“Que bom!”- pensou o menininho.

Ele gostava de desenhar leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos… Pegou a sua caixa de lápis-de-cor e começou a desenhar.

A professora então disse: – Esperem, ainda não é hora de começar !

Ela esperou até que todos estivessem prontos.

- Agora, disse a professora, nós iremos desenhar flores.

E o menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis rosa, laranja e azul.

A professora disse: – Esperem ! Vou mostrar como fazer.

E a flor era vermelha com caule verde

- Assim, disse a professora, agora vocês podem começar.

O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isso… Virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora. Era vermelha com caule verde

Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre, a professora disse: – Hoje nós iremos fazer alguma coisa com o barro.

- “Que bom !”. Pensou o menininho.

Ele gostava de trabalhar com barro. Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e amassar a sua bola de barro.

Então, a professora disse: – Esperem ! Não é hora de começar !

Ela esperou até que todos estivessem prontos.

- Agora, disse a professora, nós iremos fazer um prato.

“Que bom !” – pensou o menininho.

Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos.

A professora disse: – Esperem ! Vou mostrar como se faz. Assim, agora vocês podem começar.

E o prato era um prato fundo

O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostou mais do seu, mas ele não podia dizer isso.
fez um prato fundo, igual ao da professora.

E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora.

E muito cedo ele não fazia mais coisas por si próprio.

Então aconteceu que o menininho teve que mudar de escola.

Essa escola era ainda maior que a primeira.

Um dia a professora disse: – Hoje nós vamos fazer um desenho.

“Que bom !”- pensou o menininho e esperou que a professora dissesse o que fazer.

Ela não disse. Apenas andava pela sala.

Então foi até o menininho e disse: – Você não quer desenhar ?

- Sim, e o que é que nós vamos fazer ?

- Eu não sei, até que você o faça.

- Como eu posso fazê-lo ?

- Da maneira que você gostar.

- E de que cor ?

- Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber o que cada um gosta de desenhar ?

- Eu não sei . . .

E então o menininho começou a desenhar uma flor vermelha com o caule verde.

Helen Buckley.

***

Nunca, jamais, em hipótese alguma, limite a criatividade de uma criança. Limitar a capacidade criativa é engessar a própria personalidade, autenticidade, originalidade de cada indivíduo… Ainda bem que não topei com pessoas assim em minha vida, e se topei nem percebi, pois em casa sempre aprendi a ser o que sou, a fazer do meu modo, a pensar por mim mesmo… Agradeço toda noite pela criação livre que tive… Minha mãe é simplesmente maravilhosa: nunca me disse o que fazer tão somente. Me mostrava os caminhos que a experiência dela conhecia e me deixava oprtar por qual caminho trilhar. As escolhas fazem o que somos. Errar támbém faz parte do aprendizado. Pior é ver uma pessoa limitada, que não evolui, porque prefere a confortabilidade do que já conhece a arriscar algo diferente, novo…