June 2003

Jun292003

A desilusão de um quase

Obrigado a todos que aqui vêm… Estou meio ausente, mas estejam certos que não os deixarei…

Fiquem com esse texto…

“Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto.

A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados.Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”

Luiz Fernando Veríssimo

Jun202003

Sacanagem

Agradeço a todos que continuam vindo aqui, mesmo estando eu tão ausente… Como já perceberam, estou me formando em Direito este ano e não está sendo fácil conciliar o blog com o corre-corre diário… O tempo de que disponho livre utilizo para pesquisar supedâneo para minha monografia de conclusão de curso… Portanto, blogar está difícil, mas não deixarei de fazê-lo. Somente peço que compreendam e saibam que continuarei postando, mas não com uma frequência diária… Talvez um ou duas vezes por semana… Mas há muito o que se ler nos arquivos… Um grande abraço a todos que fazem deste cantinho um lugar maravilhoso. Lugares assim têm uma energia especial, advinda de seus visitantes, que somente faz-nos desejar estar aqui para gozar dessa maravilha… É o que eu sinto quando entro aqui, neste cantinho nosso… Nem o vejo como meu, mas como de todos nós…

Recebi um texto de minha professora de Direito Civil, Catarina Oliveira. O título é: “Sacanagem”, da Marta Medeiros… Foi publicado na semana dos namorados, mas eu disponibilizo aqui, agora, para vocês… Ei-lo:

Esta é a semana dos namorados, mas não vou falar sobre ursinhos de pelúcia nem sobre bombons. É o momento ideal pra falar de sacanagem.

Se dei a impressão de que o assunto será ménages à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito desiludí-lo. Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é racionado nem chega com hora marcada.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais rápido.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”, duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Ninguém nos disse que chinelos velhos também têm seu valor, já que não nos machucam, e que existe mais cabeças tortas do que pés.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que poderíamos tentar outras alternativas menos convencionais.

Sexo não é sacanagem. Sexo é uma coisa natural, simples – só é ruim quando feito sem vontade. Sacanagem é outra coisa. É nos condicionarem a um amor cheio de regras e princípios, sem ter o direito à leveza e ao prazer que nos proporcionam as coisas escolhidas por nós mesmos.

Jun132003

Amigos são presentes de Deus

Queria deixar um texto lindo para vocês, meus queridos amigos… Sei que estou em falta com todos, sem exceção, mas não por descaso, ou porque estou me afastando do blog, ou qualquer outra coisa, mas sim por estar me formando em Direito este ano e não ter tempo suficiente para passar no blog de cada um… Já é difícil postar algo, quem dirá fazer visitas diárias… Tentarei, na medida do possível, visitá-los aos poucos, mas peço paciência e compreensão… Não os abandonarei. Não terminarei o blog. Amo todos vocês… Obrigado pelo carinho de todos.

Amigos que não sabem o quanto são meus amigos.

Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta

necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,

eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o

amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que

tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem

todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus

amigos e o quanto minha vida depende de suas existências …

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não

posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem

que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,

embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem

noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu

equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente,

construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.

Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

E me envergonho, porque essa minha prece é, em

síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,

cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando

daquele prazer …

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a

roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando

comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus

amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber

que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

Vinícius de Moraes

*****

Ah, recebi um e-mail hoje conferindo o WEBLOGS AWARD a este blog. Fico lisonjeado… Há tempos não recebia um award sequer… Há tempos mesmo… Também nunca fiquei por aí pedindo awards… Os que me deram, fizeram porque quiseram, não apenas para se promoverem ou algo parecido… É isso que importa. Sinceridade. Gostou? Ótimo, presenteie. Não gostou? Tudo bem… Acontece… Eis o e-mail:

Congratulations on producing a weblog that reflects a very high standard of creativity and originality on the World Wide Web.
The following information is for winners only:

Below you will find a award image to display on your blog.
Please download these image, and upload them to your own weblog.

Eis o award:

Jun82003

As coisas que aprendi na vida

Aprendi que meu pai pode dizer um monte de palavras que eu não posso (aos 8 anos).
Aprendi que minha professora sempre me chama quando eu não sei a resposta (aos 9 anos).
Aprendi que os meus melhores amigos são os que sempre me metem em confusão (11 anos).
Aprendi que, se tenho problemas na escola, tenho mais ainda em casa (12 anos).
Aprendi que quando meu quarto fica do jeito que quero, minha mãe manda eu arrumá-lo (13 anos).
Aprendi que não se deve descarregar suas frustações no seu irmão menor, porque seu pai tem frustações maiores e mão mais pesada (15 anos).
Aprendi que nunca devo elogiar a comida de minha mãe quando estou comendo alguma coisas que minha mulher preparou (25 anos).
Aprendi que se pode fazer, num instante, algo que vai lhe dar dor de cabeça a vida toda (29 anos).
Aprendi que quando minha mulher e eu temos, finalmente, uma noite sem as crianças, passamos a maior parte do tempo falando delas (35 anos).
Aprendi que casais que não têm filhos sabem melhor como você deve educar os seus (37 anos).
Aprendi que é mais fácil fazer amigos do que se livrar deles (40 anos).
Aprendi que mulheres gostam de ganhar flores, especialmente sem nenhum motivo (42 anos).
Aprendi que não cometo muitos erros com a boca fechada (44 anos).
Aprendi que a época que preciso realmente de férias é justamente quando acabei de voltar delas (45 anos).
Aprendi que você sabe que seu amigo o ama, quando sobram dois bolinhos e ele pega o menos (46 anos).
Aprendi que nunca se conhece bem os amigos, até que se tire férias com eles (46 anos).
Aprendi que casar por dinheiro é a maneira mais difícil de conseguí-lo (47 anos).
Aprendi que você pode fazer alguém ganhar o dia simplesmente mandando-lhe um pequeno cartão (48 anos).
Aprendi que a qualidade de serviço de um hotel é diretamente proporcional à espessura das toalhas (49 anos).
Aprendi que crianças e avós são aliados naturais (50 anos).
Aprendi que quando chego atrasado ao trabalho, meu patrão chega cedo (51 anos).
Aprendi que o objeto mais importante de um escritório é a lata de lixo (54 anos).
Aprendi que é legal curtir o sucesso, mas não se deve acreditar muito nele (57 anos).
Aprendi que não posso mudar o que passou, mas posso deixar pra lá (63 anos).
Aprendi que a maioria das coisas com que me preocupo nunca acontecem (64 anos).
Aprendi que se você espera se aposentar para começar a viver, já esperou tempo demais (67 anos).
Aprendi que quando as coisas vão mal, eu não tenho que ir com elas (72 anos).
Aprendi que amei menos do que deveria (88 anos).
Aprendi que tenho muito a aprender… (90 anos).

Jun32003

O que será que aconteceu conosco?

Sou uma pessoa comum!

Simples e humilde…
Fui criada com princípios morais comuns.
Quando criança, ladrões tinham a aparência de ladrões e nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os “lanterninhas” dos cinemas nos expulsassem devido às batidas com os pés no chão quando uma determinada música era tocada no início dos filmes, nas matinês de domingo.
Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração.
Quanto mais próximos, e / ou mais velhos, mais afeto.
Inimaginável responder deseducadamente a policiais, mestres, aos mais
idosos, autoridades. Confiávamos nos adultos porque todos eram pais / mães de todas as crianças da rua, do bairro, da cidade.
Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror.
Ouvindo hoje o Jornal da noite, deu-me uma tristeza infinita por tudo que perdemos. Por tudo o que meu filho precisa temer.
Pelo medo no olhar de crianças, jovens, velhos e adultos. Matar os pais, os avós, violentar crianças, seqüestrar jovens, roubar, enganar, passar a perna, tudo virou
banalidades de notícias policiais, esquecidas após o primeiro intervalo comercial.
Agentes de trânsito multando infratores são exploradores, funcionários de indústrias de multas. Policiais em blitz são abuso de autoridade.
Regalias em presídios são matéria votada em reuniões.
Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.
Não levar vantagem é ser otário.
Pagar dívidas em dia é bancar o bobo, anistia para os caloteiros de plantão.
Ladrões de terno e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de cabelos brancos.

O QUE ACONTECEU CONOSCO?

Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas portas e janelas. Crianças morrendo de fome, gente com fome de morte.
Que valores são esses?
Carros que valem mais que abraço, filhos querendo-os como brindes por passar de ano.
Celulares nas mochilas dos que recém largaram as fraldas.
TV, DVD, telefone, vídeo game, o que vai querer em troca desse abraço, meu filho?
Mais vale um Armani do que um diploma. Mais vale um telão do que um papo.
Mais vale um baseado do que um sorvete. Mais vale dois vinténs do que um gosto.
Que lares são esses?
Bom dia, boa noite, até mais. Jovens ausentes, pais ausentes, droga presente e o presente uma droga. O que é aquilo? Uma árvore, uma galinha, uma estrela.
Quando foi que tudo sumiu ou virou ridículo?
Quando foi que senti amor pela última vez?
Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho? Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado sem sentir medo?
Quando foi que fechei a janela do meu carro? Quando foi que me fechei?

Quero de volta a minha dignidade,
a minha paz e o lugar onde o bem e o mal são contrários,
onde o mocinho luta com o bandido e o único medo é de quem infringe,
de quem rouba e mata. Quero de volta a lei e a ordem.
Quero liberdade com segurança.
Quero tirar as grades da minha janela para tocar as flores.
Quero sentar na calçada, e minha porta aberta nas noites de verão.
Quero a honestidade como motivo de orgulho.
Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olho no olho.
Quero a vergonha, a solidariedade e a certeza do futuro.
Quero a esperança, a alegria.
Eu quero ser gente e não peça de um jogo manipulado por TV a cabo.
Eu quero a notícia boa, a descoberta da vacina, a plantação do arroz.
Eu quero ver os colonos na terra, as crianças no colégio,
os jovens divertindo-se, os velhinhos contando histórias.
Eu quero um emprego decente, um salário condizente,
uma oportunidade a mais.
Uma casa para todos, comida na mesa, saúde a mil.
Quero livros e cachorros e sapatos e água limpa.
Não quero listas de animais em extinção.
Não quero clone de gente, quero cópia das letras de música.
Eu quero voltar a ser feliz!
Quero dizer basta a esta inversão de valores e ideais.
Quero mandar calar a boca de quem diz “a nível de”,
“neste país”,
“enquanto pessoa”,
“eles têm que”,
“é preciso que”.
Quero xingar quem joga lixo na rua, quem fura a fila,
quem rouba um lápis, quem ultrapassa a faixa,
quem não usa cinto,
quem não paga as suas contas,
quem não dignifica meu voto.
Quero rir de quem acha que precisa de silicone,
lipoaspiração, implante, dieta, cirurgia plástica,
carro zero e quem sabe até um importadonho,
laptop, bolsa XYZ,
calça ZYX para se sentir inserido no contexto ou ser “normal”.
Abaixo a ditadura do “tem que”,
as receitas de bolo para viver melhor,
as técnicas para pensar, falar, sentir!
Abaixo o especialista, o sabe-tudo rodeado de microfones e câmeras!
Abaixo o “TER”, viva o “SER”!
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva,
limpa como um céu de abril, leve como a brisa da manhã!
E definitivamente comum, como eu,

ADORO MEU MUNDO SIMPLES E HUMILDE.