September 2003

Sep302003

A beleza dos dias comuns.

No final de um certo dia alguém se dirigiu a mim e disse: “Hoje foi um daqueles terríveis dias comuns”.

Acho interessante como muitos têm uma visão equivocada sobre os “dias comuns”. Dias comuns são aqueles em que tudo foi exatamente como sempre havia sido antes. Normalmente eles são conhecidos como tediosos e maçantes. Para mim, os “dias comuns” têm grande valor. Sabe porquê?

Nos dias comuns eu não estou doente nem estou com dor (quando tenho alguma dor, o dia não é comum).
Nos dias comuns ninguém que eu amo faleceu ou está muito doente (quando alguém que eu amo está sofrendo, os dias não são comuns).
Nos dias comuns não perco o emprego, nem me chateio com alguém de lá.
Nos dias comuns a minha vida não está envolvida em nenhum escândalo ou catástrofe.
Nos dias comuns as pessoas que eu amo também me amam e não estão “de mal” comigo.
Nos dias comuns eu não passo fome nem frio.
Nos dias comuns eu não participo das guerras, nem vejo a morte bem perto de mim.
Nos dias comuns o sol não provocou uma seca, nem a chuva provocou uma enchente.
Nos dias comuns não sou assaltado nem seqüestrado.
Nos dias comuns os amigos não me traem.
Nos dias comuns eu estou em paz.

Percebeu? Dias comuns podem se tornar tediosos, mas dias “diferentes” (não comuns), podem ser muito difíceis e sofridos. Por isso, prefiro os dias comuns e escolho valorizá-los. O segredo está em descobrir os privilégios que se oferecem a cada momento de sua vida, quer sejam em dias normais, quer sejam em dias extraordinários… A expressão “dias comuns”, utilizada aqui, frise-se, é apenas figurativa, pois a meu sentir, todos os dias têm a sua peculiaridade, todos os dias estams aprendendo novas coisas, vivendo novas experiências, descobrindo algo novo… Se assim não ocorre com você, melhor reavaliar sua vida e deixar o tédio, a monotonia de lado… Viva, pois como sempre digo: a vida é agora.

No ordinário dos dias comuns eu vejo a luz que me envolve e me guia sempre para o melhor caminho a trilhar. Por isso sou grato pela beleza dos “dias comuns”.

Pr. Ronald

Sep272003

Quem não precisa?

Um dia eu estava na frente de casa secando meu carro. Tinha acabado de lavar o carro e esperava minha esposa para sair para o trabalho.

Vi, descendo a rua, um homem que a sociedade consideraria um mendigo. Pela aparência dele, não tinha carro, nem casa, nem roupa limpa e nem dinheiro.

Tem vez que você se sente generoso mas há outras vezes que você não quer nem ser incomodado. Este era um dia do “não quero ser incomodado”.

Espero que não venha me pedir dinheiro. Pensei.

Não veio. Passou e sentou-se em frente, no meio-fio do ponto de ônibus e não parecia ter dinheiro nem mesmo para andar de ônibus.

Após alguns minutos falou: – É um carro muito bonito.

Sua voz era áspera mas tinha um ar de dignidade em torno dele. Eu agradeci e continuei secando o carro. Ele ficou lá, quieto, sentado enquanto eu trabalhava.

O previsto pedido por dinheiro nunca veio. Enquanto o silêncio entre nós aumentava, uma voz interior me dizia: – Pergunte-lhe se precisa de alguma ajuda.

Eu tinha certeza que responderia sim mas, atendendo à insistente voz interior…

- Você precisa de ajuda? Perguntei.

Ele respondeu com três simples palavras acompanhadas de um sorriso que me deram uma sacudida.

- Quem não precisa?

Eu precisava de ajuda. Talvez não para a passagem do ônibus ou um lugar para dormir, mas eu precisava de ajuda. Peguei minha carteira e lhe dei dinheiro, não somente o bastante para a passagem do ônibus mas também para conseguir uma refeição e um abrigo.

Aquelas três palavras ainda soam verdadeiras. Não importa o quanto você tem, não importa o quanto você realizou, você também precisa de ajuda.

Não importa o quão pouco você tem, não importa o quão cheio de problemas você esteja, até mesmo sem dinheiro ou um lugar para dormir, você pode dar ajuda.

Mesmo que seja apenas um elogio, você pode dar.

Você nunca sabe quando poderá ver alguém que parece ter tudo mas que, na verdade, está esperando de você algo que não tem.

Talvez o homem fosse apenas um desconhecido desabrigado que vagueia pelas ruas. Talvez fosse mais do que isso.

Talvez ele tenha sido enviado por uma força maior e sábia para ensinar à uma alma acomodada em si mesma.

Talvez Deus tenha olhado pra baixo, chamado um anjo, vestido-lhe como um mendigo e, a seguir, dito: – Vá encontrar-se com aquele homem que limpa o carro, ele precisa de ajuda.

Afinal, quem não precisa?

a.d.

Sep262003

O problema mais difícil

Um grande sábio possuía três filhos jovens, inteligentes e interessados em conquistar a sabedoria.

Em certa manhã eles discutiam a propósito do obstáculo mais difícil de vencer na vida. No auge da discussão, prevendo talvez conseqüências desagradáveis, seu pai os interrompeu, e designou-lhes uma curiosa tarefa. Os três iriam ao palácio do príncipe governante da região, conduzindo algumas dádivas que muito lhes honraria o espírito de cordialidade e gentileza.

O primeiro seria o portador de um rico vaso de argila preciosa. O segundo levaria uma corça rara. O terceiro transportaria um doce primoroso de família.

Os três irmãos receberam a missão com entusiástica promessa de serviço cumprido. A viagem era pequena, apenas de três milhas, no entanto, no meio do caminho, começaram a discutir. Aquele que levava o vaso não concordava com a maneira pela qual o irmão puxava a delicada corça, e o responsável pelo animal dava instruções ao carregador do doce, a fim de que não tropeçasse; já este último aconselhava o portador do vaso valioso, para que não caísse.

O pequeno grupo seguia, estrada afora, com dificuldade, porque cada viajante permanecia atento a obrigação que dizia respeito ao outro, através de observações acaloradas e incessantes.

Em dado momento, o irmão que conduzia o animalzinho se distrai da própria tarefa, a fim de consertar a posição da peça de argila nos braços do irmão, e o vaso, pelas inquietações de ambos, escorrega e se espatifa no cascalho poeirento. Com o choque, o distraído orientador da corsa perde o controle do animal, que foge espantado, abrigando na floresta. O carregador do doce avança para tentar impedir a fuga, enfiando-se pelo mato adentro, e o conteúdo da prateada bandeja se perde totalmente no chão.

Desapontados e irritadiços, os três rapazes retornam a presença do pai, apresentando cada qual a sua queixa e a sua derrota.

O sábio, porém, sorriu e explicou-lhes:

- Aproveitem o ensinamento da estrada. Se cada um de vocês estivesse vigilante na própria tarefa, não fracassariam. O problema mais difícil do mundo, meus filhos, é o de cada homem cuidar dos próprios negócios, sem intrometer-se nas atividades alheias. Enquanto cuidamos de responsabilidades que competem aos outros, as nossas ficam esquecidas.

a.d.

***

Pensem que quanto mais nos preocupamos com as atividades dos outros, a vida dos outros, mais deixamos de cumprir com presteza e eficiência a nossa atividade e muito menos atenção temos para com a nossa própria vida, o que pode levar a danos irreparáveis… Portanto, procure colaborar com os outros sem fazer críticas que de nada adiantarão…

Sep252003

Um siri vai lhe trazer alegria

Sempre que o mundo desabava sobre minha cabeça, eu ia andar pela praia perto de onde morava. Um dia encontrei uma bela garotinha de olhos tão azuis quanto o mar, construindo um castelo de areia ou algo parecido.

- Oi, ela disse.

Eu respondi com um aceno de cabeça, não estava com humor para me aborrecer com uma criança.

- Você quer me ajudar a construir meu castelo?
- Hoje não. Falei sem dar atenção.
- Eu gosto de sentir a areia em meus dedos do pé, ela falou sorridente.

Que boa idéia, pensei, e tirei meus sapatos. Um siri deslizou próximo.

- Isto é um “alegria”. – falou a menina.
- É um o quê? – perguntei.
- Isto é um “alegria”, livre e solto pela praia.

Adeus “alegria”, olá dor, murmurei comigo mesmo e continuei a caminhar. Eu estava deprimido, mas a menina não desistia e perguntou: qual é o seu nome?

- Eu me chamo Roberto.
- O meu é Wanda. Eu tenho seis anos.

Apesar da minha melancolia fui obrigado a rir e continuei caminhando. Sua risadinha musical me seguiu.

- Venha novamente, Sr. Roberto e nós teremos outro dia feliz, disse ela animada.

Meus dias foram atribulados e somente semanas depois é que voltei à praia. A brisa era fria, mas eu andava a passos largos, tentando readquirir serenidade. Tinha até me esquecido da criança, quando ela apareceu.

- Oi Sr. Roberto, você quer brincar?
- Não sei, que tal charadas? Perguntei sarcasticamente.
- Eu não sei o que é isso, ela respondeu.
- Então me deixe continuar a caminhada. Onde você mora?
- Ali. Respondeu ela apontando na direção de uma fila de cabanas de verão.
- Como você vai para a escola?
- Eu não vou à escola. A mamãe disse que nós estamos de férias.

Ela tagarelou muito e quando eu ia voltar para casa, Wanda disse que tinha sido outro dia feliz. E havia sido mesmo. Três semanas mais tarde, eu andava apressado pela praia, quase em pânico, quando a garota me alcançou.

- Olhe se você não se importa, hoje eu quero andar sozinho.

Ela me pareceu pálida e sem fôlego.

- Por que? Perguntou.
- Porque minha mãe morreu! Gritei.
- Oh, então este é um dia ruim – ela falou com ar de tristeza.
- Sim, e ontem e anteontem também. Vá embora!

Um mês depois disto, fui andar novamente, mas ela não estava lá. Sentindo-me culpado e admitindo para mim mesmo que sentia falta dela, subi até a cabana e bati na porte. Uma mulher jovem me atendeu.

- Olá, eu sou Roberto. Senti a falta de sua menina e gostaria de saber se ela está bem.
- Sr. Roberto, entre por favor. Wanda falou muito do senhor. Eu tinha receio que ela estivesse lhe aborrecendo. Se ela foi um incômodo, por favor aceite minhas desculpas.
- Não, sua filha é uma criança muito amável. Onde ela está?
- Wanda morreu na semana passada, Sr. Roberto. Ela tinha leucemia. Talvez não tenha lhe contado…

A notícia me deixou cego e mudo, por alguns instantes. E a mãe continuou: ela adorava esta praia e parecia um tanto melhor aqui. Aqui ela teve muito do que chamava de “dias felizes”. Mas nos últimos dias, ela piorou rapidamente… Minha filha deixou algo para senhor.

Entregou-me um envelope, com o Sr. “R” escrito em grandes letras infantis. Dentro havia um desenho – uma praia amarela, um mar azul, e um siri marrom. Embaixo estava escrito “Um siri vai lhe trazer alegria”. Lágrimas rolaram de meus olhos, e um coração que quase esqueceu de amar abriu-se largamente. Tomei a mãe de Wanda em meus braços e murmurei repetidas vezes que sentia muito…

O pequeno e precioso desenho está agora emoldurado e pendurado em meu escritório. Seis palavras, uma para cada ano de sua vida, me falam de harmonia, coragem, amor e desinteresse.

a.d.

Sep242003

Um minuto apenas

Lúcia era uma mulher feliz, como poucas, acreditava. Casada com o homem por quem se apaixonara nos verdes anos da adolescência, vivia o sonho da mulher realizada. Um filho lhe viera coroar a felicidade. Que mais ela poderia desejar?

Acordava pela manhã e saudava o dia cantarolando. Com alegria realizava as tarefas do lar, cuidava do filho, aguardava o marido.

Tudo ía muito bem até o dia em que descobriu que o homem que tanto amava, a traía. E não era de agora. O problema vinha tomando corpo há algum tempo. Magoada, se dirigiu ao marido e exigiu-lhe respeito. A resposta foi brutal, violenta. O homem encantador tornou-se raivoso, briguento. Chegou a bater-lhe.

Foi nesse dia que Lúcia teve a certeza de que seu casamento acabara. Não poderia continuar vivendo com alguém que chegara à agressão física. Então, acordou na manhã de tristeza, depois de uma noite de angústia, e tomou uma séria decisão: iria se matar. Acabar com a própria vida. Mais do que isto, ela desejava vingança.

Por isso, tomou o filho de quatro anos pela mão e decidiu que o mataria. Queria que o marido ficasse com drama de consciência. Seu destino era o farol da Barra, na cidade de Salvador, Bahia, onde residia. Ela sabia que era um local onde o mar batia com violência no penhasco.

A rua por onde transitava era muito movimentada. Enquanto aguardava para fazer a travessia, a criança escapou da sua mão e correu por entre os carros. Ela se desesperou. Estranho paradoxo. Conduzia a criança para jogá-la ao mar mas, quando a vê correr perigo, esquece de si mesma e vai-lhe no encontro, agarra-a e a puxa pela mão, um tanto nervosa.

Nesse momento, a criança se abaixa, alheia a tudo que se passava, e recolhe do chão um papel. Lúcia o toma das mãos do pequeno e um título, em letras grandes, lhe chama atenção: “UM MINUTO APENAS”. Ela lê: num minuto apenas, a tormenta acalma, a dor passa, o ausente chega. O dinheiro muda de mão, o amor parte, a vida muda….”

Vai andando, puxando a criança e lendo a página. Era uma mensagem de otimismo. Terminou de ler. Passou o ímpeto. Em um minuto. Parou, olhou ao redor e verificou que tinha chegado ao seu destino. O penhasco estava próximo, Sentou-se e teve uma crise de choro.

O impulso de se matar havia desaparecido. Tornou a ler a mensagem e se lembrou de uma amiga, muito otimista e muito querida que poderia lhe ajudar. Sua amiga ajudou-a ouvindo os gritos de sua alma aflita, dando-lhe apoio, indicando bons livros e fazendo juntas uma oração.

Lúcia passou a orar, a ler e fazer cursos que a ajudassem a superar a crise. O marido, notando-lhe a mudança, a calma no transcorrer dos dias e com a possibilidade de uma separação, também fez sua reflexão, também procurou ajuda.

Após um amadurecimento de ambos, resolveram se darem uma nova chance. Reconstituíram sua vida, se refizeram. Os anos rolaram, o garoto hoje é um adolescente e mais dois filhos se somaram a ele.

Mudança de rumo. A vida muda, em um minuto apenas.

Em um minuto apenas Deus providencia o socorro. Pode ser um coração atento, uma mão amiga ou um pedaço de papel impresso, caído na calçada. Papel que o vento não levou para longe.

Um minuto apenas e o amor volta, a esperança renasce.

Um minuto apenas e o sol rompe as nuvens, clareando tudo.

Não se desespere, espere. Um minuto apenas. O socorro chega. O panorama se modifica. A vida refloresce.

Tenha paciência. Não se entregue à desesperança. Aguarde. Enquanto você sofre, Deus providencia o auxílio.

Aguarde. Um minuto apenas.

a.d.

Sep232003

O outro lado das pessoas.

Minha avó tinha uma inimiga chamada senhora Wilcox. Elas se mudaram, recém casadas, para casas vizinhas, numa pequena cidade. Não sei quem começou a guerra – foi muito antes de eu nascer – e não sei se quando eu nasci, uns trinta anos depois, elas mesmas se lembravam de quem começara. Mas o duro embate continuava, com amargas batalhas.

Era uma contenda travada sem um pingo de educação. Era uma guerra entre senhoras, o que significa guerra total. Nada na cidade escapou das conseqüências. A igreja de trezentos anos, que sobrevivera à Guerra Civil, quase foi ao chão quando vovó e a senhora travaram a batalha pela presidência da Liga das Senhoras. Vovó ganhou este combate, mas foi uma vitória sem valor, pois a senhora Wilcox, derrotada, demitiu-se da Liga num acesso de raiva. E qual é a graça de dirigir alguma coisa se você não pode humilhar sua inimiga pessoal?

A senhora Wilcox venceu a batalha da Biblioteca Pública, conseguindo que a sobrinha Gertrude fosse indicada como bibliotecária no lugar de minha tia Ana. No dia em que Gertrude assumiu o posto, vovó parou de apanhar livros na biblioteca – dizendo que estavam “cheios de germes” – e começou a comprar os livros que queria ler.
A batalha da escola secundária terminou empatada. O diretor conseguiu um emprego melhor e saiu antes que a senhora Wilcox o tirasse de lá ou vovó conseguisse mantê-lo lá para sempre.

Além dessas batalhas mais sérias, aconteciam constantes ataques e recuos na linha de tiro. Quando éramos crianças e visitávamos vovó, parte da diversão consistia em fazer caretas para os terríveis netos da senhora Wilcox – que revidavam com igualdade – e roubar uvas do lado da cerca dos Wilcox. Corríamos atrás das galinhas e púnhamos bombinhas nos trilhos do bonde bem em frente à casa dos Wilcox com a doce esperança de que, ao passar, o bonde provocasse uma explosão que fizesse a senhora Wilcox morrer de susto.

Num dia histórico, pusemos uma cobra na calha de chuva dos Wilcox. Minha avó ainda ensaiou um protesto, mas sentimos sua solidariedade implícita, bem diferente dos veementes “nãos” de mamãe, e prosseguimos na nossa carreira de crianças endiabradas.
Não pensem nem por um minuto que só havia um lado nessa guerra. Lembrem-se de que a senhora Wilcox também tinha netos bem mais valentões e espertos do que os netos de vovó. Os pestinhas puseram gambás no porão da casa de vovó e esta foi a agressão mais suave. O fato é que qualquer incidente na casa de vovó sempre foi atribuído aos Wilcox.

Não sei como vovó poderia ter suportado todos esses problemas se não fosse pelo caderno feminino do jornal diário de Boston.
A página era uma instituição maravilhosa. Além das usuais dicas de cozinha e conselhos sobre limpeza, havia uma seção de troca de cartas para que as leitoras pudessem desabafar seus problemas. Para que o anonimato fosse mantido, as cartas vinham assinadas com um pseudônimo. O de vovó era Arbusto. Outras leitoras que tivessem o mesmo problema respondiam, dando a solução encontrada e também usando seus pseudônimos. Muitas vezes, exposto o problema, as leitoras ficavam trocando cartas por anos através do jornal, falando sobre filhos, doces em conserva ou a mobília nova da sala de jantar.

Foi isso que aconteceu com a vovó. Ela e uma mulher chamada Gaivota se corresponderam por vinte e cinco anos, e vovó dizia a Gaivota coisas que jamais confessara a ninguém – como a vez em que contou que pensava estar grávida (e não estava) ou quando meu tio Steve pegou piolho na escola e vovó ficou profundamente humilhada. Gaivota era sua amiga do coração.

Quando eu tinha dezesseis anos, a senhora Wilcox morreu. Numa cidade pequena, mesmo que você deteste a vizinha, faz parte das regras se oferecer para ajudar a família de luto, no que for necessário.

Vovó atravessou o gramado, deu pêsames às filhas da senhora Wilcox e começou a ajudá-las a limpar a já imaculada sala de visitas para o funeral. De repente, viu aberto sobre uma mesa, num lugar de destaque, um enorme álbum de recortes. Para seu mais absoluto estarrecimento ali estavam coladas, em colunas paralelas, as cartas dela para Gaivota e as de Gaivota para ela. A maior inimiga de vovó fora, na verdade, sua melhor amiga.

Foi a única vez que me lembro de ter visto minha avó chorar. Eu não sabia naquela época por que ela estava chorando, mas agora eu sei. Chorava por todos os anos perdidos que não poderiam ser recuperados. Naquele momento, fiquei tão impressionada com as lágrimas de minha avó, que não me dei conta da descoberta fundamental que eu começava a fazer. Uma descoberta que se transformou em convicção e que tem me ajudado imensamente a viver:

As pessoas podem parecer insuportáveis. Podem parecer egoístas, mesquinhas e hipócritas. Mas, se não procurarmos olhá-las sob outra perspectiva, nunca seremos capazes de descobrir que são também generosas, amorosas e bondosas. E, se não lhes dermos a oportunidade de revelarem seus aspectos positivos, ficaremos para sempre privados do bem que eles podem nos proporcionar.

Louise Dickinson Rich

Sep202003

“Ficar” para quê?

É um pouco extenso para muitos de vocês que aqui entram (não para mim), mas vale a pena lê-lo…

Temos vivenciado nos últimos tempos um novo costume entre nossos jovens. Se já não é novo, pelo menos tem sido comentado com mais insistência na mídia. Refiro-me à atitude assumida por alguns muitos desta faixa etária que se dizem adeptos de “ficar”.

Adolescentes, a maioria entre 14 e 18 anos, que em uma noite de diversão “ficam”, muitas vezes com até mais de uma. O que vislumbramos é uma campanha “branca”, estimulada também por músicas que têm intensa penetração nesta população jovem, e que no final, lá na frente, não passam de uma incitação lastimável à deterioração dos bons costumes.

Tivemos ultimamente a oportunidade de ler nos jornais e assistir a programas de televisão sobre este assunto, que apresentavam jovens simpatizantes deste relacionamento superficial e fugaz. São os adeptos do lema, “Eu sou de ninguém/Eu sou de todo mundo/E todo mundo é meu também.” Infelizmente a garotada aderiu sem pudor, e quando eventualmente é abordada sobre o assunto depõe o seguinte: “Não quero nada duradouro, só quero namorar”. Ou ainda, “Eu quero ser feliz.”

O desejo de não se querer compromisso tão cedo é perfeitamente compreensível, mas não é verdade que a conduta antagônica a isto seja o que se tem assistido nestes tempos. Claro que os jovens deverão namorar, mas dever-se-á resgatar o verdadeiro e primeiro sentido deste verbo.

Outra observação intrigante que se ouve entre os jovens é quanto ao “Eu quero é ser feliz”. E aí vem a pergunta, – para você o que é ser feliz? Felicidade é o “Estado de perfeita satisfação, alegria e contentamento”. Felicidade é ter uma família equilibrada onde todos se amem e se respeitem; felicidade é ter saúde, é ter o alimento de cada dia, é ter a possibilidade de estudar e de ter perspectiva nesta vida. Ser feliz é ter emprego, é estar ao lado de quem a gente gosta e ama. Mas para gostar faz-se necessário conhecer, e parece que isto não é o que acontece com os que “ficam”. Neste caso, os envolvidos na maioria das vezes não se conhecem, relacionam-se e descartam-se. É isto o que traz felicidade? Isto é que é ser feliz? Os mais experientes devem saber, e é bom que a garotada aprenda, que uma relação desprovida de sentimentos não edifica e não preenche nem o coração, nem a alma. Apesar dela, poderemos estar solitários. Isto é solidão acompanhada.

Outra expressão também muito ouvida no meio é “Eu sou de ninguém”. Pura bobagem. Ninguém é de ninguém. Somos sempre de alguém. Seja qual for o enfoque sempre haverá alguém a nos importar ou a importar-se conosco. Eu sou de meus pais, sou dos verdadeiros amigos que se importam com o meu bem-estar. Sou de Deus, meu Pai e Criador, que verdadeiramente nos dá felicidade.

Não se trata de purismo ou de ser careta. É bom e é necessário ser moderno. Mas modernidade é respeitar os conceitos básicos da sociedade, é ser tradicional no sentido sadio da palavra. Ser moderno é preservar e respeitar a família, respeitar o próximo, respeitar o próprio corpo e o de outrem, é saber que sexo é muito importante mas não é a mola-mestra de nossas vidas. Acredito que amor, amizade, respeito, compreensão e uma religiosidade adequada são os critérios fundamentais para uma vida equilibrada e sólida. Do contrário caríssimo leitor, veremos agravada a aguda situação de caos em que vivemos. Se não estivermos disponíveis para educar nossos filhos e construir o alicerce ético e moral de suas vidas, chegará o dia em que, com lágrimas nos olhos e imensa dor na alma, constataremos que o problema não é mais o filho do outro; veremos que chegou à nossa casa, e que dorme no quarto vizinho ao nosso.

Por fim, pais e filhos, estejamos alertas. Nestes dias onde tudo e de todas as formas é consumido, faz-se necessário que ao acessar qualquer tipo de informação reflita-se sobre o que estão oferecendo; seja um filme, um livro, uma propaganda de determinado produto ou uma música. O diálogo entre pais e filhos é fundamental e determinante. Querido jovem, converse com seu pai, com sua mãe. Se ele ou ela não “tá ligado”, acorde-o! Aprenda e exercite o pensar. Do contrário, a informação continuará a chegar e será sempre “instalada”, como quem acrescenta um novo software a um computador. Desta maneira corre-se o risco de se ter mais uma geração alienada, que não aprendeu a raciocinar. Sem opinião, pronta para aderir e consumir. Uma geração que tudo absorve, até uma tolice perigosa como “ficar”.

Ronaldo Lessa

Sep192003

Felicidade tem sabor de quero mais…

Felicidade tem sabor de quero mais.
É tão bom, dura tão pouco, parece até algodão doce.
É como o raio: no instante que se sente já se foi.
Deixa marcas bem profundas, talvez insatisfação…

Deixa saudades e tristeza, e o mais doído é a certeza que este momento gostoso já vai longe, já passou.
Felicidade é dose certa, viva e latente que neste mundo está presente. Muitos enxergam e poucos a alcançam.

Todos a querem, desejam, todos a buscam. Rondam o mundo para encontrar
E o mais triste de tudo: não a encontram em nenhum lugar!
Felicidade sabem o que é?
É sermos o que somos, aceitando o mundo, a todos, mas a nós mesmos em primeiro lugar.

*****

Achei essa poesia linda, mas ao mesmo tempo um pouco confusa, pois trata a felicidade como um momento e depois como um estado permanente, como o fato de aceitar-se como se é… Eu, particularmente, vejo a felicidade como uma maneira de viver… Como diria o grande mestre, a felicidade é o caminho, e não algo que se deva buscar, como uma coisa palpável…

Felicidade para mim é a maneira como se encara a vida: se como uma privilégio ou como um fardo; se agradeço pelo que tenho ou se me sinto vítima dos problemas e me queixo pelo que não tenho… Viver com satisfação, alegria, encarar as coisas de frente, etc.

Como diria o escritor, “ser feliz é o mais compensador de todos os sucessos”.

Sep172003

O poder do sorriso.

O brilho do ouro e da prata tornam-se opacos quando comparados à luminosidade do sorriso. Isso, por si só, bastaria para definir o significado do gesto ímpar chamado sorriso. Não há super-homem nem qualquer outra pessoa por mais carrancuda que seja, que não estremeça ante um cumprimento que brota da alma. Não foram poucas as oportunidades em que pude constatar na prática o que estou afirmando.

Muitas vezes encontro pessoas cabisbaixas e absortas em seus inúmeros dilemas. Mesmo sem conhecê-las cumprimento-as e percebo que a reação é a de quem está, por assim dizer, acordando de um profundo sono, tamanha é a admiração que deixam transparecer. São coisas fantásticas, que somente com muita sensibilidade consegue-se detectar.

Sobre o que estou discorrendo, só tem um porém: há que se diferenciar um sorriso interesseiro de outro que não traz qualquer segunda intenção. É bem verdade que em meio a tantas índoles que existem, torna-se difícil saber qual o objetivo esboçado pelas pessoas ao estamparem tal gesto em seus rostos. De qualquer forma, porém, o fato é que do sorriso brotam namoros que depois se transformam em casamentos. De um sorriso sincero nascem amizades que perduram pelo resto da vida. Sorrir é apanágio do ser humano e como fomos criados à imagem e semelhança de Deus, o sorriso que vem da alma reflete o próprio Deus. Sobre esse assunto há mais um particular: se cumprimentarmos pronunciando o nome da pessoa, o resultado transcenderá a todas as expectativas, já que nosso nome é nossa melhor música.

Ao que foi acima dito, vale acrescentar que muitas vezes ouvimos frases do tipo: “éramos felizes e não sabíamos”. Quem fala assim, com certeza recordará que naqueles momentos o sorriso era artigo de luxo, ou seja, praticamente inexistia. Isso serve de alerta a todos nós, quer estejamos ou não enquadrados na sentença antes mencionada. Assim se evitará que pequenos transtornos coloquem em cheque nosso poder de auto controle. Nesses momentos é de todo necessário que façamos uma profunda meditação, direcionando nosso pensamento para caminhos cobertos de luz. Aqui cabem perfeitamente os seguintes dizeres das Sagradas Escrituras: “o coração alegre é como o bom remédio, mas o espírito abatido seca até os ossos” (Provérbios -17/22).

Natal Marchi

Sep152003

Uma peculiar constatação.

A cada dia recolhemos o que aprendemos até aquele momento e deixamos o que é conhecido para trás.

Essa penosa separação não é agradável, mas em algum lugar íntimo devemos saber, vagamente, que dizer adeus ao que é conhecido traz a única segurança que jamais conheceremos.

De Fugindo do Ninho – Richard Bach

Sep122003

A mais bela flor

Primeiramente, obrigado a todos que leram e recomendaram a leitura dos posts passados. São tantos amigos maravilhosos que difícil é citar os nomes de cada um de vocês aqui. Sintam-se todos abraçados. Fiquei feliz em ver tantos comentários também, não nego. Continuem lendo posts antigos, há muitos nos arquivos, leiam os posts vindouros e recomendem este blog para quem quiser, quer necessite, quer não, de alguns bons textos, algumas boas palavras, para reflexão… Eis mais um:

amaisbelaflor“As pequenas coisas produzem a perfeição; mas a perfeição em si não é uma pequena coisa”. (Miquelângelo)

O estacionamento estava deserto quando me sentei para ler embaixo dos longos ramos de um velho carvalho. Desiludido da vida, com boas razões para chorar, pois o mundo estava tentando me afundar. E se não fosse razão suficiente para arruinar o dia, um garoto ofegante se chegou, cansado de brincar. Ele parou na minha frente cabeça pendente, e disse cheio de alegria:

- Veja o que encontrei:

Na sua mão uma flor, e que visão lamentável, pétalas caídas, pouca água ou luz. Querendo me ver livre do garoto com sua flor, fingi pálido sorriso e me virei. Mas ao invés de recuar ele se sentou ao meu lado, levou a flor ao nariz e declarou com estranha surpresa:

- O cheiro é ótimo, e é bonita também… Por isso a peguei; ei-la, é sua.

A flor à minha frente estava morta ou morrendo, nada de cores vibrantes como laranja, amarelo ou vermelho, mas eu sabia que tinha que pegá-la, ou ele jamais sairia de lá. Então me estendi para pegá-la e respondi:

- O que eu precisava.

Mas, ao invés de colocá-la na minha mão, ele a segurou no ar sem qualquer razão. Nessa hora notei, pela primeira vez, que o garoto era cego, que não podia ver o que tinha nas mãos. Ouvi minha voz sumir, lágrimas despontaram ao sol enquanto lhe agradecia por escolher a melhor flor daquele jardim.

- De nada, ele sorriu.

E então voltou a brincar sem perceber o impacto que teve em meu dia. Me sentei e pus-me a pensar como ele conseguiu enxergar um homem auto-piedoso sob um velho carvalho. Como ele sabia do meu sofrimento auto-indulgente? Talvez no seu coração ele tenha sido abençoado com a verdadeira visão. Através dos olhos de uma criança cega, finalmente entendi que o problema não era o mundo, e sim EU. E por todos os momentos em que eu mesmo fui cego, agradeci por ver a beleza da vida e apreciei cada segundo que é só meu. E então levei aquela feia flor ao meu nariz e senti a fragrância de uma bela rosa, e sorri enquanto via aquele garoto, com outra flor em suas mãos, prestes a mudar a vida de um insuspeito senhor de idade.

“Somos excessivamente indulgentes para com as nossas fraquezas e concedemo-nos, no amor, todas as liberdades”.

a.d.

***

Parabéns ao Eddy e a Déa, pelo aniversário de 1 ano de seus blogs, “De tudo um pouco” e “Vida Paralela”, respectivamente.

Agradecimento especial ao São Nunca, que abençoou este blog.

Sep102003

Tributo ao minuto

Aproveitando o post de ontem, quero fazer um tributo ao minuto. Para tanto, colocarei aqui o mais recente comercial do cartão Visa. Simplesmente maravilhoso. Tanto que fiz o download do comercial aqui, para lembrar-me sempre da lição nele consubstanciada.

Cada minuto é uma decisão.
Cada minuto é uma oportunidade.
Cada minuto é um momento único.

A escolha é sua.

Um minuto de liberdade.

Um minuto de paciência.

Um minuto de luxo.

Um minuto de triunfo.

Um minuto de amor.

Um minuto de solidão.

Um minuto de determinação.

Um minuto de juventude.

Um minuto de férias.

Um minuto de paixão.

Um minuto de ternura.

Um minuto de luta.

Um minuto de glória.

Um minuto de lembranças.

O que você vai fazer com o seu próximo minuto?

Outro minuto que não voltará…

Viva…

Porque a vida é agora.

Sep92003

Amanhã pode ser tarde demais…

Ontem?…Isso faz tempo!…
Amanhã?…Não nos cabe saber…

Amanhã pode ser muito tarde
Para você dizer que ama,
Para você dizer que perdoa,
Para você dizer que desculpa,
Para você dizer que quer tentar de novo…

Amanhã pode ser muito tarde
Para você pedir perdão,
Para você dizer:
Desculpe-me, o erro foi meu!…

O seu amor, amanhã, pode já ser inútil;
O seu perdão, amanhã, pode já não ser preciso;
A sua volta, amanhã, pode já não ser esperada;
A sua carta, amanhã, pode já não ser lida;
O seu carinho, amanhã, pode já não ser mais necessário;
O seu abraço, amanhã, pode já não encontrar outros braços…
Porque amanhã pode ser muito…muito tarde!

Não deixe para amanhã para dizer:
Eu amo você!
Estou com saudades de você!
Perdoe-me!
Desculpe-me!
Esta flor é para você!
Você está tão bem!…

Não deixe para amanhã
O seu sorriso,
O seu abraço,
O seu carinho,
O seu trabalho,
O seu sonho,
A sua ajuda…

Não deixe para amanhã para perguntar:
Por que você está triste?
O que há com você?
Ei!…Venha cá, vamos conversar…
Cadê o seu sorriso?
Ainda tenho chance?…
Já percebeu que eu existo?
Por que não começamos de novo?
Estou com você. Sabe que pode contar comigo?
Cadê os seus sonhos? Onde está a sua garra?…

Lembre-se:
Amanhã pode ser tarde…muito tarde!

Procure. Vá atrás! Insista! Tente mais uma vez!
Só hoje é definitivo!
Amanhã pode ser tarde…muito tarde!..

Comece agora… HOJE… Neste instante… e não AMANHÃ…

Não se esqueça de lembrar de tudo que você vai fazer hoje, porque você jamais saberá se amanhã estará aqui… E como você consertará seus desacertos?

Esta mensagem trata justamente do que sempre achamos que não é necessário fazer agora. Deixamos, na maioria da vezes, para mais tarde. Sempre esquecemos que o que não nos pertence é justamente o “mais tarde”, o “amanhã”, “o minuto seguinte”.

Imaginamos que haverá um novo dia, um novo amanhecer para vivermos, e, todos as coisas que poderíamos ter feito ainda hoje, ficam para depois… Mas esse “depois” ou esse “amanha” pode nunca mais vir.

Não presumas do dia de amanhã, porque não sabes o que ele trará“. (Provérbios 27:1).

Sep72003

Você colhe o que semeia.

Quando você planta uma semente na terra, ela pode se parecer com qualquer outra semente, marrom e seca, sem nenhum sinal aparente de energia vital.

No entanto, você a coloca na terra com confiança, e no momento certo ela começa a crescer. Ela sabe exatamente no que vai se transformar.

Você só sabe o que plantou porque estava escrito na embalagem, mas você acredita que determinada planta vai nascer daquela semente.

Quando você planta as idéias e pensamentos certos em sua mente, você deve fazê-lo com absoluta confiança, acreditando que somente o que é perfeito vai nascer deles.

À medida que sua confiança se torna mais forte e inabalável, essas idéias e pensamentos construtivos começam a crescer e se desenvolver. Assim você alcança o sucesso em tudo.

É o poder interior presente em cada um de nós que faz o trabalho.

Sep52003

As Pedras

Um professor de filosofia parou na frente da classe e tinha alguns itens em sua frente. Quando a aula começou, sem dizer uma palavra, ele pegou um vidro grande e vazio de maionese e começou a enchê-lo com pedras, pedras com pouco mais de 2 cm de diâmetro. Ele então perguntou aos alunos se o vidro estava cheio. Eles concordaram que estava.

Então o professor pegou uma caixa com pequenos cristais e os jogou dentro do vidro e agitou-o levemente. Os cristais, claro, rolaram para os espaços entre as pedras. Ele então perguntou novamente se o vidro estava cheio. Os alunos concordaram que sim, e riram.

O professor pegou uma caixa de areia e a jogou dentro do vidro. Claro, a areia preencheu todo o resto. “Agora”, disse o Professor, “eu quero que vocês reconheçam que esta é sua vida. As pedras são as coisas importantes – sua família, seu parceiro, sua saúde, seus filhos, coisas que se todo o resto estivesse perdido, elas continuariam ali, e sua vida ainda estaria cheia. Os cristais são as outras coisas que importam, como o seu emprego, sua casa, seu carro. A areia é todo o resto. As coisas pequenas. Se você colocar a areia primeiro no vidro, não há espaço para os cristais e as pedras. O mesmo vale para a sua vida. Se você gasta todo o seu tempo e sua energia nas coisas pequenas, você nunca terá espaço para as coisas que são importantes para você. Cuide das pedras primeiro, das coisas que realmente importam. Estabeleça suas prioridades. O resto é só areia.”

Lembrem-se de colocar primeiro as pedras. O resto é resto e encontrará o seu lugar.

obs: já havia recebido há tempos este e-mail e hoje o recebi novamente, sendo que com um desfecho para quem simpatiza com uma boa cervejinha, gelada; sei que muitos já leram este texto com o desfecho de que sempre há espaço para a cerveja, mas poucos pararam pra perceber o texto em si sem a alteração do desfecho. Afinal, o texto original não finda com a ironia da cerveja, evidentemente. Há uma mensagem que talvez muitos não tenham percebido. Por isso, resolvi postá-lo aqui, da maneira correta, sem alterações, sem ironias, mas sim com o real significado e mensagem que se visou passar adiante.

Sep42003

A Fofoqueira

Uma mulher espalhou uma fofoca sobre uma certa pessoa que ela não conhecia bem, mas a invejava. Alguns dias depois, o bairro inteiro sabia a história. A pessoa que foi alvo da fofoca ficou indignada e muito ofendida. Mais tarde, a mulher que espalhou o boato descobriu que era tudo mentira, ficou arrependida e foi visitar um velho sábio para descobrir o que podia fazer para consertar o estrago.

_ Vá até a praça principal – disse ele -, compre uma galinha e mande matar. Depois, no caminho de casa, depene-a e solte as penas uma a uma pela rua. Embora surpresa com o conselho, a mulher fez o que o sábio havia mandado.

No dia seguinte ele disse:

_ Agora vá, recolha todas as penas que deixou cair ontem e traga para mim.

A mulher seguiu o mesmo caminho, mas, para seu desespero, o vento tinha dispersado todas as penas. Depois de procurar por horas, ela voltou com apenas três penas na mão.

_ Está vendo – disse o velho sábio – , é fácil soltá-las, mas é impossível recolhe-las. Com a fofoca também é assim. Não custa muito espalhar um boato, mas, depois que se espalha, nunca se pode reverter o dano completamente.

Sep32003

Razão e Emoção

Ninguém jamais conseguiu explicar como foram criadas as almas gêmeas, mas eu me lembro bem dessa história.

Estavam, lá no céu, todas as almas. Umas eram somente razão, outras somente emoção; duas filas distintas. Finalmente, chegou a minha vez de ser colocada em uma das filas. Olhei para ambas e me identifiquei com a da razão. Acontece, porém, que quando avistei você na da emoção meus olhos brilharam, como se você fosse um imã a me puxar.

Aproximei-me do criador e lhe disse:
- Eu gostaria de ficar na fila da emoção, pode ser? É que existe uma doce alma por lá, que me encantou.
- Está bem! Falou-me Ele. Você até poderá escolher seu lugar, mas antes quero lhe explicar algo. Depois, então, você fará a sua opção.

Existem almas que são gêmeas, tudo nelas é igual. A única diferença que eu coloquei foi a razão e a emoção. Justamente para que elas possam se completar. É como se fosse um encaixe. Possuo uma grande percepção para distinguir as almas gêmeas e por isso entendi, que aquela que se encontra ali na fila da emoção é a sua (Ele falou apontando para você). “Daí querer te colocar na da razão. Caso vocês fiquem juntos, o encanto das almas gêmeas se acabará, ao passo que se ficarem separadas, ele permanecerá. No entanto, devo lhe contar algo: as almas gêmeas nem sempre se encontram, porém vivem sempre unidas pelo coração e por elas próprias. Por outro lado, quando se encontram jamais se separam, nem mesmo eu consigo executar esse afastamento”. Entendi naquele momento que a razão não sobrevive sem a emoção e a emoção, por sua vez, precisa da razão para viver.

Nesse instante fiz a minha escolha: – Prefiro a fila da razão!

Encaminhei-me para meu lugar, me posicionei e nesse mesmo instante, você, que não tinha até então percebido minha presença, olhou-me e sorriu! Hoje, eu sou a razão, você a emoção. Eu te dou o chão e você me leva à lua. Hoje, eu entendo o que o criador quis me dizer com: “…é como se fosse um encaixe”. Hoje, eu sou a razão correndo atrás da emoção e você a emoção pedindo aos céus que eu possa pertencer a mesma fila que você. Contudo, o que você não sabe é que fui eu mesmo quem escolheu o meu lugar, só para ser a sua alma gêmea. O que você não sabe é que, mesmo antes de pertencer a qualquer uma das filas eu já te amava.

Quando voltarmos para o lado de lá, você há de entender tudo isso e se puder escolher uma das filas novamente, ainda vou querer ficar separado de você. A única diferença é que escolherei a fila da emoção, para sonhar como você sonhou, e que você fique na da razão, para entender como eu sofri!

Sep12003

O Trem da Vida.

Há algum tempo atrás, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma leitura extremamente interessante quando bem interpretada. Isso mesmo… A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques… Alguns acidentes, surpresas agradáveis e… grandes tristezas.

Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco. Infelizmente, isso não é verdade. Em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível. Mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser super especiais para nós embarquem.

Chegam nossos irmãos, amigos e… amores maravilhosos. Muitas pessoas tomam esse trem, apenas a passeio. Outros encontrarão nessa viagem somente tristezas,
outros ainda circularão pelo trem prontos a ajudar a quem precisar. Muitos descem e deixam saudades eternas. Outros passam por ele de uma forma que quando desocupam seu assento ninguém nem sequer percebe. Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos. Portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante ele atravessemos, mesmo com grande dificuldade, nosso vagão e cheguemos até eles; só que, infelizmente… jamais poderemos sentar ao seu lado, pois alguém já terá ocupando aquele lugar.
Não importa!

Assim é a viagem… cheia de atropelos… sonhos… fantasias… esperas… despedidas, porém sem retornos. Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível; tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando em cada um deles o que tiverem de melhor, lembrando sempre que em algum momento do trajeto eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender isso, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá.

O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado. Eu fico pensando se quando descer desse trem sentirei saudades… Acredito que sim. Me separar de alguns amigos que fiz nele será, no mínimo, doloroso. Deixar meus entes queridos continuarem a viagem sozinhos, com certeza, será muito triste, mas me agarro na esperança de que, em algum momento estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram.

O que vai me deixar feliz será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado bem valiosa.

Silvana Duboc