December 2004

Dec302004

ano velho, ano novo.

anonovo4.jpg

Somos como o ano velho, por isso tememos o novo.

O que eu estou fazendo com as minhas partes que ficaram paradas?

O que você está fazendo com as suas?

O que estou fazendo para renovar o que há de antigo em mim, tão arraigado que até já o suponho convicção?

O que você está fazendo com o que há de antigo em você, e que talvez se exteriorize com a aparência de ser o mais moderno?

Somo como o ano velho. Como um montão de anos velhos acumulados. Vivemos a repetir o que já sabemos, o que já experimentamos. Repetimos, também, sentimentos, opiniões, idéias, convicções. Somos uma interminável repetição, com raras aberturas reais e verdadeiras para o novo, do qual cada instante está prenhe. Somos muito mais memória do que aventura. Somos
muito mais eco do que descoberta. Somos muito mais resíduo, do que suspensão. Somos indissolúveis, pétreos, papel carbono, xerox existencial, copiadores automáticos de experiências já vividas, fotografias em série das mesmas poses vivenciais. Somos um filme parado com a ilusão de movimento. Só acreditamos no que conhecemos. Supomos que conhecemos. Supomos que
conhecer é saber.

O ser humano é feito de tal maneira inseguro que a tendência é sempre a de reter experiências e fazer da vida uma penosa e longa repetição do já vivido. O ser humano adora repetir. Ele precisa repetir, porque não está preparado para o novo de cada momento, para o fluir do todo na direção da transformação permanente. Ele é uma unidade estática e acumuladora, num cosmo mutante e
em permanente transformação.

Aceitar a mudança e a transformação é ameaçar tudo o que o homem adquiriu e guarda com avareza, para tentar explicar a realidade e a vida. Mas cada vez que o ser humano usa o instrumental guardado com tanta avareza para explicar o real, este já se transformou e o que antes era eficaz, novo, “descoberta importante”, logo se transformou numa informação parcial, num mero dado da realidade. Essa é sempre grávida de transcendência.

Aí está o grande dilema: para explicar o real só temos a nossa experiência anterior, mas só é válida no momento de sua revelação. Um segundo depois já ficou parcial, relativa, incompleta. Não temos, então, instrumental de aceitação do novo e o que temos fica mais velho e superado a cada aplicação. Por isso é mais cômodo, fácil e simples para o ser humano cair na repetição do que já
é, do que já sabe, do que já viveu. Ele chega a chamar isso de “conhecimento”, quando é, apenas, cristalização de um saber anterior.

Por isso o ser humano tende tanto ao conservadorismo: atingida uma conclusão, montado um sistema de interpretação da realidade, logo o ser humano se aferra a ele e, numa extensão, aplica-o a todo o real. Se o sistema é lógico, então a mente racional se satisfaz e com isso o homem se supõe portador de uma verdade. Aferra-se então a ela, passando a ser um de seus
defensores. Cria, a partir da verdade na qual crê, e passa a repetir escolas de pensamentos, doutrinas, religiões, ideologias, esquemas de interpretação da realidade, correntes, seitas, crenças, opiniões, convicções e até fanatismos. Cria uma espécie de dependência das próprias verdades. Passa de senhor a escravo. E quanto mais escravidão mental, mais sensação de liberdade. Sim, somos viciados nas próprias crenças, dependentes das próprias verdades,
toxicômanos das próprias convicções. E, como ocorre em todas as dependências, precisamos repetir nossas verdades para que não caiamos no pânico da dúvida, na ameaça da mutação. Inventamos uma pacificação ilusória e grandiloquente. Seu nome: Coerência. Coerência passa a ser uma grande virtude. “Fulano, conheço-o há trinta anos. Sempre na mesma posição. Tipo
coerente está ali”. E assim saudamos alguém que parou no tempo, que tão logo ganhou uma convicção, fechou-se a todas as demais.

Assim na crenças, assim nas idéias e assim, também, nos sentimentos, nas vontades e nos hábitos. A rigor não sabemos o que estamos fazendo para renovar o que há de antigo em nós. Em geral, nada. Não me refiro ao que há de permanente, pois o ser humano é feito de permanências e provisoriedades. As permanências (ligadas às essências) devem ficar. Mas as provisoriedades
que se tornam antigas, paradas e repetitivas e que ali estão remanescentes por nossa preguiça de examiná-las ou por nossa incapacidade (ou medo) de removê-las, estas precisam ser revistas, checadas, postas em discussão, em debates e arejamento.

Assim vejo o Ano Novo. Como a esperança dessa renovação, que tem nome: criatividade. Criar é manter a vida viva. Criar é ganhar da morte. Morte é tudo o que deixou de ser criado.Criatividade é, pois, imbricado no conceito da vida. Não há como separar os dois conceitos. Vida é criação e criação é vida. Só criatividade nos dará possibilidade de solução para cada desafio do novo. As
soluções jamais se repetem. Nós é que nos repetimos por medo, comodismo ou burrice. Adoramos repetir, tememos renovar, por isso tanto sofremos.

Artur da Távola

**********

Responderei ainda hoje todos os comentários deixados nos últimos posts.

Estive resolvendo minha vida, dando novo rumo, mudando aqui, ali, para começar de maneira diferente o ano que se inicia…

E que 2005 seja maravilhoso.

Ósculos e amplexos a todos.

All you need is love – Beatles

Dec272004

Telefone Amigo

telefonista1.jpg

É deveras longo o texto, mas vale a pena ser lido. Então, se não tiver tempo agora, volte outra hora, mas não deixe de lê-lo até o final. Eis o texto:

Quando eu era criança, meu pai comprou um dos primeiros telefones da vizinhança. Lembro-me bem daquele velho aparelho preto, em forma de caixa, bem polido, afixado à parede. O receptor brilhante pendia ao lado da caixa. Eu ainda era muito pequeno para alcançar o telefone, mas costumava ouvir e ver minha mãe enquanto ela o usava, e ficava fascinado com a cena!

Então, descobri que em algum lugar dentro daquele maravilhoso aparelho existia uma pessoa maravilhosa – o nome dela era “informação, por favor” e não havia coisa alguma que ela não soubesse. “Informação, por favor” poderia fornecer o número de qualquer pessoa e até a hora certa.

Minha primeira experiência pessoal com esse “gênio da lâmpada” aconteceu num dia em que minha mãe foi na casa de um vizinho. Divertindo-me bastante mexendo nas coisas da caixa de ferramentas no porão, machuquei meu polegar com um martelo.

A dor foi horrível, mas não parecia haver qualquer razão para chorar, porque eu estava sozinho em casa e não tinha ninguém para me consolar. Eu comecei a andar pelo porão, chupando meu dedão que pulsava de dor, chegando finalmente à escada e subindo-a.

Então, lembrei-me: o telefone! Rapidamente peguei uma cadeira na sala de visitas e usei-a para alcançar o telefone. Desenganchei o receptor, segurei-o próximo ao ouvido como via minha mãe fazer e disse:

“Informação, por favor!”, com o bocal na altura de minha cabeça.

Alguns segundos depois, uma voz suave e bem clara falou ao meu ouvido:

“Informação.”

Então, choramingando, eu disse:

“Eu machuquei o meu dedo…”

Agora que eu tinha platéia: as lágrimas começaram a rolar sobre o meu rosto.

“Sua mãe não está em casa?”, veio a pergunta.

“Ninguém está em casa a não ser eu”, falei chorando.

“Você está sangrando?” Ela perguntou.

“Não.” Eu respondi. “Eu machuquei o meu dedão com o martelo e está doendo muito!”

Então a voz suave, do outro lado falou:

“Você pode ir até a geladeira?”

Eu disse que sim. Ela continuou, com muita calma:

“Então, pegue uma pedra de gelo e fique segurando firme sobre o dedo.”

E a coisa funcionou! Depois do ocorrido, eu chamava “Informação, por favor” para qualquer coisa. Pedia ajuda nas tarefas de geografia da escola e ela me dizia onde Filadélfia se localizava no mapa. Ajudava-me nas tarefas de matemática. Ela me orientou sobre qual tipo de comida eu poderia dar ao filhote de esquilo que peguei no parque para criar como bichinho de estimação.

Houve também o dia em que Petey, nosso canário de estimação, morreu. Eu chamei “Informação, por favor” e contei-lhe a triste estória. Ela ouviu atentamente, então falou-me palavras de conforto que os adultos costumam dizer para consolar uma criança.

Mas eu estava inconsolável naquele dia e perguntei-lhe:

“Por que é que os passarinhos cantam de maneira tão bela, dão tanta alegria com sua beleza para tantas famílias e terminam suas vidas como um monte de penas numa gaiola?”

Ela deve ter sentido minha profunda tristeza e preocupação pelo fato de haver dito calmamente:

“Paul, lembre-se sempre de que existem outros mundos onde se pode cantar!” Não sei porquê, mas me senti bem melhor.

Numa outra ocasião, eu estava ao telefone: “Informação, por favor”.

“Informação,” disse a já familiar e suave voz.

“Como se soletra a palavra consertar?” Perguntei.

Tudo isso aconteceu numa pequena cidade da costa oeste dos Estados Unidos. Quando eu estava com nove anos, nos mudamos para Boston, na costa leste. Eu senti muitas saudades de minha voz amiga!

“Informação, por favor” pertencia àquela caixa de madeira preta afixada na parede de nossa outra casa; e eu nunca pensei em tentar a mesma experiência com o novo telefone diferente que ficava sobre a mesa, na sala de nossa nova casa. Mesmo já na adolescência, as lembranças daquelas conversas de infância com aquela suave e atenciosa voz nunca saíram de minha cabeça.

Com certa freqüência, em momentos de dúvidas e perplexidade, eu me lembrava daquele sentimento sereno de segurança que me era transmitido pela voz amiga que gastou tanto tempo com um simples menininho.

Alguns anos mais tarde, quando eu viajava para a costa oeste a fim de iniciar meus estudos universitários, o avião pousou em Seattle, região onde eu morava quando criança, para que eu pegasse um outro e seguisse viagem. Eu tinha cerca de meia hora até que o outro avião decolasse. Passei então uns 15 minutos ao telefone, conversando com minha irmã que na época estava morando lá. Então, sem pensar no que estava exatamente fazendo, eu disquei para a telefonista e disse:

“Informação, por favor”.

De um modo milagroso, eu ouvi a suave e clara voz que eu tão bem conhecia!

“Informação.”

Eu não havia planejado isso, mas ouvi a mim mesmo dizendo: “Você poderia me dizer como se soletra a palavra consertar?”

Houve uma longa pausa. Então ouvi a tão suave e atenciosa voz responder:

“Espero que seu dedo já esteja bem sarado agora!”

Eu ri satisfeito e disse:

“Então, ainda é realmente você? Eu fico pensando se você tem a mínima idéia do quanto você significou para mim durante todo aquele tempo de minha infância!”

Ela disse:

“E eu fico imaginando se você sabe o quanto foram importantes para mim as suas ligações!”

E continuou:

“Eu nunca tive filhos e ficava aguardando ansiosamente por suas ligações.”

Então, eu disse para ela que muito freqüentemente eu pensava nela durante todos esses anos e perguntei-lhe se poderia telefonar para ela novamente quando eu fosse visitar minha irmã. “Por favor, telefone sim! É só chamar por Sally”.

Três meses depois voltei a Seattle. Uma voz diferente atendeu:

“Informação”.

Eu perguntei por Sally.

“Você é um amigo?” Ela perguntou.

“Sim, um velho amigo”. Respondi.

Ela disse:

“Sinto muito em dizer-lhe isto, mas Sally esteve trabalhando só meio período nos últimos anos porque estava adoentada. Ela morreu há um mês.”

Antes que eu desligasse ela disse:

“Espere um pouco. Seu nome é Paul?”

“Sim” Respondi.

“Bem, Sally deixou uma mensagem para você. Ela deixou escrita caso você ligasse. Deixe-me ler para você.”

A mensagem dizia:

“Diga para ele que eu ainda continuo dizendo que existem outros mundos onde podemos cantar. Ele vai entender o que eu quero dizer”.

Eu agradeci emocionado e muito tristemente desliguei o telefone. Sim, eu sabia muito bem o que Sally queria dizer.

a.d.

**********

Não sou telefonista, é certo, mas precisando basta ligar e dizer “Informação, por favor”. Ligar no sentido figurado, entendido como telefonar, mandar e-mail, chamar no msn, etc. Sintam-se à vontade, pois sou amigo de todas as horas. Sou pra sempre.

Excelente semana a todos.

Ósculos e amplexos.

Nothing’s gonna change my love for you – George Benson

Dec242004

Feliz Natal – muito amor e paz pra você

merrychristmas.jpg

Quero ver você não chorar
Não olhar pra trás
Nem se arrepender do que faz…
Quero ver o amor vencer
Mas se a dor nascer
Você resistir e sorrir…

Se você pode ser assim
Tão enorme assim
Eu vou crer…
Que o natal existe
Que ninguém é triste
Que no mundo há sempre amor…

Bom Natal
Um Feliz Natal
Muito amor e paz pra você…
Pra você…

**********

Lembra do verdadeiro sentido do Natal, qual seja a renovação da fé, da esperança e do amor… Amor no sentido mais puro e simples da palavra. Amor universal. Amor pelo próximo.

Por que falo tanto de amor? Por que friso tanto o amor? – podes questionar. Porque o amor é tudo. Afinal, como já disse o Cara lá de cima: amai-vos uns aos outros como eu vos amei.

Então, pensa nisso. Aproveita para encher tua vida de amor. Rancor? Raiva? Vingança? Etc. Ainda guardas tais sentimentos dentro de ti? Liberta-te deles e apenas ama. Ama muito. Até quem te fez sofrer, quem te fez chorar, quem te magoou, etc. Quem sabe não é a oportunidade de que esse alguém precisa para se redimir de seus erros. Abre o peito e deixa o amor fluir… Verás como o maior beneficiado será tu mesmo.

**********

A todos os visitantes deste simples e humilde blog, quer sejam meus amigos (as), quer sejam leitores assíduos, quer sejam participativos, ou simplesmente anônimos, etc.

A todos, in-dis-tin-ta-men-te, bom natal…
Um Feliz Natal com muito amor e paz…
Para cada um de vocês…

merrychristmas2.jpg

Dec222004

Amigos e Livros

amigoselivros.jpg

Devemos buscar amigos como buscamos livros. Acertar na procura. Não é necessário que sejam muitos, mas que sejam bons. Não é preciso que sejam ricos, mas que sejam fiéis. Não é mister que tenham boa profissão, mas sim bom coração.

É triste o homem que não pode buscar livros por não saber lê-los. Mas é ainda mais triste o homem que não pode buscar amigos por não saber conquistá-los.

Os livros nos tiram da turbulência da alma, nos fazem refletir sobre grandes acontecimentos. Mas o amigo converte tormentas e tempestades em chuva de sentimentos.

Não podemos chamar de rico o homem que não tem livros. Mas podemos afirmar ser mendigo o homem que não tem amigos…

a.d.

**********

Aos meus poucos, mas queridos amigos, o meu muito obrigado por simplesmente existirem em minha vida.

Sinceramente.

Nothing’s gonna change my love for you – George Benson

Dec212004

O maior prejudicado

carvao.jpg

Um dia Paulinho voltou da escola muito bravo, fazendo o maior barulho pela casa. Seu pai, percebeu a irritação e chamou-o para uma conversa. Meio desconfiado e sem dar muito tempo ao pai, Paulinho falou irritado:

- Olha, pai, eu estou com uma tremenda raiva do Pedrinho. Ele fez algo que não deveria ter feito. Espero que ele leve a pior. O Pedrinho me humilhou na frente de todo mundo. Não quero mais vê-lo. E espero que ele adoeça e não possa mais ir à escola.

Para surpresa de Paulinho, seu pai nada disse. Apenas foi até a garagem e pegou um saco de carvão e dirigiu-se para o fundo do quintal e lhe sugeriu:

- Filho, está vendo aquela camiseta branca no varal? Vamos fazer de conta que ela é o Pedrinho. E que cada pedaço de carvão é um pensamento seu em relação a ele. Descarregue toda a sua raiva nele, atirando o carvão do saco na camiseta, até não sobrar mais nada. Daqui a pouco eu volto, para ver se você gostou, certo?

O filho achou deliciosa a brincadeira proposta pelo pai e começou. Como era pequeno e estava um pouco longe, mal conseguia acertar o alvo. Após uma hora, ele já estava exausto, mas a tarefa estava cumprida. O pai, que o observava de longe, aproximou-se e perguntou:

- Filho, como está se sentindo agora?

- Isso me deu a maior canseira, mas olhe, consegui acertar muitos pedaços na camiseta – disse Paulinho, orgulhoso de si.

O pai olhou para o filho, que até então não havia entendido a razão daquela brincadeira, e disse carinhosamente:

- Venha comigo até o quarto, pois quero lhe mostrar uma coisa.

Ao chegar no quarto, colocou o filho diante de um grande espelho, que ficou sem entender nada. Quando olhou para sua imagem, ficou assustado ao ver que estava todo sujo de fuligem. Tão imundo que só conseguia enxergar seus dentes e os pequenos olhos. O pai então lhe explicou:

- Veja como você ficou. A camiseta que você tentou sujar está mais limpa que você. Assim é a vida. O mal que desejamos aos outros retorna para nós próprios. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a mancha, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.

a.d.

**********

Páre e pense quando estiver irritado, ou quando desejar mal a alguém, porque no fim das contas o maior prejudicado será você.

Excelente terça-feira a todos.

Beijos para quem é de beijos; abraços para quem é de abraços; e ambos para quem é dos dois.

You oughta know – Alanis Morissette

Dec202004

O homem apaixonado

apaixonado.jpg

Excelente texto da Lilian Maial, sobre o homem apaixonado. Recebi da amiga Daysi Balsini e achei por bem dividí-los com vocês. Eis o texto (É longo, eu sei, mas vale a pena. Além do mais, lê quem quer):

**********

Se você conheceu um homem apaixonado, verdadeiramente apaixonado, você conheceu o que há de melhor nesse mundo.
É fácil e comum, nos dias de hoje, encontrar uma mulher apaixonada. As mulheres parecem ter sido feitas para a paixão (ao menos é o que nos dizem desde que nascemos). Mas homens, esses foram feitos para as batalhas sangrentas do dia a dia, para as dificuldades financeiras, para a luta pela sobrevivência, para o silêncio de sentimentos (assim pensa a nossa sociedade).
Os homens foram tão massacrados de responsabilidades e estigmas de carregar o mundo nas costas, que nem se deram conta de sua própria necessidade de amor e paixão. Fingem tão bem não ligar, reduzem o amor a conquistas, a disputas, a objetivos práticos a serem alcançados que, assim que atingem tal objetivo, o objeto passa a não exercer o mesmo fascínio.
Tudo bem, é por aí. Mas e quando Cupido decide flechar de verdade o coração masculino? Como reage esse coração, tão pouco acostumado a sofrer por amor, a manter alguém 24 horas por dia em seu pensamento?
Gente, é lindo! É tão lindo quanto ver uma criança dando seus primeiros passos, ou vendo um passarinho dar seu primeiro vôo, ou como namorados dando seu primeiro beijo.
Ele (o homem) é pego de surpresa e reage de forma surpreendente. Torna-se vulnerável, emotivo, passa a prestar atenção em letras de músicas, em flores, em poemas, em vitrines, em praças, em crianças. Ele passa subitamente a gostar de lojas, de receitas, de moda e perfumaria. Fica entendido em cremes e cheiros, em livros, em drinks. Passa a ser expert em assuntos exóticos. Acorda e dorme cantarolando. Isso tudo porque a amada tem seu mundo e é seu mundo.
O espelho passa a exercer atração. Geralmente muda o corte do cabelo, a barba e o bigode (tira, se tem, deixa crescer, se não tem). Fica vaidoso, sensível e bobinho. Adorável bobinho. Mas… esconde!
Ah, parece ser pecado se apaixonar!
Deve ser uma terrível gafe demonstrar sentimentos.
Aparentemente é condenável ser simplesmente humano.
Sabe aquela coisa do “lado feminino”? Balela. Não existe essa dicotomia. Todos temos de tudo dentro de nós. O poder, a beleza, o bem, o mal, o masculino e o feminino, o yin e o yang.
Mas esse homem apaixonado passa a ser exigente, a ter carências e vicissitudes. E se você souber manter essa chama acesa, souber lidar com esse homem enfeitiçado, será uma mulher abençoada, porque ele é capaz de tudo para ver você feliz.
Ah, esse homem não medirá esforços. Não haverá obstáculos capazes de detê-lo na empreitada da sua felicidade. Ele acordará com a força de um Hércules, a disposição de um atleta, a perseverança de um monge, e a fragilidade de uma criança.
Acolha-o. Sinta-o. Mime-o. Ame-o.
Deixe-o sentir seu amor fluir.
Alimente-o de afagos, de agrados, de elogios.
Mostre a ele a correspondência de sentimentos, mas não o prenda.
Deixe-o livre para escolher você, escolher estar com você, preferir você a qualquer coisa. Mas por vontade dele.
Creio que o erro de muitas mulheres é querer prender seu homem, controlar seus passos, cercá-lo não de afeto, mas de desconfiança.
O homem apaixonado é seu. Está apaixonado, encantado, tem um mundo novo e muitas das vezes não sabe lidar com ele.
Também fica inseguro, ciumento, quer agradar, quer inundá-la de carinhos, mas quer manter sua habitual liberdade.
E em nome desse novo amor, desse sentimento que o fragiliza tanto, talvez sufoque essa liberdade que sempre teve e que sempre foi-lhe ensinado assim. Mas isso, com o tempo, certamente o deixará limitado e cansado, levando a um desgaste no relacionamento.
Então, o que fazer?
Não há fórmulas. Não há receitas de bolo.
Há sim uma necessidade de entendimento, de espaço, de respeito mútuo.
Há que se lidar com a liberdade assim como se lida com a delicadeza da paixão.
Há que se estabelecer limites. O outro é o outro, você é você.
Não se pode amar ao outro se não se ama a si próprio.
O outro não é seu espelho e nem seu ideal e objetivo.
Nada de se anular em função do amor.
Essa é a diferença entre a mulher apaixonada e o homem apaixonado.
Ele não ama menos, não sente menos, não sofre menos por amor.
Apenas ele sempre teve sua individualidade. A sociedade o permitiu desde o início dos tempos, enquanto nós, mulheres, aos poucos vamos ganhando terreno na igualdade de direitos, inclusive o direito de se amar, o direito a seu espaço individual na relação a dois.
Sendo assim, ao dar de cara com um homem apaixonado, ao se apaixonar por ele, não abra mão de seu espaço, de sua individualidade, porque só assim poderá entender a postura dele e aproveitarão tudo o que a paixão e o amor correspondidos podem fornecer de forma sadia a ambos.
Curta seu homem, estrague-o de tanto amá-lo, e seja feliz!…

Against All Odds – Phil Collins

Dec172004

Lealdade…

lealdade3.jpg

Um homem, seu cavalo e seu cão, caminhavam por uma estrada.
Depois de muito caminhar, esse homem se deu conta de que ele, seu cavalo e seu cão haviam morrido num acidente.
Às vezes os mortos levam algum tempo para se dar conta de sua nova condição…
A caminhada era muito longa, morro acima, o sol era forte e eles ficaram suados e com muita sede. Precisavam desesperadamente de água.
Numa curva do caminho, avistaram um portão magnífico, todo de mármore, que conduzia a uma praça calçada com blocos de ouro,no centro da qual havia uma fonte de onde jorrava água cristalina. O caminhante dirigiu-se ao homem que numa guarita, guardava a entrada.
– Bom dia, ele disse.
– Bom dia, respondeu o homem…
– Que lugar é este, tão lindo? ele perguntou.
– Isto aqui é o céu, foi a resposta..
– Que bom que nós chegamos ao céu, estamos com muita sede. Disse o homem.
– O senhor pode entrar e beber água à vontade, disse o guarda, indicando-lhe a fonte.
– Meu cavalo e meu cachorro também estão com sede.
– Lamento muito, disse o guarda. Aqui não se permite a entrada de animais.
O homem ficou muito desapontado porque sua sede era grande. Mas ele não beberia, deixando seus amigos com sede.
Assim, prosseguiu seu caminho. Depois de muito caminharem morro acima, com sede e cansaço multiplicados, chegaram a um sítio, cuja entrada era marcada por uma porteira velha semi-aberta. A porteira se abria para um caminho de terra, com árvores dos dois lados que lhe faziam sombra. À sombra de uma das árvores, um homem estava deitado, cabeça coberta com um chapéu, parecia que estava dormindo:
– Bom dia, disse o caminhante.
– Bom dia, disse o homem.
– Estamos com muita sede, eu, meu cavalo e meu cachorro.
– Há uma fonte naquelas pedras, disse o homem e indicando o lugar.
– Podem beber à vontade.
O homem, o cavalo e o cachorro foram até a fonte e mataram a sede.
– Muito obrigado, ele disse ao sair.
– Voltem quando quiserem, respondeu o homem.
– A propósito, disse o caminhante, qual é o nome deste lugar?
– Céu, respondeu o homem.
– Céu? Mas o homem na guarita ao lado do portão de mármore disse que lá era o Céu!
– Aquilo não é o céu, aquilo é o inferno.
O caminhante ficou perplexo.
– Mas então, disse ele, essa informação falsa deve causar grandes confusões.
– De forma alguma, respondeu o homem. Na verdade, eles nos fazem um grande favor. Porque lá ficam aqueles que são capazes de abandonar até seus melhores amigos…

a.d.

**********

Jamais abandonaria meus amigos… Por mais que os seres humanos por muitas vezes me causem grandes decepções, mantenho a minha lealdade. Como costumo dizer, sou pra sempre. Confesso que não tenho o hábito de estar lembrando que gosto, que sou amigo, etc, não sou de ficar ligando, mandando e-mail, conversando no msn o tempo inteiro, etc, mas gosto muito dos poucos amigos que tenho. Sei também que é necessário lembrar ao outro o quão importante ele é e faço de tudo para melhorar isso em mim mesmo, mas requer longo período; não é do dia pra noite que se muda costumes arraigados em uma vida. Sou o que sou mesmo, as vezes um amor, as vezes dócil, meigo e carinhoso; outras vezes sarcástico, irônico, chato, emburrado. Defeitos? Tenho aos montes, como todo e qualquer mortal. Entretanto, acho que as qualidades suplantam os defeitos. Ao menos espero que sim. rsrsrs. Mas de uma coisa nenhum amigo pode reclamar: sou pra sempre, sou pra tudo, pra todas as horas, boas e ruins, alegres e tristes, etc. Pena que a recíproca nem sempre seja verdadeira, mas continuo sendo o que sou, pois como aprendi cada pessoa deve agir segundo a sua natureza. Eu ajo de acordo com a minha. E lealdade pra mim é tudo. ;)

Excelente final de semana a todos.

Beijos para quem é de beijo; abraços para quem é de abraço; e ambos para quem é dos dois.

Fear of the dark – Iron Maiden

Dec142004

Quando a gente ama

amor5.jpg

Recebi um texto enviado por email pela amiga Dani Furtado, que suscita algo interessante. Ei-lo:

Qual o termômetro para as nossas decisões?

Você já parou para pensar que, quando colocamos amor no que fazemos, as coisas se descomplicam? O segredo está em amar.

Quando amamos as pessoas, damos um jeitinho em todas as coisas. Mesmo o que nos parece difícil, dizemos para os nossos amigos: “Eu vou tentar”. Nunca dizemos um “não” de imediato; esgotamos todas possibilidades. Só dizemos “não”, se não houver jeito mesmo… Tudo isso, porque o amor está nos impulsionando.

Prestemos atenção nas nossas reações: quando não gostamos das pessoas, nutrimos antipatia por elas; como as nossas reações e respostas são grosseiras: “Não posso”. “Não dá”. “Estou sem tempo”. “É impossível”, etc. Tudo, porque não amamos ou não nos esforçamos para amar e ser bons com todos.

O lindo é que o dia mais belo para começarmos a amar é hoje.

Luzia Santiago

**********

Realmente, quando amamos alguém, não somente no sentido homem-mulher, como um casal, mas amar no sentido mais puro e simples do termo… Quando amamos tendemos a dar um jeito, a arrumar um tempo, a fazer de tudo pra resolver o problema, para ajudar e satisfazer quem tanto amamos. Já quando não gostamos, tratamos logo de colocar empecilhos, óbices, no intento de não gastar um mínimo de energia com aquela pessoa. É verdade. Mas o texto quer dizer que mesmo sendo assim, nunca é tarde para aprendermos a amar a todos sem olhar a quem. A fazermos o bem a todos que dele necessitarem.

E como seria bom se as pessoas aprendessem a amar desse jeito, como o Cara lá de cima ensinou: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” Sei que não é assim, mas quem sabe um dia. Tal qual Lenon, eu acredito nas coisas, acredito que eu posso ser um sonhador, mas não sou o único. E espero que algum dia mais e mais pessoas se juntem a mim e o sonho passe a ser realidade.

A vida é simples para quem ama, para quem nutre um sentimento tão maravilhoso dentro de si. Quem ama irradia amor, luz, energia positiva, bondade, solidariedade, etc. Porque amor é amor… Tão indecifrável, tão inexplicável… Fascinante. O amor é a essência da alma, é o que nos impulsiona para frente, para o alto.

Fez lembrar agora até uma música do Roberto:

“Quando a gente ama, a gente ri à toa.
Tudo tem desculpa, tudo se perdoa.
O orgulho dança e a gente é uma criança que diz sim pra tudo
Quando a gente ama tudo é um bom programa
pode ser na rua, pode ser na cama.
O amor é lindo e tudo é mais bonito quando a gente ama.”

O segredo está mesmo em amar…

Quando a gente ama – Roberto Carlos

Dec132004

O livro da vida.

livro.jpg

Era uma vez um homem que, entre a consciência e o sonho, se deparou com uma grande sala.
Ao se aproximar, percebeu um guardião na porta que disse:
- Ninguém pode entrar, pois aqui estão guardados os “livros da vida”. Aquele que conseguir passar por esta porta poderá ter acesso ao seu livro e modificá-lo ao seu gosto.
A curiosidade dele era grande! Afinal, poderia escolher o seu destino. Com insistência o guardião resolveu ceder um pouco e disse:
- Está bem. Dou cinco minutos, e nem mais um segundo…
Ele nem acreditava!
Cinco minutos eram mais que suficientes para que ele pudesse decidir o resto da sua vida, afinal, poderia apagar e acrescentar o que ele quisesse naquele “livro”.
Entrou e a primeira coisa que viu foi o livro da vida do seu pior inimigo.
Não agüentou de curiosidade.
O que será que estava escrito no livro da vida dele?
Abriu o livro e começou a ler.
Não se conformou, verificou que a vida dele lhe reservava muita coisa boa e não teve dúvidas.
Apagou as coisas boas e reescreveu o seu destino com uma porção de coisas ruins.
Logo viu outro livro.
De outra pessoa que ele não gostava e fez a mesma coisa…
De repente, se deparou com seu próprio livro!
Nem acreditou.
Este era o momento… iria mudar seu próprio destino… iria apagar todas as coisas ruins e escrever só coisas boas.
Seria a pessoa mais feliz do mundo!
Só que quando pegou o livro, eis que alguém bateu no ombro dele:
- Seu tempo acabou! Pode sair.
O homem então, ficou atônito! Não teve tempo nem de abrir o seu livro?
- Pois é, disse o guardião.
Eu te dei cinco minutos preciosos e você poderia ter modificado o seu livro, mas, só se preocupou com a vida dos outros e não teve tempo de ver a sua.
Não restou a ele outra saída senão abaixar a cabeça e sair da sala…

a.d.

**********

Impressionante como muitas pessoas se preocupam mais com a vida dos outros que com suas próprias vidas…

Então, a sugestão inicial dessa semana é: olhe para sua vida, ao invés de se meter na dos outros.

Excelente semana a todos.

Beijos para quem é de beijo, abraços para quem é de abraço, e ambos para quem é dos dois.

**********

Gostaria de ver mais interação dos internautas que por aqui passam. Por que não contar exemplos práticos ocorridos em suas vidas, compartilhar idéias contrárias, ou corroborativas do assunto tratado no post, etc? É que as vezes fico desmotivado a manter o site no ar pela pouca interação das pessoas. Afinal, para que mantê-lo se não há troca. Eu o faço por vocês, para vocês… Pago mensalmente hospedagem, pago anualmente pelo registro do domínio, sempre procuro abordar algo interessante, ou colocar uma mensagem positiva, etc, e só espero interação por parte de vocês. Pessoas há que entram, lêem e eu sequer sei quem são, sequer sei que existem.

Bem, depois exponho outras coisas. Por enquanto, basta.

Até muito breve.

Linda – Jorge de Altinho

Dec112004

O poder do abraço

abraco3.jpg

Dizem os orientais que, quando abraçarmos uma pessoa que amamos,
devemos fazer da seguinte forma: inspirando e expirando três vezes. Então, sua felicidade se multiplicará pelo menos dez vezes.

O efeito terapêutico do abraço é inegável. Diante disso não podemos esperar para abraçarmos quem queremos bem.

Se você estiver sentindo um vazio interior, tente abraçar o seu amigo, deslizando a mão sobre suas costas, para que o possa sentir junto a você.

Nos momentos de dor ou de alegria é que vemos o bem que um grande e demorado abraço nos causa.

Pelo abraço transmitimos emoções, recebemos carinho, trocamos afeto,
compartilhamos alegria, amenizamos dores, demonstramos amizade, doamos amor, expressamos nossa humanidade.

É tempo de enlaçarmos nossos braços num terno, profundo e afetuoso abraço…

a.d.

**********

Forte abraço a todos vocês e um excelente domingo.

Show me the way – Emerson Nogueira

Dec92004

Presente

presente2.jpg

Numa cidadezinha do interior havia uma escola com uma única classe e uma única professora. Ela lecionava para todas as crianças da cidade. Ela as amava e as crianças também a amavam muito.

No dia do mestre, as crianças estavam agitadíssimas, cada uma querendo
entregar primeiro o seu presente à professorinha: os filhos do dono da
chácara trouxeram uma cesta de frutos, cada um mais bonito e cheiroso que
o outro; os dois ruivinhos, filhos do dono da granja, trouxeram uma boa
quantidade de ovos; a menina gorduchinha, filha do cozinheiro, trouxe um
belo de um bolo; os três pequerruchos da Fazenda União trouxeram um
cabrito e o menino-índio, único índio na escola, lhe deu uma concha.

A professorinha ficou encantada com a concha e colocou-a logo no ouvido para escutar o barulho do mar que ela reproduzia. Ela estava embevecida quando reparou que o menino índio tinha os pés e as pernas muito empoeirados, a unha do dedão quebrada, o short além de gasto estava sujo, a camisa molhada de suor revelava braços e mãos imundos e o rostinho – ah! nem se fala! – naquele rosto encardido, os olhos faiscavam de alegria.

Só no confronto com esses olhos a professora se deu conta de que a praia mais próxima estava a três horas de caminhada. Considerando a volta, isso significava seis horas de caminhada ininterrupta. Então ela perguntou ao menino:

“Mas você foi buscar essa concha para mim?”

E ele respondeu: “A caminhada faz parte do presente!”

a.d.

**********

Texto bobinho, mas muito lindo… Mostra o real valor das coisas, o que realmente importa.

Com efeito, o que torna uma presente maravilhoso é a atitude por trás de tudo.

Meu cenário de amor – Circuladô de Fulô

Dec82004

A escolha de seu par

dance.jpg

Há trinta anos, os adolescentes encontravam o sexo oposto em bailes de salão organizados por clubes, igrejas ou pais responsáveis preocupados com o sucesso reprodutivo de seus rebentos.

Na dança de salão o homem tem uma série de obrigações, como cuidar da mulher, planejar o rumo, variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente o corpo de uma mulher. Homens levam três vezes mais tempo para aprender a dançar do que mulheres. Não que eles sejam menos inteligentes, mas porque têm muito mais funções a executar. Essa sobrecarga em cima do homem permite à mulher avaliar rapidamente a inteligência do seu par, a sua capacidade de planejamento, a sua reação em situações de stress. A mulher só precisa acompanhá-lo. Ela pode dedicar seu tempo exclusivamente à tarefa de avaliação do homem.

Uma mulher precisa de muito mais informações do que um homem para se apaixonar, e a dança permitia a ela avaliar o homem na delicadeza do trato, na firmeza da condução, no carinho do toque, no companheirismo e no significado que ele dava ao seu par. Ela podia analisar como o homem lidava com o fracasso, quando inadvertidamente dava uma pisada no seu pé. Podia ver como ele se desculpava, se é que se desculpava, ou se era do tipo que culpava os outros.

Essa convenção social de antigamente permitia ao sexo feminino avaliar numa única noite vinte rapazes entre os 500 presentes num grande baile. As mulheres faziam um verdadeiro teste psicológico, físico e social de um futuro marido e obtinham o que poucos testes psicológicos revelam. Em poucos minutos conseguiam ter uma primeira noção de inteligência, criatividade, coordenação, tato, carinho, cooperação, paciência, perseverança e liderança de um futuro par.

Infelizmente, perdemos esse costume porque se começou a considerar a dança de salão uma submissão da mulher ao poder do homem, porque era o homem quem convidava e conduzia a mulher.

Criaram o disco dancing, em que homem e mulher dançam separados, o homem não mais conduz nem sequer toca no corpo da mulher. O som é tão elevado que nem dá para conversar, os usuais 130 decibéis nem permitem algum tipo de interação entre os sexos.

Por isso, os jovens criaram o costume de “ficar”, o que permite a uma garota conhecer, pelo menos, um homem por noite sem compromisso, em vez de conhecer vinte rapazes numa noite, também sem compromissos maiores.

Pior: hoje o primeiro contato de fato de um rapaz com o corpo de uma mulher é no ato sexual, e no início é um desastre. Acabam fazendo sexo mecanicamente em vez de romanticamente como a extensão natural de um tango ou bolero. Grandes dançarinos são grandes amantes, e não é por coincidência que mulheres adoram homens que realmente sabem dançar e se apaixonam facilmente por eles.

Masculinizamos as mulheres no disco dancing em vez de tornar os homens mais sensíveis, carinhosos e preocupados com o trato do corpo da mulher. Não é por acaso que aumentou a violência no mundo, especialmente a violência contra as mulheres. Não é à toa que perdemos o romantismo, o companheirismo e a cooperação entre os sexos.

Hoje, uma garota ou um rapaz tem de escolher o seu par num grupo muito restrito de pretendentes, e com pouca informação de ambas as partes, ao contrário de antigamente.

Eu não acredito que homens virem monstros e mulheres virem megeras depois de casados. As pessoas mudam muito pouco ao longo da vida, na realidade elas continuam a ser o que eram antes de se casar. Você é que não percebeu, ou não soube avaliar, porque perdemos os mecanismos de antigamente de seleção a partir de um grupo enorme de possíveis candidatos.

Fico feliz ao notar a volta da dança de salão, dos cursos de forró, tango e bolero, em que novamente os dois sexos dançam juntos, colados e em harmonia. Entre o olhar interessado e o “ficar” descompromissado, eliminamos infelizmente uma importante etapa social que era dançar, costume de todos os povos desde o início dos tempos.

Se você for mãe de um filho, ajude a reintroduzir a dança de salão nos clubes, nas festas e nas igrejas, para que homens aprendam a lidar com carinho com o corpo de uma mulher.

Se você for mãe de uma filha, devolva a ela a oportunidade que seus pais lhe deram, em vez de deixar sua filha surda, casada com um brutamontes, confuso e insensível idiota.

Stephen Kanitz

**********

“Numa esteira o meu sapato pisa no sapato dela
Em cima da cadeira aquela minha bela cela
Ao lado do meu velho alforte de caçador
Que tentação, minha morena me beijando feito abelha
E a Lua malandrinha pela brechinha da telha
Fotografando o meu cenário de amor”

Nada como dançar a noite toda…

Meu cenário de amor – Sirano & Sirino

Dec72004

Hoje…

hoje.jpg

Hoje eu quero a loucura dos que amam.
Quero soltar as amarras do meu coração
e deixar que minha luz
envolva quem se aproximar.

Hoje eu quero a loucura das crianças
que inocentes, compartilham seus corpos com o mundo e
são irresponsáveis o suficiente
para se entregarem completamente à dança da vida.

Quero também a loucura das flores
exalando perfume e aceitando o risco
de se abrirem totalmente.
Mesmo sabendo da sua curta existência, no encontro com o vento.

Quero o desequilíbrio do inesperado,
A instabilidade dos mares,
A imprudência dos raios,
A gritaria incontrolável dos pássaros.

Quero estar absolutamente vulnerável ao amor,
Ao prazer e a dor,
Aos encontros e separações,
Ao afeto e ao abandono,
Ao planejado e aos “de repente”.

Hoje eu quero a fragilidade das plantas tenras,
No meio das tempestades.
De uma vela acesa,
que se consome com seu próprio ardor.
De uma cigarra que morre cantando.

Hoje eu só quero um compromisso.
O de não me comprometer
com a sanidade dos que “pensam”
Pra viver depois.

Quero estar disponível e louco,
Para ser vivido pela vida.

A. R. Soares

**********

Hoje eu quero mais é dançar muito forró!

Amor na rede – Sirano e Sirino

Dec62004

Taças e Cálices

casamento6.jpg

Sobre taças e cálices. Ou: o que o casamento me ensinou sobre o amor. *

*Revista Cláudia ( Junho de 2003)

Sempre que me convidam a opinar sobre casamento inevitavelmente me vem à cabeça taças de champanhe e cálices de vinho.

Essas taças e esses cálices são os que ganhamos, minha mulher e eu, no dia do nosso casamento. Na lista de casamento, as taças e os cálices são os meus itens preferidos. Claro que geladeiras, por exemplo, são literalmente um presentão. E que presentinhos como tupperwares não são incríveis no estilo originalidade, mas são práticos, sim, e necessários e bem-vindos. Mas quem dá taças ou cálices não está se preocupando com a vida prática. Está, na verdade, investindo na comemoração, na alegria, no momento especial, no tintim.

Imagine um dia na vida de recém-casados.

Eles despertam. Usaram, assim, os lençóis que foram presente da vovó. Tomam café usando as xícaras que foram presente de uma das sogras. Têm um longo dia de trabalho usando as underwears que ganharam de um dos cunhados. Voltam para casa pensando no que vão fazer com o bendito conjunto de fondue que ganharam da vizinha. Ou, antes: onde enfiar a maldita racleteira do bendito conjunto de fondue. Ao chegar, tomam banho usando as toalhas que ganharam de um dos sogros. Logo depois do jantar (em que eles usam as travessas que ganharam de uma das cunhadas), o casal coloca um cd (que era dele antes do casamente), acende um incenso (que ela tinha desde que namorava outro cara) e bebe um vinho.

Finalmente, comungam, um dando atenção a si e ao outro, um chegando a si e ao outro. Pois é nesse instante, breve se pensarmos nas muitas horas do dia, que o casal está convivendo com o presente de um grande amigo do peito: os cálices.

Se o vinho e o papo forem bons, provavelmente os lençóis, presente da vovó, serão bem utilizados em seguida.

E o ciclo no próximo dia se repetirá, até um novo momento de paz, este, quem sabe, com chamapanhe e com o presente de uma grande amiga do peito: as taças.

Taças e cálices são o que fazem o casamento não ser, argh, um matrimonio. em uma mulher não ser, argh, uma esposa. Mas se você esta imaginando que o casamento me faz pensar em taças e cálices porque acredito que uma vida a dois não resiste sem doses de carinho, sem momentos de delicadeza, sem intervalos amorosos, isso e verdade. Mas não é toda verdade.

A verdade.

O casamento também me faz pensar em taças e cálices porque casamentos duram, duram, duram e um dia essas taças e esses cálices começam a quebrar. Sim, quebra uma taça em um jantarzinho a luz de velas, quebra outra em uma festa de aniversário, quebra um cálice quando os dois, meio bêbados, se encaminham até o quarto, quebra outro por descuido, na pia da cozinha. E quebram várias e vários quando chegam os filhos. Assim, a gente vê ali, no armário da sala, a passagem do tempo. Nossa coleção de copos (difícil achar sinônimos para taças e cálices) vai sofrendo dramáticas e terríveis baixas… (repare: as fotos na prateleira também estão ficando mais desbotadas a cada dia).

E ali na frente do armário, parado no meio da sala a gente se pega perguntando: apenas as taças e os cálices não resistirão à longevidade do casamento?O nosso frágil amor resistirá? Quebraremos nos também, eu um cálice, ela uma taça?

Será que o tempo, implacável, exige que um homem, pra continuar cônjuge, seja resistente e opaco feito um tupperware? E que uma mulher seja forte e fria feito uma geladeira? Não. Sinceramente acho que não.

Taças e cálices ensinam que a fragilidade é bem-vinda. É mais que bem-vinda: é fundamental. É bom que, com o tempo, às coisas se quebrem, mesmo que sejam coisas muito queridas por nós. Cacos, vamos assim dizer, são didáticos.

Cacos didáticos?

As pessoas costumam dizer que vão perdendo as ilusões à medida que o tempo passa. E falam isso como se fosse ruim se desiludir. Perder ilusões é sabedoria. Ilusão é truque. Ilusão é mentira, ilusão é ilusão. Não acredita? Olhe no dicionário. Ou olhe pra vida.

Amor é amor quando você prefere sua mulher a uma mera tapeação. Amor é amor quando você aprecia mais seu homem do que um sonho dourado.

E é isso que o casamento ensina sobre amor – ou ao amor.

Quando você perde ilusões ganha na vida real. Em vez de ficar perseguindo uma quimera, descobre que já chegou, faz tempo a um bom lugar. A sua própria casa.

Sábios copos.

Por isso que o tema casamento me remete a taças de champanhe e cálices de vinho, às taças e aos cálices que ganhamos, minha mulher e eu, na festa de casamento.

Esses copos chegaram a nossa vida em um dia de celebração. Depois, com o tempo, se revelaram parceiros sempre que a celebração, não importando o dia, voltava a tomar conta das nossas vidas.

E então, esses sábios copos despediram-se na hora certa, a tempo de deixar bem claro que a celebração, afinal, não estava neles. Mas em nós, marido e mulher. A ponto de hoje em dia, o marido e a mulher estarem convencidos de que é preciso comprar taças e cálices novos para casa. Os deuses estão exigindo novos sacrifícios em nome da saúde desse casal. Precisamos fazer novos brindes, quebrar novas taças, estraçalhar novos cálices.

Transparências

E como casamento também me remete a taças e cálices, casamento acaba me remetendo a transparências. Faz sentido.

Quando mais tempo duas pessoas convivem, mais elas ficam transparentes uma para outra.

E isso não é ruim.

Isso é AMOR!

Marcelo Pires

Depoimento: Fica melhor com o tempo!
Um analista financeiro conta como o sentimento se tornou mais intenso com a vida a dois.

“Trabalho no mercado financeiro, Adriana é bailarina (ou do show business, como gosto de dizer, só para mexer com ela). São mundos muito diferentes, mas isso não compromete nossa relação. Como por enquanto a gente não tem filho, consegue observar bem um ao outro, ver como o sentimento vai mudando com o tempo. Áinda é amor, cada vez mais forte. Mas a sensação de insegurança e superficialidade dos tempos de namoro já se foi. Naquela época amor era sinônimo de diversão e muita coisa boa feita a dois. Planos, só a curto prazo: baladas e viagens com muitos beijos, bebidas e risadas. Puro prazer. Engraçado como o casamento tornou meu amor mais cauteloso. Agora quero vuidar dela. é a pessoa que faz parte da minha história e sonha, chora e aprende junto comigo. O que era uma coisa de pele, passou a ser de alma, corre na veia. Eu em sinto muito só quando a adriana demora a voltar dos ensaios. Gosto de dormir ao seu lado, mesmo ao acordar descoberto e com frio enquanto ela está tranquila, enrolada no edredom. Saio de casa de manhã, quando ela ainda está deitada. Mas não vou embora sm um beijo d edespedida. Ela responde com um: “Se cuida viu!” E aperta meu braço com aquele carinho que estufa meu coração de sentimento.” Carlos S. Barros, 33 anos.

**********

Suspirando, caro leitor ou leitora? rsrrsrs…
Eu também estou…

Ahhh, o amor… acredito nele, sim.
E como acredito…

Excelente semana a todos vocês.

Manas Bhajo Re – Meeta Ravindra

Dec32004

Tênis X Frescobol

tenis.jpg

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: “Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: “Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?” Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.”

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme “O império dos sentidos”. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra – é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: “Eu te amo, eu te amo…” Barthes advertia: “Passada a primeira confissão, “eu te amo” não quer dizer mais nada.” É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: “Erótica é a alma.”

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra – pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir… E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos…

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá…

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão… O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem – cresce o amor… Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim…

Rubem Alves

**********

Nem preciso dizer que o bom mesmo é o relacionamento frescobol…

Vivendo em conjunto, torcendo pelo outro, incentivando, compartilhando sonhos, dividindo tristezas, etc, o casal é que sai ganhando. Não há um vencedor, e sim dois. Sempre na vida.

Excelente final de semana a todos.

Caça e Caçador (ao vivo) – Fábio Jr.

Dec22004

E-Party

eparty1.jpg

Benny Benassi (Itália)

Bruno V. (PE)
Progressive

Rodrigo Parcionick (PR)
Percution

Cecilia Bradley (PE)
Techno | House

Elias Cabuzz (PE)
Hip Hop

Leozinho (PR)
Progressive House

Marco Madrys (RS)
House

Eletronic music.
Feel the beats on your hole body.
Tuntz Tuntz Tuntz Tuntz Tuntz Tuntz Tuntz

Satisfaction – Benny Benassi