January 2005

Jan312005

Para ser Feliz

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No Amor

Acredite sempre no amor. Não fomos feitos para a solidão.
Se você está sofrendo por amor,
está com a pessoa errada ou amando de uma forma ruim para você.
Caso tenha se separado, curta a dor, mas se abra para outro amor.
E se estiver amando, declare o seu amor.
Cada vez mais, devemos exercer o nosso
direito de buscar o que queremos (sobretudo no amor).
Mas atenção: elegância e bom senso são fundamentais. Arrisque!
O amor não é para covardes.
Quem fica a noite em casa sozinho, só terá que decidir que pizza pedir.
Curta muito a sua companhia.
Casamento dá certo para quem não é dependente.
Aprenda a viver feliz – mesmo sem homem/mulher ao lado.
Se não tiver com quem ir ao cinema, vá com a pessoa mais fascinante: VOCÊ!

Na Amizade

Tenha amigos vencedores. Campeões falam de, e, com campeões.
Aproxime-se de pessoas com alegria de viver.
Celebre as vitórias.
Compartilhe o sucesso, mesmo as pequenas conquistas, com pessoas queridas.
Grite, chore, encha-se de energia para os desafios seguintes.

No Pessoal

Perdoe! Enterre o passado para viver feliz.
Todo mundo erra, a gente também
Tenha uma vida espiritual.
Conversar com Deus é o máximo, especialmente para agradecer.
Reze antes de dormir. Faz bem ao sono e a alma.
Oração e meditação são fontes de inspiração.
Todo dia temos a opção de viver plenamente.

Afinal de contas, ATITUDE É TUDO!

Roberto Shinyashiki

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Que começemos esta semana com muita energia e disposição para fazer acontecer.

Que tenhamos atitude para escrever nossas histórias, porque ninguém é responsável por nosso destino a não ser nós mesmos.

Forte abraço a todos e até amanhã.

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Olinda!
Quero cantar
A ti, esta canção
Teus coqueirais
O teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração
De amor a sonhar
Minha Olinda sem igual
Salve o teu carnaval.

Olinda – Banda Pinguim

Jan262005

A ótica do olhar

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“Só se vê bem com o coração”(Exupéry)

Já se fizeram tratados sobre o olhar! A ótica do olhar, parece redundância, mas é coisa séria. Seríssima, aliás!

Escritores, poetas,sociólogos, psicólogos, todos já falaram à respeito dos significados que o olhar traz. Os românticos o vêem sob a ótica do amor. Tito Madi, nos encantava na década de 60 com estes versos: “Quero todo teu olhar no meu, Quero todo teu amor pra mim….” também cantamos todos: “este teu olhar, quando encontra o meu, falam de umas coisas que nem posso acreditar…” E quem não se recorda com saudades de: “teus olhos, são duas contas pequeninas…que brilham mais que o luar…”

A importância que se dá ao olhar, sempre foi preocupação universal. Os russos tornaram imortais os “Olhos Negros”. Os latinos nos ensinam: “Aqueles olhos verdes, translúcidos serenos.. parecem dois amenos, pedaços de luar…” A canção portuguesa nos diz: “Teus olhos castanhos de encantos tamanhos… sinceros, leais…” Machado de Assis,nosso escritor maior, nos intriga com os olhos enviesados e dissimulados de Capitu.

Sem dúvida nenhuma, o olhar é significativo demais porque a um só tempo que enxerga o mundo, espelha a alma. Há quem veja sem enxergar, e há quem enxergue sem ver. Olhos alegres refletem alma alegre. Olhos tristes são o espelho de uma alma ensimesmada por angústias.

Há que se ver com o coração nos diz Exupéry. Contudo, em se vendo com o coração, ficamos nas mãos da coisa mais incoerente, irracional e sem limites que existe dentro em nós. Já não mandamos nessa ótica, porque nos foge o controle. Escapa do nosso decidir. O coração é feitor, e pouco se importa com nossa dor.

Mas o maior enigma, a mais difícil equação de nossas vidas, está em olharmos pra dentro de nós mesmos. Há que ser um olhar garimpeiro!
Há que ser um olhar perscrutador! Há que ser um olhar verdadeiro!
Um olhar que saiba decifrar as pequeninas inquietações, mas saiba também enxergar a solução,pra que elas não se tornem fantasmas a nos assombrar pela vida à fora. Olhar pra dentro de nós mesmos, exige um olhar sábio e corajoso, sem meias verdades, sem tergiversações. Quando nosso eu,se sente desnudado pela verdade de nosso próprio olhar, há um ressurgimento em nós de uma esperança de total e radical mudança.

Daí começamos a perceber coisinhas miúdas aparentemente indeléveis, mas tão prazerosas que precisam ser trazidas à tona, afloradas, cultivadas.
Pouca importância tem a cor do olhar. O que importa, é a amplitude e a imensidão de amor e compreensão, seja para ver o exterior, seja para ver nosso interior.

O olhar precisa ser carregado de significados,sim, mas muito mais de significantes. Olhar além de nós, olhar dentro em nós, não importa… O que importa é que seja um olhar corajoso, sem medo de ver o que não se quer ver.
Olhar sem medo de ver,de repente, o que nunca se viu, e ter coragem de reconhecer!

Então vamos completar o pensamento de Exupéry, dizendo :

“Só se vê bem se pusermos o coração no olhar, para que o essencial não se torne invisível aos olhos!”

Ercília Pollice

O Homem da meia-noite – Alceu Valença

Jan242005

Reciclagem de Vida

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Não sei se a vida se recicla.

Não, talvez não. Mesmo se após um tempo de reflexão decidimos mudar nossa vida, seremos sempre nós mesmos no fim. Mudados, mas nós. Com todas as marcas e cicatrizes para que não nos esqueçamos do que fomos.

Sabemos que jamais poderemos recolar os pedaços das coisas vividas e construir novas. Colchas de retalhos são muito bonitas, mas não passam de colchas de retalhos.

Remenda-se panos, recola-se papel ou vidro, mas não se remenda vidas, não se recola momentos passados, coisas que deixamos pra trás.

Recomeçar? Sim. Recomeçar é possível, mesmo (e felizmente!) se já não somos os mesmos. Aprendemos, à custa de dor, mas aprendemos.

Não cometeremos duas vezes os mesmos erros, não beberemos a mesma água. Durante anos vivemos como se não tivéssemos outras alternativas.

A vida é assim… é o destino. Mas nosso destino, nós fazemos.

Nossas prioridades, escolhemos e aprendemos a viver com elas. E só depois, mais tarde, é que nos questionamos sobre o fundamento das nossas escolhas.

Há pessoas que acham que é tarde demais para mudar e continuam na mesma linha, mesmo se conscientes de que talvez esse não tenha sido o melhor caminho.

Homens e mulheres que se mataram a vida toda para ganhar dinheiro, terminam muitas vezes a vida sozinhos, cheios de dinheiro, vazios de amor.

E felizes há aqueles que descobrem que ainda é tempo para fazer alguma coisa. E que podem redefinir as próprias prioridades e assumi-las.

Vai doer, mas vai valer a pena, porque no fim das contas vamos ter a consciência tranqüila de que tentamos.

Um dos piores sentimentos que existem é o de não poder recapturar um momento que gostaríamos que tivesse sido diferente. O eu de hoje não teria feito isso ou aquilo, mas o que eu era ontem não sabia o que sei agora.

Se soubesse, teria cometido menos erros. Mas temos um Deus tão bom e tão grande que Ele está sempre nos oferecendo a opotunidade de nos redimir e fazer novas escolhas.

E agora? Agora sabemos.

Não vamos pegar atalhos. Eles podem ser atraentes, mas nos impedirão talvez de aproveitar as belezas da jornada. O caminho da vida é bonito, apesar de ser mais difícil para uns que para outros. Mas é bonito se sabemos tirar o máximo do que é bom. Noites escuras podem nos fazer ver mais claramente as estrelas. Só veremos o nascer do sol se acordarmos cedo.

Coisas simples que a natureza nos ensina.

Reciclagem de vida? Talvez sim.

Talvez sejamos, no fim das contas, uma colcha de retalhos da vida. Mas que sejamos então uma bela colcha nova enfeitando um quarto, um coração, talvez mesmo muitos corações e muitas vidas, a começar por nós mesmos.

Letícia Thompson

Voltei Recife – Alceu Valença

Jan202005

O poder do Riso

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Temos um grande número de pesquisadores em muitos campos explorando o papel do riso no bem estar de nosso corpo e mente. Koestler fala dele como um “reflexo de luxo”, que só pode estar evoluído nos seres humanos no estágio de “emancipação cortical”, quando nos tornamos capazes de perceber nossas “próprias emoções como redundantes, e admitir, sorrindo: fui surpreendido”. Ele também afirma que o riso só poderia ter surgido “numa espécie biologicamente segura com emoções redundantes e autonomia intelectual”.

Um propósito chave do riso, é que ele nos mantém livres da tirania do nosso passado e de nossa sociedade. Das crenças que costumamos arrastar desde a mais tenra infância e dos contextos sociais robotizantes.

O riso é também uma forma de lidarmos com o que não conseguimos explicar, pois ele nos possibilita o distanciamento temporário de um evento sobre o qual não temos controle, lidar com ele e depois continuar saudável com nossas vidas. O riso após emoções que poderiam nos desequilibrar e roubar a energia necessária para permanecer na realidade, nos purifica e nos recoloca na situação, porém com a atenção desperta.

O riso desenvolve uma habilidade criativa, que estimula a flexibilidade mental e traz portanto uma capacidade ampliada do uso da inteligência.

O riso também pode definir nossa sanidade.
Nossa habilidade em associar universos de discursos independentes só funciona quando estamos mentalmente sãos. Koestler define essa habilidade como a chave do riso e da criatividade. O momento em que pacientes clinicamente deprimidos dão risada é um momento de ruptura em direção à cura. Até aquele ponto eles haviam sentido seu mundo como um lugar constantemente amedrontador e hostil.

A vida não deve ser vista de forma tão literal, precisamos ser capazes de usar o contexto “faz de conta”, que é a marca registrada de uma criança espontânea e da imaginação humana.

A Terapia do Riso resgata a noção de aprender a brincar com nossa dor e descobrir meios de trazer nossas crenças para o presente, ajustando-as ao que somos hoje, ou seja, à nossa realidade.

As pessoas que conseguem rir, lidam de forma muito mais saudável com a sua realidade, percebem o mundo e tudo que as cerca com intensidade e vitalidade. São mais humildes quando têm sucesso e menos derrotadas em momentos difíceis.
É algo como não ter medo de viver o presente, o real, os fatos, porque existe um prisma de positivismo que os faz crer que existem infinitas saídas e formas de transformar os desafios em aprendizados.

Com certeza há coisas mais importantes na vida do que achar engraçado o que fazemos, mas não consigo imaginar qualquer outra coisa que faça a minha vida valer mais a pena.

Uma das crenças mais persuasivas que nos impedem de viver a vida que queremos é a de que devemos ser sérios para sermos respeitados. Confundimos responsabilidade com seriedade e perfeição nas coisas que fazemos. É essa confusão que nos leva a perder contato com aquele “lugar interior do riso, da brincadeira, da vontade espontânea de aprender” que pode dar alegria às nossas vidas. Abandonamos a nossa criatividade em prol da responsabilidade e do respeito.
Não acho que seja uma questão de troca ou opção, pois ao contrário do que os “donos dos sistemas” querem pregar, podemos ser criativos, respeitáveis e responsáveis a todo momento, e necessariamente bem humorados e positivos. E ainda mais, livres internamente.

“O riso nos livra do vazio, por um lado, e do pessimismo, por outro, mantendo-nos maiores do que aquilo que fazemos e maiores do que o que pode nos acontecer”.

A. Penjon
Texto extraído do livro “O poder de cura do Riso”

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A partir de hoje vou colocar letras de músicas de Carnaval, já que este está chegando.

A de hoje é “Me segura senão eu caio”, com Alceu Valença.

“Nos quatro cantos cheguei
E todo mundo chegou
Descendo ladeira
Fazendo poeira
Atiçando o calor

E na mistura colorida da massa
Fui bater na praça a todo vapor
Descambei passando pelos bares
Cheirei a menina e voei pelos ares
No pique do frevo caí como um raio
Me segura que senão eu caio
Me segura que senão eu caio”

Me segura senão eu caio – Alceu Valença

Jan182005

Caminhada…

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Os males que me fizeram… perdoei

Não odiei meus inimigos… abençoei

Das armadilhas que montaram… escapei

No pouco espaço que mostraram… vivi

As esmolas que me deram… aceitei

Os conselhos que falaram… esqueci

As ordens que impuseram… obedeci

Quando riram de mim… ignorei

Quando cantaram pra mim… escutei

Quando pensaram que morri… escapei

Sempre que eu viajei… voltei

Os caminhos que apontaram… caminhei

Nos pecados que cometi… penei

As dores que sofri… chorei

Meus amores no caminho… deixei

Quando pediram para eu ficar… fugi

Os sentimentos que ganhei… perdi

Nos sofrimentos que passei… sorri

Quando me mandaram embora… me achei

Quando aprisionaram minha alma… desfaleci

Quando encontrei você… amei

a.d.

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Teu amor significa tudo…

Out of nothing at all – Air Supply

Jan102005

O sentido da vida

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Ponha a mão no peito e sinta as batidas do seu coração.
Esse é o relógio da sua vida tiquitaqueando a contagem regressiva do tempo que lhe resta.
Um dia ele parará.
Isso é cem por cento garantido e não há nada que você possa fazer a respeito.
Portanto, não dá para perder um único precioso segundo.
Vá atrás do seu sonho com energia e paixão, ou então recue e veja-o escorrer pelo ralo.
Se você passar o tempo todo em cima do muro,
acabará não indo a lugar algum no pouco tempo que lhe resta
(Sem falar, claro, no perigo das farpas em lugares inconvenientes.)
Como dizem. “não se salta uma fenda em dois pulinhos”.
É preciso coragem e dedicação para viver o seus sonhos. (Claro, também é preciso lembrar onde acaba a coragem e começa a estupidez.)
A verdade é que todos nascemos com potencial para a grandeza,
abençoados com oportunidade para alcançar novas e estonteantes alturas.
Mas, tristemente, muitos de nós são preguiçosos demais,
preocupados demais com o que os outros possam pensar, com medo demais de mudanças,
para abrir suas asas e usar todos os seus talentos.
É importantíssimo fazer o que deixa feliz – e da melhor maneira possível.
Não importa que seja fazer bolas de neve, prender a respiração debaixo d’água, canta,
ou conseguir efeitos dramáticos com um secador de cabelos.
Só o que interessa é que você se sinta bem com o que está fazendo.. Tenha sempre em mente que,
faça o que você fizer, os enganos são parte da vida e não perca tempo se castigando por erros do passado.
Não fique ruminando se está ou não fazendo a coisa certa.
Você sempre saberá a resposta no seu coração.
Em vez de desanimar-se, lembre-se sempre de que rejeição e resistência
são inevitáveis quando se faz algo muito importante ou especial.
Quando você se propõe a realizar seus sonhos, uitos tentarão detê-lo (incluindo os que mais amam você).
Quem que não falta neste mundo são pessimista lamentáveis, que desistem dos seus sonhos,
para lhe dizer: “Não perca seu tempo, você nunca conseguirá.
” Você pode muito bem se ver cercado por pessoas que, secretamente, querem ver você fazer menos,
ou fracassar por completo, para não se sentir diminuídas.
“Esqueça isso”, dirão. “Não vale a pena.”
Por isso é importante compreender que seguir o seu próprio caminho pode ser
incrivelmente recompensador, mas não é fácil não.
Como todo mundo você terá alguns dias melhores que outros. De vez em quando,
tudo parecerá uma grande zona de perigo.
As pessoas olharão para você com estranheza quando souberem o que você está tentando atingir,
e você começará a ouvir seus detratores e a ter dúvidas.
“Porque não continuei vendendo bananas, meu Deus?”
mas, aconteça o que acontecer, não desista!
Lembre-se de que todos têm dificuldades.
É incrivelmente cansativo passar dias fazendo coisas que não nos agradam ou
sequer nos interessam.
Mas, se você perseguir o seu sonho, pelo menos se cansará fazendo o que mais gosta.
Você pode achar que nada disto significa muito no grande esquema global das coisas.
Mas, acredite: significa.
Quando você tirar tudo que puder da sua vida, saboreando cada gota, isto mudará tudo à sua volta,
de ordinário para extraordinário.
Quando estiver fazendo o que ama, e animação para enfrentar o começo de cada dia
e estará tomado de uma alegria sincera, altamente contagiante. Do mesmo modo que, ao dar uma boa risada,
faz outro começar a rir, e outro, até que estão todos rindo tanto que começam a lacrimejar, ter dor de estômago e dificuldades em respirar.
Mas, melhor do que tudo, você inspira outros a irem atrás dos seus sonhos, e é assim, que se transforma o mundo!
Sabe de uma coisa?
Mesmo que você cometa enganos e esteja errado sobre quase tudo, ainda assim sua vida será uma aventura
fantástica e divertida; você dormirá cada noite sabendo que fez o que podia e isso fez diferença, e acordar a cada dia antecipando o futuro tão belo e excitante quanto puder imaginar.
E sabe de outra coisa?
Se você ouvir seu coração e usar a cabeça, nunca estará errado.

Veríssimo

Linda – Jorge de Altinho

Jan52005

O melhor pedaço…

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Serapião era um velho mendigo que perambulava pelas ruas da cidade. Ao seu lado, o fiel escudeiro, um vira lata branco e preto que atendia pelo nome de Malhado. Serapião não pedia dinheiro. Aceitava sempre um pão, uma banana, um pedaço de bolo ou um almoço feito com sobras de comida dos mais abastados.

Quando suas roupas estavam imprestáveis, logo era socorrido por alguma alma caridosa. Mudava a apresentação e era alvo de brincadeiras. Serapião era conhecido como um homem bom, que perdera a razão, a família, os amigos e até a identidade. Não bebia bebida alcoólica, estava sempre tranqüilo, mesmo quando não havia recebido nem um pouco de comida. Dizia sempre que Deus lhe daria um pouco na hora certa e, sempre na hora que Deus determinava, alguém lhe estendia uma porção de alimentos.

Serapião agradecia e rogava a Deus pela pessoa que o ajudava. Tudo que ganhava, dava primeiro para o Malhado, que, paciente, comia e ficava a esperar por mais um pouco. Não tinham onde dormir, onde anoiteciam, lá dormiam. Quando chovia, procuravam abrigo embaixo da ponte do ribeirão Bonito e, ali o mendigo ficava a meditar, com um olhar perdido no horizonte.

Aquela figura me deixava sempre pensativo, pois eu não entendia aquela vida vegetativa, sem progresso, sem esperança e sem um futuro promissor que Serapião levava. Certo dia, com a desculpa de lhe oferecer umas bananas fui bater um papo com o velho Serapião. Iniciei a conversa falando do Malhado, perguntei pela idade dele, o que Serapião, não sabia. Dizia não ter idéia, pois se encontraram um certo dia quando ambos andavam a toa pelas ruas. – Nossa amizade começou com um pedaço de pão – disse o mendigo. Ele parecia estar faminto e eu lhe ofereci um pouco do meu almoço e ele agradeceu abanando o rabo, e daí, não me largou mais. Ele me ajuda muito e eu retribuo essa ajuda sempre que posso.

- Como vocês se ajudam? Perguntei.

- Ele me vigia quando estou dormindo; ninguém pode chegar perto que ele late e ataca. Também quando ele dorme, eu fico vigiando para que outro cachorro não o incomode.

Continuando a conversa, perguntei:

- Serapião, você tem algum desejo de vida?

- Sim – respondeu ele – tenho vontade de comer um cachorro quente, daqueles que a Zezé vende ali na esquina.

- Só isso? Indaguei. – É, no momento é só isso que eu desejo.

- Pois bem, vou satisfazer agora esse grande desejo. Saí e comprei um cachorro quente para o mendigo. Voltei e lhe entreguei. Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu a dádiva e em seguida tirou a salsicha, deu para o Malhado, e comeu o pão com os temperos. Não entendi aquele gesto do mendigo, pois imaginava ser a salsicha o melhor pedaço.

- Por que você deu para o Malhado logo a salsicha? Perguntei intrigado. Ele, com a boca cheia, respondeu:

- Para o melhor amigo, o melhor pedaço. E continuou comendo, alegre e satisfeito. Despedi-me do Serapião, passei a mão na cabeça do Malhado e saí pensando com meus botões: Aprendi alguma coisa hoje. Como é bom ter amigos. Pessoas em que possamos confiar. E saber reconhecer neles o seu real valor, agindo em consonância. Por outro lado, é bom ser amigo de alguém e ter a satisfação de ser reconhecido como tal. Jamais esquecerei a sabedoria daquele eremita.

a.d.

Para o melhor amigo, o melhor pedaço…

Sempre na vida.

Your song – do filme Moulin Rouge

Jan32005

Amigos. Será mesmo?

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Por Cirilo Veloso Moraes.

Nunca fui de muitos amigos.

É verdade que conheço muitas pessoas, mas amigo mesmo…
Nunca fui de tê-los. O problema pode estar em mim.

Talvez, porque amigos de bar, de balada, somente, nunca quis. Sempre acreditei na constância dos sentimentos verdadeiros, como uma amizade sincera. Então, de que adiantaria ter amigos apenas enquanto estivesse bem, com grana no bolso, participando de alguma festa, etc?

Talvez pelo fato de não viver lembrando o quanto gosto de alguém, pelo fato de não adubar muito bem minhas amizades. Sou de gostar e pronto. Não! Não pensem que acho isso certo, mas sou do jeito que sou. Além do mais, ninguém é perfeito e a vida é assim. Também não pensem que aceito isso. Claro que tento mudar, melhorar meu modo de ser. Tento manter mais contato, tento mandar e-mail, um telefonema de vez em quando… Estou aprendendo e melhorando, mas não é do dia para a noite que se muda algo arraigado há anos…

Talvez nunca tenha sido de muitos amigos por ser deveras reservado. Minhas coisas, quanto aos sentimentos, sempre foram muito minhas, guardadas a sete chaves, o recôndito de minha alma quase que inatingível. As pessoas confiam em mim, contam seus mais protegidos segredos, mas eu nunca fui disso. Sou muito falante, é certo, mas não no tocante a meus sentimentos. Abrir-me é tarefa das mais difíceis. Nunca tive satisfação pelo contar. Somente pelo saber. Contar não. Talvez por isso a credibilidade e confiança que têm em mim… Mas eu não sou de me abrir, não mesmo.

Bem… O fato é que nunca fui de muitos amigos. Tudo bem que sou bem quisto por muitos. Sou uma pessoa simpática, extrovertida, sem frescuras, super alegre, sei estar em todos os lugares e com todo tipo de pessoas… Tudo bem… Eu sei… Mas amigo… Será que tive algum dia na vida? Acho que não. E o pior é que continuo achando que nunca terei. Vários dos meus supostos amigos dizem: “Isso é coisa de sua cabeça. Claro que você tem amigos. Eu, por exemplo.” É… Talvez seja coisa de minha cabeça. Talvez sim, talvez não.

A verdade é que nunca um tema me remeteu tanto à frase “Só sei que nada sei”, de Sócrates, quanto a amizade. Se me perguntarem se tenho amigos, apenas direi: não sei. Entretanto, sei muito bem as pessoas que considero como amigas, as pessoas pelas quais tenho amizade, as que quero muito bem. Haja o que houver sempre estarei ao lado delas quando precisarem ou não, porque sou para sempre, para todas as horas, boas e ruins. Isso eu sei. Mas se tenho amigos, sinceramente não sei. E talvez nunca saiba…

Ah, esse “talvez”. Desde que ouvi o Veríssimo dizer que “pior que a convicção do não é a incerteza de um talvez”, prometi que não viveria mais a pensar sobre esse talvez. Mas como livrar-me dele? A incerteza faz parte da vida. Afinal, como saber de tudo? Como ter todas as respostas? Simplesmente não sou dono de todas as coisas, nem tenho resposta para todas as minhas dúvidas. Então, para não enlouquecer com elas, o melhor é seguir em frente, continuar caminhando. Assim, algumas dúvidas desaparecem, outras não, mais dúvidas surgem, etc. Desta forma é a vida.

Então, se tenho amigos, não sei, e acho que nunca saberei. De qualquer forma, continuarei fazendo o melhor que posso pelos que quero bem. Quem sabe muitos sejam meus amigos e eu nem saiba.

É… Quem sabe…

Your Song – Evan McGregor