March 2007

Mar262007

Egoísmo

egoismo

A avareza não deve ser entendida apenas como um defeito ou uma falha humana a ser corrigida de modo compulsório, mas precisa, naturalmente, ser compreendida em sua origem mais profunda.
A falta de generosidade e a insensibilidade em relação às necessidades dos outros têm raízes numa defesa psicológica que desencadeia nos indivíduos uma ruptura na conexão entre o seu conteúdo emocional e o seu conteúdo intelectual.
A criatura sovina isola-se em si mesma. Nada tem importância para ela, a não ser a contenção interior, e não só em relação aos outros, como se pensa habitualmente. A mesquinhez pode manifestar-se ou não com a acumulação de posses materiais, como também pode aparecer como um “refreamento de sentimentos” ou um “autodistanciamento do mundo”. Como a matriz interior se fundamenta numa necessidade reprimida da pessoa que não consegue se relacionar com outras, nem mesmo delas se aproximar para permuta de experiências e afetividade, ela se sente solitária e, assim, compensa-se, acumulando bens. Constrói torres e muralhas imensas para se proteger do empobrecimento que ela mesma vivencia, inconscientemente, há muito tempo – a escassez e a inibição da aproximação social e afetiva.
Cria toda uma atmosfera de autonomia por possuir valiosos objetos exteriores destinados a suprir a sensação de vulnerabilidade que sente ao lidar com as pessoas.
Na atualidade, tenta-se resgatar essa sensação do vácuo interior, existente na intimidade da alma humana, com uma reivindicação do desejo, cada vez maior, de possuir bens materiais. O grande fluxo de indivíduos que buscam os consultórios de psiquiatria e as clínicas das mais diversas especialidades médicas se deve a esse clima de insatisfação e de vazio existencial, que nada mais é que a colheita dos frutos do egoísmo – incapacidade de se relacionar, repressão dos sentimentos de amor e de fraternidade e a inconsciência de uma vida interna e eterna.
A indiferença e a frieza emocional, a apatia e o apego patológico, bem como o distanciamento das privações dos outros, são características marcantes das criaturas que alimentam uma paixão egoística pelos bens materiais. São conhecidas como sovinas, mesquinhas ou usurárias.
O trabalho interior sempre melhora a qualidade de nossa vida, pois passamos a conhecer a nós mesmos e o Universo como um todo, visto que somos levados também por um propósito precípuo cuja função é a de aprender a amar incondicionalmente (inclusive independente da cor, raça, credo ou opção sexual, como sugere o post anterior que fala da discriminação, do preconceito).
Procuremos então viver, não como proprietários definitivos de nossas posses, mas apenas como usufrutuários delas.
A técnica para aprendermos a amar, usando de generosidade e desprendimento, é empregarmos nossos sentimentos e emoções com equanimidade, o que quer dizer, dar-lhes igual importância ou utilizá-los com imparcialidade. A seguir, faremos breves anotações, cuja observação acurada poderá nos fornecer dados importantes para comportamo-nos com racionalidade:
– caridade sem salvacionismo;
– humildade sem baixa estima;
– determinação sem atrevimento;
– obediência sem submissão;
– bondade sem anulação da personalidade;
– compaixão sem sentimentalismo;
– segurança sem impulsividade;
– perseverança sem obstinação.
A avareza é o produto de uma necessidade que se encontra na intimidade da psique humana. Ela tenta enfeitar ou distrair o conflito com a busca de bens perecíveis, mas nunca consegue suprir a sensação de carência íntima.
Em síntese, o altruísmo é o amor desinteressado, resultado do “enriquecimento da vida interior”, enquanto a avareza é filha da “pobreza do mundo interior”, acarretando uma desumanização e uma obstrução da capacidade de amar.

baseado em “As dores da alma”.

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A imagem no topo do post mostra isto. A pessoa avarenta e egoísta pode gozar dos prazeres materiais, já que pensa só em si e visa tão somente acumular bens, mas no fundo está sempre sozinha.
Ressalte-se, por fim, que a propriedade que resulta do trabalho é um direito natural, tão sagrado quando o de trabalhar e de viver; o mal é a avareza desmedida fruto do egoísmo impregnado nas profundezas da alma humana.
O post pode ter parecido longo para alguns, mas vale a reflexão para a semana que se inicia.
Tudo de bom e até muito breve.

Açaí – Evandro Marinho (O som do Barzinho 7)

Mar202007

A vida não dá duas safras

viver

Aliene me enviou este texto por e-mail e compartilho com vocês, vez que coadunado com a idéia principal deste blog. Como sempre digo, viver é uma questão de escolha, de atitude. Viva agora ou talvez quando pensar a respeito já não lhe sobre mais tempo.

“A gente só começa a viver de verdade no dia em que descobre que a vida não vai durar para sempre. Talvez você esteja aí do outro lado pensando que eu disse uma tolice, pois é claro que todo mundo sabe que vai morrer!

Na verdade, com o festival de chacinas que se assiste diariamente nos telejornais, com gente morrendo por todos os lados, era mesmo de se esperar que todo mundo já soubesse que também pode e vai morrer. A qualquer momento.

Infelizmente não é assim. Morrer continua a ser uma idéia vaga e absurda para a maioria das pessoas. Algo que só se vê, de verdade, nos telejornais e em lugares muito distantes. Na vida real, só ocorre mesmo com o vizinho… De preferência, com os mais chatos. Com a gente, nunca! Vivemos como se todos nós tivéssemos sido hipnotizados por um mago para acreditarmos que vamos durar para sempre.

Por isso a gente adia tanto, tudo, o tempo inteiro. O projeto de ser feliz, a mudança de emprego, de cara, de cidade, de par amoroso. Deixa para uma hora mais propícia, menos problemática, mais oportuna e menos inadequada. Sempre para daqui a algum tempo, quando a gente tiver mais dinheiro, quando a gente se aposentar, quando os filhos crescerem, quando tivermos uma folga, quando a economia se normalizar.

Antes de mais nada, é preciso sobreviver, ganhar dinheiro, fazer sucesso – pensa a maioria. A vida mesmo vai ficando para depois, quando todas essas coisas tão mais importantes já estiverem equacionadas e resolvidas. O problema é que vida não entende essa linguagem de adiamento. “Oportuno” e “adequado” são palavras sem nenhum significado para o ritmo da vida. Vida é como sorvete debaixo de sol quente: – ou você toma na hora ou vai ficar chupando dedo. Vida é um negócio de “aqui” e “agora”, de extrema premência e necessidade.

Eu sempre achei muito engraçado as pessoas usarem esse verbo “sobreviver” em lugar de “viver”. Sobreviver significa continuar a viver depois que aconteceu algum sinistro grave, como um incêndio de grandes proporções ou a queda de um avião. Constatado que a pessoa não tem nenhuma ocorrência deste tipo em seu prontuário, conclui-se que a tragédia, da qual ela escapou ilesa (e porisso está condenada a viver) foi ter nascido…

A maior tragédia que pode acontecer a alguém é passar pela vida sem viver. Nenhuma justificativa justifica perder a chance de estar vivo, de existir, de experimentar cada momento – escasso e passageiro – que se tem neste mundo. Nem um grande negócio. Nem todo o dinheiro do mundo. Nem um sucesso de arrebentar a boca do balão. Viver a vida é o item básico na cesta básica de qualquer pessoa.

Pra encurtar conversa, já que essa ladainha pode ir muito longe: com a vida é assim, ou você faz agora, já, com os recursos que tem, ou esquece.”

por Geraldo Souza

Overjoyed – Stanley Jordan

Mar192007

Prova de Amor

Num sonho que mais se definia por belo encontro espiritual, o aprendiz se reconheceu à frente de um nobre mentor da Vida Maior e, sequioso de ensinamentos, perguntou:

_ Instrutor, qual a mais alta demonstração de amor a Jesus que nos seja possível realizar diante dos outros?

O orientador refletiu por alguns momentos e respondeu:

_ Filho, a mais alta demonstração de dedicação ao Divino Mestre é amar alguém que tudo fez na vida para não merecê-lo.

Emmanuel

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Sinceramente, eu tento, esforço-me, mas não consigo.
Alguém aí consegue?

Mar172007

Rejeição

Dizem que beleza física é uma terrível armadilha para o ser humano, o qual acaba se descuidando dos valores imortais. Isso pode acontecer, mas eu não chegaria a dizer que todas as pessoas bonitas estão perdidas, porque as que se consideram feias também têm suas tentações. Tanto os bonitos quanto os feios podem ser obcecados pela aparência. Ou não?

Primeiro, é preciso que se diga que ser bonito ou feio não tem tanto a ver com traços fisionômicos. Existe sim uma beleza física, exterior, mas que perde totalmente a graça, se não for acompanhada da beleza interior, como gentileza, vivacidade, inteligência, etc. Não se gostar, não acreditar em si, também é uma coisa muito feia. Uma pessoa que não confia em si, pode ser uma escultura de bonita, mas sem prazer de viver fica apagada. Não chama atenção, porque não se dá atenção. Não que seja desejável ter a atenção dos outros, mas é uma coisa que fica automática: os olhares se voltam pra quem é confiante e seguro de si. É uma questão de fluidos, do tipo de impressão que estas pessoas causam nas outras, sem querer.

Agora , os inseguros, que se sentem feios, gordos, disformes, correm o mesmo perigo que os fisicamente atraentes? De uma certa maneira, sim. Sabe por quê? Porque a obsessão por dietas e tratamentos embelezadores não deixa de ser um culto à aparência, tanto quanto o que é praticado por aquelas pessoas que se acham maravilhosas e só pensam nisto. Uma pessoa que desperdiçou a vida em sacrifícios para ficar mais bonita exteriormente, que mérito ela tem? O mérito de ter sido feia? Às vezes, ela nem era tanto, mas como não se gostava, achava que os outros também não gostavam. Vai ver, deixou de viver, de namorar, de ir a festas, só de medo de ser rejeitada. Vai ver, deixou de fazer um monte de coisas, de evoluir num punhado de aspectos, inclusive o social, de tanto horror de ser rejeitada. Só que ninguém é rejeitado. Cada um é que se rejeita.

Vou falar: não tem jeito de me sentir rejeitado. Nunca tive problemas com isso. Podiam achar ruim, criticar (tem gente que critica por pura falta de assunto, por não ter nada a dizer). Nunca me importei com isso. Sempre pensei que quem me quisesse, que quem gostasse de mim, gostaria do meu jeito, sem tirar nem pôr. Sempre fui confiante. Ah, mas fulano é mais bonito. E é? Sou mais eu. Eu sou sempre mais eu. Lindo como sempre; lindo de todo jeito; maravilhoso, um espetáculo. Não por ser dotado de uma beleza exterior ímpar, mas sim por tudo que tenho aqui dentro de mim e que explode e irradia alegria e energia positiva por todos os lados.

Atitude é tudo.

baseado num texto de Calunga, diversas vezes alterado e adaptado por mim.

Outono – Djavan

Mar122007

A flor da honestidade

Conta-se que por volta do ano 250 a.c, na China antiga, um príncipe da região norte do país, estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar.

Sabendo disso, ele resolveu fazer uma “disputa” entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta. No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio.

Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.

Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula:

- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça, eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura.

E a filha respondeu:

- Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:

- Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da china.

A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de “cultivar” algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos etc…

O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado.

Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor.

Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação a moça comunicou a sua mãe que, independente das circunstâncias retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.

Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores.

Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.

Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.

As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu:

- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.

a.d.

***

A honestidade é como uma flor tecida em fios de luz, que ilumina quem a cultiva e espalha claridade ao redor.
Pense nisso.

Sina – Djavan

Mar82007

Parabéns, mulher!

Não vim hoje me delongar nas palavras,
mas tão somente parabenizar-te, mulher, por teu dia.

Um grande abraço e um largo sorriso para ti.

Sinceramente.

Você é linda – Caetano Veloso