Esse ditado sempre me intrigou. E por isso sempre o questionei. Ainda hoje continuo questionando-o e, pelo que conheço de meus princípios e valores, questioná-lo-ei “por muito tempo”, só para não dizer o intangível “pra sempre”.
Não sei se todos sabem, até porque não sou de expor muito minha vida pessoal, mas eu passei no concurso de Gestor Público do Estado de Pernambuco. O foco é a formulação, implementação e avaliação das políticas públicas. O objetivo dos gestores é trazer mais efetividade aos programas e projetos do governo e melhorar a gestão da máquina pública.
Na verdade, a ideia principal é minimizar as influências políticas. Como? Um concursado tende a sofrer menos pressão do que um comissionado, que está ali por indicação e pode ser exonerado a qualquer tempo e sem justificativa nenhuma; afinal, cargo comissionado é de livre nomeação e exoneração. Com gestores concursados a gestão pública se moderniza e volta os olhos para o mais importante: o cidadão.
Sem falar que trabalhamos por metas, resultados. Nada de esperar o final do mês só para receber o salário. O Governo do Estado de Pernambuco visa com esse concurso dar seguimento à quebra de paradigma do funcionário público acomodado, herança do Patrimonialismo e da Burocracia. A ideia agora baseia-se no Gerencialismo, com foco no desempenho. Muito justo, por sinal. Imaginem um funcionário público exemplar, trabalhador, que faz cursos, que se aprimora, que está sempre buscando fazer o melhor. Agora imaginem um funcionário público desinteressado, que não quer nada, que pensa que ele é o cargo, que quer mesmo é receber no final do mês e pronto. É justo que recebam a mesma remuneração, que tenham as mesmas gratificações? Não. Por isso precisamos entrar de vez na era do Gerencialismo e deixar de lado o Patrimonialismo e as disfunções da Burocracia. As “politicagens”, os “apadrinhamentos” e o “nepotismo” acabarão de vez? Não. Mas é uma forma de minimizar os problemas e a prova de que há esperança, de que é possível mudar, basta não fraquejar.
E o que o ditado “Faça o que eu digo; não o que eu faço” tem a ver com isso tudo? Bem… Passei na 1ª fase do concurso e fui para a 2ª fase, o Curso de Formação. Acontece que estava lá, numa das aulas, e um professor, que o nome não vem ao caso agora, falava da importância de ter sempre como foco o cidadão. Dizia que se niguém resolvesse e ele precisasse falar conosco, deveríamos dar total atenção e não ficar nas nossas mesas falando ao celular e deixá-los esperarando ali na frente, como se nada fossem. Uma teoria linda e altruísta.
Até aí tudo bem. O problema é que no meio da aula o celular dele tocou e ele atendeu numa boa… E nós ficamos ali esperando… Hipocrisia! Ele acabara de falar algo, mas agiu de modo diverso. É como um pai que chega para o filho e diz “Não fume!”, mas ele próprio fuma uma carteira de cigarros por dia; ou como uma mãe que diz “Não minta!”, mas ela própria conta muitas mentiras. E assim por diante…
Sinceramente, como aprendi desde a mais tenra idade, as palavras movem, mas são os exemplos que inspiram atitude e comportamento semelhante.
Transatlantic – Stranger in your soul