May 2010

May142010

Certidão de Quitação Eleitoral

Você ainda guarda aquelas tirinhas de papel para comprovar que votou nas últimas eleições?

Afinal, sem essa comprovação não dá para tirar uma série de documentos, bem como tomar posse em concursos públicos, etc.

Seus problemas acabaram! Muitas pessoas não sabem, mas podem jogar suas tirinhas de papel no lixo.

Para comprovar, não somente que votou, mas que está totalmente quite com a justiça eleitoral, basta imprimir a certidão de quitação eleitoral, conseguida gratuitamente no site do Tribunal Superior Eleitoral – TSE.

Mais um serviço de utilidade pública pra você!

May122010

Até quando você vai ficar sem fazer nada?

Maiakovski, poeta russo “suicidado” após a revolução de Lenin, escreveu ainda no início do século XX:

Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

Depois de Maiakovski, Bertold Brecht (1898-1956) escreveu:

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Depois de um tempo, Martin Niemöller, símbolo da resistência aos nazistas, escreveu também:

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…

Mais recentemente, em 2007, foi a vez de Cláudio Humberto:

Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima.

Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles.

Depois fecharam ruas, onde não moro.

Fecharam então o portão da favela, que não habito.

Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho…

Há cem anos Maiakovski lançou esse grito, essa denúncia, e outros lhe fizeram eco.

Incrível é que, após mais de cem anos, ainda nos encontremos tão desamparados, inertes e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes que vampirizam o erário, aniquilam as instituições, aumentam a desigualdade social com políticas públicas que ajudam muito pouco e deixam aos cidadãos os ossos roídos e o direito ao silêncio: porque a palavra, há muito, se tornou inútil…

E preciso, portanto, continuar gritando, denunciando, porque muitos ainda não ouviram.

Por fim só uma pergunta: E você, até quando vai ficar sem fazer nada?

May102010

A auto-estima de nossos filhos

Ontem foi dia das mães. Todas elas sendo homenageadas e paparicadas porque, pelo menos a maioria delas, merecem. Ok. Mas fiquei pensando em algumas mães que conheço e comecei a divagar: Será que são mesmo boas mães? Será que sabem educar seus filhos? Que tipo de adultos eles se tornarão com a “educação” que recebem? Já que pequenos detalhes fazem muita diferença no futuro deles, será que elas estão atentas a esses detalhes?

E refletindo sobre isso lembrei-me de um artigo do Stephen Kanitz. Ele não é direcionado às mães apenas, mas aos pais de um modo geral. Ei-lo:

Uma semana depois de minha esposa e eu decidirmos começar uma família, entramos numa livraria e compramos dois livros sobre como educar filhos. Por uma série de razões os dois filhos só nasceram seis anos depois e acabamos lendo não dois, mas 36 livros. Se dependesse de teoria, estávamos preparados. Hoje eles estão crescidos e um amigo me perguntou que livros nós havíamos utilizado mais. Foi uma boa pergunta que demorei a responder. Usamos um livro só, um que educava mais os pais do que os filhos. Intitula-se ‘A Auto-Estima do Seu Filho’ de Dorothy Briggs, e o título já diz tudo.

A tese do livro é como agir para nunca reduzir a auto-estima do seu filho: elogiá-lo frequentemente, ouvir sempre suas pequenas conquistas, festejar as suas pequenas vitórias, nunca mentir ou exagerar neste intento, em suma mostrar a seus filhos seu verdadeiro valor. Ao contrário dos que defendem os demais livros, não é uma boa educação, nem disciplina, nem muito amor e carinho, ou uma família bem estruturada que determinam o sucesso de nossos filhos, embora tudo isto ajude.

A sacada mais importante do livro, no nosso entender, foi a constatação que filhos já nascem com uma elevada auto-estima, e que são os pais que irão sistematicamente arruiná-la com frases como: ‘Seu imbecil!’, ‘Será que você nunca aprende?’, ‘Você ficou surda?’. Jean Jacques Rousseau errou quando disse que “o homem nasce bom, mas é a sociedade que o corrompe”. São os próprios pais que se encarregam de fazer o estrago.

Por exemplo: você, pai ou mãe, chega do trabalho e encontra seu filho pendurado na cadeira: ‘Desça já seu idiota, vai torcer o seu pescoço’. Para Dorothy, a resposta politicamente correta seria ‘Desça já, mamãe tem medo que você possa se machucar’. Primeiro porque seu filho não é um idiota, ele assume riscos calculados. Segundo são os pais, com suas neuroses de segurança, que têm medo de cadeiras.

Quando nossos dois filhos começaram a aprender a pular, entre três e quatro anos de idade, desafiava-os para um campeonato de salto a distância. Depois de algumas rodadas, seguindo a filosofia do livro, deixava-os ganhar. Ficavam muito felizes, mas qual não foi a minha surpresa quando na sétima ou oitava rodada, eles começavam a me dar uma colher de chá, deixando que eu ganhasse. Que lição de cidadania: criança com boa auto-estima não é egoísta e se torna solidária.

Eu não tenho a menor dúvida de que os problemas que temos no Brasil em termos de ganância empresarial, ânsia em ficar rico a qualquer custo que leva à corrupção, advêm de um pai ou uma mãe que nunca se preocuparam com a auto-estima de seus filhos.

Eu acho que políticos, professores e intelectuais, na maioria desesperados em se autopromover, jamais darão oportunidades para outros vencerem, como até crianças de três anos são capazes de fazer. A fogueira das vaidades só atinge os inseguros com baixa auto-estima.

Alguns pais fazem questão até de vencer seus filhos nos esportes para acostumá-los às agruras da vida, como se a vida já não destruísse a nossa auto-estima o suficiente.

A teoria é simples, mas a prática é complicada. Uma frase desastrada pode arruinar o efeito de 50 elogios bem dados. ‘Meu marido queria que o segundo fosse um menino, mas veio uma menina’. Imaginem o efeito desta frase na auto-estima da filha. Portanto, quanto mais cedo consolidar a auto-estima melhor.

Esta tese, porém, tem seus inconvenientes. Agora que meus filhos são muito mais espertos, inteligentes e observadores do que eu, tenho que ouvir frases como: ‘É isto aí Pai’, ‘Faremos do seu jeito, pai’, tentativas bem-intencionadas de restaurar a minha abalada auto-estima.