June 2010

Jun222010

Pernambuco precisa de você.

Se não todos, a grande maioria de vocês deve ter acompanhado pela tv nos últimos dias a situação do estado de Pernambuco e de Alagoas por causa das fortes chuvas que deixaram várias cidades em situação de calamidade pública.

Deixo aqui dois links de vídeos que estão no Youtube, respectivamente do Jornal Nacional e do NETV, para que vocês tenham noção do que se trata:

http://www.youtube.com/watch?v=K8PYoD57vEw

http://www.youtube.com/watch?v=Ff_NMoaWhM8

Hoje os número são ainda piores. Agora são dezenas de milhares de pessoas desabrigadas. Falta até o mais básico, como vestuário, cobertores, comida e água potável.

Já pedi aqui e me mobilizei por Santa Catarina, pelo Rio de Janeiro e até pelo Haiti. Agora chegou, infelizmente, a vez de pedir pelo meu estado, Pernambuco, e por um outro estado vizinho, Alagoas.

No que toca a Alagoas não sei muito sobre postos de arrecadação, nem como pessoas de outros estados podem ajudar; se descobrir colocarei aqui posteriormente. Quanto ao meu estado Pernambuco, sei sim e passo para vocês.

Para quem for de fora do estado há uma conta para doações, da “Ação da Cidadania”:

Banco do Brasil
Agência – 3234-4
Conta – 5633-2

Para quem estiver no estado, os locais para arrecadar donativos são:

Comitê da Ação da Cidadania Pernambuco Solidário – Parque de Exposições de Animais, no Cordeiro;

Quartéis do Exército Brasileiro, como no Recife, Quartel da Polícia Militar, no Derby;

Quartel do Corpo de Bombeiros, na Avenida João de Barros;

Sedes das Coordenadorias de Defesa Civil em todo o estado;

Na sede da OAB, que fica na rua do Imperador, no bairro de São José;

Sede do Movimento dos Trabalhadores Cristãos (MTC), na Rua Gervásio Pires;

Nas unidades do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE- Antigo Cefet) nas cidades de Recife, Ipojuca, Belo Jardim, Vitória, Pesqueira e Barreiros;

Lojas do Bompreço;

Ponto montado na Fenearte, no centro de Convenções, a partir de 2 de julho (somente roupas);

Nos ônibus do Grande Recife Consórcio de Transportes;

Nas unidades das faculdades Joaquim Nabuco e Maurício de Nassau;

No Interior: postos da Polícia Militar ou dos Bombeiros.

Conto com a solidariedade de todos.

Jun182010

Certinha sofre o dobro!

Há muita gente que vive preocupada em ser certinha. Penso que isso existe desde o início dos tempos. Antigamente era até compreensível, numa sociedade mais arcaica, mas hoje? É, talvez seja difícil se libertar de velhas amarras e antigos comportamentos… E sobre esse assunto, lembrei-me do que disse Calunga um dia:

Esta preocupação que muitas de vocês têm, de ser certinha, de ser a ótima, parece ser coisa boa, coisa do bem. Mas não é.

Eu vejo muito sofrimento neste mundo, em nome desta procura. Sofrimento destas mulheres que querem ser espetaculares, que não admitem fazer nada que não saia impecável, e que se atormentam. E o problema está em se atormentarem.

Porque eu não estou falando só do capricho, daquela vontade de fazer o melhor possível, por amor. De deixar o mais bonito possível, o mais gostoso possível, e coisas assim…

Eu estou falando daquelas pessoas que vivem tão preocupadas se estão fazendo direito o seu papel, se todos estão satisfeitos com o seu desempenho, que se perdem delas. Que param de usar o seu senso, param de sentir. Vivem pra seguir uma programação. E se conseguem, se acham as bacanudas.

Quando fazem uma coisa razoável nem mostram pra ninguém, porque “imagine o que vai ser de mim, se alguém perceber que eu nem sempre consigo ser irretocável”. Quanta vaidade, não? Que nojo!

Vocês só não vêem o outro lado: o quanto são sugadas, vampirizadas, nesta atititude de vocês.

É, sim! Porque você não sabe que está cheio de Espírito, com corpo e sem corpo, que já percebeu qual é a sua? E quanto mais ele vê que você gosta de ser reconhecida, mais ele diz que você é o máximo e, quando você percebe, está agindo em função dele, fazendo pra ele, sendo vítima da sua própia vaidade, sua pamonha.

E ainda, pensando que é a tal!…

- Ah! Mas eu tenho que agradar Fulana, minha chefe!

Hipocrisia. Bem feito, se é explorada, porque você faz por merecer! Bem feito, se você vive descabelada pra fazer o seu papel, porque não vai ganhar prêmio, nem aqui, nem no Céu. Ainda sofre em dobro: por fazer o que não é do seu coração e por não fazer o que ele pede.

Deus não deu papel pra você fazer, ele deu um coração pra você seguir. Não carece de ser santa nem certinha: é só ser fiel a si mesma! Ah! Mas você nem está acostumada, não é? Só vive pra agradar, pra dizer o que os outros querem ouvir…

Se você não se der, minha filha, apoio, reconhecimento, força pro que acredita, se não der força pro que sente, vai viver no inferno. E já!

Brahms – Hungarian Dance n° 5 in G Minor

Jun112010

Você sabe viver sozinho?

“A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado”

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei, se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesma. Elas estão começando a perceber que se sente fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.

Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.

Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.

Flávio Gikovate, psicoterapeuta

* * *

Perfeito! Vivo dizendo isso.

Basicamente, se eu tivesse que escolher duas passagens para que vocês guardassem aí dentro de vocês, seriam elas:

“A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.”

E “A nova forma de amor visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.”

Reflitam.

Waving Flag – K’Naan

Jun72010

Tenho tanto sentimento…

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa

* * *

O que seríamos nós sem conflitos internos, sem alternativas a escolher? Dá trabalho ter opções diversas, bem sei, mas que sabor teria a vida sem a liberdade de decidir qual caminho trilhar, qual decisão tomar?

Só sei que vou seguindo assim, pedindo ao Cara lá de cima sabedoria e discernimento para ouvir meu coração, filtrar através da razão, para poder ter paz de espírito e ser feliz então.