November 2010

Nov242010

Sobre temperamento e autocontrole

Aqui no Simples Coisas da Vida costumo enaltecer bastante a necessidade das pessoas se permitirem mais, de agirem mais, de viverem mais, de irem além.

Contudo é imperioso ficar atento a outros aspectos da vida, como o autocontrole do temperamento.

Às vezes conter-se é preciso. Isso mesmo: controlar-se. Mais ou menos o que quis dizer o sábio com o “Conhece-te a ti mesmo”. Conhece-te e aprende a bem governar-te, diria mais.

A propósito disso, lembrei-me de um livro que li. Nele há uma mensagem que compartilho agora com vocês. Espero que possa servir para a reflexão e aproveitamento na vida de vocês.

Somos cuidadosos, salvaguardando o clima doméstico. Dispositivos de alarme, faxinas, inseticidas, engenhos de proteção e limpeza.

No entanto, raros de nós se acautelam contra o inimigo que se nos instala no próprio ser, sob os nomes de canseira, nervosismo, angústia ou preocupação.

Asseguramos a tranqüilidade dos que nos cercam, multiplicando recursos de segurança e higiene, no plano exterior, e, simultaneamente, acumulamos nuvens de pensamentos obsessivos que terminam suscitando pesadelos dentro de casa.

Muitas vezes, desapontados conosco mesmos, à face dos estragos estabelecidos por nossa invigilância, recorremos a tranquilizantes diversos, tentando situar a impulsividade que nos é própria no quadro das moléstias nervosas, no pressuposto de inocentar-nos.

Sem dúvidas não podemos subestimar o poder da mente sobre o campo físico em que se apóia. Se acalentarmos a irritação sistemática, é natural que os choques do espírito atrabiliário alcancem corpo sensível, descerrando brechas à enfermidade.

Nesse caso, é preciso rogar por socorro ao remédio. Ainda assim, é imperioso nos decidamos ao difícil entendimento do autodomínio.

No que concerne ao temperamento, é possível receber as melhores instruções e receitas de calma; entretanto, em última análise, a providência decisiva pertence a nós mesmos.

Ninguém consegue penetrar nos redutos de nossa alma, a fim de guarnecê-la com barricadas e trancas.

Queiramos ou não, somos senhores de nosso reino mental. Por muito nos achemos hoje encarcerados, do ponto de vista de superfície, nas conseqüências do passado, pelas ações infelizes em nossa estrada de ontem, somos livres, na esfera íntima, para controlar e educar o nosso modo de ser. Não nos esqueçamos de que fomos colocados, no campo da vida, com o objetivo supremo de nosso rendimento máximo para o bem comum.

Saibamos enfrentar os nossos problemas como sejam e como venham, opondo-lhes as faculdades de trabalho e de estudo que somos portadores. Nem explosão pelas tempestades magnéticas da cólera e nem fuga pela tangente do desculpismo.

Conter-nos. Governar-nos. Aqui e além, estamos chamados a conviver com os outros, mas viveremos em nós estruturando os próprios destinos, na pauta de nossa vontade, porque a vida, em nome de Deus, criou em cada um de nós um mundo por si.

* Do livro “Encontro Marcado”, pelo Espírito Emmanuel, por Francisco Cândido Xavier.

Nov172010

Os falsos mestres

Ele era um mestre de renome; um desses mestres que correm em busca da fama e gostam de acumular cada vez mais seguidores por simples vaidade. Em um grande espaço aberto, reuniu centenas de seguidores e discípulos. Levantou-se, impostou a voz e disse:

- Meus amados seguidores, escutem a voz de quem sabe.

Fez-se um grande silêncio. Era possível até escutar o bater de asas de uma borboleta que por ali passava.

– Nunca devem mentir. Jamais devem enganar as pessoas usando a solidariedade para consecução de objetivos próprios e tão pouco incitá-las umas contra as outras.

Um dos seus assistentes atreveu-se a perguntar:

- Outro dia, não era você que dizia ser o próprio Criador? Não era você que se dizia maior e melhor do que todos?

- Sim, era eu – respondeu o mestre.

Então, outro ouvinte perguntou:

- Não o vi outro dia dizendo que doaria uma certa quantia para a AACD (Teleton) em troca de mais e mais seguidores?

- Esse era eu – respondeu o mestre.

Uma terceira pessoa interrogou ao mestre:

Não era você que outro dia incitava pessoas do sul e sudeste do país contra outras do norte e nordeste?

Efetivamente – afirmou o mestre.

Nesse momento, todos os assistentes se sentiram indignados e começaram a protestar.

- Então, por que pede a nós que façamos o que você mesmo não faz?

E o falso mestre respondeu:

- Porque eu ensino, mas não pratico.

* Eu, Cirilo Veloso Moraes, reservo-me o direito de afirmar que qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. O que posso garantir é que há muitos falsos mestres por aí, na vida real e na vida virtual (twitter, facebook, blogs e semelhantes). O grande segredo é filtrar tudo que se ouve e prestar mais atenção nas atitudes do que nas palavras.

Nov52010

Gente que eu gosto…

Antes de mais nada gosto de gente que vibra,
que não é necessário empurrar,
que não se tem que dizer que faça as coisas
e que sabe o que tem que ser feito
e o faz em menos tempo que o esperado.

Gosto de gente com capacidade de medir as consequências de suas ações.
Gente que não deixa as soluções para a sorte decidir.
Gosto de gente exigente com seu pessoal e consigo mesma,
mas que não perde de vista que somos humanos
e que podemo-nos equivocar.

Gosto de gente que pensa que o trabalho em equipe entre amigos
produz às vezes mais que os caóticos esforços individuais.
Gosto de gente que sabe da importância da alegria.
Gosto de gente sincera e franca,
capaz de opor-se com argumentos serenos e racionais às decisões de seus superiores.

Gosto de gente de critério,
que não sente vergonha de reconhecer
que não conhece algo ou que se enganou.
Gosto de gente que ao aceitar seus erros,
se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los.

Gosto de gente capaz de criticar-me construtivamente e sem rodeios:
a essas pessoas as chamo de meus amigos.
Gosto de gente fiel, persistente e que não descansa quando se trata de alcançar objetivos e ideais.
Gosto de gente que trabalha para lograr bons resultados.
Com gente como essa, me comprometo a tudo,
já que por ter esta gente ao meu lado me dou por satisfeito.

Mário Benedetti

* * *

Faço minhas as palavras do Mário, sem tirar nem pôr. E acrescento…

Gosto de gente que é honesta de verdade,
e não apenas porque está sob olhos alheios.
O que não se confunde com santidade;
afinal, não confio em quem “aparenta” ser certinho demais o tempo todo.
Gosto de gente confiável,
com quem eu possa contar
e guarde meus segredos só para si.
Gosto de gente bonita,
porque, me desculpem os feios, beleza é fundamental;
não a beleza puramente estética,
mas aquela que irradia de dentro para fora,
que faz o sorriso brilhar e o olhar reconfortar quem tá perto.
Gosto de gente de verdade, transparente,
que não se esconde atrás de máscaras sociais,
que é o que é.
Gosto de gente sem frescuras, sem falsos pudores, sem hipocrisia.
Gosto de gente segura de si.
Gosto de gente de personalidade forte,
que tem coragem para enfrentar o mundo,
mas que sabe reconhecer seus erros e “dar o braço a torcer”.
Afinal, humildade é a chave que abre todas as portas.
Gosto de gente simples,
que não deixa o poder “subir à cabeça”;
gente que sabe respeitar seus iguais e principalmente seus subordinados.
Gosto de gente líder, não de gente chefe.
Gosto de gente que tá perto,
que faz de tudo para “romper as barreiras geográficas da vida”
e ter tempo para quem diz amar.
Gosto de gente que seja muito, que ame muito,
porque não me contento com pouco.
Gosto de gente realmente companheira, parceira,
porque apenas os títulos não me satisfazem.
Gosto de gente que ama, que ri, que chora,
que é feliz da vida, mas que tem seus dias de mau humor,
gente que vibra, que sofre, mas não se sente vítima da dor.
Enfim, gosto basicamente de gente como a gente,
que apesar dos pesares acredita que viver vale muito a pena.

Cirilo Veloso Moraes