Álcool e direção: uma péssima combinação.
Nos idos de 1982, mais precisamente em 25 de janeiro, eu viajava pela rodovia Rio-Santos rumo a Paraty (RJ), com meu marido na direção do veículo, quando repentinamente, na altura de Ubatuba (SP), um Ford Corcel desgovernado atravessou a pista e colheu nosso carro de frente, pela contramão, em alta velocidade. Com o choque, sofri várias fraturas e perdi a consciência. Fiquei alguns dias desacordada.
Estava grávida de sete meses e quase perdi o bebê. Meu marido teve o joelho esmigalhado, ficou meses hospitalizado.
Meu filho sentiu o impacto, ameaçou nascer antes do tempo, mas sobreviveu. Ainda hoje me arrepia pensar no risco imenso que corremos e no sofrimento prolongado pelo qual tivemos que passar.
No veículo que nos abalroou, havia seis jovens espremidos, dentre os quais um motorista completamente embriagado. Eles elegeram o carro como o local da ‘balada’ e fizeram a festa em plena Rio-Santos. Uma garrafa de cachaça quase totalmente consumida foi encontrada sob o banco traseiro.
Por incrível que pareça, o motorista causador de tantos danos físicos e morais foi processado e absolvido pelo então juiz de Ubatuba. Não houve recurso e o causador de tanta desgraça jamais foi punido.
As estatísticas mostram números astronômicos de mortes causadas por motoristas que dirigem sob efeito do álcool, mas os dados referentes aos feridos dificilmente são computados. O estrago provocado pela combinação entre a ingestão de álcool e a condução de veículo automotor é bem maior do que se imagina.
Todos nós conhecemos histórias tristes a esse respeito, mas a bebida alcoólica continua sendo cultuada quase como divindade.
Beber é verdadeira obrigação nas atividades de lazer. As pessoas se reúnem para ingerir álcool, a amizade é secundária, tudo o mais é secundário. As letras de música ajudam a reforçar esse mito: ‘minha casa tem goteira, pinga ni mim, pinga ni mim’, ou ‘eu bebo, sim, e estou vivendo, tem gente que não bebe e está morrendo, eu bebo, sim!’, ou ‘em vez de tomar chá com torrada ele bebeu paraty’, ou ainda ‘as águas vão rolar, garrafa cheia eu não quero ver sobrar’…
De acordo com nossas leis, beber é um direito dos maiores de 18 anos, porém é muito perigoso. O álcool é uma droga passível de abuso freqüente, gera dependência e causa mais mortes e ferimentos do que sonha nossa vã filosofia.
Há acidentes e crimes que não são atribuídos à bebida nas estatísticas, quando, na verdade, deveriam ser.
Não são poucos os que morrem por atropelamento ao sair, cambaleando, do bar; nem poucas as mulheres que apanham costumeiramente de maridos embriagados. São infinitas as possibilidades de estragar a própria vida e a de terceiros por causa do álcool.
Fechar os bares mais cedo já reduziu muito a criminalidade. Agora, surge a lei nº 11.705/08, que modificou o artigo 206 do Código de Trânsito Brasileiro e recrudesceu a punição para quem bebe e dirige veículo automotor. As estatísticas, logo após a promulgação da lei, mostraram a diminuição dos acidentes de trânsito.
Todos deveriam se sentir aliviados, mas, estranhamente, há muitos inconformados, bradando a inconstitucionalidade, a arbitrariedade, o retrocesso, o cerceamento injustificável trazido pela lei, mas ingerir álcool e dirigir é uma rematada irresponsabilidade. Merece punição severa.
A lei nº 11.705/08 foi apelidada de ‘lei seca’, mas, na verdade, não é. Ela não proíbe o consumo de bebida alcoólica, apenas limita as possibilidades de quem ingere álcool, proibindo-o de dirigir.
A lei seca ‘pegou’ justamente porque estávamos precisando dela. Por sua baixa tolerância, tem importante papel educativo. O álcool não pode ser difundido a todo momento e em todos os lugares como a maior maravilha de todos os tempos, a cura para todos os males, a verdadeira diversão, pura alegria engarrafada. Está com gripe? Tome um conhaque. Está combalido? Tome um vinho. Está nervoso? Tome um uísque. Está contente? Celebre com um champanhe. Está na praia? Tome uma caipirinha. Acabou de jantar? Tome um licor…
A pressão é enorme em favor do álcool, assumido por alguns como verdadeira religião. Quem gosta de beber não vai sofrer cerceamento, só é proibido dirigir veículo depois. Não há razão para tanta gritaria.
Lei Seca, uma boa idéia.
Luiza Nagib Eluf , 53 anos, é Procuradora de Justiça. Foi secretária nacional dos direitos da cidadania e é autora de ‘A Paixão no Banco dos Réus’, entre outras obras.
Bad Day – Alvin, o Esquilo
- Lei seca no trânsito
- O Poder da Validação
- Deixe o futuro para depois. Viva agora.
- O “NÃO” protege, ensina e prepara.
- O poder do sorriso.
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Eu gosto de tomar cerveja e não consigo gostar de uma comemoração se não tiver a louruda. Por esse motivo não dirijo de forma alguma e não entro em carro de motorista bêbado. Excelente e maravilhoso texto.
Beijocas
Vendo depoimentos assim é que a gente toma mais consciência do que pode fazer uma pessoa alcoolizada ao volante…
Tomara que as pessoas que bebem e dirigem se conscientizem mais e mais dos perigos e da tragédia de tirar vidas.
Bjão e otimo findi.
Sou muito suspeito ao concordar com a ideia,pois nada bebo,Cirilo. Mas os numeros mostram que os acidentes dimnuiram muito depois da lei.
Logo…
Grande abraço!!
Bebo pouco e não dirijo então pra mim não influencia em nada.
Saudades de vc… buáááá
É uregente que se faça algo mais assim como este testemunho para que, realmente, os acidentes de viação diminuam. O mal que existe aí no Brasil é comum a Portugal e um pouco a todo o mundo. Obrigada pela partilha e pela visitinha ao meu espaço. Bjs, Hermínia
Cirilo
Esse é um tema que devemos sempre discutir. Não gosto de nada proibido,mas nesse caso acredito ser melhor assim!
Beijo meu lindo!
Aparece
Belo post. Parabéns!
Te mimo prá vc lá em casa:
http://esturdio.blogspot.com/2008/08/mimos-e-mais-mimos-do-moura.html#links
Beijos
Acho que já comentei sobre a Lei Seca por aqui, não???
Acho que todos nós conhecemos algumas dessas histórias tristes, muitas vezes com pessoas tão próximas a nós que, percebemos que esse tipo de violência também pode acontecer em nossas vidas.
Adoro beber, respeito os meus limites e, principalmente, respeito as pessoas que me cercam. Por isso, se beber não dirija. É um gesto de amor com você, sua família e com os outros.
Bisous e um xêro…rs
Ps: tem um post sobre relações de trabalho que você vai gostar lá no Lonely. Sua opinião é sempre importante.
Eu, particularmente, não estou aqui para concordar. Como toda a proibição, alguns estão tendo que pagar pelo erro de outros, e é uma pena. Eu não sei dirijir, não tenho carro, e quase nem tenho bebido mais em eventos sociais. Mas como uma pessoa sempre acostumada a ir e voltar de carona destes eventos, posso dizer, com 100% de certeza, prefiro entrar em um carro com alguma das minhas amigas dirijindo tendo bebido, do que entrar em um táxi com um taxista sóbrio. Já peguei muito táxi na minha vida, e posso dizer que já quase sofri acidentes feios envolvendo eles. E, teoricamente, os motoristas estávam sóbrios. Assim como eles, existem muitos que, tendo bebido ou não, são completamente irresponsáveis na direção, correm, ultrapassam, passam sinal vermelho, e quase matam do coração a quem esteja na carona. E da mesma forma existem muitas pessoas responsáveis e conscientes que saem de carro e bebem aquilo que sabem que podem beber para não perder sua percepção. A maioria dos meus amigos com quem eu saio, meu pai, até minha mãe, que não é muito de beber, mas que em determinados evendos como aniversários e formaturas, se permite tomar um copinho ou dois de cerveja.
Outra coisa para se questionar é até quando estas blits continuarão acontecendo. Todo mundo está cansado de saber que as leis no Brasil existem para NÃO serem cumpridas. Será, realmente, que esta fiscalização vai permanecer? Não acredito que a diminuição dos acidentes de trânsito sejam uma conseqüência da Lei Seca propriamente dita, mas sim das blits. Neste caso, a lei não precisaria ter sido modificada, era só haver mais fiscalização com relação à lei anterior que os acidentes diminuiriam da mesma maneira.
Bjs!
Querido, no início eu fiquei chateada, achei uma sacanagem e tal, mas depois fiquei pensando nas coisas q já li a respeito da Terra e da humanidade e q haveria de chegar o tempo em q nos preocuparíamos uns com os outros e q nos trataríamos como irmãos.
Quem sabe se este não é um dos muitos passos a ser tomados para a reforma da humanidade?
Têm coisas tão simples como: sair e não beber pra dirigir tranqüilamente, né?!
Parece que o povo procura coisas erradas
beijos