Categoria: Espiritismo

Dec202010

As perdas do ser humano…

Há horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade, de vazio. Questionamos o porquê de nossa existência e nada parece fazer sentido. Concentramos nossa atenção no lado mais cruel da vida – aquele que é implacável e a todos afeta indistintamente: as perdas do ser humano.

Ao nascer, perdemos o aconchego, a segurança e a proteção do útero. Estamos, a partir de então, por nossa conta – sozinhos, podem dizer alguns.

Começamos a vida em perda, e nela continuamos –dizem outros. Porém, paradoxalmente, se notarmos bem, e se nos atrevermos a ver tudo isso sob um outro ponto de vista, um ponto de vista mais otimista, quem sabe, descobriremos algumas coisas como:

No momento em que perdemos algo, novas oportunidades nos surgem. Ao perdemos o aconchego do útero, ganhamos os braços do Mundo. Ele nos acolhe, nos assusta e nos encanta, nos destrói e nos eleva. E continuamos a perder… E seguimos a ganhar.

Perdemos a inocência da infância, e ganhamos a confiança absoluta na mão que segura nossa mão. Ganhamos a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas porque alguém ao nosso lado nos assegura que não nos deixará cair. Perdemos a inocência da infância, e adquirimos a capacidade de questionar: por quê? Perguntamos a todos e de tudo. Estamos crescendo.

Nascer, crescer, adolescer, amadurecer, envelhecer, morrer, renascer. Cada nova fase revela perdas. Cada nova fase aponta novos ganhos. A vida é obra encantadora do Criador. Nada nela existe por acaso. Nada funciona ou acontece sem seguir uma lei maior, uma razão.

Nem mesmo a tão temida “morte” deve ser considerada como oposto de “vida”. O que chamamos de morte é apenas uma entrada para outra estação da mesma vida. Assim, quando achamos que “perdemos” pessoas que amamos, deveríamos enxergar que “ganhamos” um grande amor, e este nunca se perderá.

Cada pessoa que entra em nossa vida, e que nela permanece através do amor, nunca mais estará distante. Que ganho maravilhoso este! Que certeza esperançosa, revolucionária.

A vida não começa em perda, começa em “oportunidade”. Nascer é ganhar nova chance de seguir adiante. Nova chance de descobrir, de conhecer e de amar.

Quem ama nunca perde. Quem doa nunca fica sem.

Pensamento:

O Espírito Fénelon, na obra “O evangelho segundo o espiritismo”, traz uma importante reflexão. Diz-nos ele:

“Humanos, é nesse ponto que precisais elevar-vos acima do terra-a-terra da vida, para compreenderdes que o bem, muitas vezes, está onde julgais ver o mal(…)

Por que haveis de avaliar a justiça divina pela vossa?

Podeis supor que o Senhor dos Mundos se aplique, por mero capricho, a vos infligir penas cruéis?

Nada se faz sem um fim inteligente e, seja o que for que aconteça, tudo tem a sua razão de ser.”

Redação do Momento Espírita com base em texto atribuído a Aila Magalhães e no cap. V de O evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb.

Edelweiss – Andre Rieu

Jul252009

Espiritismo: o que é na verdade?

espiritismoCompartilho com vocês hoje, um texto escrito principalmente para os jornalistas, veiculadores de informação, mas que serve para conhecimento e reflexão de todos, independentemente de cor, raça, credo, profissão ou classe social. O artigo é um tanto quanto extenso para os padrões normais de um blog, mas dada a importância do assunto e da extrema perspicácia com que foi escrito, resolvo publicá-lo mesmo assim. Ei-lo:

Senhores Jornalistas, partindo do princípio que o objetivo de todo jornalista ético e sensato é o de informar bem, com coerência, honestidade, dignidade e imparcialidade, preocupando-se sempre com o indispensável conhecimento da causa que leva a reportar, venho apresentar-lhes uma contribuição em cima de um assunto que muitos profissionais do jornalismo, embora bem intencionados, terminam por cometer equívocos lamentáveis, por uma inexplicável ignorância que compromete os seus nomes bem como o dos veículos por onde veiculam as suas matérias ou reportagens.

Falo a respeito do assunto Espiritismo, tema este que invariavelmente é visto apenas no campo religioso, o que na verdade não é, e sobretudo o que é mais lamentável, sempre enfocado com afirmativas de conceitos absurdos, oriundos do “achismo” e também de uma cultura criada na cabeça das pessoas, pela intolerância e pela desonestidade religiosa.

Não objetivo aqui defender crença ou fé nenhuma, porque não é isto que está em questão. Só quero mesmo prestar contribuição ao gigantesco segmento honesto do jornalismo acerca de uma coisa, como ela realmente é, para que ele esteja melhor informado, sem a menor pretensão de querer fazer com que nenhum profissional o aceite, concorde com os seus postulados e, muito menos, se converta.

Vamos aos assuntos:

Espiritismo não é igreja!

Em princípio corrijam a conceituação inicial: Espiritismo não é simplesmente religião. Ele não veio ao mundo com objetivo nenhum de ser religião. Trata-se de uma doutrina filosófica, com base calcada na racionalidade, na lógica e na razão, apenas com conseqüências religiosas, haja vista que os seus adeptos ficam livres da submissão a qualquer religião, por não serem obrigados a coisa nenhuma e nem serem proibidos de nada. Há centros espíritas que se portam como se fossem igrejas, mas isto é produto da concepção equivocada dos seus dirigentes, que ainda sentem a necessidade da rezação, em que pese o Espiritismo ser algo muito acima disto..

Não existe “Kardecismo”, existe Espiritismo!

O jornalista equivocado costuma utilizar-se da expressão “Kardecismo”, para identificar algo que ele imagina ser uma “ramificação” do Espiritismo, achando que Espiritismo é um “montão de coisas” que existe por aí, quando na realidade não é.

A palavra Espiritismo foi criada, ou inventada, como queiram, pelo senhor Allan Kardec, exclusivamente para denominar a doutrina nova que foi trazida ao mundo, por iniciativa de Espíritos, e que tem os seus postulados próprios.

Portanto, qualquer crença ou prática religiosa que utiliza-se da denominação Espiritismo fora desta que se enquadre nos seus postulados, está utilizando-se indevidamente de uma denominação, mergulhando no campo da fraude. Daí a verdade que o nome disto que vocês chamam de “Kardecismo”, verdadeiramente é Espiritismo.

Apenas para clarear o campo de conhecimento dos que ainda têm dúvidas em achar que Candomblé, Cartomancia, Necromancia, Umbanda e outras práticas espiritualistas é Espiritismo, vai aqui uma pequena tabela, exemplificando algumas práticas de alguns segmentos, para apreciação daqueles que consideram relevante o uso da inteligência e do bom senso, a fim de um discernimento mais coerente e responsável.

Vejam quem adota e quem não adota o quê.

Procedimento, prática ou ritual:
Umbanda
Catolicismo
Espiritismo

Uso de altares:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Uso de imagens:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Uso de velas:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Uso de incensos e defumações:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Vestimentas e paramentos especiais:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Obrigações aos seus praticantes:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Proibições aos seus praticantes:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Ajoelhar-se, sentar-se e levantar-se em seus cultos:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Bebidas alcoólicas em seus cultos:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Sacerdócio organizado:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Sacramentos:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Casamento religioso e batizados:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Amuletos, patuás, escapulários e penduricalhos:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Hinos e cantarolas nos cultos:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Crença na existência de satanás:
Umbanda SIM
Catolicismo SIM
Espiritismo NÃO

Como pode, então, um profissional que tem a obrigação de estar bem informado, poder afirmar que Espiritismo e Umbanda são a mesma coisa? Não seria mais coerente dizer que tem mais semelhanças com o Catolicismo, embora também não seja a mesma coisa?

O espírita não tem a menor pretensão de diminuir ou desvalorizar o adepto da Umbanda que, por sua vez, tem também a sua denominação própria que é Umbanda, e não Espiritismo, apenas quer deixar claro que Espiritismo é Espiritismo e Umbanda é Umbanda, assim como Catolicismo é Catolicismo, Protestantismo é Protestantismo.

A afirmativa que alguns fazem, em dizer que tudo é a mesma coisa, com a diferença de que na Umbanda se reúnem negros e pobres e no tal “Kardecismo” se reúnem o que chamam de elites, é extremamente leviana, desonesta e irresponsável. O Espiritismo não faz qualquer discriminação de raças, cor ou padrão social, já que em seu movimento existem inúmeros negros, mulatos, brancos e de todas as etnias.

Allan Kardec não inventou o Espiritismo.

Allan Kardec não inventou ou criou Espiritismo nenhum. A proposta veio de Espíritos, através de manifestações espontâneas, consideradas como fenômenos, na época, e ele, que nada tinha a ver com aquilo, foi convidado por alguns amigos para examinar e analisar os tais fenômenos, em suas casas, oportunidade em que foi convidado, pelos Espíritos, pela sua condição de pedagogo e educador criterioso, a organizar aqueles ensinamentos em livros e disponibilizar para a humanidade.

Ele (Kardec) foi tão honesto e consciente de que a obra não era de sua autoria, que evitou colocar o seu nome famoso na Europa antiga (Denizard Rivail) como autor dos livros e preferiu utilizar-se de um pseudônimo. É bom que se saiba que o tal professor Rivail era autor famoso de livros didáticos e que tudo o que aparecia com seu nome vendia muito, não apenas na França como em toda a Europa.

Atentem para o detalhe: Os Espíritos optaram por um pedagogo, um professor, e não por um padre, um religioso, o que nos convida a entender que o Espiritismo é escola e não igreja.

Sobre a reencarnação:

Não é patrimônio exclusivo do Espiritismo e não foi inventada pelo Espiritismo, posto que é algo conhecido pela maior parte da humanidade, por milênios, muito antes do Espiritismo, que tem apenas 152 anos de idade. O espírita, depois de estudar a reencarnação, não crê na reencarnação, ele passa a SABER a reencarnação, o que é diferente. Exemplificando: Você crê que a Lua existe ou você sabe que ela existe? Afinal, você pode vê-la e comprovar, inclusive cientificamente. É isto aí.

Portanto a afirmativa de que os espíritas crêem na reencarnação é infantil e sem sentido.

Sobre a mediunidade:

Também não é patrimônio exclusivo e nem foi inventada pelo Espiritismo. É uma faculdade humana normal e independe de crença religiosa, já que a pessoa pode possuí-la, com maior ou menor intensidade, acredite ou não. O Espiritismo apenas se dispõe a estudá-la, educar e disciplinar as pessoas que a possuem, para que o seu uso possa ser benéfico a elas e aos outros, absolutamente dentro dos elementares padrões de moralidade. Segundo os postulados espíritas ela não deve ser comercializada nunca e deve ser utilizada gratuitamente; todavia é praticada comercialmente em alguns lugares do mundo, por pessoas que são médiuns, inclusive honestas, mas nada sabem sobre Espiritismo, numa comprovação de que ela existe fora do meio espírita.

Qualquer afirmativa do tipo “alguém tem mediunidade e precisa desenvolver” é vinda de pessoas inconseqüentes, mesmo algumas que se auto rotulam espíritas, posto que o Espiritismo propõe que a faculdade deve ser educada e não desenvolvida…

Sobre o caráter do centro espírita:

É um local que deve atuar como escola e não como igreja. A sua proposta é de estudos, sobretudo da matéria que trata da reforma íntima das pessoas, dando ciência do papel de cada um de nós na terra, da nossa razão de existir enquanto criaturas úteis ao nosso próximo, esclarecimento da nossa condição espiritual no presente e no futuro e, principalmente, a nossa conduta moral.

Recomenda a prática da Caridade, sim, mas de forma ampla no sentido de orientar e informar aos outros sobre os meios de libertações dos conflitos, das amarguras, das incompreensões e do sofrimento em si e não esse entendimento estreito de que Caridade se resume apenas a dar prato de sopa ou roupas usadas para pobres, para qualificar o doador como bonzinho.

Adota Jesus, sim, inclusive como o maior modelo e guia que temos para seguir, concebendo o seu Evangelho como a bula coerente a nos conduzir, e não como sendo ele o próprio Deus.

Enfim. O centro espírita é um local de estudo e não de rezação.

Sobre quem é reencarnação de quem:

Recentemente vimos um jornalista afirmar, nas páginas da VEJA, que os espíritas juram que Fulano é reencarnação de Sicrano, o que se constitui em um absurdo. Em princípio espírita não adota jura nenhuma. Segundo, que não consta da atividade espírita a preocupação de quem é reencarnação de quem, uma vez que esta discussão é irrelevante, não tem razão nenhuma, não acrescenta absolutamente nada na proposta espírita para a criatura humana, em que pese alguns espíritas, apenas alguns,(nem todos entendem bem a proposta da doutrina) se ocuparem com esse tipo de discussão.

Falar em quem é ou talvez possa ser reencarnação de quem, é conversa amena de momentos de descontração de espíritas, apenas em nível de curiosidade ou especulação, jamais tema de estudo sério da casa espírita.

Ainda que possa existir, em alguns locais de estudos mais profundos e pesquisas espíritas, interesses em trabalhar as questões da reencarnação, os estudiosos apenas sugerem que fulano possa ser a reencarnação de alguém, mas nunca afirmam, apesar de evidências marcantes e inquestionáveis, quando a condução da pesquisa é séria e criteriosa.

Quem anda dizendo que é a reencarnação de reis, de rainhas e de personagens poderosas do passado não são os espíritas, são apenas alguns bobos que estão no Espiritismo sem consciência do seu papel.

Apologia ao sofrimento:

Matérias de revistas e jornais, dentro deste equívoco que nos referimos, chegaram a afirmar diversas vezes, que o Espiritismo ensina as pessoas a serem acomodadas em relação ao sofrimento e até chegarem a dizer que o sofrimento é bom.

Não condiz com o coerente ensinamento do Espiritismo. Se algum espírita chega a dizer isto, certamente é vítima do masoquismo e, provavelmente, deve praticar um ritual em sua casa, quando, talvez uma vez por semana, coloca a mão sobre uma mesa e dá uma martelada em seu dedo.

Sofrimento não é condição fundamental para a evolução de ninguém, embora entendamos que, ao passar por ele, muitas pessoas terminam acordando para a realidade da vida e mudando de conduta, sobretudo no campo do orgulho, do egoísmo e da presunção.

Mesa branca:

Não existe espiritismo mesa branca, alto espiritismo, baixo espiritismo ou qualquer ramificação do Espiritismo, que é um só. O hábito de forrar mesas com toalhas de cor branca, na maioria dos centros espíritas, nada mais é que um hábito de alguns espíritas, de certa forma até equivocados também, uns talvez achando que a cor branca da toalha ou das roupas das pessoas tem algum significado virtuoso, quando na verdade não existe esta orientação no Espiritismo. Na verdade, não há sequer a necessidade de ter toalhas nas mesas…

Portanto a citação de “Espiritismo mesa branca” é mais uma expressão da ignorância popular, o que não se admite nos jornalistas.

Terapia de vidas passadas:

Não é procedimento espírita, em que pese ser recomendável em alguns casos, porém em consultórios de profissionais especializados, geralmente psicólogos ou médicos. É fato, existe, é comprovado, tem resultados cientificamente respaldados, mas não é prática espírita… É prática médica.

Cromoterapia, piramidologia, etc:

Se alguém usa uma dessas práticas no espaço físico de uma casa espírita, é por pura deliberação da direção da casa, que se considera livre para fazer o que quiser, até mesmo dar aulas de arte culinária, corte e costura, curso de inglês, informática ou o que quiser, que são atividades úteis, sem dúvidas. Mas não tem a ver diretamente com o Espiritismo.

Sucessor de Chico Xavier:

Isto nunca existiu no Espiritismo, em que pese vários jornalistas terem colocado em matérias diversas, quando o Chico Xavier “morreu” (desencarnou), e ainda repetem, talvez querendo estabelecer alguma comparação do Espiritismo (que veem apenas como religião) com a Igreja Católica, que tem sucessores dos papas, quando morrem. Chico Xavier nunca foi uma espécie de papa, de cardeal ou de qualquer autoridade eclesiástica dentro do movimento espírita.

Divaldo Pereira Franco nunca foi sucessor de Chico, nunca teve essa pretensão, ninguém no movimento espírita fala nisto, que é coisa apenas de páginas de revistas desinformadas sobre o que verdadeiramente é o Espiritismo.

A sua relação com a Ciência:

Faz parte da formação espírita a seguinte recomendação: “Se algum dia a Ciência comprovar que o Espiritismo está errado em algum ponto, cumpre aos espíritas abandonarem imediatamente o ponto equivocado e seguirem a orientação da Ciência”.

Mas isto não quer dizer que o que afirmam determinadas criaturas, como o padre Quevedo, que se apresenta presunçosamente como cientista, deva ser entendido como Ciência, já que ele não é unanimidade, nem ao menos aceito pela maioria dos cientistas coisa nenhuma. Ele é padre, nada mais do que padre, com um tipo de postura que não é aceita nem pela maioria do seio católico, quanto mais pelo científico.

Não é à pseudo-ciência ou a opiniões pessoais de um ou outro elemento, que se diz de Ciência, que o Espiritismo se submete, com esta recomendação, é à Ciência, como um todo, em descobertas inquestionáveis.

Até agora a Ciência não conseguiu apontar e muito menos comprovar erro em um ensinamento espírita sequer.

Medicina e Espiritualidade:

Alguns médicos, tradicionalmente, sempre afirmaram que os problemas de saúde das pessoas nada têm a ver com problemas espirituais, porque estes se resumem a crendices. Hoje existe um curso de “Medicina e Espiritualidade”, oficial, dentro da USP (Universidade de São Paulo), a maior Universidade do País, onde são estudados estes questionamentos que alguns continuam a dizer que são crendices.

Em nível de informação, sugerimos que os jornalistas se interessem em reportar sobre este assunto, sem que vá aqui a menor intenção de querer converter ninguém. Não se trata de questão religiosa, trata-se de questão científica.

Para melhor informação, as aulas deste curso podem ser vistas no site www.redevisao.net

O telefone da Pineal Mind, onde são ministradas as aulas, é (11) 3209-5531 e o e-mail é faleconosco@uniespirito.com.br onde poderão ser obtidas maiores informações sobre o curso. Toda sexta-feira, às 19 horas, tem aula ao vivo pelo site numa webtv. Sem falar que se você tiver receptor de satélite digital, pode assistir na TV de sua casa.

Diante de todo o exposto sugerimos que os grandes veículos de comunicação de massa, obviamente comprometidos com a credibilidade dos seus nomes, repassem estes esclarecimentos aos seus profissionais de jornalismo, não necessariamente para que eles sejam simpáticos à ideia espírita, já que ninguém é obrigado a aceitar coisa nenhuma, mas para, pelo menos, não comprometerem as suas honorabilidades dizendo mentiras, leviandades e até se expondo ao ridículo reportando sobre um assunto que não entendem.

Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net

Jul62009

A semente é a sua atitude.

semente1Minhas amigas e meus amigos… É muito estimulante participar deste movimento que está acontecendo na Terra. Tem gente que pensa que é por causa do novo milênio, tem gente que acha que é Nova Era… tudo isso são nomes, e nomes não têm importância.

O importante é estar aqui. É participar espiritualmente, com a emoção e a razão, do mundo percebendo o sentido mais profundo de existir, descobrindo o tesouro da própria espiritualidade e conscientizando-se de coisas importantes.

Enquanto as pessoas não olhavam pra nós como Espíritos, podiam nos ignorar e ignorar a essência imortal de si mesmas. Mas agora é o rádio, é a televisão, é a imprensa, são os livros, é uma torrente de chamados dizendo: – Olhe. Veja. Sinta o que você realmente é! Porque o mundo não pode continuar se escondendo da verdade. O ser humano esgotou as suas alternativas de viver neste mundo considerando só a matéria ou colocando o espírito em segundo plano.

A matéria não significa nada sozinha. Por isso, quando os homens se hipnotizaram pelas conquistas materiais, a vida humana e o sentimento humano, de repente, perderam a noção de seu próprio significado. Mas estes dias estão terminando. Cada pessoa no mundo, hoje em dia, está ansiando por uma grande mudança e todos nós podemos ir neste barco. É uma corrente que cresce.

Cada ser que se descobre é um farol para os outros, que ainda estão sem rumo. Cada Espírito que exercita este discernimento, cada Espírito que abre os olhos, é mais um marco no caminho dos que ainda não enxergam com clareza.

E não precisa ser pastor, religioso ou guru, professor ou terapeuta: somos você, eu, cada um que resolve engrossar o número dos que vão compor a nova Humanidade deste planeta – que não será composta de novas pessoas, de pessoas diferentes, mas que se pautará por uma nova moral.

Como reconhecer já, neste momento, os participantes desta nova Humanidade? Alguns já caminham por aí…

Eles têm um profundo sentido ético, uma forte noção de compromisso com a coletividade, sem sair da própria individualidade.

Eles se olham como pessoas que têm o que melhorar e tornaram a melhoria uma prioridade. Seu coração é aberto e seu sorriso é jovial, independente de quantos anos tenham. Eles sorriem pra adversidade e as opiniões contraditórias não abalam suas convicções.

Seu coração aberto não lhes torna possível julgar quem quer que seja, porque estão repletos de respeito pela natureza humana, mesmo quando esta natureza se engana e escolhe a estrada tortuosa. Pelo contrário, aí é que eles se sabem necessários, oferecendo com humildade as diretrizes que já conhecem.

Eu vejo esta nova Humanidade num degrau superior de relacionamentos sociais e afetivos. Livre da falsidade, livre das ideias equivocadas sobre amizade e casamento, mais natural e espontânea e, por isso mesmo, mais fácil e descomplicada.

E eu me vejo nesse meio, e vejo você, e vejo todas as pessoas de bem que querem de verdade transformar suas vidas em pura realização.

Será que você consegue se ver sereno ou serena, generoso ou generosa, sem se apegar aos dramas, sem inquietude com o futuro, sem nada pra esconder ou temer? Será que você é uma pessoa que pode começar acendendo o seu farol, brilhando sua luzinha junto aos seus? Ou será que eu estou aqui jogando conversa fora para você, daqui a pouco, fechar este blog e retornar para o seu apego e para o seu medo?

Vamos nós, cada qual na sua casa, na sua cidade, plantar a semente da fé, da positividade, da responsabilidade e do respeito?

A semente é a sua palavra. É a sua atitude. É a sua certeza que contagia os que estão perto, a força que você usa pra se erguer e pra levar adiante aquilo em que acredita. Porque a Humanidade precisa acreditar… e cada um que acredita em si, no progresso, na vida, vai sendo instrumento do progresso e da vida pra tocar aqueles que não acreditam.

Acredite. Faça este trabalho com você, de sustentar as crenças positivas e de jogar fora o que está te atrasando; seja vingança, ressentimento, culpa, apego, ambição, orgulho ferido, jogue fora! Estas coisas não estão conduzindo você a lugar nenhum.

E eu gostaria de ver você renovada, minha amiga, de ver você renovado, meu amigo, não pelo que eu estou dizendo, mas pelo próprio sentido de evolução, percebendo o quanto você é grande, importante, bem-vinda ou bem-vindo nesta sociedade nascente, que é feita de pessoas como você e eu, mas pessoas que entenderam seu propósito superior na vida e estão dispostas a pôr em prática, dia a dia, onde quer que se encontrem, só o melhor que sabem.

The Beatles – Let it be

Jun22009

O crime é exatamente o mesmo

aborto- Doutor, o senhor terá de me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e estou grávida novamente. Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas sim num espaço grande entre um e outro.

Então o médico perguntou:

- Muito bem. E o que a senhora quer que eu faça?

A mulher, já esperançosa, respondeu:

- Desejo interromper esta gravidez e conto com a ajuda do senhor.

O médico pensou um pouco e depois do seu silêncio disse para a mulher:

- Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.

A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido. E então ele completou:

- Veja bem, minha senhora, para não ter de ficar com os dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim o outro poderá nascer. Se o caso é matar, não há diferença para mim entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco.

A mulher apavorou-se e disse:

- Não doutor! Que horror! Matar uma criança é crime!

O médico sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição surtira efeito. Convenceu a mãe que não há a menor diferença entre matar a criança já nascida e matar uma criança ainda por nascer, mas viva no seio materno.

O crime é exatamente o mesmo…

Uma campanha do “Movimento Nacional em Defesa da Vida”.
Brasil sem aborto.

***

Eu sou terminantemente contra o aborto! Fato! Fora das hipóteses legalmente previstas, para mim não há como se falar em matar uma vida, seja ela extra ou intra-uterina. Mas além de ser crime na lei dos homens, o aborto é um crime ainda maior na lei de Deus. Para mim que sou espírita e sei que nada acontece por acaso e que para toda ação há uma reação, não há como cogitar em realizar um aborto; não mesmo. “Ah, Cirilo, mas…” Mas nada! Nem comece! Esta regra não comporta exceções, fora das duas previstas legalmente, quais sejam quando há risco grave de morte para a gestante ou quando a gravidez advém de estupro, fato alheio à vontade dela. E o texto acima explicita com maestria isso. Não há diferença em matar uma criança viva ou outra ainda por nascer. O crime é exatamente o mesmo.

May182009

O que um obsessor pode fazer com você

obsessor1Ele abaixou o olhar e fugiu de minha presença. Eu sabia que ele só atuava porque as pessoas lhe davam muito espaço. E no caso de Janir e Dalva, elas praticamente entravam em simbiose com ele.

Eu ainda nada podia fazer sem que elas resolvessem mudar de comportamento. Rezei que reavaliassem seus comportamentos o mais rapidamente possível. Pois não absorviam as inspirações superiores e sempre escolhiam as influências do obsessor.

Ele tinha sua cota de culpa, não havia dúvidas, mas os obsediados não eram inocentes, pois se identificavam tanto com ele, que em muitas ocasiões até pediam sua má influência.

Pediam, como no exemplo de Dalva, quando ficava procurando na mente fatos para pensar mal das pessoas. Pediam, como no caso de Janir, que esquecia que a vida não era feita apenas para se ficar mirando no espelho e procurando defeitos materiais.

Pediam, como no caso de Carlos Eduardo e Marcela, que queriam o dinheiro pelo poder de o ter. Pelo prazer de comprar exageradamente coisas materiais.

Pediam, quando olhavam as pessoas procurando nelas apenas o que tinham de ruim a oferecer. PEdiam, quando queria viver apenas de aparências. Quando queriam ter apenas mais do que fulano ou beltrano. Sem avaliarem realmente o que precisavam. Pediam, quando anulavam os instintos bons e o conhecimento aproveitável.

Em resumo, pediam quando mentiam, enganavam, tripudiavam, caluniavam e prejudicavam outrem.

*****

Todo dia aprendemos, nem sempre com a nossa própria experiência e nossos próprios erros. Se apenas estas experiências contassem, o que seria de nós e da humanidade? Seria negar toda a experiência histórica e apenas nos restringir a nossa própria, alongando imensuravelmente o caminho à evolução, negando toda cultura humana até aqui conquistada.

O espírito Carlos Augusto dos Anjos tornou-se amigo de um ser, que demorou um pouco para compreender que ele era seu amigo. Ele estando no plano espiritual, tentou socorrê-lo muitas vezes de seu mergulho na escurdião da ignorância. Assim soube em detalhes de sua história de obsessão. Pediu então a ele autorização para narrá-la, para que todos possam entender como ocorrem os processos de obsessão. E ele concedeu.

Então, o livro “Inimigo de Família. O que um obsessor pode fazer com você.“, do espírito Carlos Augusto dos Anjos, pela médium Amarilis de Oliveira, conta uma história envolvente de erros sucessivos de uma família repleta de ódio, recalques, obsessão e amor. Uma história que serve de exemplo do que devemos e não devemos fazer.

Que sirva de ensinamento, alerta e reflexão para todos vocês.

Apr202009

Julgamento na mesma medida

julgamento1Em uma conhecida passagem do evangelho, Jesus afirma que cada um será medido com a medida que aplicar aos outros.

Tem-se aí um princípio de justiça, já revelado no comando de amar ao próximo como a si mesmo.

Pelo mandamento do amor, surge o dever de tratar o semelhante como se gostaria de ser tratado, se estivesse em seu lugar.

A idéia básica é uma igualdade essencial entre todos os homens.

Embora diferentes pelas posições que ocupam na vida em sociedade, nenhum possui essência apartada da dos demais.

Evidentemente, há criaturas mais adiantadas, cuja bondade e sabedoria causam admiração.

Entretanto, na origem e no fim todos se aproximam.

Saídos da mais absoluta simplicidade chegarão à plenitude das virtudes angélicas.

Enquanto percorrem a longa jornada, devem se auxiliar mutuamente.

A lição cristã cinge-se basicamente à fraternidade.

É possível sofisticar o pensamento e encontrar detalhes preciosos nos ensinamentos do Cristo.

Mas é preciso cuidado para não esquecer o básico, nessa busca de detalhes, por valiosos que sejam.

O essencial reside em aprender a olhar o próximo como um semelhante, um irmão de caminhada.

Se ele se apresenta vicioso e de convívio pouco atrativo, nem por isso deixa de ser uma preciosa criatura de Deus.

Justamente perante os equivocados do mundo, convém refletir sobre a igualdade da medida.

À parte os Espíritos puros, que já percorreram todos os degraus da escala da evolução, os demais cometem erros.

Mesmo homens bem intencionados por vezes erram.

Não se trata de uma tragédia, na medida em que a vida propicia meios de reparar os estragos e seguir em frente.

Uma visão estreita da Divindade pode levar à concepção de que Ela sempre está a postos para punir suas criaturas.

Entretanto, não é assim.

As Leis Divinas encontram-se escritas na consciência de cada Espírito.

Elas visam à educação e à evolução dos seres, não a sua punição.

O rebote do desconforto que a violação da lei provoca destina-se a incentivar a retomada do caminho correto.

É possível ignorar os protestos da própria consciência um tempo, mas não indefinidamente.

Sempre surge o momento em que ela fala alto e atrai as experiências retificadoras do mal cometido.

Ocorre que o mesmo homem que encontra desculpas para seus equívocos, por vezes, é severo crítico do semelhante.

Ao assim agir, molda em seu íntimo um juiz implacável.

Quando chegar a sua hora de prestar contas dos próprios atos à eterna justiça, as medidas desse juiz severo é que lhe serão aplicadas.

Ciente disso, convém treinar um olhar indulgente para as falhas alheias.

Não se trata de tentar burlar a incidência da justiça divina, sempre perfeita.

Mas de não valorizar em excesso a sombra e a dor e de compreender a falibilidade natural do ser humano.

Pense nisso.

Momento espírita

*****

Na Bíblia Sagrada, em Mateus, capítulo 7, versículos 1 e 2, há os dizeres sobre a medida dos julgamentos, alertando para que nós seres humanos nunca esqueçamos de tratar com indulgência as falhas alheias:

“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós.”

Isso me faz lembrar o pontual Dom Helder Câmara, quando dizia:

“Antes de clamar contra a maldade dos tempos e dos homens, examinas se estás sendo a luz que deves ser.”

Pense nisso.

Emmerson Nogueira – My Sweet Lord

Mar22009

E se a morte chegasse agora?

barcoE se você soubesse que iria morrer hoje – o que faria?

Essa pergunta foi feita a um homem, no século XIII. Um ser iluminado.

Nascido em berço de ouro, conheceu as delícias da abastança. Filho de rico mercador, trajava-se com os melhores tecidos da época. Sua adolescência e juventude foram impregnadas das futilidades daqueles dias, em meio a expressivo número de amigos.

Assim transcorria sua vida, quando um chamado se deu a esse jovem.

Ele então se despiu dos trajes da vaidade e se transformou no Irmão Francisco, o Irmão dos Pobres.

Sua alma se encheu de poesia e ele passou a compor versos para as coisas pequeninas, mas muito importantes, da natureza. Chamou irmãos à água, ao vento, ao sol, aos animais. Sua alma exalava o odor da alegria que lhe repletava a intimidade.

Certo dia, enquanto arrancava do jardim as ervas daninhas, Frei Leão, que o observava, lhe perguntou:

Irmão Francisco, se você soubesse que morreria hoje, o que faria?

Francisco descansou o ancinho, por um instante. Seus olhos, apagados para as coisas do mundo passageiro, pareceram contemplar paisagens interiores de beleza.

Suspirou, pareceu mergulhar o olhar para o mais profundo de si e respondeu, sereno:

Eu? Eu continuaria a capinar o meu jardim.

E retomou a tarefa, no mesmo ritmo e tranquilidade.

Quantos de nós teríamos condições de agir dessa forma? A morte nos apavora a quase todos. Tanto a tememos que existem os que sequer pronunciam a palavra, porque pensam atraí-la. Outros, nem comparecem ao enterro de colegas, amigos, porque dizem que aquilo os deprime, quando não os atemoriza.

Algo como se ela nos visse e se recordasse de nos vir apanhar.

E andamos pela vida como se nunca fôssemos morrer. Mas, de todas as certezas que o mundo das formas transitórias nos oferece, nenhuma maior que esta: tudo que nasce morre um dia.

Assim, embora a queiramos distante, essa megera ameaçadora que chega sempre em momentos impróprios, ela vem e arrebata os nossos amores, os desafetos, nós mesmos.

Por isso, importante que vivamos cada dia com toda a intensidade, como se nos fosse o derradeiro.

Não no sentido de angústia, temor, mas de sabedoria. Viver cada amanhecer, cada entardecer e cada hora, usufruindo o máximo de aprendizado, de alegria, de produção.

Usar cada dia para o trabalho honrado, que nos confira dignidade. Estar com a família, com os amigos.

Sorrir, abraçar, amar.

Realizar o melhor em tudo que façamos, em tudo que nos seja conferido a elaborar. Deixar um rastro de luz por onde passemos.

Façamos isso e, então, se a morte nos surpreender no dobrar dos minutos, seguiremos em paz, com a consciência de espíritos que vivemos na Terra doando o melhor e, agora, adentraremos a Espiritualidade, para o reencontro com os entes queridos que nos antecederam.

Pensemos nisso.

Adaptado da Redação do Momento Espírita

Evandro Marinho – Sonho Lindo (O Som do Barzinho Vol.10

Nov32008

Amar o próximo como a si mesmo


“Amar o próximo como a si mesmo: fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós”, é a expressão mais completa da caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo.

Não podemos encontrar guia mais seguro, a tal respeito, que tomar para padrão do que devemos fazer aos outros aquilo que para nós desejamos.

Com que direito exigiríamos dos nossos semelhantes melhor proceder, mais indulgência, mais benevolência e devotamento para conosco, do que os temos para com eles?

De O Evangelho segundo o Espiritismo

Io che amo solo te – Sergio Endrigo

Dec302007

Uma flor branca

florzinha

Uma excelente reflexão para o final de um ano e início de um novo.

Uma florzinha branca e mimosa floresceu à beira de uma estrada. Por este caminho passavam muitas pessoas. Algumas, sem sequer vê-la.

Uma mulher, ao defrontar-se com ela, disse: “Veja, uma flor à beira da estrada! Ela é medicinal, muito boa para dores. É bom saber que aqui tem. Quando precisar, virei buscar.”

Um poeta que cantava as alegrias e tristezas, as belezas do mundo, também passou pela estrada e, ao ver a flor, parou e exclamou comovido: “Que linda flor! É digna de enfeitar os mais lindos cabelos de uma mulher apaixonada! Mas, infelizmente, no momento não estou amando, senão levaria para enfeitar minha amada!”

Em seguida passou pela estrada uma jovem que, ao ver a delicada flor, parou para admirá-la. “Que florzinha mais encantadora! Que perfeição nos seus contornos! Como é bonito ver uma flor a enfeitar uma estrada, suavizando a visão talvez tão cansada e preocupada dos que passam por aqui.” Com um gesto meigo beijou a flor e seguiu seu caminho.

Passou por ali também um materialista que, ao ver a flor, falou revoltado e furioso: “Flor imbecil, por que veio florir nesta estrada poeirenta? Seu branco não combina com a sujeira do lugar. É uma inútil!” Chutou-a e foi embora.

Um senhor cujos cabelos o tempo havia branqueado,ao ver a flor ali solitária, à beira da estrada, exclamou: “Como a obra de Deus é perfeita! Como o Senhor do Universo é bondoso conosco, dando-nos belezas na natureza para nos alegrar! Que seja bendita, florzinha branca! Obrigado por você existir e nos alegrar!” Sabiamente continuou seu caminho.

E a singela flor continuou sendo a mesma para todos. Só que, conforme a compreensão, o interesse e o estado de espírito, viam-na de maneira diversas.

Fonte: “O vôo da gaivota.” Narrativa espiritual de Patrícia. Psicografia de Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho. Editora Petit.

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Cada pessoa vê as coisas (e as pessoas) de acordo com seu condicionamento, como quer vê-las, mas não como elas realmente são. É de fundamental importância aprendermos isto: Tudo é o que é, e não o que gostaríamos que fosse.

Tra te e il mare – Biagio Antonacci & Laura Pausini

Apr32007

A conta e o tempo

Sempre penso muito a respeito de minha passagem aqui na Terra, mas é inegável que fatos tristes como este, do falecimento de Aldemir Silva, fazem com que eu reflita ainda mais sobre a perenidade da vida nesta tão curta existência. Fui criado na Igreja Católica e até hoje frequento missas, pois gosto do ambiente de paz e harmonia, afinal é um templo divino, mas também vou pelo menos uma vez por semana ao centro espírita. Parece uma incongruência, porém não é. Com efeito, extraio de cada religião e doutrina seus pontos positivos, usando para minha evolução o que melhor me aprouver. No catolicismo aprendi a crer sem dúvida, a ter religiosidade desde a mais tenra idade, aprendi a ter fé mesmo quando em situações das mais adversas possíveis; no espiritismo encontrei muitas respostas para minhas dúvidas, encontrei paz para minhas angústias e encontrei principalmente, a meu ver, o melhor ensinamento: cuida para que saias dessa vida melhor do que quando entraste. E essa é a razão do ser do post de hoje. Temos que cuidar do que fazemos, de como vivemos, pois o tempo não espera e quando a morte chegar, quando desencarnarmos, teremos de prestar conta e não adianta se lamentar: benefícios só terão aqueles que fizeram por merecer. Não importa cor, raça, credo, sexo, classe social… É uma conta simples: o que se fez e o que se deixou de fazer. Por isso, o melhor a se fazer é batalhar para se livrar dos vícios da alma. Tudo bem que os vícios do corpo como o álcool, o fumo, as drogas, etc, também devem ser evitados, mas os vícios da alma, meus amigos, esses sim são muito mais fortes. Orgulho, vaidade, rigidez, ilusão, gula, egoísmo, baixa estima, culpa, medo, insegurança, dependência, inveja, intolerância, dentre outros. Esses sim precisam ser minados. Fácil? Sei que não é, mas com exercício diário e constante torna-se possível, nesta ou nas próximas vidas. A certeza que tenho: cuidar das atitudes para sairmos melhor do que quanto entramos. Isso é evolução. E o tempo é necessário para esse fim, é certo, mas é preciso não descuidar da conta.

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Deus pede estrita conta do meu tempo,
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta;
Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.

Mas como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu que gastei, sem conta, tanto tempo?
Não quis, sobrando tempo, fazer conta,
Hoje quero dar conta, e não tenho tempo.

Ó vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta.

Pois aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando tempo chegar de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo.

a.d.