Categoria: Poesia

Jun72010

Tenho tanto sentimento…

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa

* * *

O que seríamos nós sem conflitos internos, sem alternativas a escolher? Dá trabalho ter opções diversas, bem sei, mas que sabor teria a vida sem a liberdade de decidir qual caminho trilhar, qual decisão tomar?

Só sei que vou seguindo assim, pedindo ao Cara lá de cima sabedoria e discernimento para ouvir meu coração, filtrar através da razão, para poder ter paz de espírito e ser feliz então.

Jul212009

Amigo Aprendiz

amigasO “Dia do Amigo” foi ontem, dia 20 de julho, mas como para mim todo dia é dia de celebrar a amizade e agradecer pelos amigos que temos na vida, trago para todos um poema que amo, do Fernando Pessoa. Ei-lo:

Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso: é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo de acertar nossas distâncias.

Não quero citar nomes, pois isso acaba me gerando vários problemas não raras vezes. Então, meus amigos e minhas amigas, sintam o calor do meu abraço, como se eu os estivesse abraçando, calor esse transmitido apenas quando o sentimento é verdadeiro o suficiente para se fazer perceber até mesmo num simples abraço.

E fazendo minhas as palavras de Pessoa, “Eu te suplico paciência. Dá-me tempo de acertar nossas distâncias.”

Milton Nascimento – Cancão da América

Apr292009

O poema nasce do espanto

poemasO poema nasce do espanto, e o espanto decorre do incompreensível.

Vou contar uma história: um dia, estava vendo televisão e o telefone tocou. Mal me ergui para atendê-lo, o fêmur de uma das minhas pernas roçou o osso da bacia.

Algo do tipo já acontecera antes? Com certeza. Entretanto, naquela ocasião, o atrito dos ossos me espantou. Uma ocorrência explicável, de súbito, ganhou contornos inexplicáveis.

Quer dizer que sou osso? – refleti, surpreso. Eu sou osso? Osso pergunta? A parte que em mim pergunta é igualmente osso? Na tentativa de elucidar os questionamentos despertados pelo espanto, eclode um poema.

Entende agora por que demoro 10, 12 anos para lançar um novo livro de poesia? Porque preciso do espanto.

Não determino o instante de escrever: “Hoje vou sentar e redigir um poema”.

A poesia está além de minha vontade.

Por isso, quando me indagam se sou Ferreira Gullar, respondo: “Às vezes”.

Ferreira Gullar. Bravo, mar./2009 (com adaptações).

*****

Mudando de assunto…

manifesto-jovens-que-pensamJuventude não tem a ver apenas com a idade, não é uma questão puramente cronológica, mas considera principalmente o estado de espírito das pessoas e a capacidade de se manterem jovens e vivos apesar do passar dos anos. Eu sou jovem cronologicamente falando, tenho apenas 26 anos (completarei 27 dia 19 de maio próximo), mas talvez por ter a certeza de que manterei a jovialidade como característica essencial, o meu amigo Lino Resende me presenteou.

Na verdade ele premiou a mim e ao “Simples Coisas da Vida” com o selo “Jovens que pensam”. A ele meu muito obrigado. Agora, segundo as regras, devo eu indicar outras 10 pessoas para receber o prêmio. Já que foi o Lino que me pediu, vamos lá:
Veridiana Serpa; Ismael Alexandrino; Micha Veloso; Taynar Costa; Janaína Beneduzzi; Júnior Escalafobético; Júlio Moraes; Luma Rosa; Rafael Reinehr; Daniel Silva.

Jul152007

Anotações

Não sei vocês, mas eu sempre tive o hábito de escrever tudo em caderninhos de anotações. Tudo bem que hoje faço isso no meu celular, que só falta falar [se é que não fala rsrs] (impressionante como a tecnologia avança tão rapidamente), mas estava procurando um livro antigo e acabei encontrando os tais cadernos. Tantas coisas maravilhosas, tantos acontecimentos memoráveis [muitos engraçados] do dia-a-dia ali registrados, e tanta porcaria também [kkk]. Eu anotava de tudo mesmo. Se estivesse assistindo um filme e ouvisse algo que gostasse, anotava; se alguém contasse algo diferente, ao chegar em casa anotava; se lesse algo interessante, anotava… Bem, acontece que abri um deles e dei de cara com um poema de Camões que retrata o amor platônico dele [que se contenta com a imaginação da amada] tornando-se noutro momento em aristotélico [que busca a satisfação corpórea]. Lindo mesmo. Até porque imaginar e viajar em pensamento é uma maravilha, mas abraçar e deleitar-se nos braços do ser amado é igualmente uma delícia. Eis o poema:

“Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sómente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co’a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;
[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma”.

L. Vaz de Camões

Bandolins – Oswaldo Montenegro

Mar52005

Poesia Caipira

vila.jpg

Vô contá como é triste vê a veíce chegá,
Vê os cabêlo caíno, vê as vista encurtá.
Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá.
Vê “aquilo” esmoreceno, sem força prá levantá.

As carne vão sumino, vai parecêno as vêia.
As vista diminuíno e cresceno a sombrancêia.
As oiça vão encurtano, vão aumentano as orêia.
Os ôvo dipindurano e diminuíno a pêia.

A veíce é uma doença que dá em todo cristão:
dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão.
Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o pulmão.
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.

Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece:
vai passano pelas rua e as menina se oferece.
A gente óia tudo, benza Deus e agradece,
Correno ligeiro prá casa, procurano o INSS.

No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava
Eu tinha mil namorada, tudo de bão me sobrava.
As menina mais bonita, da cidade eu bolinava.
Eu fazia todo dia, chega o bichim desbotava.

Mas tudo isso passô, faz tempo ficô prá tráis
As coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz.
O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz.
Prá falá mesmo a verdade, nem trepá eu trepo mais.

Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça.
Pega a muié, vai pra cama, aparpa, beija e abraça,
Porém só faz duas coisa: solta peido e acha graça .

a.d.

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Como é final de semana, coloquei essa poesia caipira pra desopilar e trazer mais humor a este ambiente, porque rir ainda é o melhor dos remédios e a cura para muitos males.

Mas, mudando de assunto, nos dois últimos posts, de quinta e sexta, só há 6 comentários e 1 foi meu. Não sei porque as pessoas não comentam, não se expressam. Algum problema? Queria entender e claro fazer de tudo para melhorar. Afinal de contas, mantenho este espaço para as pessoas. Pago pelo domínio, pago pela hospedagem, só para continuar com meu objetivo de levar mais reflexão, debates, sentimentos, para a vida das pessoas. Poderiam enviar-me situações e experiências vividas e eu escreveria a respeito, poderiam suscitar algum tema para debate, etc. Contudo não se expressam, não se manifestam… Poxa. Nunca me preocupei com a quantidade de comentários, mas se quase ninguém está comentando, algum problema pode estar havendo e eu gostaria de saber.

Bem, excelente final de semana a todos.

Forte abraço e até muito breve.

Sinceramente.

Azul – Djavan

Nov62004

Tua boca.

tuaboca.1.jpg
Tua boca.
Sim… Tua boca…
O desejo tomou conta de mim
ao beijar tua boca.
Sim…
Os meus lábios ainda pressentem
o próximo toque dos teus.
Boca linda…
Lábios vermelhos…
Desejo trazer junto comigo
Sempre…
Esse sabor de mulher.
Encostei meus lábios nos teus,
As bocas se juntaram…
E se encontraram tão belas…
Tão ansiosas… tão ávidas…
Bebi ali todo o teu veneno…
Bebi ali todo o teu desejo…
Dali, tua pele, sensível ao toque,
se desvendou para minhas caricias…
Meus lábios tocaram a tua pele…
Lábios, peregrinos, visitaram seus refúgios…
Linda mulher…
Lindo desejo…
Deixei algo de mim no teu beijo
que não recupero jamais…

a.d.

Feitio de Paixão – Jorge Aragão

Nov22004

O amor que eu sempre quis

amor8.1.jpg

Quero um amor-criança!
Que cresce e aprende por ousar
sem medos ou travas.
Que desavergonhadamente
entrega-se a ânsia do descobrir,
do viver despretensiosamente.
Que ri, que chora.

Que enfrenta dificuldades sim,
mas não desiste, resiste.
Faz-se mais forte e insiste.
E não perde o encanto!
Pelo contrário, tem aquela magia
que a todos contagia…

Vira força motriz
nos problemas do dia a dia.
Sustento da alma,
nutriente do pensamento.
No corpo faz a consagração,
o apaziguamento…
Sonha e viabiliza.
Disponibiliza.

Compreende, recolhe, avança.
Anda de braços dados com a vida,
de mãos entrelaçadas às minhas.
Amor de olho no olho, e visão no horizonte…
Amor que flui como água, envolve, abraça,
nutre e conduz.
Que ao namoro sempre induz…
Que não esquece, seduz…
Amor que é mestre e aprendiz.
Este é o amor que eu sempre quis.

Rosany Costa
Do site “A Voz da Poesia”

Frisson – na voz de Evandro Marinho

May302004

Queria um abraço hoje…

De repente deu vontade de um abraço.
Uma vontade de entrelaço, de proximidade…
de amizade, sei lá…

Talvez um aconchego que enfatize a vida
e amenize as dores…
Que fale sobre os amores,
que seja teimoso e ao mesmo tempo forte.

Deu vontade de poder rever
saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo
e preencha todo espaço
mas que faça lembrar do carinho,
que surge devagarzinho
da magia da união dos corpos,
das auras, sei lá…

Lembrar do calor das mãos
acariciando as costas a dizer… “estou aqui.”
Lembrar do trançar dos braços envolventes
e seguros afirmando “estou com você”…
Lembrar da transfusão de forças
com a suavidade do momento… sei lá…
abraço… abraço… abraço…
abraço… abraço… abraço…
abraço… abraço… abraço…

O que importa é a magia deste abraço!
A fusão de energia que harmoniza,
integra tudo, e que se traduz
no cosmo, no tempo e no espaço.
Só sei que agora deu vontade desse abraço!!
Que afaste toda e qualquer angústia.
Que desperte a lágrima da alegria,
e acalme o coração…
Que traduza a amizade,
o amor e a emoção.
E para um abraço assim
só pude pensar em você…
nessa sua energia,
nessa sua sensibilidade
que sabe entender o por quê…
dessa vontade desse abraço.

Autor: TrovadorPR
Voz: Sereníssima

Emprestado do site “A Voz da Poesia”

May262004

Amizade.

Muito se falou sobre amizade!
O que é e sua importância
Como devemos mantê-la
Que ela não se perde pela distância.

Muito se falou sobre amizade!
O que deve ser feito por ela
Como devemos respeitá-la
Enfim como fazê-la bela.

Mas não quero falar dessas obviedades
Não quero saber se ela é importante
Ou se para algo é impotente

Quero falar uma verdade
Que se tem alguém dela representante
São vocês, certamente!

a.d.

Recebi da minha amiga Chris, com uma foto dela como fundo que tiramos esse final de semana.

Só que lembrei de já ter lido esse poema no blog da Rachel (Garota Marota)… Lembro que achei lindo. Lembro também que ela havia escrito algumas coisas muito verdadeiras e resolvi voltar lá.

Ela disse: “Amizade é isso mesmo, nada tira sua importância, nem abalos sísmicos, falta de telefonemas, escritos, a distância não interfere em nada… E é isso que me tranquiliza, saber que quando eu puder voltar, terei todos meus amigos aqui, como se eu nunca tivesse ficado tanto tempo longe”. Dedico as palavras da Rachel às amigas Chris, Andréia e Ju, que muito bem me acolheram em minha estada em SP.

Mar182004

Você…

Há coisas lindas na vida:
Poesia,
Amor,
Você.

Poesia é linda porque é triste,
Amor é lindo porque existe,
Mas linda mesmo é VOCÊ.

Há coisas grandes na vida:
Amor,
Perdão,
Você.

Amor é grande, pois tudo isola,
Perdão é grande, pois consola,
Mas grande mesmo é VOCÊ.

Há coisas inexplicáveis na vida:
Deus,
Saudades,
Você.

Deus se ama, não se explica,
Saudade se justifica,
Mas como explicar VOCÊ?

Há coisas boas na vida:
Livros,
Carinhos,
Você.

Livros instruem a gente,
Carinhos, quem não os sente?
Mas bom mesmo para mim é VOCÊ.

Há coisas incompreensíveis na vida:
Crianças,
Sonhos,
Você.

Crianças, não sei se entendo,
Sonhos não os compreendo,
Só sei que amo VOCÊ.

obs: parabéns ao casal Giovani e Janaína, pelos primeiros quatro meses de estória juntos, e a todos os demais apaixonados desse mundo afora… Que sejam muito felizes.