Categoria: Relacionamento

Dec32012

Como fazer a escolha mais delicada de sua vida?

Escolher é difícil. Pergunte a um psicólogo e ele vai explicar por que gente obrigada a optar entre uma coisa e outra – qualquer que sejam essas coisas – sente ansiedade. Isso acontece em lojas de sapato, em restaurantes, na porta do cinema e até no sexo. Uma amiga me contou outro dia como foi estar numa festa e ter dois homens sedutores dando em cima dela. “Tive de escolher um deles, mas com um aperto no coração”, ela me disse. No dia seguinte, o bonitão que ela escolheu caiu no vácuo e nunca mais deu notícias. Escolher, ela aprendeu, é abrir mão de alguma outra coisa – e as consequências podem ser irreversíveis.

Infelizmente para nós, nem todas as escolhas são tão simples quanto a do sexo na balada. Penso na escolha mais delicada que a gente faz na vida, aquela que envolve os parceiros de longo prazo. Em que momento concluímos que uma pessoa deixou de ser apenas item de prazer ou fonte de encantamento e se tornou a criatura com quem vamos dividir a vida? Pode ser casando, comprando apartamento e tendo filhos, ou, de forma menos ritualizada, pondo os sentimentos e necessidades dela no centro da nossa vida, mesmo vivendo em casas separadas. O compromisso é parecido, assim como os caminhos que levam a ele.

A primeira coisa que conta nas grandes escolhas – eu acho – é a permanência. Ninguém tem direito a reivindicar um posto dessa importância sem ter ralado um tanto. Não adianta a Fulana decidir, em 30 dias, que vai ser sua mulher para o resto da sua vida. Não funciona assim. O teste do tempo é fundamental. Se aquela mulher ou aquele sujeito continua lá depois de todas as discussões e inevitáveis desencontros, se ela ou ele resolveu ficar depois de todas as chances de ir embora, se os seus sentimentos em relação a ele ou ela continuam vivos, um bom motivo há de haver.

É essencial, também, que a experiência de convívio seja boa. Amores tumultuados dão bons filmes e péssimas vidas. É essencial acordar no sábado e ter vontade de ficar mais tempo na cama, enrolado naquele ser ao seu lado. Se a conversa antes de dormir deixou de ser gostosa ou se qualquer programa parece mais interessante do que a companhia dela ou dele, para que insistir? O prazer que o outro proporciona é essencial. Prazer de transar, prazer de olhar, prazer de ouvir, prazer de simplesmente estar. Se você caminha pela rua com ela e os dois são capazes de rir um com o outro, algo vai bem. Se você passa a tarde com ele no sofá, lendo ou transando, e o dia parece perfeito, eis um bom sinal. A felicidade não tem receita, mas a gente percebe quando está funcionando.

Para que as coisas funcionem no longo prazo é essencial haver lealdade. Eu cuido, eu protejo, eu respeito – e você faz o mesmo comigo. Se você não sente que seus sentimentos e a sua vida são importantes para ele ou para ela, desista. Como o ambiente lá fora é hostil, é essencial saber que no interior da relação existe cumplicidade e abrigo, com um grau elevado de honestidade: você diz o que pensa e isso vai ajudar, ainda que doa. É impossível prometer que coisas ruins jamais irão acontecer, é falso garantir que os sentimentos permanecerão os mesmos para sempre, mas é essencial olhar nos olhos do outro e sentir a disposição de tentar, verdadeiramente, que seja assim. Aqui, agora, de todo o coração, tem de ser para sempre – ou então a gente nem começa.

Se tudo isso existir – e não é fácil – ainda fará falta um quarto elemento, essencial ao equilíbrio duradouro das relações: os planos. Se ele que ter cinco filhos e você não quer ser mãe, não vai rolar. Se ela quer levar uma vida de viagens e aventura e o seu sonho é ficar aqui mesmo, perto das famílias e dos amigos, não deu. Viver bem pressupõe afinidades essenciais de gosto, sentimento e expectativas, sem falar de ideologia. Todas essas coisas se refletem nos planos. Eu penso no amor como um voo de longa distância. O avião precisa estar carregado com o tempo da relação, com o prazer que ela proporciona e com a lealdade em que ela está baseada – mas as pessoas ainda têm de concordar sobre o destino. Se eu quero ir à Tóquio e você à Nova York, precisamos embarcar em vôos diferentes.

Ivan Martins

Jun92012

Amor só funciona em liberdade…

Eu, Cirilo Veloso Moraes, ganho muitos livros de meus amigos e amigas. Talvez por saberem do meu prazer infinito pela leitura. Talvez por quererem uma opinião minha a respeito de um determinado assunto. Talvez por… Sei lá… Mas o fato é que vez por outra aparece um amigo ou amiga com um livro e diz “Acho que irás gostar…” ou “Você precisa ler este livro!”. Bem, estava lendo um livro que ganhei da amiga Diana Torres dia desses. “Onze Minutos“, de Paulo Coelho, e me deparei com um trecho que me chamou atenção. Um trecho do Diário de Maria que fala sobre a ideia do amor verdadeiro, consubstanciado na liberdade, no movimento, e não na prisão que alguns insistem em querer colocá-lo. Compactuo desta ideia e por isso compartilho agora aqui com vocês:

Era uma vez um pássaro. Adornado com um par de asas perfeitas e plumas reluzentes, coloridas e maravilhosas. Enfim, um animal feito para voar livre e solto no céu, e alegrar quem o observasse.

Um dia, uma mulher viu o pássaro e apaixonou-se por ele. Ficou a olhar o seu voo com a boca aberta de espanto, o coração batendo mais rapidamente, os olhos brilhando de emoção. Convidou-o para voar com ela, e os dois viajaram pelo céu em completa harmonia. Ela admirava, venerava, celebrava o pássaro.

Mas então pensou: talvez ele queira conhecer algumas montanhas distantes! E a mulher sentiu medo. Medo de nunca mais sentir aquilo com outro pássaro. E sentiu inveja, inveja da capacidade de voar do pássaro.

E sentiu-se sozinha.

E pensou: “Vou montar uma armadilha. Da próxima vez que o pássaro surgir, ele não partirá mais”.

O pássaro que também estava apaixonado, voltou no dia seguinte, caiu na armadilha, e foi preso na gaiola.

Todos os dias ela olhava o pássaro. Ali estava o objecto da sua paixão, e ela mostrava-o às suas amigas, que comentavam: “Mas tu és uma pessoa que tem tudo”. Entretanto, uma estranha transformação começou a processar-se: como tinha o pássaro, e já não precisava de o conquistar, foi perdendo o interesse. O pássaro, sem poder voar e exprimir o sentido da sua vida, foi definhando, perdendo o brilho, ficou feio – e a mulher já não lhe prestava atenção, apenas prestava atenção à maneira como o alimentava e como cuidava da sua gaiola.

Um belo dia, o pássaro morreu. Ela ficou profundamente triste, e passava a vida a pensar nele. Mas não se lembrava da gaiola, recordava apenas o dia em que o vira pela primeira vez, voando contente entre as nuvens.

Se ela se observasse a si mesma, descobriria que aquilo que a emocionava tanto no pássaro era a sua liberdade, a energia das asas em movimento, não o seu corpo físico.

Sem o pássaro, a sua vida também perdeu sentido, e a morte veio bater à sua porta. “Por que vieste?” perguntou à morte.

“Para que possas voar de novo com ele nos céus” respondeu a morte. “Se o tivesse deixado partir e voltar sempre, você o amaria e o admiraria ainda mais; porém agora você precisa de mim para poder encontrá-lo de novo.

Li há muito tempo uma frase que dizia assim: “Amo a liberdade. Por isso, as pessoas que amo deixo livres; se voltarem é porque as conquistei; se não voltarem é porque nunca as tive.”

De fato, segundo minha experiência e do que aprendi na vida, o amor só funciona em liberdade.

Lembro de uma história que aconteceu com dois amigos próximos (quem me conhece talvez já tenha me ouvido contá-la algumas vezes).

Eles não se conheciam… Ela era uma menina linda. Era alegre, sorridente, reluzia um brilho inigualável quando andava, quando dançava, quando sorria extrovertida pelos quatro cantos onde passava… Ele era um rapaz igualmente lindo, tinha “presença”, chamava atenção dos olhares femininos. Ambos amigos meus. Num belo dia nos encontramos e lá estava ela dançando, falando com todo mundo, marcando presença e deixando o ambiente mais belo do que de costume. Ele a viu me abraçar e me dar um beijo bem grande, como só os intensos e verdadeiros sabem dar, e me perguntou: “Amiga sua?!”. Respondi que sim. Ele ficou encantando, não o culpo. Afinal, era dela que estávamos falando. “Me apresenta!” – insistiu. Adverti: “Você é ciumento, possessivo; é “presença”, mas inseguro. Não vai aceitar o jeito livre dela de ser…” “Que nada! Eu quero conhecê-la! Me apresenta!”. “Está bem….”. Apresentei os dois. Ela também se agradou dele. Afinal, o aparente geralmente nos prega cada peça… O fato é que começaram a namorar, super apaixonados. Adverti aos dois: “Vocês não combinam. São muito diferentes. Você livre; ele controlador. Pensem bem…” Ignoraram-me e seguiram… Ele, no começo, fazia vista grossa para o jeito expansivo e livre dela. Casaram. Tiveram dois filhos. Depois de um tempo, começou a querer limitá-la, como eu já previra desde o primeiro momento. Ela, por gostar dele, foi mudando… E murchando… E perdendo o seu brilho natural. Não mais tinha espontaneidade de falar com todos, não dançava mais, não brilhava. Deixou de ser o pássaro lindo que era. Tinha asas, mas esqueceu-se de como era maravilhoso voar… Já não cantava mais. Definhou.

E até hoje esse exemplo prático que aconteceu bem debaixo dos meus olhos não me sai da cabeça e me deixa com a certeza de não querer algo nem de longe parecido para minha vida. Quero apenas o que me for semelhante. Apenas alguém que me aceite como sou, que me estimule, que incentive o meu melhor, o que eu sou e o que me faz feliz. A ideia do “você faz por mim, eu faço por você e assim seremos felizes”. Se me amar, deixe-me livre para ser quem sou. Assim, do meu jeito. Louco. Livre. Porque como disse Lispector, liberdade é pouco. O que eu quero ainda não tem nome.

Camille Saint-Saëns – The Carnival of the Animals, The Swan

Sep162011

Amar sinceramente; não por conveniência.

“… Quando derdes um jantar ou uma ceia, não convideis, nem vossos amigos, nem vossos irmãos, nem vossos parentes, nem vossos vizinhos que forem ricos, de modo que eles vos convidem em seguida, a seu turno, e que, assim, retribuam o que haviam recebido de vós…” (Capítulo 13, item 7, do Evangelho Segundo o Espiritismo)

Fazer o bem pelo único prazer de fazê-lo, amar sinceramente dando o melhor de nós mesmos sem pensar em retribuições – eis a base do amor incondicional.

A sinceridade é o melhor antídoto para afastar falsas amizades. Convidar à mesa os pobres, os estropiados, os coxos e os cegos – na recomendação de Jesus – é angariar relacionamentos satisfatórios, leais, estimulantes, sem segundas intenções.

Talvez por querermos levar vantagens e proveito em tudo, tenhamos atraído para o nosso círculo afetivo amizades vazias, distorcidas, que representam verdadeiros parasitas de nossas energias. Por isso nos sentimos, algumas vezes, inadaptados ao meio em que vivemos.

Mas se amarmos por amar, encontraremos criaturas que não se preocuparão com as escalas hierárquicas e nos aceitarão como somos. Não esperarão de nós toda a sabedoria para todas as respostas, apenas compartilharão conosco o carinho de bons amigos.

O refrão da conveniência é:
- Vou te amar se…
Se me recompensares, serei teu amigo.
Se me convidares, eu te prestigiarei.
Se ficares sempre a meu lado, eu te amarei.
Se concordares comigo, concordarei contigo.

Jesus nos pede desinteresse nas relações, e não imposições de conformidade com as nossas paixões. Ele nos ensina a lição de não manipularmos ocasiões, porque toda cobrança fragiliza relacionamentos, e em verdade é uma questão de tempo para que tudo venha a ruínas.

Os sentimentos verdadeiros não são mercadorias permutáveis, mas alimentos nutrientes das almas, os quais nos dão fortalecimento durante as provas e reerguimento perante as lutas expiatórias.

Quando esperamos que os outros supram nossas carências e nos façam felizes gratuitamente, não estamos de fato amando, mas explorando-os.

Ao identificarmos jogos de manipulação, procuremos relembrar nossa verdadeira missão na Terra, pois sabemos que não viemos a este mundo a fim de agradar aos outros ou viver à moda deles, mas para aprender a amar a nós mesmos e aos outros, sem condições.

Em muitas ocasiões, fundimos nossos sentimentos com os de outros seres – cônjuge, pais, filhos, amigos, irmãos – e perdemos nossas fronteiras individuais, por ser momentaneamente conveniente e cômodo. A partir daí, esperamos sempre retribuições deles, nossos amados, e sofreremos se eles não fizerem tudo como desejamos.

Esquecemos de abrir o círculo da afetividade para outros seres e não percebemos o quanto é saudável e imensamente vitalizante essa postura. Continuamos a convidar à mesa somente aqueles com quem fazemos questão de compartilhar mútuos interesses.

Embora, de início, não avaliemos o mal que essa atitude nos causa, é provável que soframos a solidão num amanhã bem próximo, pois os laços afetivos podem ser desfeitos pela morte física ou por separações outras. Por termos restringido esses vínculos afetivos, sentiremos certamente a tristeza de quem se acha só e abandonado como se tivesse perdido o chão.

A observação dos jogos sociais dar-nos-á sempre uma real percepção de onde e quando existem encontros unicamente realizados para a busca de vantagens pessoais. E para que possamos promover autênticos encontros, providos de sinceridade e boas intenções, é preciso sejamos primeiramente honestos com nós mesmos, para atrairmos as legítimas aproximações, através de nossos pensamentos e propósitos de franqueza.

A vantagem dos relacionamentos sinceros é uma abertura de nossa afetividade em círculos cada vez maiores, que, por sua vez, edificarão uma atmosfera de carinho e lealdade em torno de nós mesmos, atraindo e induzindo criaturas francas e maduras a partilhar conosco toda uma existência no Amor.

Do livro “Renovando Atitudes”, de Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por Hammed.

Apr12011

O bom mesmo é ser o Paulo Zulu

Quem já usou o Orkut sabe que logo na página inicial é possível dar uma “geral” sobre o perfil respondendo algumas perguntas preparadas pela equipe do site.

Dentre elas, há uma bem interessante: O que você gosta de fazer? Do que você mais gosta? Algo do tipo.

Um amigo meu respondeu o seguinte: “Gosto quando estou esperando o ônibus e ele chega rápido!”. Perfeito! É o alívio somado à satisfação da esperança saciada. Quase um orgasmo coletivo, por conta de um coletivo… (isso foi pésimo!)

Logo lembrei-me de uma antiga amiga/ficante/peguete que me fez pergunta semelhante quando estávamos nos conhecendo. Coisas como “donde cê rem”, “donde cê mora”… E por aí vai…

Eu respondi que gostava da sensação de estar me recuperando de uma gripe. Ela me olhou com uma cara de quem assiste a uma cena de filme pornô protagonizada entre o Cauby Peixoto e a Roberta Miranda; exatamente esta cara que você fez agora, não sabe se ri, não sabe se chora.

Expliquei-lhe que a sensação de ressurgimento, de recuperação, é muito gratificante. Ela concordou, mas me disse que o melhor mesmo era estar sempre bem e fez uma cara de quem assiste a uma cena de filme pornô protagonizada entre o Luciano Huck e a Angélica (casalzinho insosso, né? Tenho certeza que você torceu a boca e franziu a testa).

Não sou louco a ponto de dizer que não seria melhor estar sempre bem, mas será que alguém consegue estar sempre bem?

Sempre há uma conta, uma palavra, situação, sinal fechado, tempo nublado, diarréia, fio de cabelo (não uso paletó, ainda bem) que “atrapalham” nossa plenitude.

Sabendo disso, contra-argumentei para a amiga/ficante/peguete: já que não sou imune e a dor é inevitável, que eu encontre uma forma de sentir prazer, mesmo com a dor.

O alívio de conseguir me recuperar e o tempo de molho por conta da doença me faziam pensar no que realmente importa na vida. Me faziam sentir confiança em mim mesmo e seguir em frente. Me faziam dar muito mais valor ao que eu tinha.

Ela arregalou os olhos, deu um suspiro e fez uma cara de quem assiste a uma cena de filme pornô protagonizado entre o Paulo Zulu e a Sheila Carvalho (entendam, tenho 32 anos…). Ela finalmente entendeu a questão. Encerramos a conversa. Protagonizamos nosso próprio filme.

Vi em algum lugar que a dor, em qualquer de suas esferas, é a mais eficiente forma de aprendizado. Concordo plenamente.

Ela nos faz parar pra pensar no que realmente importa, o que realmente se quer nesta passagem pela terra.

Já já iremos embora, mas em tão pouco tempo conseguimos criar tantos problemas, tantas mágoas, que as reencarnações tornam-se eventos de progressão geométrica.

Estou tentando me recuperar de um relacionamento extremamente complicado, cheio de dúvidas, brigas, orgulhos, angústias…

Ambos erramos, ambos amamos demais, e, agora, ambos pagamos caro por isso.

A dor tem-me feito repensar tudo que aconteceu neste último relacionamento, mas também me leva a tempos mais remotos.

Percebo que o problema não sou eu, ou ela… a questão é coletiva, é universal. Todo mundo está insatisfeito, seja com uma conta, uma palavra, situação, sinal fechado, tempo nublado, diarréia, fio de cabelo (lembra da música do Chitãozinho… ?)

Em relacionamentos anteriores eu também tinha problemas parecidos, com mulheres diferentes…eu continuo sozinho, elas também…

É preciso saber viver, pois se até mesmo o rei não tem Maria Rita, imagine eu querer Fulana de volta?

O Japão tá lascado, Kadáfi encurralado, o Sport investindo em pecuária e eu preocupado com meu mundinho… grande bobagem!

Está sendo difícil, a dor tem sido uma companheira insaciável. Mas, como a gripe, resurgirei melhor, mais forte e com menos problemas agregados (eu espero).

Em tempos de recuperação, as reflexões são tão profundas que me levam a entender que uma cena (pornô, lógico) entre a Sheila Carvalho e a Dani Bolina seria lindo, mas o melhor mesmo é quando a amiga/ficante/peguete pensa no Paulo Zulu!

Mário Figueirôa

* * *

“Acontece que a história não tem pressa, o amor se conquista passo a paso, o ciúme é a véspera do fracasso e o fracassso provoca o desamor”

Romance da Bela Inês – Alceu Valença

Jul192010

Sem liberdade para ousar…

Numa pequena granja, havia um frango que se destacava dentre todos os outros pela coragem, pelo espírito de aventura e pela ousadia. Andava por onde queria, mas o dono não apreciava suas qualidades.

Um dia, vendo que nada o segurava dentro da granja, resolveu puní-lo. Fincou um bambu longe da granja, no meio do pomar, arrumou um barbante e amarrou o frango. De repente, o mundo tão amplo que a ave tinha foi reduzido a uma distância à qual o barbante lhe permitia chegar. De tanto andar nesse círculo, a grama, que era verde, foi desaparecendo e ficou somente a terra.

Depois de um tempo, o dono acreditou que o castigo já estava dado, pois o frango, que era tão inquieto e audacioso, havia se tornado pacato e desinteressado. Então, cortou o barbante que lhe prendia o pé e o deixou solto. Agora estava livre, poderia ir aonde quisesse. Mas, estranhamente, o frango mesmo solto não ultrapassava o limite que lhe havia sido imposto. Só ciscava e andava dentro do círculo que criara. Olhava para o lado de fora, mas não tinha coragem suficiente para se aventurar e sair do seu espaço. Preferiu ficar do lado conhecido. Com o passar do tempo, envelheceu e ali morreu.

a.d.

* * *

Esse pequeno texto pode servir para pensarmos em várias situações…

Pais podem pensar na educação que dão aos seus filhos. Será que estão incentivando seus filhos a ousar e a descobrir novos horizontes ou só fazem reclamar e tolher a criatividade e ousadia deles?

Empregadores podem pensar no relacionamento que têm com seus empregados. Será que alimentam na mente dos empregados a ideia de que eles são parceiros e os estimulam a aprimorar e a reinventar os valores da empresa?

Cônjuges e namorados podem pensar em suas relações com seus parceiros. Se eu me apaixonei por ela assim, livre, leve e solta, que mais parecia uma linda ave a me enebriar com o seu bater de asas ao vento… se me apaixonei por ela assim, por que hoje insisto em tê-la presa em uma gaiola sufocante que tolhe a liberdade dela ser quem é e a impede de cantar e brilhar como só ela consegue fazê-lo?

Reflitam sobre isso… Lembrem-se que sem liberdade para ousar, sem liberdade para ser quem se é, a vida se torna monótona, sem entusiasmo, desinteressante.

Camille Saint-Saëns – The Carnival of the Animals, The Swan

Jun112010

Você sabe viver sozinho?

“A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado”

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei, se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesma. Elas estão começando a perceber que se sente fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.

Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.

Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.

Flávio Gikovate, psicoterapeuta

* * *

Perfeito! Vivo dizendo isso.

Basicamente, se eu tivesse que escolher duas passagens para que vocês guardassem aí dentro de vocês, seriam elas:

“A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.”

E “A nova forma de amor visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.”

Reflitam.

Waving Flag – K’Naan

May102010

A auto-estima de nossos filhos

Ontem foi dia das mães. Todas elas sendo homenageadas e paparicadas porque, pelo menos a maioria delas, merecem. Ok. Mas fiquei pensando em algumas mães que conheço e comecei a divagar: Será que são mesmo boas mães? Será que sabem educar seus filhos? Que tipo de adultos eles se tornarão com a “educação” que recebem? Já que pequenos detalhes fazem muita diferença no futuro deles, será que elas estão atentas a esses detalhes?

E refletindo sobre isso lembrei-me de um artigo do Stephen Kanitz. Ele não é direcionado às mães apenas, mas aos pais de um modo geral. Ei-lo:

Uma semana depois de minha esposa e eu decidirmos começar uma família, entramos numa livraria e compramos dois livros sobre como educar filhos. Por uma série de razões os dois filhos só nasceram seis anos depois e acabamos lendo não dois, mas 36 livros. Se dependesse de teoria, estávamos preparados. Hoje eles estão crescidos e um amigo me perguntou que livros nós havíamos utilizado mais. Foi uma boa pergunta que demorei a responder. Usamos um livro só, um que educava mais os pais do que os filhos. Intitula-se ‘A Auto-Estima do Seu Filho’ de Dorothy Briggs, e o título já diz tudo.

A tese do livro é como agir para nunca reduzir a auto-estima do seu filho: elogiá-lo frequentemente, ouvir sempre suas pequenas conquistas, festejar as suas pequenas vitórias, nunca mentir ou exagerar neste intento, em suma mostrar a seus filhos seu verdadeiro valor. Ao contrário dos que defendem os demais livros, não é uma boa educação, nem disciplina, nem muito amor e carinho, ou uma família bem estruturada que determinam o sucesso de nossos filhos, embora tudo isto ajude.

A sacada mais importante do livro, no nosso entender, foi a constatação que filhos já nascem com uma elevada auto-estima, e que são os pais que irão sistematicamente arruiná-la com frases como: ‘Seu imbecil!’, ‘Será que você nunca aprende?’, ‘Você ficou surda?’. Jean Jacques Rousseau errou quando disse que “o homem nasce bom, mas é a sociedade que o corrompe”. São os próprios pais que se encarregam de fazer o estrago.

Por exemplo: você, pai ou mãe, chega do trabalho e encontra seu filho pendurado na cadeira: ‘Desça já seu idiota, vai torcer o seu pescoço’. Para Dorothy, a resposta politicamente correta seria ‘Desça já, mamãe tem medo que você possa se machucar’. Primeiro porque seu filho não é um idiota, ele assume riscos calculados. Segundo são os pais, com suas neuroses de segurança, que têm medo de cadeiras.

Quando nossos dois filhos começaram a aprender a pular, entre três e quatro anos de idade, desafiava-os para um campeonato de salto a distância. Depois de algumas rodadas, seguindo a filosofia do livro, deixava-os ganhar. Ficavam muito felizes, mas qual não foi a minha surpresa quando na sétima ou oitava rodada, eles começavam a me dar uma colher de chá, deixando que eu ganhasse. Que lição de cidadania: criança com boa auto-estima não é egoísta e se torna solidária.

Eu não tenho a menor dúvida de que os problemas que temos no Brasil em termos de ganância empresarial, ânsia em ficar rico a qualquer custo que leva à corrupção, advêm de um pai ou uma mãe que nunca se preocuparam com a auto-estima de seus filhos.

Eu acho que políticos, professores e intelectuais, na maioria desesperados em se autopromover, jamais darão oportunidades para outros vencerem, como até crianças de três anos são capazes de fazer. A fogueira das vaidades só atinge os inseguros com baixa auto-estima.

Alguns pais fazem questão até de vencer seus filhos nos esportes para acostumá-los às agruras da vida, como se a vida já não destruísse a nossa auto-estima o suficiente.

A teoria é simples, mas a prática é complicada. Uma frase desastrada pode arruinar o efeito de 50 elogios bem dados. ‘Meu marido queria que o segundo fosse um menino, mas veio uma menina’. Imaginem o efeito desta frase na auto-estima da filha. Portanto, quanto mais cedo consolidar a auto-estima melhor.

Esta tese, porém, tem seus inconvenientes. Agora que meus filhos são muito mais espertos, inteligentes e observadores do que eu, tenho que ouvir frases como: ‘É isto aí Pai’, ‘Faremos do seu jeito, pai’, tentativas bem-intencionadas de restaurar a minha abalada auto-estima.

Oct282009

Cada relação é diferente da outra

Se você já se decepcionou com conflitos em suas relações com amigos ou com pessoas queridas, precisa compreender que cada relação é única. Não deixe que problemas com uma pessoa convençam você de que não tem capacidade para desenvolver uma boa amizade ou ser um parente amoroso.

* * *

Jane tem um bom relacionamento com seus pais e com seu irmão, mas nunca se deu bem com sua irmã.

Ela se sente frustrada com isso e está sempre tentando entender a causa dessa dificuldade. “O que há de errado comigo?”, Jane se pergunta. Mas o modo de ser e as atitudes de Jane, que produzem um efeito tão positivo em seus pais e em seu irmão, parecem irritar e incomodar sua irmã.

Jane, às vezes, pensa em mudar para agradar a irmã, mas isso não só seria artificial, como teria um impacto negativo em seus outros relacionamentos.

Por que não podemos ter relações positivas com todo mundo? A resposta, dizem os psicólogos da Universidade McGill, no Canadá, é que “as pessoas são complexas demais, têm inúmeras facetas”, e não podemos esperar que reajam todas da mesma maneira.

O que podemos fazer? Precisamos saber que não é por uma falha nossa; que, apesar de nos darmos bem com a maioria das pessoas a quem amamos, somos rejeitados por algumas.

Esta é a realidade: as pessoas são diferentes e é impossível agradar a todas.

Os pesquisadores nos tranqüilizam: “Para se sentirem satisfeitas, as pessoas não precisam ter relacionamentos felizes com todo mundo. O que elas precisam é alegrar-se com seus relacionamentos felizes e administrar da melhor maneira possível os relacionamentos problemáticos.

* * *

Os pesquisadores descobriram que não havia diferença entre a felicidade das pessoas ligadas basicamente aos amigos e a daquelas ligadas basicamente à família.

As pessoas têm capacidade de ser felizes a partir dos relacionamentos disponíveis e não precisam que todas as relações tenham a mesma qualidade de afeto e afinidade.

Takahashi, Tamura e Tokoro

Oct232009

Vacilou, tá na net

sensualPrimeiramente quero dizer que este post não é recomendado para meninas que tenham menos de 12 anos, pois que consideradas como crianças. Segundo, se você é paraquedista e chegou aqui procurando fotos de mulheres nuas ou videos de sexo, saia logo, pois não encontrará nenhum. Este post é na verdade um alerta endereçado a todas as mulheres maiores de 12 anos, quer sejam solteiras, quer tenham namorado, noivo, marido, ou algo do gênero.

Sim, este post é um alerta para você, minha cara (e aqui me deixe falar diretamente a você leitora).

Vamos aos fatos: Eu, Cirilo Veloso Moraes, sou homem, maior de idade, muito bem casado e tenho muitos amigos. E homem, em geral, adora sacanagem. Ainda que seja fiel e leal a sua parceira, adora ver fotos e videos de mulheres nuas. Não fosse isso, a PlayBoy e outras revistas do gênero não teriam tanto sucesso de vendas. O fato é que eu recebo em média 60 e-mails de sexo explícito (ou para os mais puritanos, “de conteúdo adulto”) diariamente. Isso mesmo: 60 e-mails com fotos e videos de mulheres nuas em posições eróticas e sexo explícito todos os dias em minha caixa de entrada. Todos vindos de amigos, pais de amigos, colegas de trabalho, etc; enfim, de homens. Desses 60, metade em média são entitulados “Vacilou tá na net”, ou variações como “Bobeou tá na net”, “Vacilou, caiu na rede”, “Confiou no namorado, caiu na rede”, e por aí vai… Ou seja, 30 e-mails em média todos os dias com fotos de mulheres comuns em situações íntimas, fotos caseiras da intimidade do casal, quer seja em casa, quer seja em um motel, na garagem do prédio, no carro, etc.

Sabe o que me impressiona? É a falta de respeito que os homens têm pelas mulheres. A intimidade de um casal é inviolável, não dá para compartilhar, é do casal e ponto. A menos que sejam exibicionistas e queiram se mostrar… Mas em regra as pessoas, principalmente as mulheres, querem manter a vida íntima apenas entre elas e seus parceiros. Por que um homem disponibiliza na internet fotos e videos de uma mulher com quem tenha se relacionado? – você pode me perguntar. Respondo na lata: Geralmente é porque a parceira terminou o relacionamento e ele quer “se vingar” expondo-a publicamente. Se não for isso, é por calhordisse mesmo, nos casos de relacionamentos eventuais, ou como diz um amigo meu, no caso de “sexo avulso”. Mas sabe o que me impressiona mais? É que as mulheres se deixam fotografar e filmar…

Onde eu quero chegar com tudo isso? Quero apenas alertar você, mulher, para ter cuidado com sua intimidade. Eu prefiro até ser radical e dizer “Não confie em homem nenhum!”; ao menos para isso. Não se deixe expor para máquinas fotográficas digitais, nem filmadoras. Exiba-se para ele a dois, a sós, mas registre somente na memória sua e dele. “Ah, Cirilo, mas eu amo meu homem, confio nele e ele adora me filmar e tirar fotos minhas nuas na cama”, “Ah, Cirilo, mas ele não seria capaz”, “Ah, Cirilo, ele é diferente da maioria”. Ok… Ele pode até ser exceção, mas arriscar que ele faça parte da minoria pífia e não da maioria esmagadora não é muito inteligente.

De qualquer forma, a escolha é sua. Mas não se surpreenda se vocês terminarem e suas fotos e videos vierem parar na minha caixa de entrada.

Beyoncé – Halo

Oct92009

Procure um amante

amanteEu já publiquei este texto aqui há mais de 5 anos atrás, mas uma leitora relatou um pouco de sua vida por e-mail e eu me lembrei dele. Por isso, republico-o para vocês. Afinal, nunca é demais lembrar a importância de se apaixonar pela vida, de procurar algo ou alguém para enamorar-se. Ei-lo:

“Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm, e as que tinham e perderam. Geralmente, são essas últimas as que vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro, dores etc.

Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.

Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme:

‘Depressão’, além da inevitável receita do anti-depressivo do momento.

Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que não precisam de nenhum anti-depressivo; digo-lhes que precisam de um AMANTE!

É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho.

Há as que pensam: ‘Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?!’ Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.
Aquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte:

AMANTE é ‘aquilo que nos apaixona’, é o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.

O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.

Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.

Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto…

Enfim, é ‘alguém’ ou ‘algo’ que nos faz ‘namorar’ a vida e nos afasta do triste destino de ‘ir levando’.

E o que é ‘ir levando’? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.

Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã*.

Por favor, não se contente com ‘ir levando’; procure um amante, seja também um amante e um protagonista … DA SUA VIDA!

Acredite: O trágico não é morrer, afinal, a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver. Por isso, e sem mais delongas, procure um amante …

A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo Transcendental: ‘PARA SE ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA.’”

Jorge Bucay

Retrato – Forró do Muído