Categoria: Sentimentos

Dec32012

Como fazer a escolha mais delicada de sua vida?

Escolher é difícil. Pergunte a um psicólogo e ele vai explicar por que gente obrigada a optar entre uma coisa e outra – qualquer que sejam essas coisas – sente ansiedade. Isso acontece em lojas de sapato, em restaurantes, na porta do cinema e até no sexo. Uma amiga me contou outro dia como foi estar numa festa e ter dois homens sedutores dando em cima dela. “Tive de escolher um deles, mas com um aperto no coração”, ela me disse. No dia seguinte, o bonitão que ela escolheu caiu no vácuo e nunca mais deu notícias. Escolher, ela aprendeu, é abrir mão de alguma outra coisa – e as consequências podem ser irreversíveis.

Infelizmente para nós, nem todas as escolhas são tão simples quanto a do sexo na balada. Penso na escolha mais delicada que a gente faz na vida, aquela que envolve os parceiros de longo prazo. Em que momento concluímos que uma pessoa deixou de ser apenas item de prazer ou fonte de encantamento e se tornou a criatura com quem vamos dividir a vida? Pode ser casando, comprando apartamento e tendo filhos, ou, de forma menos ritualizada, pondo os sentimentos e necessidades dela no centro da nossa vida, mesmo vivendo em casas separadas. O compromisso é parecido, assim como os caminhos que levam a ele.

A primeira coisa que conta nas grandes escolhas – eu acho – é a permanência. Ninguém tem direito a reivindicar um posto dessa importância sem ter ralado um tanto. Não adianta a Fulana decidir, em 30 dias, que vai ser sua mulher para o resto da sua vida. Não funciona assim. O teste do tempo é fundamental. Se aquela mulher ou aquele sujeito continua lá depois de todas as discussões e inevitáveis desencontros, se ela ou ele resolveu ficar depois de todas as chances de ir embora, se os seus sentimentos em relação a ele ou ela continuam vivos, um bom motivo há de haver.

É essencial, também, que a experiência de convívio seja boa. Amores tumultuados dão bons filmes e péssimas vidas. É essencial acordar no sábado e ter vontade de ficar mais tempo na cama, enrolado naquele ser ao seu lado. Se a conversa antes de dormir deixou de ser gostosa ou se qualquer programa parece mais interessante do que a companhia dela ou dele, para que insistir? O prazer que o outro proporciona é essencial. Prazer de transar, prazer de olhar, prazer de ouvir, prazer de simplesmente estar. Se você caminha pela rua com ela e os dois são capazes de rir um com o outro, algo vai bem. Se você passa a tarde com ele no sofá, lendo ou transando, e o dia parece perfeito, eis um bom sinal. A felicidade não tem receita, mas a gente percebe quando está funcionando.

Para que as coisas funcionem no longo prazo é essencial haver lealdade. Eu cuido, eu protejo, eu respeito – e você faz o mesmo comigo. Se você não sente que seus sentimentos e a sua vida são importantes para ele ou para ela, desista. Como o ambiente lá fora é hostil, é essencial saber que no interior da relação existe cumplicidade e abrigo, com um grau elevado de honestidade: você diz o que pensa e isso vai ajudar, ainda que doa. É impossível prometer que coisas ruins jamais irão acontecer, é falso garantir que os sentimentos permanecerão os mesmos para sempre, mas é essencial olhar nos olhos do outro e sentir a disposição de tentar, verdadeiramente, que seja assim. Aqui, agora, de todo o coração, tem de ser para sempre – ou então a gente nem começa.

Se tudo isso existir – e não é fácil – ainda fará falta um quarto elemento, essencial ao equilíbrio duradouro das relações: os planos. Se ele que ter cinco filhos e você não quer ser mãe, não vai rolar. Se ela quer levar uma vida de viagens e aventura e o seu sonho é ficar aqui mesmo, perto das famílias e dos amigos, não deu. Viver bem pressupõe afinidades essenciais de gosto, sentimento e expectativas, sem falar de ideologia. Todas essas coisas se refletem nos planos. Eu penso no amor como um voo de longa distância. O avião precisa estar carregado com o tempo da relação, com o prazer que ela proporciona e com a lealdade em que ela está baseada – mas as pessoas ainda têm de concordar sobre o destino. Se eu quero ir à Tóquio e você à Nova York, precisamos embarcar em vôos diferentes.

Ivan Martins

Mar262012

A grande felicidade é soma das pequenas felicidades.

A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro. Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-de-sol aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, uma mulher que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir… São situações e momentos que vamos empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até grandes (ainda que fugazes) alegrias.

‘Eu contabilizo tudo de bom que me aparece’, diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática. ‘Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo.’ Elis conta que cresceu esperando a felicidade com letras maiúsculas e na primeira pessoa do plural: ‘Eu me imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares mágicos’. Agora, viajando com freqüência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz no singular: ‘Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de pura felicidade. Olho a paisagem, canto e sinto um bem-estar indescritível’.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: ‘Comigo mesma’, respondeu. ‘Adoro conversar com pessoas inteligentes’. Criada para viver grandes momentos, grandes amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha ‘dieta de felicidade’ o uso moderadíssimo da palavra ‘quando’. Aquela história de ‘quando eu ganhar na Mega Sena’, ‘quando eu me casar’, ‘quando tiver filhos’, ‘quando meus filhos crescerem’, ‘quando eu tiver um emprego fabuloso’ ou ‘quando encontrar uma mulher que me mereça’. Tudo isso serve apenas para nos distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje.

Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigas. E quem for ruim de contas recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição, que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos. Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso de espera.

L. Ferreira.

Jul252011

Ligações Eternas

Depois de um de meus seminários de treinamento, uma participante me contou uma história maravilhosa.

Desde menina, quando deixava pender a mão sobre a beirada da cama, outra mão afetuosa segurava a sua e ela se sentia tranquilizada, por mais ansiosa que estivesse. Muitas vezes, quando sua mão acidentalmente pendia para fora da cama e o toque da outra mão a surpreendia, ela, num reflexo, jogava a cabeça para trás e isso punha fim ao contato.

Ela sempre sabia quando procurar a mão a fim de sentir-se tranquilizada. Naturalmente, não havia forma física alguma em torno ou embaixo da cama.

Ao crescer, a mão a acompanhou. Casou-se, mas nunca falou ao marido a respeito dessa experiência, por achá-la infantil.

Quando ficou grávida do primeiro filho, a mão desapareceu. Ela sentiu falta de sua companhia afetuosa e familiar. Não havia outra mão que segurasse a sua daquela mesma maneira cheia de amor.

O bebê nasceu, uma linda menina. Pouco depois do nascimento, estava deitada na cama com a filha, quando esta lhe segurou a mão. Um forte e súbito reconhecimento daquele antigo toque inundou-lhe a mente e o corpo.

O seu protetor retornara. Ela chrorou de felicidade, sentindo uma grande onda de amor e uma conexão que sabia existir muito além do mundo físico.

Excerto do Livro “Só o amor é real“, de Brian Weiss.

* * *

Ligações verdadeiras são eternas. Transcendem o tempo e nos acompanham para sempre.

Theme from Dying Young – Kenny G

Apr12011

O bom mesmo é ser o Paulo Zulu

Quem já usou o Orkut sabe que logo na página inicial é possível dar uma “geral” sobre o perfil respondendo algumas perguntas preparadas pela equipe do site.

Dentre elas, há uma bem interessante: O que você gosta de fazer? Do que você mais gosta? Algo do tipo.

Um amigo meu respondeu o seguinte: “Gosto quando estou esperando o ônibus e ele chega rápido!”. Perfeito! É o alívio somado à satisfação da esperança saciada. Quase um orgasmo coletivo, por conta de um coletivo… (isso foi pésimo!)

Logo lembrei-me de uma antiga amiga/ficante/peguete que me fez pergunta semelhante quando estávamos nos conhecendo. Coisas como “donde cê rem”, “donde cê mora”… E por aí vai…

Eu respondi que gostava da sensação de estar me recuperando de uma gripe. Ela me olhou com uma cara de quem assiste a uma cena de filme pornô protagonizada entre o Cauby Peixoto e a Roberta Miranda; exatamente esta cara que você fez agora, não sabe se ri, não sabe se chora.

Expliquei-lhe que a sensação de ressurgimento, de recuperação, é muito gratificante. Ela concordou, mas me disse que o melhor mesmo era estar sempre bem e fez uma cara de quem assiste a uma cena de filme pornô protagonizada entre o Luciano Huck e a Angélica (casalzinho insosso, né? Tenho certeza que você torceu a boca e franziu a testa).

Não sou louco a ponto de dizer que não seria melhor estar sempre bem, mas será que alguém consegue estar sempre bem?

Sempre há uma conta, uma palavra, situação, sinal fechado, tempo nublado, diarréia, fio de cabelo (não uso paletó, ainda bem) que “atrapalham” nossa plenitude.

Sabendo disso, contra-argumentei para a amiga/ficante/peguete: já que não sou imune e a dor é inevitável, que eu encontre uma forma de sentir prazer, mesmo com a dor.

O alívio de conseguir me recuperar e o tempo de molho por conta da doença me faziam pensar no que realmente importa na vida. Me faziam sentir confiança em mim mesmo e seguir em frente. Me faziam dar muito mais valor ao que eu tinha.

Ela arregalou os olhos, deu um suspiro e fez uma cara de quem assiste a uma cena de filme pornô protagonizado entre o Paulo Zulu e a Sheila Carvalho (entendam, tenho 32 anos…). Ela finalmente entendeu a questão. Encerramos a conversa. Protagonizamos nosso próprio filme.

Vi em algum lugar que a dor, em qualquer de suas esferas, é a mais eficiente forma de aprendizado. Concordo plenamente.

Ela nos faz parar pra pensar no que realmente importa, o que realmente se quer nesta passagem pela terra.

Já já iremos embora, mas em tão pouco tempo conseguimos criar tantos problemas, tantas mágoas, que as reencarnações tornam-se eventos de progressão geométrica.

Estou tentando me recuperar de um relacionamento extremamente complicado, cheio de dúvidas, brigas, orgulhos, angústias…

Ambos erramos, ambos amamos demais, e, agora, ambos pagamos caro por isso.

A dor tem-me feito repensar tudo que aconteceu neste último relacionamento, mas também me leva a tempos mais remotos.

Percebo que o problema não sou eu, ou ela… a questão é coletiva, é universal. Todo mundo está insatisfeito, seja com uma conta, uma palavra, situação, sinal fechado, tempo nublado, diarréia, fio de cabelo (lembra da música do Chitãozinho… ?)

Em relacionamentos anteriores eu também tinha problemas parecidos, com mulheres diferentes…eu continuo sozinho, elas também…

É preciso saber viver, pois se até mesmo o rei não tem Maria Rita, imagine eu querer Fulana de volta?

O Japão tá lascado, Kadáfi encurralado, o Sport investindo em pecuária e eu preocupado com meu mundinho… grande bobagem!

Está sendo difícil, a dor tem sido uma companheira insaciável. Mas, como a gripe, resurgirei melhor, mais forte e com menos problemas agregados (eu espero).

Em tempos de recuperação, as reflexões são tão profundas que me levam a entender que uma cena (pornô, lógico) entre a Sheila Carvalho e a Dani Bolina seria lindo, mas o melhor mesmo é quando a amiga/ficante/peguete pensa no Paulo Zulu!

Mário Figueirôa

* * *

“Acontece que a história não tem pressa, o amor se conquista passo a paso, o ciúme é a véspera do fracasso e o fracassso provoca o desamor”

Romance da Bela Inês – Alceu Valença

Dec242010

Os três últimos desejos

Conta a lenda que, à beira da morte, Alexandre (O Grande) convocou todos os seus generais e relatou seus três últimos desejos:

1º- Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;

2º- Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas…);

3º- Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões. Alexandre explicou:

1º- Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;

2º- Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;

3º- Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

Pense nisso…

E que você continue buscando realizar seus sonhos, mas que se lembre de viver intensamente e de usufruir de seus sentimentos e emoções, pois embora as coisas materiais sejam importantes para nós, elas ficam. Já os sentimentos e as emoções nascem conosco e nos acompanharão nas vidas futuras. Esta é a nossa verdadeira propriedade: o que trouxemos quando aqui chegamos e o que levaremos quando daqui partirmos.

Que neste Natal você adube suas relações com as pessoas que ama. Que diga a elas o quanto as ama. E que se lembre que a vida é eterna e a morte é apenas uma mudança de plano, uma viagem, uma passagem…

Feliz Natal para todos!

Tudo de bom e até muito breve.

White Christmas – Irving Berlin

Dec222010

O que é que faz você feliz?

Costumo viajar para dentro de mim mesmo e divagar em pensamentos. Diante de algumas circunstâncias e acontecimentos, ao deitar para dormir, pensei: O que é que me faz feliz?

A presença dos amigos, companhia boa; uma amada para amar, sonhos para sonhar.
Cheirinho de chuva, brisa do mar; conversar besteira, rir à toa.
Enfim, viver, experimentar.

Continuei pensando e percebi que no fim das contas, para resumir, as coisas mais simples da vida é que realmente me fazem feliz.

Lembrei-me então de dois comerciais do grupo Pão de Açúcar, que perguntavam exatamente isso: O que faz você feliz?

A lua, a praia o mar?
Uma rua, passear?
Um doce, uma dança, um beijo?
Ou goiaba com queijo?
Afinal, o que faz você feliz?

Chocolate, paixão, dormir cedo?
Acordar tarde, arroz com feijão, matar a saudade?
O aumento, a casa, o carro que você sempre quis?
Ou são sonhos que te fazem feliz?

Dormir na rede, matar a sede, ler ou viver um romance?
O que faz você feliz?

Um lápis, uma letra, uma conversa boa?
Um cafuné, café com leite, rir à toa?
Um pássaro, um parque, um chafariz?
Ou será um choro que te faz feliz?

A pausa pra pensar, sentir o vento, esquecer o tempo?
O céu, o sol, um som, a pessoa ou o lugar?

Agora me diz… O que faz você feliz?

Abrir a janela, comer na panela?
Viajar pela rua, o mundo da lua?
Ensaiar o passo, correr para o abraço?
Ou é andar descalço que faz você feliz?

Será que é cuidar da gente, cuidar do planeta?
Fazer diferente, fazer melhor?
Ficar na cama (só mais um pouquinho!)?
Comer um bolinho, fazer um carinho?
Se espreguiçar?
É isso que faz você feliz?

Ou é adivinhar desejo, estalinho de beijo?
Amar de paixão, arroz com feijão?
Uma bela salada, miolo de pão?

Talvez a macarronada, brincar de nada?
Fazer de tudo, fazer o que você sempre quis?

Me diz: o que faz você feliz?

Casa no Campo – Elis Regina

Nov52010

Gente que eu gosto…

Antes de mais nada gosto de gente que vibra,
que não é necessário empurrar,
que não se tem que dizer que faça as coisas
e que sabe o que tem que ser feito
e o faz em menos tempo que o esperado.

Gosto de gente com capacidade de medir as consequências de suas ações.
Gente que não deixa as soluções para a sorte decidir.
Gosto de gente exigente com seu pessoal e consigo mesma,
mas que não perde de vista que somos humanos
e que podemo-nos equivocar.

Gosto de gente que pensa que o trabalho em equipe entre amigos
produz às vezes mais que os caóticos esforços individuais.
Gosto de gente que sabe da importância da alegria.
Gosto de gente sincera e franca,
capaz de opor-se com argumentos serenos e racionais às decisões de seus superiores.

Gosto de gente de critério,
que não sente vergonha de reconhecer
que não conhece algo ou que se enganou.
Gosto de gente que ao aceitar seus erros,
se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los.

Gosto de gente capaz de criticar-me construtivamente e sem rodeios:
a essas pessoas as chamo de meus amigos.
Gosto de gente fiel, persistente e que não descansa quando se trata de alcançar objetivos e ideais.
Gosto de gente que trabalha para lograr bons resultados.
Com gente como essa, me comprometo a tudo,
já que por ter esta gente ao meu lado me dou por satisfeito.

Mário Benedetti

* * *

Faço minhas as palavras do Mário, sem tirar nem pôr. E acrescento…

Gosto de gente que é honesta de verdade,
e não apenas porque está sob olhos alheios.
O que não se confunde com santidade;
afinal, não confio em quem “aparenta” ser certinho demais o tempo todo.
Gosto de gente confiável,
com quem eu possa contar
e guarde meus segredos só para si.
Gosto de gente bonita,
porque, me desculpem os feios, beleza é fundamental;
não a beleza puramente estética,
mas aquela que irradia de dentro para fora,
que faz o sorriso brilhar e o olhar reconfortar quem tá perto.
Gosto de gente de verdade, transparente,
que não se esconde atrás de máscaras sociais,
que é o que é.
Gosto de gente sem frescuras, sem falsos pudores, sem hipocrisia.
Gosto de gente segura de si.
Gosto de gente de personalidade forte,
que tem coragem para enfrentar o mundo,
mas que sabe reconhecer seus erros e “dar o braço a torcer”.
Afinal, humildade é a chave que abre todas as portas.
Gosto de gente simples,
que não deixa o poder “subir à cabeça”;
gente que sabe respeitar seus iguais e principalmente seus subordinados.
Gosto de gente líder, não de gente chefe.
Gosto de gente que tá perto,
que faz de tudo para “romper as barreiras geográficas da vida”
e ter tempo para quem diz amar.
Gosto de gente que seja muito, que ame muito,
porque não me contento com pouco.
Gosto de gente realmente companheira, parceira,
porque apenas os títulos não me satisfazem.
Gosto de gente que ama, que ri, que chora,
que é feliz da vida, mas que tem seus dias de mau humor,
gente que vibra, que sofre, mas não se sente vítima da dor.
Enfim, gosto basicamente de gente como a gente,
que apesar dos pesares acredita que viver vale muito a pena.

Cirilo Veloso Moraes

Jul202010

Lembre-se sempre dos seus amigos

Um jovem que casara há pouco estava sentado no sofá em um dia quente e úmido, bebendo chá gelado durante uma visita à casa do seu pai. Enquanto conversavam sobre a vida, o casamento, as responsabilidades, as obrigações e deveres da pessoa adulta, o pai remexia pensativamente os cubos de gelo no seu copo, quando lançou um olhar claro e sóbrio para seu filho, e disse:

Lembre-se sempre dos seus amigos! – aconselhou

Serão mais importantes na medida em que você envelhecer. Independentemente do quanto você ame sua família, os filhos que porventura venha a ter, você sempre precisará de amigos. Lembre-se de, ocasionalmente, ir a lugares com eles; divirta-se na companhia deles; telefone de vez em quando…

Que estranho conselho – pensou o jovem. Acabo de ingressar no mundo dos casados. Sou adulto. Com certeza minha esposa e minha família serão tudo o que necessito para dar sentido à minha vida! Contudo, ele seguiu o conselho de seu pai. Manteve contato com seus amigos e sempre procurava fazer novas amizades.

Na medida em que os anos se passavam, ele foi compreendendo que seu pai sabia do que falava.

Na medida em que o tempo e a natureza realizavam suas mudanças e mistérios sobre o homem, os amigos sempre foram baluartes em sua vida.

Passados mais de 50 anos, eis o que o jovem aprendeu:

O Tempo passa.
A vida acontece.
A distância separa…
As crianças crescem.
Os empregos vão e vêem.
O amor se transforma em afeto.
As pessoas não fazem o que deveriam fazer.
O coração para sem avisar.
Os pais morrem.
Os colegas esquecem os favores.
As carreiras terminam.

Mas os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo nem quantos quilômetros tenham afastado vocês.

Um AMIGO nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por você, intervindo em seu favor e esperando você de braços abertos, abençoando sua vida!

Quando iniciamos esta aventura chamada VIDA, não sabemos das incríveis alegrias e tristezas que experimentaremos à frente, nem temos boa noção do quanto precisamos uns dos outros…

Mas, ao chegarmos ao fim da vida, já sabemos muito bem o quanto cada um foi importante para nós!

a.d.

* * *

Recebi esse texto de minha amiga Marilene Manzi e aproveito para compartilhá-lo com todos vocês.

Amizade é dos maiores presentes que Deus pode nos dar. A verdadeira amizade é para sempre.

Como sempre digo, os pais morrerão um dia, os filhos crescerão e seguirão o caminho deles. E quem esteve, está e estará sempre ao seu lado? Seus verdadeiros amigos.

Um grande e forte abraço a todos os meus amigos e amigas que tanto amo.

FELIZ DIA DO AMIGO, que sinceramente para mim é todo dia.

Amigos Para Siempre – Jose Carreras & Sarah Brightman

Jun112010

Você sabe viver sozinho?

“A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado”

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei, se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesma. Elas estão começando a perceber que se sente fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.

Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.

Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.

Flávio Gikovate, psicoterapeuta

* * *

Perfeito! Vivo dizendo isso.

Basicamente, se eu tivesse que escolher duas passagens para que vocês guardassem aí dentro de vocês, seriam elas:

“A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.”

E “A nova forma de amor visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.”

Reflitam.

Waving Flag – K’Naan

Jun72010

Tenho tanto sentimento…

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa

* * *

O que seríamos nós sem conflitos internos, sem alternativas a escolher? Dá trabalho ter opções diversas, bem sei, mas que sabor teria a vida sem a liberdade de decidir qual caminho trilhar, qual decisão tomar?

Só sei que vou seguindo assim, pedindo ao Cara lá de cima sabedoria e discernimento para ouvir meu coração, filtrar através da razão, para poder ter paz de espírito e ser feliz então.