O discípulo honesto
Lenda Judaica
Uma vez, um rabino resolveu testar a honestidade de seus discípulos e convocou-os para uma reunião em que lhes foi feita uma pergunta:
- O que fariam se encontrassem pelo caminho uma carteira cheia de dinheiro?
Um dos discípulos respondeu:
- Devolveria para o dono.
O rabino pensou: “A resposta veio tão rapidamente que devo considerar se foi realmente sincera.”
Um outro falou:
- Ficaria com o dinheiro se ninguém tivesse me visto.
O rabino disse consigo mesmo: “A língua é sincera, mas o coração é perverso.”
E um terceiro foi dizendo:
- Bem, rabino, para ser honesto, ficaria tentado a guardar o dinheiro para mim. Portanto, pediria a Deus que me desse forças para resistir à tentação e agir corretamente.
E o rabino concluiu: “Aí está. Eis o homem em quem eu confiaria.”
***
Não sei não… Talvez a certeza seja tanta que não é preciso tempo para pensar. Eu, particularmente responderia como o primeiro o fez. Inclusive, em várias situações de minha vida fiz exatamente isso: devolvi a carteira ou outro achado qualquer, o troco a maior, etc. Creio que isso seja algo relativo à indole da pessoa e principalmente à educação familiar desde a mais tenra idade.
A atitude do terceiro é compreensível, mas eu teria receio de confiar em alguém assim. Ele é um fraco. Entendi o que a lenda judaica quis passar adiante, e até concordo, mas na prática para mim não funcionaria. Penso ser ótimo aceitar nossa condição de seres humanos imperfeitos e expostos a tentações das mais diversas, pedindo forças ao Pai Eterno para resistir a elas, mas ficar tentado é algo que já demonstra fraqueza, uma leve tendência a infringir a regra, a mudar de lado (pessoas assim têm dificuldades com lealdade, o que para mim é fundamental). Nessas horas minha flexibilidade é zero. Eu já tenho educação, caráter e fé inabalável para sustentar minha rejeição imediata em relação a algo “podre”. E só confiaria em alguém que fizesse o mesmo. Guardo cuidado para com os “duvidosos”. Afinal, não dá para ser meio honesto, ou honesto em algumas horas e noutras não. Ou se é, ou não se é. Simples assim.
A do segundo, entretanto, é a que mais me deixa enojado (e infelizmente é a mais comum). Fazer se não tiver ninguém olhando, às escuras, por baixo do pano. Depois reclamam que os políticos são desonestos, os policiais corruptos, etc. Como julgar os outros sem antes ser exemplo de honestidade e correição? Eu sempre conto um fato da vida real: Você é parado na Inglaterra por um policial pelo fato de estar trafegando acima da velocidade permitida. Será multado. Experimenta oferecer “cinquentinha” ao guarda. Será preso. Não porque é pouco, mas por ser errado. Isso está incutido na mente dele, arraigado na sua educação. E aqui, o que acontece? As próprias pessoas já têm até o dinheiro separado para o caso de precisarem subornar um policial de trânsito. E se você perguntar a uma pessoa (a maioria) que está cometendo uma infração de trânsito ela dirá logo que se for pega em flagrante basta dar um trocado ao guarda, basta oferecer “toco”. É como eu sempre digo: o problema está na origem, na base, em cada pessoa. Se a própria sociedade é em sua maioria corrupta e desonesta, com que moral pode cobrar honestidade de quem quer que seja? Será que honestidade é só para os outros? Quer dizer que fulano precisa ser honesto, mas você não? Quer mudar realmente o mundo? Não precisa mobilizar milhões. Basta mudar a si mesmo e cuidar de suas próprias atitudes e ações. Porque no fim de tudo, o semelhante atrai o semelhante. Não tem segredo nenhum.
Abraços e um excelente final de semana.
Obs: caso queiram, posso escrever mais sobre o tema noutra oportunidade, pois me interesso bastante por comportamento humano.
Olha – Maria Bethânia
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Olá!
Muito obrigada pela visita… Então o BlogBlogs funciona mesmo, que bom!
Sabe, pensei a mesma coisa que você quando li a estória, que eu seria o que respondeu “rápido demais”, porque já pensei sobre isso várias vezes e nunca me perdoaria se fizesse isso! Devolveria sem pensar duas vezes.
Mas nem sempre é tão fácil rejeitar algo “podre”, devo confessar, rs. Tipo comer besteira e baixar músicas pela internet… Fumar ou beber… Acho que cada pessoa tem o seu “vício” (mesmo que não seja um vício crítico). O que você acha?
Cirilo, eu devolveria a carteira. Também já aconteceu comigo. Eu gostaria muito que você desse continuidade. Beijcas
Uma pena q hj em dia, para muitos, ser honesto é sinômino de ser idiota. Há pouco tempo pedi uma correção na minha conta no restaurante, haviam esquecido de marcar um dia e eu almoço lá há tempos. Uma moça q estava ao meu lado olhou incrédula e disse “Nossa, isso q é vontade de pagar, hein?”. Respondi q o q é certo, é certo. Hj parece q o legal é ser espertalhão, levar vantagem. Tanto q vilões espertos andam ganhando o espaço dos mocinhos bobinhos nas TV’s da vida. Enfim… tomara q ainda possamos passar para as futuras gerações os valores que realmente importam.
Bj
A ordem do dia, pra maioria das pessoas, é:”Saem, todo dia, de casa, um esperto e um otário.”
Tirar proveito é, infelizmente, na maioria das vezes, a palavra chave.
Mas, com certeza, ainda existem pessoas honestas, que agradecem a Deus por tudo o que têm, sem almejar, até com inveja, o que o outro tem.
Mesmo porque, como todos nós sabemos, e acredito piamente, que tudo que fazemos aqui, pagamos aqui mesmo.
Bjo e otimo findi.
O problema no Brasil,CIRILO,é que esta tal “lei do Gerson” está tão encruada nas pessoas que muitos confundem crime com o famoso jeitinho brasileiro.
Vc vê diariamente péssimos exemplos vindos de cima e nada acontecendo que as pessoas ficam cada vez menos crédulas que a honetidade é o caminho.
Claro que concordo com TUDO que vc escreveu. Tbem sou assim: devolveria no ato. Mas,certamente,muitos outros fariam como os outros que responderam a segunda ou a terceira resposta.
Abração!!
Oi Cirilo,
Promessa é dívida, tá vendo…rsrs!
Já conhecia essa lenda, mas nunca a tinha interpretado desse ponto de vista que você aborda, sempre entendi que o “moral da história” era que as pessoas realmente confiáveis eram aquelas capazes de se reconhecerem falíveis diante das tentações que aparecem no nosso caminho e que o 1° discípulo seria, na verdade, o exemplo das pessoas que procuram falar a coisa certa no momento certo, apenas como forma de serem reconhecidas como pessoas honestas, bondosas, corretas, sem deixar transparecer as suas verdadeiras atitudes. São as pessoas que vivem de aparências.
Mas gostei da sua interpretação, me deixou em dúvida…
Xêro!
Concordo em número, gênero e grau, Cirilo.
É muito bom ver que existem pessoas que ainda pensam e agem dessa forma. Eu concordo com você: Não pensaria duas vezes antes de responder.
Forte abraço, e paz profunda!
eu tb devolveria, como já devolvi celular q achei e outras coisas..
amigo, vc tá numa fase Bethânia total..estamos em sintonia.
olha vc tem todas as coisas…
/(,”)\\
./_\\. Beijossssssssss
_| |_……………..
Oiêê…Anda meio sumido!
Concordo plenamente com você. Honestidade é aprendida, enraizada, e sem dúvidas. É questão de príncípios. Pena que as pessoas são veementes para criticar políticos que roubam e compram o CD pirata do camelô. É um tal de “honestidade relativa”. Vi uma cena outro dia que é um bom exemplo: na fila do banco, o cara mandou a mulher com o filho pequeno no caixa preferencial e ficou de longe olhando. Pergunto; se esse é o exemplo que ele passa , o que ele pode esperar do filho como homem?
Beijos no seu coração!
Eu teria feito como o primeiro tb… devolveria… já achei tanta coisa e devolvi sempre… até deixar numa agência dos Correios eu já deixei.
Acontece que é difícil achar pessoas honestas hoje em dia
Beijos
Eu já devolvi tantas cosias também, e não achei muito sensato essa mensagem ai. A pessoa vai pedir forças a deus, e se ela não consegui resistir? Como confiar numa pessoa assim? rss
bjs
Oi Cirilo!!!
Concordo com vc. Tb devolveria sem pensar. Mas tenho algo poliana que meu irmão às vezes diz ser ingênuo demais…
Também entendo a mensagem da parábola, mas acho que o conflito somente se justificaria se houvesse alguma coisa que o levasse a ficar tentado. Ser tentado de tal maneira por algo assim, ao ponto de pedir forças ao ser superior é complicado…
Se você quiser continuar a discussão sobre comportamente humano, eu participo!!!
Boa semana!!!
Beijos
Formidável. Faz mais!
Sua visão sobre o tema é de uma verdade… infelizmente não alcançada por muitos, porém vivenciada para outros como vc mesmo.
Bj.
É tudo uma questão de boa educação.
E não dá pra ser ‘meio honesto’, Ou é ou não é.
Beijo
e você é super diferente dessa foto daqui… por isso também que nem suspeitei que era você…
O Brasil é um país tão complicado, que é complicado ser honesto. Dentro da medida do possível tentamos levar a vida com normalidade sem pesar a consciência. Outro problema é a falta de noção de senso comum de viver em comunidade.
Cirilo, dia 05 vamos fazer uma blogagem coletiva sobre o caso Ana Virgínia. Quer participar!? Não precisa falar do caso se não quiser, mas da falta de respeito aos direitos humanos ou da violência dentro das prisões em Portugal.
*Estou com dificuldades de acessar o sistema de comentários – muitas vezes dá “Falha de carregamento”.
Boa semana! Beijus
Oi Cirilo!
Eu devolveria também, com certeza. Não ficaria em paz com minha consciência se não o fizesse. Realmente é uma questão de índole e de criação. Gostei do post.
beijos querido e boa semana,
Nossa, aqui só tem pessoas sinceras e honestas.. que lindo!!