Aug142007

Uso de maconha leva à dependência?

Eu não sou especialista no assunto, mas como recebo muitos e-mails pedindo esclarecimentos sobre drogas, como o mais recente, do Junior, de BH, que usa há dois anos e está tentando parar, resolvi publicar perguntas enviadas [e suas devidas respostas] a Danilo Baltieri, médico psiquiatra, mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas, ou seja, alguém com maior conhecimento nessa área específica do que eu.

Gostaria de saber se o uso esporádico de maconha leva à dependência?

Resposta: O consumo de maconha em geral começa ocasionalmente (em festas e com amigos), avança para consumo regular, passa para o uso freqüente, depois pode progredir para o abuso e, finalmente, para a dependência. Trata-se de um avanço progressivo do consumo da droga. Isso não quer dizer que todas as pessoas que experimentam a droga se tornam dependentes da mesma. Todavia, isso também não quer dizer que todas as pessoas que a experimentam não se tornam dependentes dela. Existem múltiplos fatores de risco que facilitam o desenvolvimento do quadro de dependência química da maconha, como fatores genéticos, psicossociais e ambientais.

A maconha consiste na mais freqüente substância ilícita consumida no Brasil e em vários outros países do mundo. Ainda muitas pessoas acreditam que ela não gera dependência, embora quadros de síndrome de dependência desta substância sejam freqüentes nos serviços especializados no tratamento das dependências químicas.

Usuário de maconha por décadas pode largar de uma vez só?

Resposta: O usuário de maconha por décadas deve procurar um profissional especializado para auxiliá-lo no difícil processo de cessação do consumo de substâncias. Seguramente, o usuário pode cessar o consumo de uma só vez. Nestas circunstâncias, ele pode experimentar sintomas de síndrome de abstinência, como irritabilidade, insônia, ansiedade e redução do apetite, além de importante desejo de voltar a usar, que podem ser manejados clinicamente. De qualquer forma, o mais importante do processo é a decisão clara por parte do usuário de parar o uso.
Recomendo cessação imediata do uso da droga, através da mudança de estilo de vida e de comportamentos associados a esse consumo. O apoio de familiares e amigos sempre é bem-vindo. Em geral, quando sob tratamento, eu recomendo a cessação imediata do consumo da droga. Isso não costuma ser uma tarefa fácil para o dependente que apresenta fissura pela droga, consome grandes quantidades de maconha em alta freqüência e possui a maior parte dos seus amigos também consumidores da droga. Todavia, a decisão deve ser clara e lembrada ao paciente durante as suas consultas.

Mesmo quando o paciente dependente consegue manter um tempo considerável de abstinência da droga, através de mudança do seu estilo de vida e da modificação dos comportamentos associados a esse consumo, ele pode voltar a consumi-la (recaída). Isso não deve significar “falha” do tratamento. Ao contrário, o paciente deve ser novamente incentivado a permanecer abstinente, reconhecendo as situações e os motivos que o levaram à recaída, objetivando driblá-los futuramente. O desenvolvimento de estratégias de evitação do consumo da substância, a mudança do estilo de vida, e o reconhecimento de que a Síndrome de Dependência consiste em uma doença, costumam ser ferramentas essenciais no processo terapêutico.

Maconha causa dependência química? Quais são os sintomas de abstinência?

Resposta: O quadro de síndrome de dependência provocado pelo consumo de maconha é bem estabelecido, embora ainda muitas pessoas, em geral usuários, duvidem disso.

A síndrome de dependência é caracterizada pela existência de perda do controle diante do consumo da substância, de prejuízos sociais, educacionais, laborais relacionados ao uso, do abandono de outros prazeres em função do consumo da droga, da evidência de tolerância (aumento da dose ou quantidade consumida, com o objetivo de se atingir os mesmos efeitos obtidos anteriormente com menores doses ou quantidades), síndrome de abstinência (sintomas psicológicos e/ou físicos decorrentes da parada ou redução abrupta do uso da substância). Na verdade, o indivíduo dependente apresenta três ou mais das características citadas acima.

A síndrome de abstinência de maconha costuma se apresentar com sintomas ansiosos, certa inquietação, desejo de fumar para cessar este estado de desconforto e irritabilidade. Embora os sintomas da síndrome de abstinência de maconha não sejam fisicamente evidentes, como seria nos casos do álcool e opióides, provocam importante desconforto entre os dependentes.

Psicoterapia seria o tratamento mais indicado para largar maconha?

Resposta: As psicoterapias consistem em uma das formas de tratamento que podem ser utilizadas em pacientes dependentes de maconha. Dentre elas, a terapia comportamental tem sido uma das mais utilizadas em vários serviços ao redor do mundo, mostrando resultados contrastantes.

Na verdade, o grande objetivo desta forma de terapia é a modificação do comportamento do usuário em relação ao consumo desta substância, procurando, principalmente, a modificação do seu estilo de vida, a estruturação de estratégias de evitação do uso e o manejo das recaídas, as quais, em geral, são freqüentes.
Libertar-se do vício da maconha é uma questão multifatorial que depende de: automotivação; suporte de amigos familiares ou grupos de auto-ajuda; e intervenção médica ou psicológica. Infelizmente, ainda não existem medicações comprovadamente eficazes para auxiliar no tratamento da dependência de maconha, embora muitas pesquisas estejam se dedicando a isso. De qualquer forma, o sucesso do tratamento depende basicamente de três fatores: a motivação do indivíduo em cessar o consumo da droga, o suporte de familiares e amigos, e a existência de uma intervenção médica ou psicológica adequada para cada pessoa.

Fonte: Vya Estelar

Sei que há muito mais a esclarecer sobre drogas como a maconha e demais sustâncias entorpecentes. Aceito sugestões de todo tipo… de sites, de livros a respeito do assunto, de lugares para tratamento, etc. Funciona assim: quando mais e mais pessoas se unem com o mesmo propósito, melhorar o mundo torna-se menos penoso. Conto com cada um de vocês nessa guerra contra as drogas. Só assim pessoas como o Júnior, de BH, e tantas outras do país inteiro, poderão se livrar das drogas e ajudar outras pessoas a fazer o mesmo.

Feb292004

Meus esclarecimentos e pensamentos sobre as drogas

O post anterior, “Drogas, nem morto”, rendeu mais do que eu esperava.

Respondi a todos os comentários deixados no próprio sistema de comentários, como sempre faço quando possível. Entretanto, um em particular me fez pensar em não apenas responder nos próprios comentários, mas sim criar um novo post sobre ele. Isso porque além de respondê-lo estou mostrando minha opinião acerca de algumas coisas.

Para entender este post, é importante que se leia o comentário de um tal “Anônimo” (para mim alcunha de covarde) deixado no post anterior, o qual me abstenho de copiar aqui. Apenas fui confrontando o comentário do citado leitor e respondendo, mostrando minha opinião.

Desde logo, aviso aos que gostam de dizer que eu não devo dar atenção a certos comentários, que eu não me estressei. Poupem-me disso, ok? Se eu quis responder é porque achei que seria interessante criar um novo post para responder e assim aproveitar para mostrar minhas ideias. Isso porque sei que muitos não comentam e se eu responder no próprio sistema de comentários muitos não lerão. Então, faço isso aqui no post. Sem mais. Eu não me incomodo com opiniões diversas. Ao contrário, adoro. Só assim eu posso reafirmar as minhas convicções ou reavaliá-las.

Eis o post, enfim:

Anônimo, bom que gosta de meu blog (embora eu pense que seja ironia de sua parte dizer isso). Saiba que sua opinião, como a de qualquer outra pessoa, é sempre bem-vinda.

Primeiro – Não sigo tudo o que a TV mostra ou incentiva. Sou uma pessoa que tudo observo e filtro as informações que colho por aí, inclusive as passadas na TV.

Segundo – Não vejo usuários de drogas como traficantes, bandidos, criminosos, etc. Vejo-os, simplesmente, como usuários de drogas, ora. Inclusive conheço pessoas que usam drogas e lamento muito isso, mas como a eles mesmo digo não posso fazê-los parar, não posso impedí-los de as usarem. Entretanto, sinto-me compelido a instruí-los. Lembro-me de minha mãe dizendo: “Meu filho, não direi para não colocar o dedo na tomada. Mas se o fizer, levará um choque muito forte.” Minha mãe não impediu, até porque eu poderia fazer em outro lugar, numa outra hora, mas me preveniu que se eu colocasse o dedo na tomada levaria uma choque tremendo. Portanto, não impeço ninguém. Cada um é dono do seu próprio nariz e sabe muito bem o que quer. Como sempre digo, podemos tudo, assumindo as consequências. Respeito tudo e a todos. Não gosto de criticar; prefiro respeitar, ainda que tenha opinião diversa.
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Feb282004

Drogas, nem morto.

drogas_diga_nao

“O tráfico depende de você. Quem compra drogas, financia a violência.”

Hoje, queria falar sobre algo que muito me intriga. As drogas. Não necessariamente sobre elas, mas queria fazer um alerta, e principalmente parabenizar o papel que a mídia tem assumido no combate às drogas.

Isso, porque sempre assisto na tv por assinatura comerciais e campanhas excelentes sobre as drogas, notadamente em canais adultos. O porquê eu não sei. Talvez pelo público, talvez porque nos canais “normais” certas campanhas choquem, como uma que a atriz Claudia Ohana faz o papel do “Crack”, onde começa dizendo que vai te conquistar, e você vai se viciar, vai se perder, se fechar para o mundo, podendo até morrer; e quando você estiver no fundo do poço ela “estará em outra”. A campanha choca, pois mostra a fundo, com auxílio da tecnologia e maquiagem, o processo de decadência física, moral e psicológica da pessoa que usa “crack”. É interessantíssimo. A atriz vai ficando feia, acabada, nervosa, etc. Muito bom. Tem sobre a cocaína também, entre outras drogas.

Outras campanhas são tão interessantes quanto aquelas, com a participação de pessoas como Marília Gabriela, Boris Casoy, Eliana, etc. Essas dando ênfase maior à questão do diálogo, da conversa, da instrução.

Nunca tive problemas com drogas, mas conheço muitas outras pessoas que já tiveram, e tem. Das de classe mais humilde até as mais altas. Já vi muitos jovens que tinham tudo que o dinheiro poderia comprar, mas pela falta de amor, de carinho, de compreensão, de diálogo, de atenção dos familiares, se perderam no mundo sombrio das drogas.

Portanto, converse com seus filhos, escute-os, compreenda-os, olhe olho no olho, respeite os sentimentos. Quanto mais perto você ficar dos seus filhos, mas longe as drogas ficarão deles.

Quando você se aproxima a relação fica mais intensa, mais viva. Atenção é fundamental.

Diálogo e carinho e seus filhos farão assim ó para as drogas.

Drogas? Nem morto!