Dec182012

Os 5 principais arrependimentos antes de morrer

Regrets

Uma enfermeira, diante de sua experiência com pacientes terminais, publicou um livro sobre os cinco principais arrependimentos que eles relataram, os cinco maiores arrependimentos antes de morrer revelados. Ei-los:

1) Gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim…

2) Gostaria de não ter trabalhado tanto…

3) Gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos…

4) Gostaria de ter mantido contato com meus amigos…

5) Gostaria de ter me deixado ser mais feliz…

Há um vídeo no Youtube publicado pelo Hospital Albert Einstein, com mais detalhes acerca dos arrependimentos listados, feitos pela Geriatra Especialista em Cuidados Paliativos, Dra. Ana Cláudia Arantes, bem como uma pesquisa de rua com algumas pessoas. Vale a pena conferir e refletir.

Oct192012

“Cinquenta tons de cinza” e a cultura repressora dos desejos femininos.

O “sucesso” do romance erótico “Cinquenta Tons de Cinza”, da britânica Erika Leonard James, é tanto que comecei a pensar nos motivos pelos quais o livro causou tanto frisson nas mulheres. Depois de folhear as páginas do primeiro livro e de ler várias críticas e opiniões sobre ele (e as sequências da trilogia – Cinquenta tons mais escuros e Cinquenta tons de liberdade), como as de Ivan Martins, Contardo Calligaris, Nathalia Ziemkiwicz, Ruth de Aquino, ratifiquei uma antiga constatação: a de que vivemos numa sociedade provinciana e culturalmente repressora dos desejos femininos. Aquela velha história: “Meninos podem; meninas não!”.

Talvez por isso as feministas tenham odiado; por E.L. James supostamente manter o domínio masculino sobre a “fragilidade” feminina. Pura bobagem… Não precisam gostar de sadomasoquismo ou coisas do gênero, mas as mulheres ocupam altos cargos, dirigem empresas, cuidam de casa, de filhos, etc, qual o problema em admitir que depois de um dia repleto de obrigações tudo que querem é ser dominadas sexualmente e terem muito prazer através dessa entrega? Não creio que isso as tornem menos feministas. Penso inclusive que saber e se deixar “entregar” é uma arte. Mas isso é assunto para desenvolver numa outra oportunidade…

Voltando ao livro, particularmente não vi nada demais, nada que me fizesse como Anastasia tantas vezes dizer “Uau!” diante das novidades apresentadas pelo poderoso Christian Grey. Muito pelo contrário. Afinal, cresci, fui educado e convivo até hoje com mulheres livres de repressões sexuais. Então sou livre e trato, falo e faço sexo com a mesma naturalidade com que respiro. Mas adorei a possibilidade de muitas mulheres poderem abrir seus horizontes e admitirem sem medo de serem censuradas que gostam de sexo tanto quanto nós homens gostamos. E que inclusive não são necessariamente complicadas a ponto de só gostarem de sexo se ele for sutil, indireto e repleto de subentendidos e preliminares, como a Anastasia de James. Quem disse que elas não podem gostar de sexo simples e direto, que também se excitam com o corpo e o pênis do homem? Por que limitar e engessar a mente? Sexo não deve ser algo padronizado; ele é natural e singular. O segredo é encontrar o que nos é semelhante e permitir o encaixe.

Como sugeriu uma leitora, e eu concordo plenamente, o que diferencia o desejo do homem e da mulher não é essencialmente biológico. É cultural. Pensem nisso. Lembro de como fui repreendido há muitos anos atrás, ainda quando adolescente, quando sugeri publicamente a campanha “Mulheres, masturbem-se!”. Mais de quinze anos depois e de muitas experiências vividas continuo incentivando: “Mulheres, masturbem-se!”. E vou além: Falem de sexo! Façam sexo! Permitam-se! Vocês são livres para gostar de sexo e vivê-lo em toda sua intensidade.

Rita Lee – Doce Vampiro

Jun92012

Amor só funciona em liberdade…

Eu, Cirilo Veloso Moraes, ganho muitos livros de meus amigos e amigas. Talvez por saberem do meu prazer infinito pela leitura. Talvez por quererem uma opinião minha a respeito de um determinado assunto. Talvez por… Sei lá… Mas o fato é que vez por outra aparece um amigo ou amiga com um livro e diz “Acho que irás gostar…” ou “Você precisa ler este livro!”. Bem, estava lendo um livro que ganhei da amiga Diana Torres dia desses. “Onze Minutos“, de Paulo Coelho, e me deparei com um trecho que me chamou atenção. Um trecho do Diário de Maria que fala sobre a ideia do amor verdadeiro, consubstanciado na liberdade, no movimento, e não na prisão que alguns insistem em querer colocá-lo. Compactuo desta ideia e por isso compartilho agora aqui com vocês:

Era uma vez um pássaro. Adornado com um par de asas perfeitas e plumas reluzentes, coloridas e maravilhosas. Enfim, um animal feito para voar livre e solto no céu, e alegrar quem o observasse.

Um dia, uma mulher viu o pássaro e apaixonou-se por ele. Ficou a olhar o seu voo com a boca aberta de espanto, o coração batendo mais rapidamente, os olhos brilhando de emoção. Convidou-o para voar com ela, e os dois viajaram pelo céu em completa harmonia. Ela admirava, venerava, celebrava o pássaro.

Mas então pensou: talvez ele queira conhecer algumas montanhas distantes! E a mulher sentiu medo. Medo de nunca mais sentir aquilo com outro pássaro. E sentiu inveja, inveja da capacidade de voar do pássaro.

E sentiu-se sozinha.

E pensou: “Vou montar uma armadilha. Da próxima vez que o pássaro surgir, ele não partirá mais”.

O pássaro que também estava apaixonado, voltou no dia seguinte, caiu na armadilha, e foi preso na gaiola.

Todos os dias ela olhava o pássaro. Ali estava o objecto da sua paixão, e ela mostrava-o às suas amigas, que comentavam: “Mas tu és uma pessoa que tem tudo”. Entretanto, uma estranha transformação começou a processar-se: como tinha o pássaro, e já não precisava de o conquistar, foi perdendo o interesse. O pássaro, sem poder voar e exprimir o sentido da sua vida, foi definhando, perdendo o brilho, ficou feio – e a mulher já não lhe prestava atenção, apenas prestava atenção à maneira como o alimentava e como cuidava da sua gaiola.

Um belo dia, o pássaro morreu. Ela ficou profundamente triste, e passava a vida a pensar nele. Mas não se lembrava da gaiola, recordava apenas o dia em que o vira pela primeira vez, voando contente entre as nuvens.

Se ela se observasse a si mesma, descobriria que aquilo que a emocionava tanto no pássaro era a sua liberdade, a energia das asas em movimento, não o seu corpo físico.

Sem o pássaro, a sua vida também perdeu sentido, e a morte veio bater à sua porta. “Por que vieste?” perguntou à morte.

“Para que possas voar de novo com ele nos céus” respondeu a morte. “Se o tivesse deixado partir e voltar sempre, você o amaria e o admiraria ainda mais; porém agora você precisa de mim para poder encontrá-lo de novo.

Li há muito tempo uma frase que dizia assim: “Amo a liberdade. Por isso, as pessoas que amo deixo livres; se voltarem é porque as conquistei; se não voltarem é porque nunca as tive.”

De fato, segundo minha experiência e do que aprendi na vida, o amor só funciona em liberdade.

Lembro de uma história que aconteceu com dois amigos próximos (quem me conhece talvez já tenha me ouvido contá-la algumas vezes).

Eles não se conheciam… Ela era uma menina linda. Era alegre, sorridente, reluzia um brilho inigualável quando andava, quando dançava, quando sorria extrovertida pelos quatro cantos onde passava… Ele era um rapaz igualmente lindo, tinha “presença”, chamava atenção dos olhares femininos. Ambos amigos meus. Num belo dia nos encontramos e lá estava ela dançando, falando com todo mundo, marcando presença e deixando o ambiente mais belo do que de costume. Ele a viu me abraçar e me dar um beijo bem grande, como só os intensos e verdadeiros sabem dar, e me perguntou: “Amiga sua?!”. Respondi que sim. Ele ficou encantando, não o culpo. Afinal, era dela que estávamos falando. “Me apresenta!” – insistiu. Adverti: “Você é ciumento, possessivo; é “presença”, mas inseguro. Não vai aceitar o jeito livre dela de ser…” “Que nada! Eu quero conhecê-la! Me apresenta!”. “Está bem….”. Apresentei os dois. Ela também se agradou dele. Afinal, o aparente geralmente nos prega cada peça… O fato é que começaram a namorar, super apaixonados. Adverti aos dois: “Vocês não combinam. São muito diferentes. Você livre; ele controlador. Pensem bem…” Ignoraram-me e seguiram… Ele, no começo, fazia vista grossa para o jeito expansivo e livre dela. Casaram. Tiveram dois filhos. Depois de um tempo, começou a querer limitá-la, como eu já previra desde o primeiro momento. Ela, por gostar dele, foi mudando… E murchando… E perdendo o seu brilho natural. Não mais tinha espontaneidade de falar com todos, não dançava mais, não brilhava. Deixou de ser o pássaro lindo que era. Tinha asas, mas esqueceu-se de como era maravilhoso voar… Já não cantava mais. Definhou.

E até hoje esse exemplo prático que aconteceu bem debaixo dos meus olhos não me sai da cabeça e me deixa com a certeza de não querer algo nem de longe parecido para minha vida. Quero apenas o que me for semelhante. Apenas alguém que me aceite como sou, que me estimule, que incentive o meu melhor, o que eu sou e o que me faz feliz. A ideia do “você faz por mim, eu faço por você e assim seremos felizes”. Se me amar, deixe-me livre para ser quem sou. Assim, do meu jeito. Louco. Livre. Porque como disse Lispector, liberdade é pouco. O que eu quero ainda não tem nome.

Camille Saint-Saëns – The Carnival of the Animals, The Swan

May172012

Dia Internacional de Combate à Homofobia!

Hoje é o Dia Internacional de Combate à Homofobia. De qualquer forma, entendo que lutas como essa devem ser constantes.

Sou hétero, mas não entendo como ainda hoje possa existir tanto preconceito, seja de que tipo for, inclusive quanto à sexualidade.

Respeito é fundamental! Até porque o importante é amar quem a gente quiser. Além do mais, homossexualidade não é questão de escolha, mas sim de condição natural. Eu, por exemplo, não escolhi ser hétero. Costumo dizer que macho eu nasci; homem eu me tornei. Por que discriminar alguém por ter uma condição diversa da sua? Não consigo conceber isso.

Portanto, podem contar comigo nessa luta e em todas as demais na qual o alvo for a estupidez humana.

I will survive – Gloria Gaynor

Dec312011

Viva seus sonhos! Feliz 2012.

Bob Marley disse: É melhor atirar-se à luta em busca de dias melhores, mesmo correndo o risco de perder tudo, do que permanecer estático, como as pessoas que não lutam, mas também não vencem, que não conhecem a dor da derrota, nem a glória de ressurgir dos escombros. Essas pessoas, ao final de sua jornada na Terra não agradecem a Deus por terem vivido, mas desculpam-se perante Ele por terem apenas passado pela vida.

Tendo os dizeres acima como norte, desejo que em 2012 cada um de vocês viva seus sonhos. Mude se achar que deve mudar. Continue se quiser continuar. Mas não se acomode. Arrisque-se! Ouse! Porque só o que está morto não muda.

São os meus sinceros votos.

Feliz 2012!

People are awesome 2011 [youtube vídeo]

Nov282011

Exercite-se e aproveite muito mais a sua vida.

As pessoas que praticam exercícios, seja ginástica, musculação ou caminhadas longas e regulares, sentem-se mais saudáveis, melhores consigo mesmas e aproveitam muito mais a vida.
  
Um importante executivo costumava dizer: “Sempre que penso em me exercitar, deito-me e espero a vontade passar.”

Ele dizia isso sempre e essa sua filosofia conduziu-o diretamente a uma perda de energia, seguida por problemas de saúde. O que não é de espantar.

Seus médicos pressionaram-no a mudar o estilo de vida e, como se viu sem alternativa, ele resolveu tentar. Para sua surpresa, foi descobrindo o prazer que os exercícios lhe davam. Era uma chance de passar algum tempo todos os dias cuidando do Corpo, sem maiores preocupações. Sentiu que o contato com a natureza durante as caminhadas o deixava renovado. O que era inicialmente uma obrigação passou a ser uma saudável necessidade. E ficou maravilhado ao verificar que, ao invés de cansá-lo, os exercícios na verdade aumentaram sua energia.

Sabem qual é a sua filosofia atual? “É difícil encontrar palavras para dizer o quanto gosto de me exercitar.”
  
As pesquisas sobre atividades físicas mostram que os exercícios aumentam a autoconfiança, o que por sua vez fortalece a auto-estima. Os exercícios regulares, incluindo as caminhadas, aumentam diretamente a felicidade em doze por cento e
podem contribuir de forma indireta para uma melhoria expressiva da auto-imagem.

In: 100 segredos das pessoas felizes, de David Niven.

Inspire-se – Endorfina [youtube vídeo]

Oct32011

Seja revolucionário e desafie as regras!

Alexandre corta o nó górdio em pintura do século XIX

“Todo ato de criação é, antes de tudo, um ato de destruição.” Picasso

Se construir padrões fosse a única coisa necessária para criar novas idéias, todos nós seríamos gênios criadores. O pensamento criativo não é só construtivo, – é destrutivo também. Como já foi dito por mim em outras ocasiões, o pensamento criativo inclui brincar com o que se sabe – e isso pode significar o rompimento de um padrão para a criação de um outro, mais novo. Portanto, uma estratégia eficaz do pensamento criativo consiste em ser revolucionário e desafiar as normas. Quer um bom exemplo?

No inverno de 333 a.C., o general macedônio Alexandre e seu exército chegam à cidade asiática de Górdio para se aquartelarem. Durante sua estada, Alexandre ouve falar da lenda sobre o famoso nó da cidade, o nó górdio. Uma profecia diz que aquele que desatasse o nó, estranhamente complicado, se tornaria rei da Ásia.

Esta história intriga Alexandre, que pede para ser levado até onde estava o nó, pois queria desatá-lo. Ele o estuda por alguns instantes, mas, após infrutíferas tentativas de achar a ponta da corda, não vê saída. “Como poderei desatar o nó?”, pergunta.

Então, ele tem uma ideia: “Basta estabelecer minhas próprias regras sobre como desatar nós”. Ato contínuo, Alexandre puxa a espada e corta o nó ao meio. A Ásia lhe estava destinada.

Copérnico quebrou a regra de que a Terra se encontra no centro do Universo. Napoleão rompeu as normas sobre a forma adequada de se fazer uma campanha militar. Beethoven desobedeceu as leis que indicavam como uma sinfonia devia ser composta. Picasso rompeu a regra de que um selim serve para a pessoa se sentar enquanto pedala, andando de bicicleta.

Pense: quase todos os avanços na arte, na ciência, na tecnologia, nos negócios, em marketing, na culinária, na medicina, na agricultura e no desenho industrial aconteceram quando alguém questionou as normas e tentou uma outra abordagem.

Em: Um “Toc” na cuca, por Roger Von Oech.

* * *

Porque se você não arrisca nada, o risco é ainda maior. Se você não tenta ir além, se não busca inovar, melhorar, implementar o novo, o que o difere de uma máquina, automatizada, sem ideias, sem pensamentos criativos?

Portanto pergunto: E você – você mesmo!, ficará acomodado e apenas dirá, “Ah, Cirilo, as coisas por aqui sempre funcionaram dessa maneira…“?!

Enter Sandman – Metallica

Sep262011

Acidentes felizes

Receba com prazer as interrupções, pois elas muitas vezes levam a acidentes felizes.

As pessoas que sabem arriscar não têm medo dos irritantes reveses da vida. Quando as coisas dão errado, em vez de olhar para trás, elas seguem em frente, empurradas por sua curiosidade.

Essas pessoas têm bons motivos para ser curiosas. A roda da fortuna se movimenta por um mecanismo que está mais relacionado à teoria quântica do que às leis de Newton. Pergunte a casais felizes como se conheceram e ouvirá uma longa história sobre cancelamentos de última hora, multa por excesso de velocidade, passaporte perdido, filas compridas e pneus furados no meio da chuva.

Desconfie das conclusões simplistas sobre causa e efeito. Encare acidentes como evidências de que você entrou em um invisível campo eletromagnético que não responde à força gravitacional da razão comum.

Se for demitido no dia em que planejava assinar o contrato de aluguel de um novo apartamento, considere este seu dia de sorte: daqui a um ano você pode vender seu primeiro livro, com um adiantamento substancial.

Se quebrar a perna no dia da partida para uma excursão pela garganta do rio Yang-Tsé, pode ter certeza de que o médico do pronto-socorro é o futuro marido de sua melhor amiga.

Se derramar café no sofá ao pegar o telefone, não se surpreenda se a pessoa do outro lado for alguém de uma famosa escola de pintura oferecendo-lhe uma bolsa para que siga sua inclinação artística.

Por fim, se trancar a chave dentro do carro (muito ‘old time’ isso, eu sei), não xingue baixinho. Ao contrário, agradeça aos céus por lembrar que a vida é cheia de surpresas. Não é uma viagem pré-paga para um destino conhecido, e sim uma excitante jornada, com curvas e encruzilhadas que nunca podem ser antecipadas.

Stairway to Heaven – Led Zeppelin

Sep232011

A arte de se aventurar

Um dia, esperando um amigo na estação central do metrô, você dá de cara com um primo que não via há tempos e ele lhe oferece um ótimo emprego em Cingapura. Você se muda para lá e aluga um apartamento vizinho ao do antigo mordomo de Elvis Presley. Um ano depois, em viagem de negócios a Memphis, nos Estados Unidos, visita Graceland e se apaixona pela guia de turismo. Vão passar a lua-de-mel em Paris, onde seu novo cunhado é gerente de um restaurante cinco estrelas. De repente, você se vê sentado em frente a um escalope de foie gras de canard a l’orange et au pain d’épices, sem saber bem qual garfo usar.

Se os escritores criassem histórias tão cheias de acasos quanto as da vida real, nunca seriam publicadas. “Seu livro não faz sentido”, diria o editor. “Os leitores não querem narrativas intermináveis que não levam a lugar algum”.

Mas a verdade é mais estranha que a ficção. Muitos têm uma vida real que faz das regras de ouro da literatura criativa uma piada. Nossas ações jamais seguem um roteiro linear. Nós nos distraímos e divagamos à mercê das coincidências que sempre parecem sabotar o projeto mais perfeito. Ao contrário do que dizem os historiadores, o encontro com o destino é coisa rara entre os seres humanos.

Só existe um tipo de história capaz de imitar a vida real e ainda assim conquistar a atenção dos ouvintes. É a aventura épica, gênero muito particular da literatura. Histórias de aventura não precisam de roteiro. Ao contrário dos livros de detetive, suspense, romance e vingança, não há nenhuma relação de causa e efeito nessas longas narrativas – apenas viradas de sorte que carregam o herói de um lugar exótico para outro, sem rima nem razão.

Incluindo odisséias tão complicadas quanto a jornada de Ulisses, as histórias de aventuras nos mantêm em suspense com uma sucessão de eventos imprevisíveis. Uma coisa sempre leva a outra. Os leitores ficam mais interessados em saber o quê, quando e onde do que em descobrir por quê.

Com a vida é a mesma coisa. O que vai acontecer em seguida é mais intrigante que o que vai acontecer no final, porque cada final é um começo. Sair de casa coincide com embarcar em uma nova vida. Deixar um emprego é a oportunidade de ir em frente. Casar dá a chance de começar uma família. E assim a história segue, com cada encruzilhada dramática marcando uma nova gênese.

Viva a vida como uma aventura, resistindo à tentação de explicar tudo. Não perca tempo pensando por que os homens têm medo de compromisso, por que as pessoas devem aprender as regras antes de quebrá-las, por que sua fila sempre é a mais lenta.

Evite usar a apalavra “porque” para justificar seus atos. Sobretudo, nunca diga “porque te amo”, ou “porque é bom para você”, ou “porque me disseram que sim, ou “porque preciso do emprego”.

Tenha cuidado ao designar causas e efeitos a eventos que você obviamente não entende. Algumas desculpas esfarrapadas: trauma de infância, o movimento dos planetas, os efeitos da cafeína, Nostradamus, o governo, hormônios, o tempo, rivalidade entre irmãos, violência na televisão, a economia, a ética puritana, a civilização ocidental.

Em outras palavras, não espere que os fatos de sua vida se encaixem em um roteiro pronto para o horário nobre. Esteja certo de que, se você ficasse famoso, seus biógrafos perderiam o sono tentando entender suas motivações interiores. Deixe que sua vida seja o poema épico que deve ser. Abrace cada momento por seus próprios méritos, um de cada vez, na sequência em que forem acontecendo.

Seja aventureiro.

Vá a Cingapura. (não perca a floresta Bukit Timah).

Percorra o Caminho de Santiago.

Compre uma casa em uma charmosa cidadezinha do interior.

Inscreva-se em um curso de fotografia no Festival de Arles, na Provença.

Deixe para os outros a tarefa de entender o porquê.

O Barquinho – Maysa

Aug302011

Não discuta; demonstre com sua atitude.

Por mais de trinta anos um Vizir, conhecido e admirado por sua lealdade, sinceridade e devoção a Deus, serviu ao seu senhor. Sua honestidade, entretanto, gerou inimigos na corte, que espalhavam calúnias a seu respeito.

Eles falavam ao ouvido do Sultão o dia inteiro, até que ele também começou a desconfiar do inocente Vizir e acabou condenando à morte o homem que lhe servia tão bem.

Naquele reino, quem fosse condenado à morte era amarrado e jogado no cercado onde o Sultão mantinha os seus cães de caça mais ferozes. Os animais estraçalhariam a vítima de imediato.

Antes de ser jogado aos cães, o Vizir fez um último pedido: precisaria de dez dias de trégua. Nesse tempo pagaria as dívidas, recolheria o dinheiro que lhe deviam e devolveria artigos que as pessoas lhe deram para guardar. Dividiria seus bens entre os membros da sua família e indicaria um guardião para os filhos.

Depois de ter a garantia de que o Vizir não iria tentar fugir, o Sultão lhe concedeu o pedido.

O Vizir correu para casa, juntou cem moedas de ouro, e foi visitar o caçador que cuidava dos cães do Sultão. Ofereceu ao homem as cem moedas de ouro e disse:

- “Deixe-me cuidar dos cães durante dez dias”.

O caçador concordou e durante os dez dias seguintes o Vizir cuidou das feras com muita atenção, tratando-as bem e alimentando-as bastante. No final dos dez dias elas estavam comendo na sua mão.

No décimo primeiro dia o Vizir foi chamado à presença do Sultão, as acusações se repetiram e o sultão assistiu enquanto o Vizir era amarrado e jogado aos cães. Porém, quando as feras o viram, correram até ele e mordiscaram afetuosamente seus ombros e começaram a brincar com ele.

O Sultão e as outras pessoas ficaram espantadas e o Sultão perguntou ao Vizir por que os cães haviam poupado a sua vida.

O Vizir respondeu:

- “Cuidei desses cães durante dez dias. O Sultão mesmo viu o resultado. Eu cuidei do senhor por mais de trinta anos e qual foi o resultado? Fui condenado à morte pela força de acusações levantadas por meus inimigos”.

O Sultão corou de vergonha. Ele não só perdoou o Vizir como lhe deu belas roupas e lhe entregou os homens que o haviam difamado.

O nobre Vizir os libertou e continuou a tratá-los com bondade.

The Subtle Ruse: The Book of Arabic Wisdom and Guile, Século XIII

* * *

Por vezes nós temos agido como o Sultão da história. Desconsiderando pessoas que nos são fiéis por longo tempo, damos ouvidos a outras que desejam destruir e infelicitar.

Há sempre caluniadores nos palcos terrenos e sempre há quem lhes dê ouvidos e crédito.

O indivíduo que fala mal dos outros, quando estes estão ausentes, não tem boas intenções.

Quem deseja edificar, corrigir equívocos, melhorar a situação, fala diretamente com os envolvidos e ouve as suas razões.

Geralmente instigadas pela inveja, o ciúme, o despeito, pessoas arrasam a vida de outras pessoas e geram infelicidade para si mesmas, num futuro próximo ou distante.

Por isso, é sempre importante pensar sobre as verdadeiras intenções daqueles que gostam de fazer comentários sobre quem não está presente e não tem a menor chance de se defender.

É importante considerar, ainda, que quem faz comentários maldosos dos outros para você, poderá fazer de você para os outros, logo mais.

Pensando assim, sempre que o assunto em pauta for uma pessoa, seria justo que ela pudesse participar da conversa.

Você não gostaria de estar presente quando o assunto fosse você?

Pois bem, é muito provável que as outras pessoas também desejem o mesmo.

Por mais fascinante que seja falar mal dos outros “pelas costas”, isso jamais fará dessa prática uma atitude nobre.

Comentários da Equipe do Momento Espírita

Cheek to Cheek – Fred Astaire e Gingers Rogers