Feb102010

Como evitar o bullying na prática

Estava lendo meus e-mails, quando dentre tantos reparei em um que trazia no título a palavra bullying. A remetente? Minha amiga Flávia Moura, carioca da Tijuca, mais conhecida na blogosfera como Engraçadinha, do blog “Confissões do Exílio“. Engraçadinha é uma pessoa proibida para os mais puritanos. Ela fala o que der vontade de falar, sem falso moralismo e sem pudor. Pode não usar uma linguagem das mais rebuscadas, mas definitivamente é sincera e verdadeira. Por isso, resolvi ler o post dela de título “Eu já tomei no… bullying“.

Bullying, segundo a Wikipédia, é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou “valentão”) ou grupo de indivíduos, com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. No uso coloquial entre falantes de língua inglesa, bullying é frequentemente usado para descrever uma forma de assédio interpretado por alguém que está, de alguma forma, em condições de exercer o seu poder sobre alguém ou sobre um grupo mais fraco.

A Flávia contou em seu post o quanto já sofreu na época da escola, expôs o que ela entende como solução, etc. Se quiser, você pode ler o post dela na íntegra acessando o link a seguir: “Eu já tomei no… bullying“.

Fiquei pensando na situação e comecei a escrever um comentário. Entretanto, veio à mente: “Isso daria um post lá no Simples“. Então aproveito para expor aqui para vocês a minha vivência em relação ao bullying.

Não, eu nunca sofri bullying. Nunca. Talvez por eu sempre ter sido mais forte e além disso por saber lutar e usar minha força para me defender bem de eventuais agressores. Talvez por conhecer muitos outros alunos. Não sei… O que lembro é que nunca sofri agressão física ou psicológica. Também nunca perturbei ninguém. Ninguém mesmo. Ao contrário, defendi muitos de sofrerem bullying.

É sabido que toda escola tem aqueles tipos clássicos. O menino mais afeminado, o magricelo fracote, o gordo desengonçado, o baixinho, o lesado, o nerd de óculos, etc. E infalivelmente outros alunos pegam no pé deles. Eu, que odeio injustiça, dizia logo: “Quer mexer com alguém? Mexa comigo!” Assim os agressores recuavam e os deixavam em paz. Não havia uma vez sequer que eu não defendesse quem de ajuda necessitasse. Não porque sou bonzinho, mas porque odeio injustiça.

Aprendi desde a mais tenra infância que somos todos iguais, apesar de nossas diferenças; que devo respeitar a todos quer sejam fortes, quer sejam fracos, quer sejam gordos ou magros, baixos ou altos, quer sejam ricos ou pobres, negros ou brancos, do sexo feminino ou do masculino. No fim das contas é tudo uma questão de respeito pelo próximo e educação doméstica.

Eu fui muito amado em casa; recebi amor e bons ensinamentos como justiça, igualdade, fraternidade, solidariedade, honestidade, etc. Como dar ao mundo outra coisa? Não poderia. Agressão, violência, só se for em defesa própria ou de outrem menos favorecido, quer física, quer psicologicamente. E só.

Como evitar o bullying? Só quando os pais ensinarem melhores valores aos seus filhos desde a mais tenra idade, quando reconhecerem que educação se ensina primeiramente em casa (“costume de casa vai a praça”, lembra?). Só assim não haverá “valentões” querendo oprimir os mais fracos. Essa é a solução ideal.

E na prática? Já que há péssimos pais que não sabem educar seus filhos, nem dar limites a eles, recomendo que os pais de filhos que sofrem bullying ajudem seus filhos a ter mais confiança em si mesmos. Contribuam para que eles desenvolvam auto-confiança. Praticar algum tipo de luta para se defender não faz mal a ninguém. Outro aspecto que penso ser interessante trabalhar é a timidez, porque pessoas tímidas são muito mais susceptíveis de sofrer bullying. Afinal, os tímidos têm menos amigos e menos relações sociais em um dado grupo. Sem falar que por serem mais introspectivos, não revidam até mesmo por timidez.

Só não vale superproteger o filhote ou a filhota, hein. Porque senão seus filhos nunca aprenderão a se defender sozinhos e se tornarão adolescentes e adultos dependentes, que a qualquer sinal de perigo correrão amedrontados para o colo da mamãe ou do papai. A vida é dura. Todos precisam aprender a lidar com as vicissitudes dela.

Querem comentar o assunto? Querem deixar suas experiências? O espaço para comentários está aqui para isso mesmo. Disponham.

A todos um forte abraço e até muito breve.

Black Eyed Peas – I Got A Feeling

Feb52010

Já prestaram atenção nos nossos Haitis?

Hoje o Simples Coisas da Vida, que geralmente traz assuntos mais leves, embora importantes para reflexão, chama todos os leitores, de todos os lugares do mundo, para examinar e refletir sobre atitudes e comportamentos frente a tragédias humanas, como a acontecida no Haiti. Hoje o texto é um tanto quanto pesado, sofrido, mas que tocará no recôndito da alma de cada um que o ler. De uma coisa tenho certeza, é quase impossível sair ileso de uma leitura como esta que vos apresentarei mais abaixo. De antemão digo que não fui eu que escrevi. Foi o João Valadares, para o Jornal do Comércio – um dos jornais de maior circulação aqui no grande Recife, capital Pernambucana. As fotos foram tiradas por Chico Porto. Isto é vida real. Pensem bem. Há muitos Haitis por aqui, debaixo de nossos narizes. Será que nos acostumamos com eles? Deixarei para expor minha opinião ao final, como sempre gosto de fazer, para não tendenciar ninguém a pensar da minha maneira. Até porque meu maior objetivo com o blog é suscitar a reflexão. O pensamento, a atitude e o comportamento… É com cada um de vocês. Vamos lá:

Eleni Costa Souza é mulher de 40 anos. Mora na areia. Não levanta porque a força sumiu. Arrasta-se quando precisa de alguma coisa. Difícil mesmo é perceber sua existência. Pode chover ou fazer sol. Ela está lá, embrulhada, no mesmo lugar. Descascada de tudo, carrega um filho na barriga. Não sabe se é menino ou menina. Nunca foi ao hospital. Acha que está grávida de nove meses e há oito dias não consegue comer. Não tem força para mastigar o que nem existe. Toma só água ou o caldo de osso de sempre, catado pelo marido nos restos de Brasília Teimosa. Nêga, a vira-lata, lambe a mesma sobra, mas desdenha da comida. É o desespero que não faz barulho bem embaixo do nosso nariz, ao lado das quadras de tênis da Avenida Boa Viagem. Eleni é o nosso terremoto. Prova viva que aquele País devastado no Caribe não é visto apenas quando trocamos o canal da televisão. Está na vista da nossa varanda, na janela do carro, na esquina da gente, à espera do nosso lixo. Bem pertinho. Não sentimos, sequer percebemos. A terra por aqui nem chacoalhou, mas há sofrimento empilhado por todos os lados. Vida que já nem pode desabar. Só há chão no Haiti recifense. O reino do não. Dos que não comem, dos que não podem adoecer, dos que não recebem cartas porque não há endereço. Como lá, gente aqui virou entulho. Sobrevive por teimosia mesmo.

O tremor da gente é lento. Mata aos poucos, silenciosamente, como um cochicho de vergonha. Erivaldo Braz dos Santos, 27, é pai do filho que Eleni espera. Acorda quando o sol avisa que a pele está queimando. Feito bicho, sai, com dois amigos, para catar o que comer. Todo dia é a mesma coisa. Revira tudo. Toma cachaça de gole grande para esconder a vergonha e estender a mão aberta de humilhação para quem passa fazendo cooper. “Vergonha é roubar né não?” Dia desses, na sua missão diária para tentar se manter de pé, levantar a mulher e garantir o nascimento do filho, viu uma barraca do exército montada no 2º Jardim da Avenida Boa Viagem. Nem acreditou. Dentro, sacolas de comida enfileiradas e uma faixa enorme com alguma coisa escrita. Não entendeu, mas foi lá. “Disse que precisava comer. Não deram nada. Parece que é para aquele estado onde as pessoas estão passando fome. Não fiquei brabo não. Tenho fome, mas eles estão certos. O povo de lá tá precisando né não?” Na faixa estava escrito “Doações para o Haiti”. Mas era o Haiti de lá, Erivaldo. Uma das voluntárias da campanha confirmou a visita. “Duas pessoas vieram aqui, mas não damos comida de jeito nenhum. Esta campanha é só para o Haiti.”

Além do casal, moram no nada, na mesma areia, em frente ao Hotel Marante, Pedro Pereira da Silva, 62, Cláudio José de Santana, 29, e Edvaldo Oliveira. Pedro, que já foi mecânico, tem nas mãos um encarte de uma grande rede de supermercados, uma espécie de passaporte para sonhar. Passa devagar página por página, aponta as comidas mais bonitas, e sempre solta uma piadinha. Ele para numa página dupla da revistinha recheada de queijo, presunto, pão, camarão e uísque. É a diversão do dia. “O barato é aqui”, debocha do slogan multinacional que o provoca. Passa mais uma folha e solta outra. “O cartão ideal para equilibrar o seu orçamento.” Não aguenta, explode numa gargalhada bêbada e repete o slogan da salvação para o amigo. “Olha, o cartão ideal para equilibrar o seu orçamento.” Cláudio não entende nada.

Pedro se preocupa com Eleni. Ninguém sabe que doença a mulher tem. Parece queimadura. É carne viva. Ela mesma chuta a doença. “É o álcool que fez isso com minha pele. Não tenho força para nada. Tenho família, mas não tenho força nem para me levantar e procurar nada. Um dia um pessoal da prefeitura veio aqui, mas fiquei.” Erivaldo, que já foi dependente de crack, disse que ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Expliquei o caso. Liguei do orelhão a cobrar para o 192. Pediram o endereço, disse que morava aqui na areia, mas ninguém apareceu.”

O CARDÁPIO DO LIXO

No Centro de Abastecimento Alimentar de Pernambuco (Ceasa-PE), a feira que sustenta muitas famílias é retirada do lixo. É comum olhos apressados para o chão, tentando buscar o que “não serve”. Parece bicho, com cabeça dentro dos lixeiros, farejando comida para as bocas que esperam em casa. E do lixo sai tomate, mamão, melancia, verduras e muito mais. Alberto Borges mora na Favela do Chié, no Recife. Pega dois ônibus para chegar à Ceasa. “Não tenho vergonha. Preciso e venho pegar comida baleada aqui no lixo. Tem coisa boa”, diz.

Às 9h, começa a sessão de humilhação. Mulheres, crianças e velhas se aglomeram em frente ao local onde vai ser despejado o lixo da central de distribuição chamada Cantu. É aquele olhar pidão, uma súplica coletiva. A sobra de frutas podres ou amassadas é separada por apenas uma grade, mas os funcionários jogam com muita rapidez tudo para dentro do caminhão de lixo. Não dão chance para as pessoas aproveitarem o lixo que vai virar comida mais tarde. Ninguém quer perder a mão. O jeito é tentar pegar o que pode.

“Moro no Ibura. Venho para cá, mas é muita briga para pegar comida. Já levei até pancada na cabeça tentando pegar algumas maçãs podres”, diz Marluce Luiza da Silva, 62 anos. Tereza de Oliveira, 38, esperou, esperou e desistiu. “Vou embora, eles estão de marcação hoje.” Romildo José da Silva acorda às 5h. Vem de bicicleta da Favela Chico Mendes, no Caçote, na Zona Oeste do Recife. “Tenho dois filhos me esperando em casa”, diz depois de pescar um melão da lixeira. Romildo só volta para casa quando consegue encher todos os sacos. “Tô sem comida em casa. Vivo do que pego aqui pelo chão ou no lixo. Puxo carroça e, às vezes, ganho R$ 3 por dia. Essa é a vida.”

SETE PESSOAS VIVEM EM QUATRO METROS QUADRADOS

Parece mentira. Sete pessoas, dois adultos e cinco crianças, moram num barraco de quatro metros quadrados na comunidade Dorothy Stang, na Imbiribeira, Zona Sul do Recife. São quatro metros quadrados mesmo. Nada mais. É casa menor do que muitos banheiros. Uma caixa de madeira sem janela. Só cabe cama, televisão e toda a vergonha do mundo. Do lado de fora, é impossível acreditar na história contada pelo coordenador da ocupação sobre os meninos do pequeno quadrado. “Vamos lá. Vocês vão olhar e comprovar o que estou dizendo”, conta Marciano Manoel da Silva, 37.

Ao chegar ao local, Marciano grita pelo pai das crianças, o zelador Wellington de Souza Santos. Bate palma, chama mais uma vez e nada. Quem aparece é o menino mais velho, 9 anos. “Papai foi trabalhar. A gente tá sozinho.” No barraco, cinco crianças grudadas veem TV. Um ventilador velho sopra um bafo quente no rosto dos meninos. O menor dorme com o pai e a mãe numa cama de solteiro, que se encaixa perfeitamente tocando as duas paredes. Os outros quatro ficam no chão mesmo.

A Irmã Dorothy é um amontoado de miséria que impressiona. Para onde se olha, um susto. É criança correndo no meio do esgoto, mulher reclamando dos espancamentos cometidos pela polícia, mães exibindo os corpos manchados e ferido dos filhos. Às 12h30 em ponto, sai gente de tudo quanto é canto. É a hora da sopa. As crianças chegam batendo panela. Quando a Kombi do Instituto de Assistência Social e Cidadania (Iasc) da Prefeitura do Recife chega para entregar o balde, a fila já está sendo formada.

Cada um espera sua vez e recebe uma concha. Volta para casa e divide com os outros. Alguns reclamam que só tem caldo. “Não tem um pedaço de carne aqui” é uma das frases mais ouvidas. José Geraldo Viana, 51, havia juntado algumas latas de alumínio para tentar ganhar R$ 3 e comprar alguma coisa para os quatro filhos e a mulher. Mais tarde, a mulher de José estava na fila. Volta para casa com um pequeno balde do alimento. “Tem dia que não tem para todo o mundo. É confusão”, diz Marciano.

Não quero tomar muito mais o tempo de vocês, até porque sei que na internet as pessoas têm pressa. Muitos até sequer começaram a ler porque perceberam de cara que “o texto era extenso”, como se a qualidade nada importasse, só a extensão. Bem, não me importo com esses. Afinal, nem lerão o que estou escrevendo aqui agora. Mas e vocês, bravos guerreiros, que leram com calma e refletiram? Pararam para perceber que há muitos Haitis à nossa volta? Gente que não têm nada, que sobrevive por teimosia mesmo, como sugeriu o Valadares. Repararam? E nós, o que fazemos pelos nossos Haitis?

A mim parece hipocrisia se mobilizar para ajudar os de longe quando há tantos por perto tão carentes de tudo. Não que eu não me compadeça e me solidarize com a situação do Haiti caribenho. Claro. E até faço campanha para ajudar, para arrecadar mantimentos. Mas certo de que é importante fazer pelos meus, pelos que estão aqui no meu quintal. E eu faço. Quero mesmo é tocar na ferida dos que não fazem, dos hipócritas, dos metidos a bons samaritanos. Por que não ter campanhas contínuas de doação para os mais necessitados? Caramba! Romildo José da Silva, mencionado no texto, puxa carroça e às vezes, eu disse às vezes, ganha três reais por dia. Por que não ter campanhas de arrecadação constantes para pessoas como Romildo? Eu particularmente posso ajudar – e agradeço a Deus todos os dias por ser um privilegiado. Muitos podem. Tenho certeza. Poucos de fato ajudam. Infelizmente.

Então, antes de querermos ser as “almas bondosas” que ajudam os Haitis de lá, olhemos para os nossos Haitis de cá. Há muita miséria debaixo de nossos narizes. E cada um de nós pode fazer a diferença. Se podem ajudar os de cá e também os de lá, ótimo. Mas não reclamem do mundo ao redor de vocês, enquanto vocês nada fizerem pelos mais necessitados. Não adianta olhar para longe e varrer a miséria do nosso quintal para debaixo do tapete. Poderemos até fazer de conta que ela não existe, mas ela ainda assim estará lá.

Nov242009

A arrogância de um adolescente versus a sabedoria de um idoso

respeito2Estive um tanto quanto ocupado nos últimos dias e por isso a minha quase total ausência aqui no blog ou no twitter.

Recebi da leitora Meguie, por e-mail, uma sugestão para ser publicada aqui no Simples Coisas da Vida, conforme pode se ver abaixo:

“Olá, Cirilo, infelizmente nos dias de hoje os idosos ainda são tão menosprezados pelos jovens… Achei muito interessante este texto. Quem sabe você não se interesse em postá-lo. BJão! E como sempre, parabéns pelo Blog. Meguie Nascimento”

E como adoro sugestões e colaborações dos leitores do “Simples“…

Um jovem muito arrogante, que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro, próximo dele, porque era impossível a alguém da velha geração entender esta geração de agora.

“Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo!”, o estudante disse alto e claro de modo que todos em volta pudessem ouvi-lo.

“Nós, os jovens de hoje, crescemos com Internet, celular, televisão, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado Marte. Nós temos energia nuclear, carros elétricos e a hidrogênio, computadores com grande capacidade de processamento e…” – fez uma pausa para tomar outro gole de cerveja.

O senhor se aproveitou do intervalo do gole para interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse:

- Você está certo, jovem. Nós não tivemos essas coisas quando éramos jovens por que estávamos ocupados em inventá-las. E você, um adolescente arrogante dos dias de hoje, o que está fazendo para a próxima geração?

* * *

Onde e como eu fui criado, se desrespeitasse uma pessoa idosa, no mínimo levaria uma surra para aprender a respeitar. Não que eu recomende a violência, mas alguns jovens que vejo por aí bem que andam precisando de um bela surra para ver se aprendem; nem que seja porradas da vida…

* * *

Se você, querido leitor, querida leitora, tiver alguma sugestão ou colaboração para o “Simples“, sinta-se à vontade para entrar em contato pelo meu e-mail, que você pode encontrar clicando na guia “Contato”, no topo do blog. Pode ser um pensamento seu ou de outrem, desde que seja algo que valha a pena compartilhar, algo que edifique, algo que sirva para aprendizado (uma experiência por exemplo)… Meu objetivo é que O “Simples Coisas da Vida” seja sempre feito para todos e por todos.

Emilio Pericoli – Al Di La

Oct302009

Com jeitinho tudo vai…

jeitinho4Na verdade não queria colocar esse título, pois me pareceu meio erótico quando eu perguntei para Paulinha como entitular o post que escreveria hoje e ela me sugeriu ele. De qualquer forma cismei que o post tinha que ter a palavra “jeitinho”, pois foi o que me veio à mente quando do ocorrido conosco ontem à noite. Mas assevero, para não deixar dúvidas, que este post não tem cunho erótico, nem a Xuxa envolvida (como sugeriu o Marcel no @bqeg).

Este post é para lembrar aos mais truculentos, pedantes e arrogantes que “com jeitinho tudo vai…” ou pelo menos é mais fácil que vá.

Mas deixa eu contar primeiro, simplificadamente, o que aconteceu. Fui pra academia ontem à noite e quando voltei Paulinha me pediu que a levasse numa emergência especializada em olhos, pois um “cisco” havia entrado em seu olho direito desde cedo e não saíra, o que estava provocando uma dor constante nele. Ok. Prontamente saímos e fomos para a emergência. A médica examinou e verificou que realmente havia algo no olho de Paulinha. Após a “retirada do corpo estranho”, receitou um colírio e um antibiótico, pois o tal “cisco” havia arranhado a membrana ocular. Ok. Voltando para casa, entramos em uma farmácia para comprar o que a médica havia receitado. Lá estávamos nós, por volta das 22:30h, sendo atendidos pelo prestativo balconista quando entrou um sujeito truculento, se dirigiu ao balconista e quase ordenou, como se não estivéssemos ali, que ele buscasse um dado remédio. O balconista, muito educadamente, disse que ele esperasse um minuto, pois estava atendendo outros clientes (nós no caso). Ele então se superou; disse: “Eu sou da delegacia aqui perto! Não vou ficar esperando!”. Nós três, eu, Paulinha e o balconista, nos entreolhamos com aquela cara “E daí?”. O balconista educadamente disse que ele teria que aguardar um minuto enquanto atendia outros clientes e depois o atenderia. Ele, como dizemos por aqui em Recife, se arretou (tomou-se de ira), disse “Ah é?” e saiu puto da vida, atropelando tudo.

Sabe o que ele não sabia? Que com jeitinho tudo vai… Ou pelo menos é mais fácil que vá.

Se ele tivesse chegado, dito que estava apressado, que não poderia esperar e pedido com jeitinho… Eu cederia a vez. E digo mais: sinceramente, nem precisaria pedir, porque eu não estava com a mínima pressa e se ele tivesse se mostrado educado, eu mesmo teria dito para ele passar na frente e ser atendido primeiro.

Mas ele não sabia que se com jeitinho tudo vai… ou pelo menos é mais fácil que vá, sem jeitinho não vai nem a pau!

Emmerson Nogueira – Every Breath You Take

Sep172009

Cara-de-pau é isso!

devedorA carta a seguir foi enviada por um cliente devedor a uma das várias empresas credoras.

“Prezados Senhores, esta é a terceira carta de cobrança que recebo de Vossas Senhorias.

Sei que não estou em dia com os meus pagamentos. Mas acontece que eu estou devendo também a outras lojas e todas esperam que eu pague a elas. Contudo, os meus rendimentos mensais só permitem que eu pague duas prestações no fim de cada mês. As outras ficam para o mês seguinte. Não sou injusto, do tipo que prefere pagar a uma ou a outra empresa em detrimento das demais. Não!

Todos os meses quando recebo o meu ordenado, escrevo o nome dos meus credores em pequenos pedaços de papel, que dobro e coloco dentro de uma caixinha.

Depois, olhando para outro lado, retiro dois papéis, que são os dois “Sortudos” que irão receber o meu rico dinheirinho.

Os outros? Paciência. Ficam para o mês seguinte.

Afirmo aos Senhores, com toda a certeza, que a vossa empresa está presente todos os meses em minha caixinha. Se não paguei ainda, é porque os Senhores estão com pouca sorte.

Finalmente, faço uma advertência a vocês:

Se os Senhores continuarem com essa mania de me enviar cartas de cobrança ameaçadoras e insolentes, como a última que recebi, serei obrigado a excluir o nome da vossa Empresa dos meus sorteios mensais.

Cordialmente.”

*****

É cada figura sem noção que tem por aí… Morro de rir. Não da situação, claro, mas da criatividade, da presença de espírito de certas pessoas.

Mas na boa, muitas pessoas gastam com coisas supérfluas sem poder cumprir com suas obrigações depois. E isso eu acho uma tremenda falta de educação financeira. “Ah, Cirilo, mas eu ganho pouco…” Então compre menos, gaste de acordo com suas possibilidades. Falar é fácil? Nada disso. Você pensa que alguém por ser rico tem tudo facilmente e por isso pode sair por aí gastanto a torto e a direito? Não! Porque eu conheço quem ganha 50 mil por mês e vive “apertado”. A questão não é o quanto se ganha, e sim o quanto se gasta.

Conselho de amigo: organize-se, gaste de acordo com suas possibilidades e seja mais feliz, porque viver sem dever nada a ninguém dá um boom na sua qualidade de vida. Fica a dica. ;)

Bruce Springsteen – Waitin’ on a sunny day

Sep232008

Sobre a vida de advogado

Entrou na sala dele, contou-lhe sua versão da história. Ao final perguntou:
- “Doutor, o senhor acredita em mim?”
Ele não respondeu, mas pensou:
- “Eu não sou pago para acreditar. Sou pago pra ganhar a causa.”