Feb12010

Educação sexual nas escolas para crianças a partir dos 7 anos

No Fanstástico de 31/01/2010 foi suscitada uma questão de suma importância: educação sexual nas escolas para crianças a partir dos 7 anos.

Esse debate veio à tona principalmente porque o governo britânico passou a obrigar as escolas a dar aulas de educação sexual para crianças a partir dos 7 anos de idade. Leia um trecho da matéria veiculada no Fantástico:

Uma criança de 7 anos deve aprender na escola como são formados os óvulos e os espermatozóides?

E mais do que isso: nessa idade, ela pode receber informações sobre abuso sexual, emocional e violência doméstica?

O governo britânico acha que sim. A partir do ano que vem, todas as escolas britânicas vão ser obrigadas a dar aulas de educação sexual para crianças com 7 anos de idade.

Os objetivos são evitar o abuso sexual infantil e diminuir o índice de gravidez na adolescência.

Lisa Hallgarten, especialista em treinamento de professores, diz que na Holanda, onde a educação sexual começa mais cedo ainda, a partir dos 5 anos, esses índices são baixíssimos. Enquanto os ingleses, que começam a receber educação sexual aos 16 anos, têm o maior número de casos de gravidez na adolescência de toda a Europa.

É uma questão polêmica e que deixa confusa a cabeça de muitos pais. A pergunta que fica é se existe uma idade certa para começar a aprender educação sexual. Que cada um reflita…

Eu, Cirilo, penso desde há muito que a educação sexual deve começar cedo, em casa. E estender isso às escolas, vez que é o segundo maior local de formação do conhecimento de uma criança.

Sei que os mais pudicos e conservadores talvez pensem “Ah, meu filho é tão novinho.” ou “Ah, minha filha ainda vai demorar muito para pensar nessas coisas…”, etc. Mas o que a maioria de nós adultos não percebe é que as crianças evoluem cada vez mais rapidamente; que têm acesso a mais informações dia após dia, quer seja por meio de internet ou amigos.

Refletindo sobre a polêmica, lembrei de uma cena passada na última semana, num consultório. Estava esperando uma consulta e havia outras pessoas, dentre elas um casal com um filho de 4 anos. Começamos a conversar, eu e o casal, e de repente a criança olhou para o pai e fez uma pergunta inusitada: “Papai, como eu fui feito?” O pai não soube responder. A criança insistiu. O pai desconversou, deu aquela saída de emergência e despistou a atenção do filho. E a criança ficou sem saber “como foi feita”…

As crianças têm sedo de conhecimento e precisam ter acesso a ele. Afinal, quantos não passam maus bocados por pura e simples ignorância, desconhecimento?

Se os pais não querem, não têm tempo ou simplesmente não sabem educar sexualmente seus filhos, por que não dar essa incubência a educadores profissionais nas escolas já a partir dos 7 anos? Como viram na matéria, na Holanda é a partir dos 5 anos e os índices de gravidez na adolescência são baixíssimos.

Eu, particularmente, apoio totalmente essa ideia, desde que se tenha cuidado com o que será ensinado. Afinal, o ensino deve ser gradativo, com o passar dos anos, obviamente. E vocês, o que pensam a respeito?

Nov242009

A arrogância de um adolescente versus a sabedoria de um idoso

respeito2Estive um tanto quanto ocupado nos últimos dias e por isso a minha quase total ausência aqui no blog ou no twitter.

Recebi da leitora Meguie, por e-mail, uma sugestão para ser publicada aqui no Simples Coisas da Vida, conforme pode se ver abaixo:

“Olá, Cirilo, infelizmente nos dias de hoje os idosos ainda são tão menosprezados pelos jovens… Achei muito interessante este texto. Quem sabe você não se interesse em postá-lo. BJão! E como sempre, parabéns pelo Blog. Meguie Nascimento”

E como adoro sugestões e colaborações dos leitores do “Simples“…

Um jovem muito arrogante, que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro, próximo dele, porque era impossível a alguém da velha geração entender esta geração de agora.

“Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo!”, o estudante disse alto e claro de modo que todos em volta pudessem ouvi-lo.

“Nós, os jovens de hoje, crescemos com Internet, celular, televisão, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado Marte. Nós temos energia nuclear, carros elétricos e a hidrogênio, computadores com grande capacidade de processamento e…” – fez uma pausa para tomar outro gole de cerveja.

O senhor se aproveitou do intervalo do gole para interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse:

- Você está certo, jovem. Nós não tivemos essas coisas quando éramos jovens por que estávamos ocupados em inventá-las. E você, um adolescente arrogante dos dias de hoje, o que está fazendo para a próxima geração?

* * *

Onde e como eu fui criado, se desrespeitasse uma pessoa idosa, no mínimo levaria uma surra para aprender a respeitar. Não que eu recomende a violência, mas alguns jovens que vejo por aí bem que andam precisando de um bela surra para ver se aprendem; nem que seja porradas da vida…

* * *

Se você, querido leitor, querida leitora, tiver alguma sugestão ou colaboração para o “Simples“, sinta-se à vontade para entrar em contato pelo meu e-mail, que você pode encontrar clicando na guia “Contato”, no topo do blog. Pode ser um pensamento seu ou de outrem, desde que seja algo que valha a pena compartilhar, algo que edifique, algo que sirva para aprendizado (uma experiência por exemplo)… Meu objetivo é que O “Simples Coisas da Vida” seja sempre feito para todos e por todos.

Emilio Pericoli – Al Di La

Oct152009

Em louvor ao Mestre

teaching1Assimilar tudo que emana do mestre, porque é através dele que nasce e floresce o ideal e se desenvolve a cultura, como complemento da educação inicial da vida. A humanidade inteira tem carências de bons professores, que não se limitam apenas a transmitir conhecimentos, acontecimentos históricos, fórmulas matemáticas ou as maravilhas do pensamento humano, envoltos em embalagens concentradas.

O papel do educador é muito mais amplo e precioso e por isso mesmo deve acompanhar o desenvolvimento intelectual do educando nas suas primeiras experiências contra as barreiras do mundo. Partindo da educação inicial, ministrada no primário, deve o professor encontrar meios para incutir na mente do aluno o gosto pelas matérias que o acompanharão durante sua existência. Das quais depende seu futuro.

Inicia-se daí para a frente um aprendizado gradativo que tanto mais fervoroso será, quanto for marcante a personalidade e o caráter do mestre. O dia do professor não deve ser lembrado apenas no dia 15 de outubro. Mas deve ser revivido a cada encontro cotidiano. Cada vez que o professor entra na sala de aula deve ser motivo de grande satisfação, pois é por seu intermédio que se pretende alcançar a sabedoria. Cada dia, cada hora deve ser uma consagração ao esforço do professor. Enfrentando intempéries, incompreensões, baixos salários e desajustes vários, o professor desempenha o seu papel de relevante importância, ensinando, formando caráter e aprimorando personalidades; seja nos bancos do Jardim da Infância ou nos anfiteatros das respeitadas faculdades.

Contribuir para a formação do caráter do jovem, que alça vôo em direção ao seu ideal é uma tarefa que enaltece o mestre e o faz responsável pelo sucesso da pessoa, formada sob a inspiração dos seus conhecimentos. Nunca a civilização necessitou tanto de professores capacitados, inteligentes e ecléticos como no presente momento da tecnologia de ponta; cujas exigências são constante desafio para todos. Tanto no campo intelectual, como no que se relaciona com a formação da personalidade do aluno.

Mestres, ensinai aos vossos alunos que toda luta em favor de um ideal é uma luta santa. Que eles pensem com os corações repletos de desejos, para formação de uma personalidade forte e que busquem nas dobras de um futuro nebuloso as auroras iluminadas do saber. Fazei ver aos vossos alunos que o ideal é um impulso natural do espírito em busca da perfeição e que evoluir é ilustrar-se sempre mais em torno dos infinitos possíveis que nos cercam o tempo todo. Mostrai aos que recebem vossos ensinamentos que viver sem ideal definido, é percorrer caminhos em círculos, onde o saber não poderá alicerçar-se nem dar frutos.

Mestres. Vós sois os faróis luminosos que conduzem as mentes ainda não abertas, à cultura e à perfeição do saber. Forjai com vossa sapiência homens extraordinários e de talentos invejáveis. Homens que busquem na perfeição dos seus conhecimentos, alcançarem a glória dos primeiros lugares. Homens que possam comover-se diante de um pôr-do-sol, que vibrem ao ouvir os versos do poeta, que se contagiem com os feitos soberbos e valiosos dos abnegados cientistas, que bendigam os que chegaram à santidade. Que assimilem os ensinamentos dos sábios e que penetrem na profunda filosofia dos notáveis pensadores.

Parabéns, querido professor, pelos conhecimentos transmitidos por seu intermédio. Quer você seja um ás da retórica ou um simples mestre de qualquer obscuro povoado do interior. Importa, tão-somente, que ao seu lado possam os alunos receber as luzes do coração de mestre, como um farol nas trevas.

Rivaldo Cavalcante

***

Não preciso acrescentar nada mais, a não ser enaltecer o papel dos professores em nossas vidas.

Sem eles não teríamos o conhecimento que hoje temos.

Eu, particularmente, sou muito grato a todos os mestres que encontrei no caminho… E lembrarei deles aonde quer que eu me encontre.

A todos os professores e professoras meus sinceros parabéns; não apenas por este dia, mas por todos os dias do ano.

Jun102009

Coerência de princípios é a base da boa educação

principiosEm um mundo de tantas mudanças, pressões, cobranças de resultados, precisamos respeitar nossos princípios. Nossos valores devem ser sólidos e não podem ficar abalados por nenhum dinheiro deste mundo. E os princípios exigem clareza e coerência. As pessoas que têm princípios ambíguos e flexíveis acabam fragilizando sua dignidade.

É muito importante que mãe e pai mostrem seus princípios ao filho. Os pais que constantemente, e na prática, valorizam a honestidade, a lealdade, o respeito ao próximo, o sucesso através do trabalho dão aos filhos a certeza de que vale a pena cultivar essas qualidades.

No que diz respeito a esses valores, os pais devem ser firmes e coerentes. Mostre que a verdade sempre deve prevalecer sobre a mentira, que a justiça deve contrapor-se à mentalidade que prega a vantagem a qualquer preço. Todas as vezes em que os filhos (de qualquer idade) se mostrarem flexíveis quanto aos princípios, os pais devem conversar sobre o tema para demonstrar a necessidade da adesão total a esses princípios.

Por que dizer a verdade e rejeitar a mentira? Porque a pessoa que mente se enfraquece, cria laços com a angústia, com a ansiedade, com a insegurança e se torna vacilante no seu caminho de desenvolvimento humano. Educar com princípios é argumentar para que o filho entenda a razão pela qual precisa abraçar os valores.

Toda conversa entre pais e filhos deve se basear na busca de um sentido para a vida. Você já pensou na força das palavras dos seus pais? Você já percebeu que tem 30, 40 ou 50 anos de idade e até hoje escuta na consciência a voz dos seus pais? Por isso, tenha também consciência de que suas palavras e orientações são decisivas na vida de seus filhos. Eles jamais esquecerão o que você lhes disser.

Às vezes os pais mentem por coisas muito pequenas que, aparentemente, não fazem grande diferença. E essas pequenas mentiras acabam fazendo um grande estrago na vida de uma pessoa. É fundamental percebermos como esses detalhes influenciam a educação dos filhos, mesmo que naquele minuto a mentira parecesse ser a saída mais fácil. Os pais devem ter bem claro que tudo o que dizem e fazem repercutirá para sempre na vida dos filhos.

As pessoas estão buscando a vitória a qualquer custo, e isso inclui passar por cima dos outros. Não podemos abrir mão dos princípios da honestidade e confundir a vitória com o sucesso nem a derrota com o fracasso. Na vida de uma pessoa de sucesso também acontecem derrotas. Na vida de uma pessoa que fracassa há também muitas vitórias. E precisamos entender que uma derrota pode nos ajudar a aprender mais sobre nós mesmos, sobre a vida, e com isso crescer para, no futuro, conquistar uma grande vitória.
Querer uma vitória agora e, para atingi-la, agir de maneira antiética e desonesta é, além disso, totalmente inútil. Chegará o dia em que a verdade prevalecerá e aquela falsa vitória se tornará uma grande derrota.

Quando converso com os atletas que oriento, digo-lhes sempre: “Vamos procurar vencer sempre, mas não de qualquer jeito”. Vencer de qualquer jeito causa nas pessoas a percepção de que a vitória não foi delas, mas fruto da trapaça, da enganação. Não foi o atleta que venceu, mas sua falta de honestidade. Conseqüência: será um eterno frustrado. Uma vitória real e permanente só é possível quando construímos uma vida sobre bases sólidas. Nossos filhos precisam desse exemplo.

Roberto Shinyashiki

***

Princípios são tudo na vida de alguém. Sei muito bem disso porque fui criado com bases sólidas e por isso minha estrutura nunca desmorona. E quando tiver filhos farei de tudo para passar a eles os valores morais que recebi no seio familiar. São minha maior riqueza.

Oct312008

O “NÃO” protege, ensina e prepara.

Eu já cansei do sensacionalismo da mídia em torno do caso da menina Eloá, morta pelo ex-namorado Lindemberg; mas tudo serve de experiência e é preciso tirar certas lições do que ocorre em nossas vidas (ou na dos outros) e refletirmos para quem sabe evitar futuras tragédias. Recebi por e-mail um reflexão interessante e colocarei aqui para vocês com algumas adaptações e alterações para melhor se coadunar com meus pensamentos.

O que leva uma pessoa a acabar com a própria vida e a de outras? Índole? Influência da televisão? Situação social? Traumas? Raiva contida? Deficiência mental? Permissividade exacerbada da sociedade em que vivemos?

A resposta de Lindemberg foi simples: “Ela não quis falar comigo”. Eloá disse NÃO; NÃO queria mais falar com ele. Mas ele não aceitou um NÃO. O desfecho da história todos já sabem… Uma vida ceifada.

Se alguém pensar no absurdo do caso, perceberá que o único NÃO foi o dela. Faltaram muitos outros NÃOS nessa história toda… Faltou um pai e uma mãe dizer que a filha de 12 anos NÃO poderia namorar com um rapaz de 19 anos; Faltou NÃO deixar uma refém libertada voltar para o cativeiro; Faltou a polícia NÃO negociar com um sequestrador por mais de 24 horas; Faltou o governo dizer NÃO à imprensa, impedindo assim que apresentadores de tv sensacionalistas conversassem com o sequestrador… Faltaram NÃOS! Simples assim… Parece que a única que disse NÃO foi quem terminou com uma bala na cabeça.

O mundo inteiro está carente de NÃOS. Cada vez mais pais e educadores morrem de medo de dizer NÃO às crianças; Ainda hoje muitas mulheres temem dizer NÃO aos maridos – e alguns maridos temem dizer NÃO às esposas; Pessoas temem dizer NÃO aos amigos; Noras e genros não conseguem dizer NÃO às sogras; Subordinados não conseguem dizer NÃO aos chefes; Há até quem não consiga dizer NÃO aos próprios desejos… E assim são criados alguns monstros. Alguns talvez não cheguem a sequestrar pessoas, nem terminem por cometer homicídios, mas têm pequenos surtos quando escutam um NÃO, seja do guarda de trânsito, do chefe, dos professores, dos amigos, do namorado, da namorada… Pessoas assim acabam tendo a falsa ilusão de que o mundo gira em torno de suas próprias cabeças.

Os pais dizem que não querem traumatizar seus filhos – e não é raro ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos e festas faraônicas para seus filhos só para eles não ficarem tristinhos… Está difícil ouvir alguém dizer NÃO! Você NÃO pode bater no seu amiguinho. NÃO, você NÃO vai assistir essa novela para adultos. NÃO, você NÃO vai fumar maconha enquanto for contra a lei. NÃO, você NÃO vai passar a noite fora. NÃO, você NÃO vai dirigir sem carteira de habilitação. NÃO, você NÃO vai beber enquanto não for maior de idade. NÃO, essas pessoas NÃO são companhia para você (porque quem com porcos se mistura, farelo come). NÃO, hoje você NÃO vai ganhar brinquedo porque papai e mamãe têm outras prioridades em casa e o dinheiro não vai dar. NÃO, você NÃO vai comer só batata frita com refrigerante e chocolate depois. NÃO, você NÃO vai passar o tempo que quiser na frente do computador. NÃO, aqui NÃO é lugar para você ficar. NÃO, você NÃO vai faltar a escola sem estar doente. NÃO, essa conversa NÃO é para você se meter. NÃO, com isso você NÃO vai brincar. NÃO, hoje você está de castigo e NÃO vai sair com seus amigos…

Crianças e adolescentes que não ouvem bons, justos e firmes NÃOS, crescem sem saber que o mundo NÃO é só deles. E no primeiro NÃO que a vida dá – e ela dá muitos – eles surtam, usam drogas como fuga, compram armas e saem de carro dando tiros para o alto para se sentirem mais poderosos e corajosos, transam sem proteção e antes do tempo por rebeldia, batem nos professores, furam os pneus do carro do chefe, chutam mendigos e prostitutas nas ruas, etc.

Não se está defendendo com isso a volta da educação rígida e sem diálogo de outrora, ao contrário. Crianças e adolescentes tratados com amor verdadeiro, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma punição do pai ou da mãe – um NÃO como resposta. Sabem que amor não é somente prazer, mas também responsabilidade. E quem ouve NÃOS também aprende a dizê-los quando preciso for. Aprende que é necesário dizer NÃO a algumas pessoas, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que ame.

Assim, por mais que seja difícil, é preciso dizer NÃO em algumas situações a algumas pessoas que cruzam nosso caminho – e respeitar os NÃOS que recebemos. Só assim a violência desmedida de nossos dias será solucionada. O NÃO protege, ensina e prepara.

Mimar Você – Timbalada

Oct12008

O poder da ação não-violenta

Meu amigo Márcio Rocha enviou-me um e-mail que me fez refletir bastante sobre o poder da ação não-violenta e seu papel na educação dos filhos. Não tenho filhos ainda, mas quando tiver certamente me lembrarei dos ensinamentos contidos no texto enviado pelo Márcio e que agora compartilho com todos vocês. Alguns talvez o conheça, talvez já tenham lido em algum lugar, mas nunca é demais relembrar uma mensagem como esta.

O Doutor Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi e fundador do MK Gandhi Institute, contou a seguinte história sobre a vida sem violência, na forma da habilidade de seu pai, em uma palestra proferida em junho de 2002 na Universidade de Porto Rico.

“Eu tinha 16 anos e vivia com meus pais na instituição que meu avô havia fundado e que ficava a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul. Vivíamos no interior, em meio aos canaviais, e não tínhamos vizinhos. Por isso minhas irmãs e eu sempre ficávamos entusiasmados com a possibilidade de ir até a cidade para visitar os amigos ou ir ao cinema.

Certo dia meu pai pediu-me que o levasse até a cidade onde participaria de uma conferência durante o dia inteiro. Eu fiquei radiante com esta oportunidade.

Como íamos até a cidade, minha mãe me deu uma lista de coisas que precisava do supermercado e, como passaríamos o dia todo, meu pai me pediu que tratasse de alguns assuntos pendentes, como levar o carro à oficina.

Quando me despedi de meu pai ele me disse:

“Nos vemos aqui, às 17 horas, e voltaremos para casa juntos.”

Depois de cumprir todas as tarefas fui até o cinema mais próximo.

Distraí-me tanto com o filme (um filme duplo de John Wayne) que esqueci da hora. Quando me dei conta eram 17h30. Corri até a oficina, peguei o carro e apressei-me a buscar meu pai. Eram quase 18 horas.

Ele me perguntou ansioso: “Por que chegou tão tarde?”

Eu me sentia mal pelo ocorrido e não tive coragem de dizer que estava vendo um filme de John Wayne. Então disse a ele que o carro não ficara pronto e que tivera que esperar. O que eu não sabia era que ele já havia telefonado para a oficina. Ao perceber que eu estava mentindo, disse-me:

“Algo não está certo no modo como o tenho criado, porque você não teve a coragem de me dizer a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado a você. Caminharei as 18 milhas até nossa casa para pensar sobre isso.”

Assim, vestido em suas melhores roupas e calçando sapatos elegantes, começou a caminhar para casa pela estrada de terra sem iluminação.

Não pude deixá-lo sozinho… Guiei por 5 horas e meia atrás dele, vendo meu pai sofrer por causa de uma mentira estúpida que eu havia dito. Decidi ali mesmo que nunca mais mentiria.

Muitas vezes me lembro deste episódio e penso:

“Se ele tivesse me castigado da maneira como nós castigamos nossos filhos, será que teria aprendido a lição?”

“Não, não creio. Teria sofrido o castigo e continuaria fazendo o mesmo. Mas esta ação não-violenta foi tão forte que ficou impressa na minha memória como se fosse ontem.”

Jul142008

A honra e o respeito também se ensina.

É comum, em nossos dias, ouvirmos reclamações por parte de pessoas que se sentiram desrespeitadas em seus direitos.

É o médico que marca uma hora com o paciente e o deixa esperando por longo tempo, sem dar satisfação. É o advogado que assume uma causa e depois não lhe dá o encaminhamento necessário, deixando o cliente em situação difícil.

É o contador que se compromete perante a empresa em providenciar todos os documentos exigidos por lei e, passados alguns meses, a empresa é autuada por irregularidades que este diz desconhecer.

É o engenheiro que toma a responsabilidade de uma obra, que mais tarde começa a ruir, sem que este assuma a parte que lhe diz respeito. É o político que promete mundos e fundos e, depois de eleito, ignora a palavra empenhada juntos aos seus eleitores. Esses e outros tantos casos acontecem com freqüência nos dias atuais.

É natural que as pessoas envolvidas em tais situações, exponham a sua indignação junto à sociedade, e reclamem os seus direitos perante a justiça. Todavia, vale a pena refletirmos um pouco sobre a origem dessa falta de honradez por parte de alguns cidadãos. Temos de convir que todos eles passaram pela infância e, em tese, podemos dizer que não receberam as primeiras lições de honra como deveriam.

Quando os filhos são pequenos, não damos a devida atenção às suas más inclinações ou, o que é pior, as incentivamos com o próprio exemplo. Se nosso filho desrespeita os horários estabelecidos, não costumamos cobrar dele uma mudança de comportamento. Se prometem alguma coisa e não cumprem, não lhes falamos sobre a importância da palavra de honra. Assim, a palavra empenhada não é cumprida, e nós não fazemos nada para que seja.

Ademais, há pais que são os próprios exemplos de desonra. Prometem e não cumprem. Dizem que vão fazer e não fazem. Falam, mas a sua palavra não tem o peso que deveria. É importante que pensemos a respeito das causas antes de reclamar dos efeitos. É imprescindível que passemos aos filhos lições de honradez.

Ensinar aos meninos que as irmãs dos outros devem ser respeitadas tanto quando suas próprias irmãs. Que a palavra sempre deve ser honrada por aquele que a empenha. Ensinar o respeito aos semelhantes, não os fazendo esperar horas e horas para só depois atender como que estivéssemos fazendo um grande favor. Enfim, ensinar-lhes a fazer aos outros o que gostariam que os outros lhes fizessem, conforme orientou Jesus.

Não há efeito sem causa. Todo efeito negativo, tem uma causa igualmente negativa. Por essa razão, antes de reclamar dos efeitos, devemos pensar se não estamos contribuindo com as causas, direta ou indiretamente.

Momento Espírita

*****

Concordo plenamente que a honra e o respeito também se ensina. Ou melhor, que podem (e devem) ser ensinados pelos pais ou responsáveis aos mais jovens desde a mais tenra idade. Porque como aprendi educação se aprende em casa, no seio familiar.

Não me delongarei. Quero apenas externar minha consternação publicamente – assim como fez minha amiga Yvonne, do BlogGente – em relação ao absurdo que fizeram com o blog da nossa amiga Luma, do Luz de Luma. O Blogger censurou o “Luz” depois que alguém – que provavelmente nada entende acerca de honra e respeito – o denunciou como de conteúdo impróprio ou duvidoso. A Luma apenas havia postado foto de peitos nús, numa questão envolvendo o direito que algumas mulheres estão pleiteando de andar com os seios à mostra. E isso lá torna o blog de conteúdo impróprio ou duvidoso? Pelo amor de Deus… Como diria Copélia, de “Toma lá, dá cá”, “Prefiro não comentar!”.

Esse fato é importante mesmo para que você (é… você mesmo aí do outro lado da tela, você que está lendo até aqui) reflita, pois amanhã o censurado injustamente pode ser você.

Pense nisso.

Chacona – de Bach

Oct112007

Uma escada até as nuvens

apoio

Certa noite estava relendo um livro, antes de dormir, e uma passagem me chamou atenção, pois tratava da arte de educar os filhos. Não tenho nenhum, ainda, mas certamente observo ensinamentos como este que li para que os utilize em momento oportuno. Eis o texto:

Certo dia, Darlene e eu fomos a um enorme parque urbano, no sul da Califórnia, com nossos filhos, na época ainda pré-escolares. Era o tipo de parque que faz um homem crescido desejar voltar a ser criança. Havia balanços, labirintos, gangorras, mas o mais emocionante eram os escorregadores – não apenas um, mas três – um pequeno, um médio e um gigante. David, que na época tinha cinco anos, correu como uma bala na direção do pequeno.
_ Por que você não desce com ele? – perguntou-me Darlene. Mas eu tinha outra idéia.
_ Vamos esperar e ver o que acontece – disse eu.
Assim, relaxamos num banco próximo e ficamos observando. David subiu depressa ao topo do escorregador menor. Acenou para nós com um enorme sorriso nos lábios e deslizou rapidamente.
Sem hesitação, ele resolveu partir para o tamanho médio. Começou a subir a escada e, na metade do trajeto, olhou para mim. Virei o rosto. Ele analisou suas opções por uns instantes e, cuidadosamente, começou a descer, degrau por degrau.
_ Querido, você precisa ir até lá e ajudá-lo – disse minha esposa.
_ Ainda não – respondi, na esperança de que minha piscada de olho pudesse dizer a ela que eu não estava sendo descuidado com o menino.
David ficou alguns minutos na base do escorregador olhando outras crianças subirem, escorregarem e correrem de volta para subir de novo. Finalmente ele se decidiu. Criou coragem, subiu e escorregou para baixo. Na verdade, fez isso três vezes, sem nem olhar para nós.
Então, vimos nosso filho encarar o maior escorregador de todos. Neste momento, Darlene ficava ansiosa.
_ Bruce, acho que ele não deveria ir naquele escorregador sozinho.
_ Concordo – respondi calmamente -, mas acho que ele também não vai querer fazer isso. Vamos ver…
Quando chegou ao pé do escorregador, ele gritou:
_ Papai!
Mas eu olhei novamente para outro lado, fingindo que não podia ouvi-lo.
Ele deu mais uma olhada na escada. Em sua imaginação infantil, aquela escada deveria chegar até as nuvens. Ficou olhando um adolescente descer voando. Então, enfrentando o seu medo, ele decidiu tentar. Passo a passo, uma mão após a outra, devagar David avançou escada acima. Antes da metade da escada, de repente ele congelou. Naquele momento, o adolescente já estava atrás dele e gritou para que ele subisse logo. Mas David não podia. Não conseguia nem subir nem recurar. Ele havia chegado a ponto do evidente fracasso.
Corri para ele e perguntei, da base da escada:
_ Tudo bem com você, filho?
Ele olhou para mim, tremendo, mas segurando a escada com forte determinação. Ele tinha uma súplica na ponta da língua:
_ Papai, desce comigo? O adolescente estava perdendo a paciência, mas eu não queria deixar a oportunidade passar.
_ Por que, filho? – perguntei-lhe, olhando atentamente para seu pequeno rosto.
_ Não consigo fazer isso sem você, papai – disse ele, tremendo. _ É muito grande para mim!
Estiquei-me o mais que pude para alcançá-lo e o levantei em meus braços. Então, subimos juntos aquela longa escada até as nuvens. Chegando no topo, coloquei meu filho entre minhas pernas e o segurei com força. Então, descemos o escorregador gigante, rindo e gritando por todo o trajeto.

Ajude somente quando for realmente necessário, pois proteção demais é ruim para a auto-confiança de seus filhos. Se você fizer tudo, como eles podem aprender a “andar” por si próprios?

Tanto Amar – Chico Buarque

Mar52003

A mentira descoberta

O Dr. Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi e fundador do Instituto M.K.Gandhi para a Vida Sem Violência, em sua palestra de 9 de junho, na Universidade de Porto Rico, compartilhou a seguinte história como exemplo da vida sem violência exemplificada por seus pais:

“Eu tinha 16 anos e estava vivendo com meus pais no instituto que meu avô havia fundado, a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul, em meio a plantações de cana de açúcar.

Estávamos bem no interior do país e não tínhamos vizinhos. Assim, sempre nos entusiasmava, às duas irmãs e a mim, poder ir à cidade visitar amigos ou ir ao cinema.

Certo dia, meu pai me pediu que o levasse à cidade para assistir a uma conferência que duraria o dia inteiro, e eu me apressei de imediato diante da oportunidade.

Como iria à cidade, minha mãe deu-me uma lista de coisas do supermerc ado, as quais necessitava, e c omo iria passar todo o dia na cidade, meu pai me pediu que me encarregasse de algumas tarefas pendentes, como levar o carro à oficina.

Quando me despedi de meu pai, ele me disse: ‘Nós nos veremos neste local às 5 horas da tarde e retornaremos à casa juntos.’

Após, muito rapidamente, completar todas as tarefas, fui ao cinema mais próximo. Estava tão concentrado no filme, um filme duplo de John Wayne, que me esqueci do tempo. Eram 5:30 horas da tarde, quando me lembrei.

Corri à oficina, peguei o carro e corri até onde meu pai estava me esperando. Já eram quase 6 horas da tarde.

Ele me perguntou com ansiedade:

‘Por que chegaste tarde?’

Eu me sentia mal com o fato e não lhe podia dizer que estava assistindo um filme de John Wayne. Então, eu lhe disse que o carro não estava pronto e que tive que esperar… isto eu disse sem saber que meu pai já havia ligado para a oficina.

Quando ele se deu conta de que eu havia mentido, disse-me: ‘Algo não anda bem, na maneira pela qual te tenho educado, que não te tem proporcionado confiança em dizer-me a verdade.

Vou refletir sobre o que fiz de errado contigo. Vou caminhar as 18 milhas à casa e pensar sobre isto.’

Assim, vestido com seu traje e seus sapatos elegantes, começou a caminhar até a casa, por caminhos que nem estavam asfaltados nem iluminados. Não podia deixá-lo só. Assim, dirigi por 5 horas e meia atrás dele… vendo meu pai sofrer a agonia de uma mentira estúpida que eu havia dito.

Decidi, desde aquele momento, que nunca mais iria mentir.

Muitas vezes m e recordo desse episódio e penso.. Se ele me tivesse castigado do modo que castigamos nossos filhos… teria eu aprendido a lição?… Não acredito…

Se tivesse sofrido o castigo, continuaria fazendo o mesmo…

Mas, tal ação de não-violência foi tão forte que a tenho impressa na memória como se fosse ontem…

Este é o poder da vida sem violência.