Dec32012

Como fazer a escolha mais delicada de sua vida?

Escolher é difícil. Pergunte a um psicólogo e ele vai explicar por que gente obrigada a optar entre uma coisa e outra – qualquer que sejam essas coisas – sente ansiedade. Isso acontece em lojas de sapato, em restaurantes, na porta do cinema e até no sexo. Uma amiga me contou outro dia como foi estar numa festa e ter dois homens sedutores dando em cima dela. “Tive de escolher um deles, mas com um aperto no coração”, ela me disse. No dia seguinte, o bonitão que ela escolheu caiu no vácuo e nunca mais deu notícias. Escolher, ela aprendeu, é abrir mão de alguma outra coisa – e as consequências podem ser irreversíveis.

Infelizmente para nós, nem todas as escolhas são tão simples quanto a do sexo na balada. Penso na escolha mais delicada que a gente faz na vida, aquela que envolve os parceiros de longo prazo. Em que momento concluímos que uma pessoa deixou de ser apenas item de prazer ou fonte de encantamento e se tornou a criatura com quem vamos dividir a vida? Pode ser casando, comprando apartamento e tendo filhos, ou, de forma menos ritualizada, pondo os sentimentos e necessidades dela no centro da nossa vida, mesmo vivendo em casas separadas. O compromisso é parecido, assim como os caminhos que levam a ele.

A primeira coisa que conta nas grandes escolhas – eu acho – é a permanência. Ninguém tem direito a reivindicar um posto dessa importância sem ter ralado um tanto. Não adianta a Fulana decidir, em 30 dias, que vai ser sua mulher para o resto da sua vida. Não funciona assim. O teste do tempo é fundamental. Se aquela mulher ou aquele sujeito continua lá depois de todas as discussões e inevitáveis desencontros, se ela ou ele resolveu ficar depois de todas as chances de ir embora, se os seus sentimentos em relação a ele ou ela continuam vivos, um bom motivo há de haver.

É essencial, também, que a experiência de convívio seja boa. Amores tumultuados dão bons filmes e péssimas vidas. É essencial acordar no sábado e ter vontade de ficar mais tempo na cama, enrolado naquele ser ao seu lado. Se a conversa antes de dormir deixou de ser gostosa ou se qualquer programa parece mais interessante do que a companhia dela ou dele, para que insistir? O prazer que o outro proporciona é essencial. Prazer de transar, prazer de olhar, prazer de ouvir, prazer de simplesmente estar. Se você caminha pela rua com ela e os dois são capazes de rir um com o outro, algo vai bem. Se você passa a tarde com ele no sofá, lendo ou transando, e o dia parece perfeito, eis um bom sinal. A felicidade não tem receita, mas a gente percebe quando está funcionando.

Para que as coisas funcionem no longo prazo é essencial haver lealdade. Eu cuido, eu protejo, eu respeito – e você faz o mesmo comigo. Se você não sente que seus sentimentos e a sua vida são importantes para ele ou para ela, desista. Como o ambiente lá fora é hostil, é essencial saber que no interior da relação existe cumplicidade e abrigo, com um grau elevado de honestidade: você diz o que pensa e isso vai ajudar, ainda que doa. É impossível prometer que coisas ruins jamais irão acontecer, é falso garantir que os sentimentos permanecerão os mesmos para sempre, mas é essencial olhar nos olhos do outro e sentir a disposição de tentar, verdadeiramente, que seja assim. Aqui, agora, de todo o coração, tem de ser para sempre – ou então a gente nem começa.

Se tudo isso existir – e não é fácil – ainda fará falta um quarto elemento, essencial ao equilíbrio duradouro das relações: os planos. Se ele que ter cinco filhos e você não quer ser mãe, não vai rolar. Se ela quer levar uma vida de viagens e aventura e o seu sonho é ficar aqui mesmo, perto das famílias e dos amigos, não deu. Viver bem pressupõe afinidades essenciais de gosto, sentimento e expectativas, sem falar de ideologia. Todas essas coisas se refletem nos planos. Eu penso no amor como um voo de longa distância. O avião precisa estar carregado com o tempo da relação, com o prazer que ela proporciona e com a lealdade em que ela está baseada – mas as pessoas ainda têm de concordar sobre o destino. Se eu quero ir à Tóquio e você à Nova York, precisamos embarcar em vôos diferentes.

Ivan Martins

Jun92012

Amor só funciona em liberdade…

Eu, Cirilo Veloso Moraes, ganho muitos livros de meus amigos e amigas. Talvez por saberem do meu prazer infinito pela leitura. Talvez por quererem uma opinião minha a respeito de um determinado assunto. Talvez por… Sei lá… Mas o fato é que vez por outra aparece um amigo ou amiga com um livro e diz “Acho que irás gostar…” ou “Você precisa ler este livro!”. Bem, estava lendo um livro que ganhei da amiga Diana Torres dia desses. “Onze Minutos“, de Paulo Coelho, e me deparei com um trecho que me chamou atenção. Um trecho do Diário de Maria que fala sobre a ideia do amor verdadeiro, consubstanciado na liberdade, no movimento, e não na prisão que alguns insistem em querer colocá-lo. Compactuo desta ideia e por isso compartilho agora aqui com vocês:

Era uma vez um pássaro. Adornado com um par de asas perfeitas e plumas reluzentes, coloridas e maravilhosas. Enfim, um animal feito para voar livre e solto no céu, e alegrar quem o observasse.

Um dia, uma mulher viu o pássaro e apaixonou-se por ele. Ficou a olhar o seu voo com a boca aberta de espanto, o coração batendo mais rapidamente, os olhos brilhando de emoção. Convidou-o para voar com ela, e os dois viajaram pelo céu em completa harmonia. Ela admirava, venerava, celebrava o pássaro.

Mas então pensou: talvez ele queira conhecer algumas montanhas distantes! E a mulher sentiu medo. Medo de nunca mais sentir aquilo com outro pássaro. E sentiu inveja, inveja da capacidade de voar do pássaro.

E sentiu-se sozinha.

E pensou: “Vou montar uma armadilha. Da próxima vez que o pássaro surgir, ele não partirá mais”.

O pássaro que também estava apaixonado, voltou no dia seguinte, caiu na armadilha, e foi preso na gaiola.

Todos os dias ela olhava o pássaro. Ali estava o objecto da sua paixão, e ela mostrava-o às suas amigas, que comentavam: “Mas tu és uma pessoa que tem tudo”. Entretanto, uma estranha transformação começou a processar-se: como tinha o pássaro, e já não precisava de o conquistar, foi perdendo o interesse. O pássaro, sem poder voar e exprimir o sentido da sua vida, foi definhando, perdendo o brilho, ficou feio – e a mulher já não lhe prestava atenção, apenas prestava atenção à maneira como o alimentava e como cuidava da sua gaiola.

Um belo dia, o pássaro morreu. Ela ficou profundamente triste, e passava a vida a pensar nele. Mas não se lembrava da gaiola, recordava apenas o dia em que o vira pela primeira vez, voando contente entre as nuvens.

Se ela se observasse a si mesma, descobriria que aquilo que a emocionava tanto no pássaro era a sua liberdade, a energia das asas em movimento, não o seu corpo físico.

Sem o pássaro, a sua vida também perdeu sentido, e a morte veio bater à sua porta. “Por que vieste?” perguntou à morte.

“Para que possas voar de novo com ele nos céus” respondeu a morte. “Se o tivesse deixado partir e voltar sempre, você o amaria e o admiraria ainda mais; porém agora você precisa de mim para poder encontrá-lo de novo.

Li há muito tempo uma frase que dizia assim: “Amo a liberdade. Por isso, as pessoas que amo deixo livres; se voltarem é porque as conquistei; se não voltarem é porque nunca as tive.”

De fato, segundo minha experiência e do que aprendi na vida, o amor só funciona em liberdade.

Lembro de uma história que aconteceu com dois amigos próximos (quem me conhece talvez já tenha me ouvido contá-la algumas vezes).

Eles não se conheciam… Ela era uma menina linda. Era alegre, sorridente, reluzia um brilho inigualável quando andava, quando dançava, quando sorria extrovertida pelos quatro cantos onde passava… Ele era um rapaz igualmente lindo, tinha “presença”, chamava atenção dos olhares femininos. Ambos amigos meus. Num belo dia nos encontramos e lá estava ela dançando, falando com todo mundo, marcando presença e deixando o ambiente mais belo do que de costume. Ele a viu me abraçar e me dar um beijo bem grande, como só os intensos e verdadeiros sabem dar, e me perguntou: “Amiga sua?!”. Respondi que sim. Ele ficou encantando, não o culpo. Afinal, era dela que estávamos falando. “Me apresenta!” – insistiu. Adverti: “Você é ciumento, possessivo; é “presença”, mas inseguro. Não vai aceitar o jeito livre dela de ser…” “Que nada! Eu quero conhecê-la! Me apresenta!”. “Está bem….”. Apresentei os dois. Ela também se agradou dele. Afinal, o aparente geralmente nos prega cada peça… O fato é que começaram a namorar, super apaixonados. Adverti aos dois: “Vocês não combinam. São muito diferentes. Você livre; ele controlador. Pensem bem…” Ignoraram-me e seguiram… Ele, no começo, fazia vista grossa para o jeito expansivo e livre dela. Casaram. Tiveram dois filhos. Depois de um tempo, começou a querer limitá-la, como eu já previra desde o primeiro momento. Ela, por gostar dele, foi mudando… E murchando… E perdendo o seu brilho natural. Não mais tinha espontaneidade de falar com todos, não dançava mais, não brilhava. Deixou de ser o pássaro lindo que era. Tinha asas, mas esqueceu-se de como era maravilhoso voar… Já não cantava mais. Definhou.

E até hoje esse exemplo prático que aconteceu bem debaixo dos meus olhos não me sai da cabeça e me deixa com a certeza de não querer algo nem de longe parecido para minha vida. Quero apenas o que me for semelhante. Apenas alguém que me aceite como sou, que me estimule, que incentive o meu melhor, o que eu sou e o que me faz feliz. A ideia do “você faz por mim, eu faço por você e assim seremos felizes”. Se me amar, deixe-me livre para ser quem sou. Assim, do meu jeito. Louco. Livre. Porque como disse Lispector, liberdade é pouco. O que eu quero ainda não tem nome.

Camille Saint-Saëns – The Carnival of the Animals, The Swan

Sep162011

Amar sinceramente; não por conveniência.

“… Quando derdes um jantar ou uma ceia, não convideis, nem vossos amigos, nem vossos irmãos, nem vossos parentes, nem vossos vizinhos que forem ricos, de modo que eles vos convidem em seguida, a seu turno, e que, assim, retribuam o que haviam recebido de vós…” (Capítulo 13, item 7, do Evangelho Segundo o Espiritismo)

Fazer o bem pelo único prazer de fazê-lo, amar sinceramente dando o melhor de nós mesmos sem pensar em retribuições – eis a base do amor incondicional.

A sinceridade é o melhor antídoto para afastar falsas amizades. Convidar à mesa os pobres, os estropiados, os coxos e os cegos – na recomendação de Jesus – é angariar relacionamentos satisfatórios, leais, estimulantes, sem segundas intenções.

Talvez por querermos levar vantagens e proveito em tudo, tenhamos atraído para o nosso círculo afetivo amizades vazias, distorcidas, que representam verdadeiros parasitas de nossas energias. Por isso nos sentimos, algumas vezes, inadaptados ao meio em que vivemos.

Mas se amarmos por amar, encontraremos criaturas que não se preocuparão com as escalas hierárquicas e nos aceitarão como somos. Não esperarão de nós toda a sabedoria para todas as respostas, apenas compartilharão conosco o carinho de bons amigos.

O refrão da conveniência é:
- Vou te amar se…
Se me recompensares, serei teu amigo.
Se me convidares, eu te prestigiarei.
Se ficares sempre a meu lado, eu te amarei.
Se concordares comigo, concordarei contigo.

Jesus nos pede desinteresse nas relações, e não imposições de conformidade com as nossas paixões. Ele nos ensina a lição de não manipularmos ocasiões, porque toda cobrança fragiliza relacionamentos, e em verdade é uma questão de tempo para que tudo venha a ruínas.

Os sentimentos verdadeiros não são mercadorias permutáveis, mas alimentos nutrientes das almas, os quais nos dão fortalecimento durante as provas e reerguimento perante as lutas expiatórias.

Quando esperamos que os outros supram nossas carências e nos façam felizes gratuitamente, não estamos de fato amando, mas explorando-os.

Ao identificarmos jogos de manipulação, procuremos relembrar nossa verdadeira missão na Terra, pois sabemos que não viemos a este mundo a fim de agradar aos outros ou viver à moda deles, mas para aprender a amar a nós mesmos e aos outros, sem condições.

Em muitas ocasiões, fundimos nossos sentimentos com os de outros seres – cônjuge, pais, filhos, amigos, irmãos – e perdemos nossas fronteiras individuais, por ser momentaneamente conveniente e cômodo. A partir daí, esperamos sempre retribuições deles, nossos amados, e sofreremos se eles não fizerem tudo como desejamos.

Esquecemos de abrir o círculo da afetividade para outros seres e não percebemos o quanto é saudável e imensamente vitalizante essa postura. Continuamos a convidar à mesa somente aqueles com quem fazemos questão de compartilhar mútuos interesses.

Embora, de início, não avaliemos o mal que essa atitude nos causa, é provável que soframos a solidão num amanhã bem próximo, pois os laços afetivos podem ser desfeitos pela morte física ou por separações outras. Por termos restringido esses vínculos afetivos, sentiremos certamente a tristeza de quem se acha só e abandonado como se tivesse perdido o chão.

A observação dos jogos sociais dar-nos-á sempre uma real percepção de onde e quando existem encontros unicamente realizados para a busca de vantagens pessoais. E para que possamos promover autênticos encontros, providos de sinceridade e boas intenções, é preciso sejamos primeiramente honestos com nós mesmos, para atrairmos as legítimas aproximações, através de nossos pensamentos e propósitos de franqueza.

A vantagem dos relacionamentos sinceros é uma abertura de nossa afetividade em círculos cada vez maiores, que, por sua vez, edificarão uma atmosfera de carinho e lealdade em torno de nós mesmos, atraindo e induzindo criaturas francas e maduras a partilhar conosco toda uma existência no Amor.

Do livro “Renovando Atitudes”, de Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por Hammed.

Jul192010

Sem liberdade para ousar…

Numa pequena granja, havia um frango que se destacava dentre todos os outros pela coragem, pelo espírito de aventura e pela ousadia. Andava por onde queria, mas o dono não apreciava suas qualidades.

Um dia, vendo que nada o segurava dentro da granja, resolveu puní-lo. Fincou um bambu longe da granja, no meio do pomar, arrumou um barbante e amarrou o frango. De repente, o mundo tão amplo que a ave tinha foi reduzido a uma distância à qual o barbante lhe permitia chegar. De tanto andar nesse círculo, a grama, que era verde, foi desaparecendo e ficou somente a terra.

Depois de um tempo, o dono acreditou que o castigo já estava dado, pois o frango, que era tão inquieto e audacioso, havia se tornado pacato e desinteressado. Então, cortou o barbante que lhe prendia o pé e o deixou solto. Agora estava livre, poderia ir aonde quisesse. Mas, estranhamente, o frango mesmo solto não ultrapassava o limite que lhe havia sido imposto. Só ciscava e andava dentro do círculo que criara. Olhava para o lado de fora, mas não tinha coragem suficiente para se aventurar e sair do seu espaço. Preferiu ficar do lado conhecido. Com o passar do tempo, envelheceu e ali morreu.

a.d.

* * *

Esse pequeno texto pode servir para pensarmos em várias situações…

Pais podem pensar na educação que dão aos seus filhos. Será que estão incentivando seus filhos a ousar e a descobrir novos horizontes ou só fazem reclamar e tolher a criatividade e ousadia deles?

Empregadores podem pensar no relacionamento que têm com seus empregados. Será que alimentam na mente dos empregados a ideia de que eles são parceiros e os estimulam a aprimorar e a reinventar os valores da empresa?

Cônjuges e namorados podem pensar em suas relações com seus parceiros. Se eu me apaixonei por ela assim, livre, leve e solta, que mais parecia uma linda ave a me enebriar com o seu bater de asas ao vento… se me apaixonei por ela assim, por que hoje insisto em tê-la presa em uma gaiola sufocante que tolhe a liberdade dela ser quem é e a impede de cantar e brilhar como só ela consegue fazê-lo?

Reflitam sobre isso… Lembrem-se que sem liberdade para ousar, sem liberdade para ser quem se é, a vida se torna monótona, sem entusiasmo, desinteressante.

Camille Saint-Saëns – The Carnival of the Animals, The Swan

Jun112010

Você sabe viver sozinho?

“A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado”

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei, se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesma. Elas estão começando a perceber que se sente fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.

Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.

Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.

Flávio Gikovate, psicoterapeuta

* * *

Perfeito! Vivo dizendo isso.

Basicamente, se eu tivesse que escolher duas passagens para que vocês guardassem aí dentro de vocês, seriam elas:

“A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.”

E “A nova forma de amor visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.”

Reflitam.

Waving Flag – K’Naan

Sep112009

O homem perfeito…

O homem perfeito é lindo
tem um pouco de mistério
é belo quando está rindo
é belo quando está sério

O homem perfeito é bom
tem um jeito carinhoso
quando fala em meigo tom
causa arrepio gostoso

O homem perfeito é fino
é solícito, é fiel
tem a graça de um menino
e é mais doce do que o mel

O homem perfeito adora
dar flores, botões de rosa,
a uma velha senhora
ou a uma jovem formosa

O homem perfeito tem
energia, não se cansa,
lava louça, cozinha bem,
gosta muito de criança

O homem perfeito é
sensível, adora arte
gosta de dança e ballet
Nunca haverá de magoar-te

Para encerrar a preceito
estes versos que alinhei:
se existe um homem perfeito,
ele só pode ser gay.

a.d.

*****

Há pouco mais de 3 anos atrás, publiquei um texto aqui no “Simples Coisas da Vida“, com o título “Homens perfeitos não são homens“. Confiram. É muito interessante.

Update:

De qualquer forma, perfeição é um conceito que depende do ponto de vista de cada um. Aqui, no sentido do texto, que por acaso tem uma veia humorística, realmente não existe homem perfeito. Mas, segundo o meu entendimento, de acordo com minha maneira de pensar, existe sim tanto homem perfeito, quanto mulher perfeita. Contudo uma perfeição relativa. Explico: Fulano pode ser “perfeito” para Sicrana, mas não para Beltrana. Só assim entendo a perfeição, como algo relativo, mas utopicamente falando realmente não vejo nem como existir essa tal perfeição. Até porque entendo que para algo ou alguém ser “perfeito”, não precisa ter apenas virtudes, pois a perfeição para mim nesse sentido compreende os defeitos e as qualidades porventura existentes. O ideal é apenas que estas suplantem aqueles. Eu, por exemplo, já tive mulheres, aparentemente e aos olhos dos outros, perfeitas, mas que para mim assim não eram. Em contrapartida já tive mulheres que para os outros nem eram lá essas coisas, mas para mim eram maravilhosas. Isso corrobora o meu entendimento de que a perfeição é algo extremamente relativo. Mas existe sim.

Papa Roach – Not Listening

Sep82009

Mulheres merecem os homens-merda que têm.

mulheresEstava sábado no Twitter, enquanto esperava amigos chegarem para uma farra aqui em casa e ouvi aquela música que diz “Você não vale nada, mas eu gosto de você. Você não vale nada, mas eu gosto de você.”.

Pensei: é brilhantemente verdadeira para algumas pessoas. Realmente me impressiona alguém gostar de quem “não vale nada”.

Ao ouvir a música em questão, lembrei de várias amigas. Alguns amigos até, mas principalmente amigas mulheres. Recentemente, inclusive, mais uma me surpreendeu. Explico: ela só se ferrava com homens-merda: os cafajestes que existem aos montes por aí. Eles ludibriavam, enganavam, enrolavam e ela caía… Chegou a quase cortar os próprios pulsos por causa de um. Felizmente consegui evitar antes do infortúnio.

Então que o tempo passa e a “sorte” dela muda, dá uma guinada, e ela encontra um cara realmente bacana. Começam a namorar, tudo vai bem. De repente ela termina.

O argumento? “Não estava preparada para um relacionamento”. Ah vá se fud*er!!! Tenho saco pra isso não.

Por isso eu digo: tenho amigas mulheres que merecem os homens-merda que têm.

Calcinha Preta – Você não vale nada, mas eu gosto de você

Aug282009

Relacionamento tem a ver com união; não com fusão!

together2Amem-se um ao outro, mas não façam do amor uma prisão.

Que haja antes um mar ondulante entre as praias de suas almas.

Encham a taça um do outro, mas não bebam na mesma taça.

Deem de seus pães um ao outro, mas não comam do mesmo pedaço.

Cantem e dançe juntos, e sejam alegres, mas deixem cada um de vocês estar sozinho, assim como as cordas da lira são separadas e, no entanto, vibram na mesma harmonia.

Adaptado de Khalil Gibran

*****

Como eu sempre digo, relacionamento tem a ver com união, não com fusão.

Fica a dica.

Vanessa da Mata – Ainda bem

Jul152009

Respeito é fundamental!

respeitoJá escrevi aqui no blog (em meados de 2003) sobre a importância do respeito e inclusive utilizei-me deste conto chinês para elucidar o que penso. Fato é que hoje deparei-me novamente com o tema, um texto adaptado de Marcelo Ponzoni, e resolvi compartilhar com todos vocês – dezenas de milhares de leitores e leitoras do “Simples Coisas da Vida” – esta ideia: Respeito é fundamental!

[Um sujeito estava colocando flores no túmulo de um parente, quando vê um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele se vira para o chinês com um ar de deboche e pergunta:
- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde:
- Sim, na mesma hora que o seu vier cheirar as flores!]

“Respeitar as opções do outro, em qualquer aspecto, é uma das maiores virtudes que um ser humano pode ter. As pessoas são diferentes, agem diferente e pensam diferente. Nunca julgue. Apenas compreenda!”

Para ser respeitado é preciso respeitar, o que significa não julgar, e sim compreender.

Mas então, onde começam e acabam os limites interpessoais?

Que atos e decisões são capazes de ser percebidos, a ponto de conquistar respeito?

… somente pelas somas de atitudes seremos capazes de conquistá-lo, e… um simples tropeço pode pôr tudo a perder.

“Sentir-se respeitado é um dos melhores sentimentos de orgulho, tanto pessoal como profissional. Algumas atitudes como: ser cordial, ser educado, saber ouvir, prestar atenção, considerar o ambiente hierárquico, sorrir espontaneamente, ser verdadeiro e transparente, ter firmeza nas palavras, apoiar, praticar a humildade e a compaixão podem ser grandes aliados no processo de conquista de respeito.”

… manter relacionamentos é manter e exercer o respeito; é ele que determina os limites da ação interpessoal.

“Conquistar respeito é conquistar confiança e apreço. Quem respeita sempre terá a possibilidade de ser respeitado e terá como retorno das pessoas um alto nível de confiança e comprometimento.

Pensem nisso. Reflitam. E acima de tudo lembrem-se de sempre manter uma atitude respeitosa em relação aos demais.

Emmerson Nogueira – Show me the way

May182009

O que um obsessor pode fazer com você

obsessor1Ele abaixou o olhar e fugiu de minha presença. Eu sabia que ele só atuava porque as pessoas lhe davam muito espaço. E no caso de Janir e Dalva, elas praticamente entravam em simbiose com ele.

Eu ainda nada podia fazer sem que elas resolvessem mudar de comportamento. Rezei que reavaliassem seus comportamentos o mais rapidamente possível. Pois não absorviam as inspirações superiores e sempre escolhiam as influências do obsessor.

Ele tinha sua cota de culpa, não havia dúvidas, mas os obsediados não eram inocentes, pois se identificavam tanto com ele, que em muitas ocasiões até pediam sua má influência.

Pediam, como no exemplo de Dalva, quando ficava procurando na mente fatos para pensar mal das pessoas. Pediam, como no caso de Janir, que esquecia que a vida não era feita apenas para se ficar mirando no espelho e procurando defeitos materiais.

Pediam, como no caso de Carlos Eduardo e Marcela, que queriam o dinheiro pelo poder de o ter. Pelo prazer de comprar exageradamente coisas materiais.

Pediam, quando olhavam as pessoas procurando nelas apenas o que tinham de ruim a oferecer. PEdiam, quando queria viver apenas de aparências. Quando queriam ter apenas mais do que fulano ou beltrano. Sem avaliarem realmente o que precisavam. Pediam, quando anulavam os instintos bons e o conhecimento aproveitável.

Em resumo, pediam quando mentiam, enganavam, tripudiavam, caluniavam e prejudicavam outrem.

*****

Todo dia aprendemos, nem sempre com a nossa própria experiência e nossos próprios erros. Se apenas estas experiências contassem, o que seria de nós e da humanidade? Seria negar toda a experiência histórica e apenas nos restringir a nossa própria, alongando imensuravelmente o caminho à evolução, negando toda cultura humana até aqui conquistada.

O espírito Carlos Augusto dos Anjos tornou-se amigo de um ser, que demorou um pouco para compreender que ele era seu amigo. Ele estando no plano espiritual, tentou socorrê-lo muitas vezes de seu mergulho na escurdião da ignorância. Assim soube em detalhes de sua história de obsessão. Pediu então a ele autorização para narrá-la, para que todos possam entender como ocorrem os processos de obsessão. E ele concedeu.

Então, o livro “Inimigo de Família. O que um obsessor pode fazer com você.“, do espírito Carlos Augusto dos Anjos, pela médium Amarilis de Oliveira, conta uma história envolvente de erros sucessivos de uma família repleta de ódio, recalques, obsessão e amor. Uma história que serve de exemplo do que devemos e não devemos fazer.

Que sirva de ensinamento, alerta e reflexão para todos vocês.