Uso de maconha leva à dependência?

Eu não sou especialista no assunto, mas como recebo muitos e-mails pedindo esclarecimentos sobre drogas, como o mais recente, do Junior, de BH, que usa há dois anos e está tentando parar, resolvi publicar perguntas enviadas [e suas devidas respostas] a Danilo Baltieri, médico psiquiatra, mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas, ou seja, alguém com maior conhecimento nessa área específica do que eu.

Gostaria de saber se o uso esporádico de maconha leva à dependência?

Resposta: O consumo de maconha em geral começa ocasionalmente (em festas e com amigos), avança para consumo regular, passa para o uso freqüente, depois pode progredir para o abuso e, finalmente, para a dependência. Trata-se de um avanço progressivo do consumo da droga. Isso não quer dizer que todas as pessoas que experimentam a droga se tornam dependentes da mesma. Todavia, isso também não quer dizer que todas as pessoas que a experimentam não se tornam dependentes dela. Existem múltiplos fatores de risco que facilitam o desenvolvimento do quadro de dependência química da maconha, como fatores genéticos, psicossociais e ambientais.

A maconha consiste na mais freqüente substância ilícita consumida no Brasil e em vários outros países do mundo. Ainda muitas pessoas acreditam que ela não gera dependência, embora quadros de síndrome de dependência desta substância sejam freqüentes nos serviços especializados no tratamento das dependências químicas.

Usuário de maconha por décadas pode largar de uma vez só?

Resposta: O usuário de maconha por décadas deve procurar um profissional especializado para auxiliá-lo no difícil processo de cessação do consumo de substâncias. Seguramente, o usuário pode cessar o consumo de uma só vez. Nestas circunstâncias, ele pode experimentar sintomas de síndrome de abstinência, como irritabilidade, insônia, ansiedade e redução do apetite, além de importante desejo de voltar a usar, que podem ser manejados clinicamente. De qualquer forma, o mais importante do processo é a decisão clara por parte do usuário de parar o uso.
Recomendo cessação imediata do uso da droga, através da mudança de estilo de vida e de comportamentos associados a esse consumo. O apoio de familiares e amigos sempre é bem-vindo. Em geral, quando sob tratamento, eu recomendo a cessação imediata do consumo da droga. Isso não costuma ser uma tarefa fácil para o dependente que apresenta fissura pela droga, consome grandes quantidades de maconha em alta freqüência e possui a maior parte dos seus amigos também consumidores da droga. Todavia, a decisão deve ser clara e lembrada ao paciente durante as suas consultas.

Mesmo quando o paciente dependente consegue manter um tempo considerável de abstinência da droga, através de mudança do seu estilo de vida e da modificação dos comportamentos associados a esse consumo, ele pode voltar a consumi-la (recaída). Isso não deve significar “falha” do tratamento. Ao contrário, o paciente deve ser novamente incentivado a permanecer abstinente, reconhecendo as situações e os motivos que o levaram à recaída, objetivando driblá-los futuramente. O desenvolvimento de estratégias de evitação do consumo da substância, a mudança do estilo de vida, e o reconhecimento de que a Síndrome de Dependência consiste em uma doença, costumam ser ferramentas essenciais no processo terapêutico.

Maconha causa dependência química? Quais são os sintomas de abstinência?

Resposta: O quadro de síndrome de dependência provocado pelo consumo de maconha é bem estabelecido, embora ainda muitas pessoas, em geral usuários, duvidem disso.

A síndrome de dependência é caracterizada pela existência de perda do controle diante do consumo da substância, de prejuízos sociais, educacionais, laborais relacionados ao uso, do abandono de outros prazeres em função do consumo da droga, da evidência de tolerância (aumento da dose ou quantidade consumida, com o objetivo de se atingir os mesmos efeitos obtidos anteriormente com menores doses ou quantidades), síndrome de abstinência (sintomas psicológicos e/ou físicos decorrentes da parada ou redução abrupta do uso da substância). Na verdade, o indivíduo dependente apresenta três ou mais das características citadas acima.

A síndrome de abstinência de maconha costuma se apresentar com sintomas ansiosos, certa inquietação, desejo de fumar para cessar este estado de desconforto e irritabilidade. Embora os sintomas da síndrome de abstinência de maconha não sejam fisicamente evidentes, como seria nos casos do álcool e opióides, provocam importante desconforto entre os dependentes.

Psicoterapia seria o tratamento mais indicado para largar maconha?

Resposta: As psicoterapias consistem em uma das formas de tratamento que podem ser utilizadas em pacientes dependentes de maconha. Dentre elas, a terapia comportamental tem sido uma das mais utilizadas em vários serviços ao redor do mundo, mostrando resultados contrastantes.

Na verdade, o grande objetivo desta forma de terapia é a modificação do comportamento do usuário em relação ao consumo desta substância, procurando, principalmente, a modificação do seu estilo de vida, a estruturação de estratégias de evitação do uso e o manejo das recaídas, as quais, em geral, são freqüentes.
Libertar-se do vício da maconha é uma questão multifatorial que depende de: automotivação; suporte de amigos familiares ou grupos de auto-ajuda; e intervenção médica ou psicológica. Infelizmente, ainda não existem medicações comprovadamente eficazes para auxiliar no tratamento da dependência de maconha, embora muitas pesquisas estejam se dedicando a isso. De qualquer forma, o sucesso do tratamento depende basicamente de três fatores: a motivação do indivíduo em cessar o consumo da droga, o suporte de familiares e amigos, e a existência de uma intervenção médica ou psicológica adequada para cada pessoa.

Fonte: Vya Estelar

Sei que há muito mais a esclarecer sobre drogas como a maconha e demais sustâncias entorpecentes. Aceito sugestões de todo tipo… de sites, de livros a respeito do assunto, de lugares para tratamento, etc. Funciona assim: quando mais e mais pessoas se unem com o mesmo propósito, melhorar o mundo torna-se menos penoso. Conto com cada um de vocês nessa guerra contra as drogas. Só assim pessoas como o Júnior, de BH, e tantas outras do país inteiro, poderão se livrar das drogas e ajudar outras pessoas a fazer o mesmo.

Comentários

  1. prms983@gmail.com disse

    eu tenho 31anos e sei do que falo por experiência propria larguem duma x e sorriam pk a vida e boa… um conselho se algum medico vos incutir ansioliticos caguem nisso pq e droga na mesma e na hora de parar com a medicação vai ser complicado…existem muitas solucoes naturais sem causar dependência.voces vao notar muita coisa boa
    vai se acabar a preguiça de fazer atividades
    vai se acabar os transtornos de comportamento ora vc ta bem ora ta mal
    no inicio vai sentir mta vontade de pegar vai suar mt de noite vai andar nervoso e ansioso mas tudo passa ao fim dumas semanitas abraço e forca para quem quer deixar quem nao quer q continue

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